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Como o navegador Hola foi utilizado para espalhar um minerador da criptomoeda Monero | Blog oficial da Kaspersky

2 de Julho de 2026, 09:00

No início de junho, pesquisadores de segurança cibernética descobriram que uma versão do navegador Hola para Windows, desenvolvido em Israel (1.251.91.0), baixava um minerador da criptomoeda Monero nos dispositivos dos usuários sem que eles soubessem. Logo após a descoberta, a Hola confirmou que havia sido vítima de um ataque à cadeia de suprimentos. Neste artigo, contamos como o ataque ocorreu, como funciona o minerador e o que isso significa para os usuários afetados.

O que é o navegador Hola e como o malware foi descoberto?

A empresa israelense Hola é mais conhecida por sua VPN, usada por usuários para contornar restrições geográficas e acessar conteúdo bloqueado em determinadas regiões. Além da VPN, a empresa desenvolveu o navegador Hola, que é baseado em Chromium e traz uma VPN integrada, além de recursos de proxy.

Os primeiros sinais de problemas foram detectados pelos pesquisadores durante uma verificação de conformidade padrão para o programa AppEsteem Windows Certified Application. Como parte da certificação, empresas independentes de segurança cibernética auditam os softwares para garantir que contenham apenas os componentes declarados, sem recursos indesejados ou maliciosos. Mesmo após receberem um certificado, os aplicativos são reavaliados regularmente para garantir que continuem atendendo às rígidas diretrizes da AppEsteem.

Foi durante uma verificação de acompanhamento de rotina que os especialistas notaram um arquivo não autorizado agrupado à versão 1.251.91.0 do navegador Hola para Windows. Após a instalação, o arquivo era salvo automaticamente no disco rígido em C:\Program Files\Hola\me{.}exe. Os pesquisadores logo consideraram o arquivo não confiável por vários indícios suspeitos: ele não constava na lista de arquivos de aplicativos aprovados, não tinha carimbo de data/hora nem assinatura digital. Além disso, o código estava bastante ofuscado, sendo capaz de se injetar diretamente na memória do sistema.

Porém, os pesquisadores notaram que o arquivo não estava presente em todas as instalações. Como a infecção não atingiu todos os usuários, os especialistas logo suspeitaram que uma etapa específica do pipeline de distribuição do navegador Hola havia sido comprometida. A Hola acabou confirmando essa teoria, admitindo que foi vítima de um ataque à cadeia de suprimentos.

Quanto ao próprio arquivo me{.}exe suspeito, uma análise mais detalhada revelou que se tratava de um minerador de criptomoedas furtivo configurado para minerar Monero. Vamos agora analisar os detalhes técnicos de como tudo aconteceu.

Como os invasores usaram o navegador Hola para minerar o Monero?

Os mineradores de criptomoedas são programas que aproveitam o poder de processamento de um computador para minerar criptomoedas. Embora alguns usuários instalem esses softwares voluntariamente, mineradores executados em uma máquina sem o conhecimento do proprietário são considerados indesejados.

A execução de um minerador oculto pode deixar um dispositivo muito mais lento, aumentar a conta de eletricidade do usuário e reduzir a vida útil do hardware. Dito isto, vale notar que a infecção de um dispositivo por um minerador não significa que as criptomoedas do proprietário serão roubadas; o dano limita-se ao consumo dos recursos de hardware, utilizados pelos invasores para obter ganho financeiro.

Conforme mencionado acima, o download malicioso incluído no navegador Hola inseriu um minerador da criptomoeda Monero nos dispositivos das vítimas. Lançado em 2014 e baseado no protocolo CryptoNote, o Monero atualmente é negociado a cerca de US$ 330 por unidade.

Comparado a moedas mais conhecidas, como Bitcoin ou Ethereum, o Monero é mais exótico e menos conhecido pelo público geral. Esse status de nicho reflete-se no aumento relativamente modesto do seu preço e em uma menor capitalização de mercado, sendo quase 200 vezes menor que a do Bitcoin. No entanto, o Monero tem um benefício que o destaca: a privacidade. Enquanto o Bitcoin e o Ethereum operam em blockchains públicas e transparentes, onde qualquer pessoa pode rastrear as transações, o Monero é uma “moeda de privacidade”. Ele usa mecanismos criptográficos avançados para ocultar o remetente, o destinatário e o valor da transação. Esse anonimato extremo é exatamente o motivo pelo qual os hackers preferem os mineradores ocultos de Monero, pois eles dificultam o rastreamento das transações por autoridades e profissionais de segurança cibernética.

Além disso, o algoritmo do Monero foi projetado para usar CPUs padrão de forma eficiente na mineração. Isso contrasta fortemente com muitas outras criptomoedas populares, que exigem hardware ASIC especializado ou GPUs de ponta para gerar lucro.

Mas vamos analisar melhor o caso do navegador Hola. Ao analisar o código me{.}exe malicioso, os pesquisadores descobriram que ele estava adicionando automaticamente seus próprios arquivos à lista de exclusão do Microsoft Defender. Ao entrar na lista de permissões, o malware contornou o antivírus do Windows, permitindo a execução do minerador de criptomoedas em segundo plano sem qualquer impedimento.

Então, o programa fez uma cópia de si mesmo sob o nome HolaMonitorService{.}exe e configurou um serviço persistente do Windows em segundo plano chamado hola_monitor_svc. Essa manobra permitiu que o malware se instalasse no sistema, sendo iniciado automaticamente sempre que o computador era reiniciado. Para evitar suspeitas por quedas de desempenho, o minerador permanecia inativo e era acionado apenas quando o computador estava ocioso.

Como proteger seu dispositivo contra mineradores de criptomoedas e malware

Felizmente, a equipe de desenvolvedores da Hola agiu rápido após a detecção do arquivo suspeito. Eles confirmaram a violação da cadeia de suprimentos, mas afirmaram que apenas 0,1% dos usuários foram afetados. Desde então, a empresa reforçou a segurança em torno do pipeline de distribuição de atualizações para garantir que os usuários recebam apenas componentes de software aprovados, certificados e contendo assinatura digital no futuro.

Devido a esse incidente, recomendamos que todos os usuários do navegador Hola o atualizem para a versão mais recente, especialmente aqueles que executam o aplicