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    O fim de um relacionamento é uma grande ruptura: daquelas que viram a vida de cabeça para baixo. A rotina familiar, em que duas pessoas compartilhavam interesses, momentos e, muitas vezes, até o mesmo espaço físico, desmorona de repente, deixando cada uma em seu próprio mundo. Além disso, os casais não estão conectados apenas na vida real, mas também digitalmente. Assinaturas compartilhadas, endereços e senhas salvos, acesso a armazenamentos conjuntos na nuvem, tudo isso fazia parte do dia a dia
     

Como proteger seus dados após uma separação | Blog oficial da Kaspersky

24 de Julho de 2026, 09:00

O fim de um relacionamento é uma grande ruptura: daquelas que viram a vida de cabeça para baixo. A rotina familiar, em que duas pessoas compartilhavam interesses, momentos e, muitas vezes, até o mesmo espaço físico, desmorona de repente, deixando cada uma em seu próprio mundo.

Além disso, os casais não estão conectados apenas na vida real, mas também digitalmente. Assinaturas compartilhadas, endereços e senhas salvos, acesso a armazenamentos conjuntos na nuvem, tudo isso fazia parte do dia a dia. Superar emocionalmente o término pode levar bastante tempo, mas há medidas que você pode tomar desde já para reforçar sua segurança, mesmo que não ajudem a superar seu ex-parceiro.

Veja o que vale a pena verificar após uma separação, quais serviços devem ser desvinculados e por que isso é importante, mesmo quando o término acontece de forma amigável.

Higiene digital: seu seguro contra problemas

Revogar o acesso do seu ex-parceiro às suas contas online não é paranoia, é uma forma de proteger sua própria segurança. Uma separação não rompe automaticamente os vínculos digitais: todo acesso concedido durante o relacionamento continua ativo até que alguém o revogue manualmente. Na maioria das vezes, ninguém pretende explorar esse acesso de forma maliciosa. Ainda assim, ele pode resultar em situações constrangedoras ou até em um risco real de rastreamento.

Foi o que aconteceu com Aleta Dignard-Fung, de Las Vegas, que contou à NPR que, após terminar com o namorado, nem lhe ocorreu que ele ainda sabia sua senha do Spotify. Um dia, enquanto tomava banho ouvindo música, ela percebeu que sua playlist havia mudado de repente. O ex-parceiro tinha acessado a conta em outro dispositivo e estava reproduzindo as músicas que ele havia escolhido. “Foi como uma guerra no Spotify. Passamos uns 10 minutos tentando sobrescrever as músicas um do outro”, contou. Mas as consequências nem sempre são tão inofensivas.

Nessa mesma entrevista, a consultora de relacionamentos Susan Winter relatou um caso de sua própria prática profissional. Um de seus clientes simplesmente não conseguia superar a ex-namorada após o término. Os dois compartilhavam uma conta no OpenTable, serviço de reservas em restaurantes, e ela nunca revogou o acesso dele à conta. Ele passou a acompanhar todas as reservas feitas por ela: para onde ela iria, em que horário e para quantas pessoas. Era assim que ele acompanhava se havia alguém novo na vida dela.

Embora revelem comportamentos bastante diferentes por parte dos ex-parceiros, essas duas histórias têm a mesma origem: contas que nunca foram devidamente bloqueadas após o término. No primeiro caso, isso gerou uma situação constrangedora. No segundo, provocou ansiedade e uma sensação real de estar sendo observada. Para evitar que qualquer um desses cenários aconteça com você, vale a pena seguir uma lista de verificação simples.

Encerre as sessões do seu ex-parceiro

Nas configurações das suas redes sociais, aplicativos de mensagens, e-mail e outros serviços importantes, abra a lista de sessões ativas e encerre todas, exceto as dos dispositivos que você utiliza atualmente.

Redefina suas senhas

Atualize as senhas de todas as contas importantes que seu parceiro possa ter conhecido, por exemplo, caso você utilizasse uma data significativa como senha. Se você reutilizava a mesma senha em vários serviços, redefina-a em todos eles. Aproveite também para revisar as perguntas de segurança e o e-mail ou número de telefone de recuperação da conta, garantindo que nenhum deles ainda esteja vinculado ao seu ex-parceiro. Para evitar o trabalho de memorizar novas credenciais e, ao mesmo tempo, aumentar sua segurança, recomendamos usar um gerenciador de senhas, que gera uma senha forte e exclusiva para cada conta, além de armazená-las e sincronizá-las em todos os seus dispositivos. Assim, você só precisa se lembrar de uma única senha principal.

Verifique a autenticação de dois fatores e os dispositivos confiáveis

Assegure-se de que os códigos de verificação sejam enviados somente para o seu dispositivo. Remova os dispositivos do seu ex-parceiro da lista de dispositivos confiáveis. Você pode fazer isso nas configurações da sua conta Apple ou Google.

Desvincule contas Apple e Google compartilhadas

Se vocês compartilhavam uma conta Apple ou Google, desconecte-se dessa conta. Desative o Compartilhamento Familiar, o iCloud e os backups. Verifique também os álbuns de fotos compartilhados: tudo o que for adicionado automaticamente a eles também poderá ser visto pelo seu ex-parceiro.

Revise suas assinaturas

Se vocês compartilhavam assinaturas, como serviços de streaming ou planos familiares, cancele-as ou crie novas e vincule-as ao seu próprio cartão.

Verifique seus cartões bancários

Se o cartão do seu ex-parceiro estiver vinculado a uma conta de marketplace, aplicativo de entrega ou transporte por aplicativo que pertence a você, remova-o dos métodos de pagamento salvos. e o seu cartão estiver vinculado à conta da outra pessoa e você não tiver mais acesso a ela, a opção mais segura é solicitar a emissão de um novo cartão.

Revogue o acesso à sua casa inteligente

Revogue o acesso do seu ex-parceiro a câmeras, campainhas inteligentes com vídeo, rastreadores GPS e alto-falantes inteligentes. Se os dispositivos estiverem vinculados a uma conta compartilhada, redefina a senha ou transfira-os para sua conta pessoal.

Revise suas configurações de privacidade

erifique as configurações de privacidade das suas contas em diversos serviços e nas redes sociais usando nossa ferramenta online gratuita, Privacy Checker. Ela orienta você na configuração da privacidade de acordo com seu sistema operacional, plataforma e até mesmo seu navegador.

Se perceber sinais de perseguição

Procure organizações de apoio ou de assistência jurídica: elas podem ajudar você a definir o melhor curso de ação. Também vale a pena contar com o apoio de familiares e amigos próximos para enfrentar esse momento difícil. Em dispositivos Android, você pode usar nosso pacote de segurança com o recurso Quem está me espionando. Ele foi desenvolvido para ajudar a detectar rastreamento e perseguição, permitindo que você tome as medidas adequadas para se proteger. O recurso inclui:

  • Detecção de stalkerware. Identifica aplicativos criados para monitorar sua vida em segredo e coletar informações que você jamais gostaria de ver compartilhadas com outras pessoas.
  • Verificação de Dispositivo. Encontra rastreadores instalados de forma oculta que permitem que alguém acompanhe seus deslocamentos e saiba onde você está o tempo todo.
  • Controle de permissões. Mostra quais aplicativos têm acesso a permissões que podem facilitar a espionagem ou comprometer sua privacidade.

O que realmente pode ajudar, e o que pode piorar a situação durante esse momento tão difícil? Confira nossas outras postagens:

Como identificar ameaças cibernéticas: guia para pessoas cegas e com baixa visão | Blog oficial da Kaspersky

23 de Abril de 2026, 15:00

Em 2023, Tim Utzig, estudante cego de Baltimore, perdeu mil dólares em um golpe envolvendo a venda de um laptop no X. Ele acompanhava há anos um conhecido jornalista esportivo. Quando a conta do jornalista passou a divulgar uma “venda beneficente” de MacBook Pros novos, Tim viu ali a chance de comprar um laptop necessário para os estudos por um bom preço. Após algumas mensagens rápidas, ele fez o pagamento.

O problema é que a conta havia sido invadida, e o dinheiro foi parar nas mãos de golpistas. Os sinais de alerta eram estritamente visuais: a página havia sido marcada como “temporariamente restrita” e tanto a bio quanto a lista Seguindo haviam mudado. No entanto, o leitor de tela de Tim, que transforma conteúdo visual em áudio, não indicou nenhum desses avisos.

Leitores de tela permitem que pessoas cegas naveguem no ambiente digital como qualquer outra pessoa. Ainda assim, essa comunidade continua especialmente vulnerável. Mesmo para quem enxerga, identificar um site falso já é difícil; para pessoas com deficiência visual, o desafio é ainda maior.

Além dos leitores de tela, há aplicativos e serviços móveis criados para apoiar pessoas cegas ou com baixa visão, sendo o Be My Eyes um dos mais populares. O aplicativo conecta usuários a voluntários por videochamada para ajudar em tarefas do dia a dia, como ajustar o forno ou encontrar um objeto na mesa. O Be My Eyes também conta com IA integrada capaz de ler textos e identificar objetos ao redor do usuário.

Mas será que essas ferramentas vão além das tarefas cotidianas? Elas conseguem identificar tentativas de phishing ou revelar detalhes ocultos, como letras miúdas na abertura de uma conta bancária?

Neste conteúdo, exploramos os desafios on-line enfrentados por pessoas com deficiência visual, quando vale recorrer a assistentes humanos ou virtuais e como usar esses serviços com segurança.

Ameaças cibernéticas comuns para pessoas cegas e com baixa visão

Para começar, vale esclarecer a diferença entre esses dois grupos. Pessoas com baixa visão ainda utilizam o que resta da visão, embora com limitações significativas. Para navegar em interfaces digitais, costumam usar ampliadores de tela, fontes muito grandes e alto contraste. Para esse público, sites e e-mails de phishing são especialmente perigosos. É comum não percebermos erros de digitação intencionais, os typosquatting, em um nome de domínio ou endereço de e-mail, como o exemplo recente de rnicrosoft{.}com.

Pessoas cegas navegam principalmente por áudio, com leitores de tela e gestos específicos. Curiosamente, ao contrário de pessoas com baixa visão, usuários cegos têm mais chance de perceber um site falso com o leitor de tela, já que a URL é lida em voz alta e pode soar estranha. Porém, se um serviço, legítimo ou malicioso, não for totalmente compatível com leitores de tela, o risco de se tornar vítima de um golpe aumenta. Foi exatamente isso que aconteceu com Tim Utzig.

É importante lembrar que as lupas e os leitores são ferramentas básicas de acessibilidade. Eles são projetados para ampliar ou narrar uma interface, não para atuar como um pacote de segurança. Sozinhos, não conseguem alertar sobre ameaças. É aí que entram ferramentas mais avançadas, capazes de analisar imagens e arquivos, identificar sinais suspeitos e explicar melhor o que está acontecendo na tela.

Quando usar um assistente

O Be My Eyes é uma das principais plataformas de acessibilidade, com cerca de 900.000 usuários e mais de nove milhões de voluntários. Disponível em Windows, Android e iOS, ele conecta pessoas cegas ou com baixa visão a voluntários por videochamada para ajudar em tarefas do dia a dia. Por exemplo, se alguém quiser iniciar o ciclo de roupas sintéticas na máquina de lavar e não encontrar o botão certo, pode usar o aplicativo. O aplicativo conecta o usuário ao primeiro voluntário disponível no mesmo idioma, que usa a câmera do celular para orientá-lo. O serviço está atualmente disponível em 32 idiomas.

Em 2023, o aplicativo ampliou seus recursos com o Be My AI, assistente virtual baseado no GPT-4 da OpenAI. O usuário tira uma foto, e a IA gera uma descrição detalhada, que também pode ser lida em voz alta. Também é possível abrir um chat para fazer perguntas adicionais. Isso levanta a questão: essa IA consegue identificar um site de phishing?

Para testar, enviamos ao Be My Eyes a captura de tela de uma página falsa de login. No celular, basta selecionar a imagem, tocar em Compartilhar e escolher Descrever com o Be My Eyes. No Windows, é possível enviar a captura diretamente.

Página falsa de login em rede social

Exemplo de página de phishing que imita o login do Facebook. Observe o domínio incorreto na barra de endereço

Inicialmente, a IA descreveu a página em detalhes. Em seguida, perguntamos no chat: “Posso confiar nessa página?” A IA identificou o erro no domínio, recomendou fechar a página falsa e sugeriu digitar a URL oficial no navegador ou usar o aplicativo do Facebook.

Resposta do Be My AI ao verificar um site suspeito

O Be My AI explica por que a página é suspeita: o domínio não corresponde ao oficial. O aplicativo recomenda digitar a URL oficial no navegador ou usar o aplicativo do Facebook

Observamos o mesmo resultado ao testar um e-mail de phishing. Inclusive, a IA já indicou o golpe na descrição inicial. E concluiu com o alerta: “Parece um e-mail suspeito. É melhor não abrir nenhum anexo nem clicar em nenhum link. Em vez disso, navegue até o site ou aplicativo oficial manualmente ou ligue para o número listado no site oficial”.

Além de identificar ameaças cibernéticas, o Be My AI é um bom aliado para usar lojas on-line, aplicativos bancários e serviços digitais. Por exemplo, a IA pode ajudar você a:

  • Ler descrições, nomes e preços quando o site ou aplicativo não é compatível com leitores de tela ou fontes ampliadas
  • Analisar termos e condições complexos, muitas vezes em letras pequenas ou inacessíveis a leitores de tela, ao contratar um serviço ou abrir uma conta
  • Extrair informações importantes de páginas de produtos ou manuais

Os riscos de confiar no Be My AI

Um dos principais problemas da IA são as “alucinações”, quando o modelo distorce textos, omite informações importantes ou inventa conteúdo. Quando se trata de ameaças cibernéticas, confiar em uma análise equivocada da IA pode ser perigoso. Além disso, a IA não é imune a ataques de injeção de prompts, usados por golpistas para manipular esses sistemas.

Mesmo com bons resultados, não é recomendável confiar totalmente na IA. Não há garantia de que ela vai acertar todas as vezes. Isso é especialmente importante para pessoas cegas ou com baixa visão, que podem acabar tratando a IA como única fonte de percepção visual.

Ao final das respostas, o Be My AI sugere recorrer a um voluntário em caso de dúvida. No entanto, ao tentar detectar uma página da Web falsa, não recomendamos usar essa alternativa. Não há como garantir o conhecimento técnico ou a confiabilidade de um voluntário aleatório. Além disso, há risco de expor dados sensíveis, como e-mail ou senha. Antes de se conectar com um estranho, verifique se não há informações confidenciais visíveis na tela. O ideal é usar o recurso do aplicativo para criar um grupo privado com pessoas de confiança. Isso garante que sua videochamada seja direcionada para pessoas que você realmente conhece, em vez de um voluntário aleatório.

Para se proteger, recomendamos instalar uma ferramenta de segurança confiável em todos os dispositivos. Esses programas ajudam a bloquear phishing e evitar acesso a sites maliciosos. Outra recomendação prática para usuários com deficiência visual é usar um gerenciador de senhas. Esses aplicativos só preenchem dados em sites legítimos salvos, evitando domínios falsos.

Como o Be My AI trata e armazena seus dados

De acordo com a política de privacidade do Be My Eyes, videochamadas com voluntários podem ser gravadas e armazenadas para operação do serviço, segurança e melhorias. Ao usar o Be My AI, imagens e textos são enviados à OpenAI para gerar respostas. Esses dados são processados em servidores nos EUA e usados apenas para atender à solicitação. A política afirma de forma explícita que esses dados não são usados para treinar modelos.

Fotos e vídeos são criptografados em trânsito e armazenamento, com medidas para remover dados sensíveis. Vale a pena observar que as gravações podem ser mantidas por tempo indeterminado, a menos que você solicite exclusão, geralmente concluída em até 30 dias. Os dados das interações do Be My AI são armazenados por até 30 dias, a menos que você os exclua manualmente no aplicativo. Se você decidir encerrar a conta, seus dados pessoais poderão ser retidos por até 90 dias. É possível desativar o compartilhamento ou solicitar ao suporte a exclusão de dados a qualquer momento.

Como usar o Be My Eyes com segurança

Apesar das declarações de privacidade, é importante seguir algumas recomendações ao usar o serviço:

  • Use o Be My AI como verificação inicial, mas não como única fonte de decisão. Um software de segurança especializado é melhor para identificar e neutralizar ameaças.
  • Se algo parecer suspeito, não clique em links nem abra anexos. Em vez disso, digite o endereço do site oficial no navegador ou abra o aplicativo oficial para verificar as informações.
  • Lembre-se: o voluntário vê exatamente o que sua câmera vê. Certifique-se de que ele não está lendo coisas que não deveria, como um código de segurança ou um passaporte aberto. Evite compartilhar nome, rosto ou revelar muito do ambiente ao seu redor. Tenha muito cuidado com reflexos que possam revelar seu rosto ou seus dados pessoais. Mostre apenas o que é absolutamente necessário para a tarefa em questão.
  • Atenha-se ao seu círculo interno. Crie um grupo no aplicativo com amigos e familiares. Isso garante que suas videochamadas sejam direcionadas para pessoas conhecidas, não para um voluntário aleatório.
  • Não use o Be My AI para ler documentos confidenciais. Lembre-se de que suas imagens e prompts de texto são enviadas à OpenAI para processamento e geração de uma resposta.
  • Lembre-se de excluir os bate-papos de que você não precisa mais. Caso contrário, eles ficarão disponíveis por 30 dias.
  • Para conteúdos sensíveis, prefira aplicativos com leitura em tempo real como Envision, Seeing AI ou Lookout. Esses aplicativos processam os dados localmente, sem enviá-los para a nuvem.

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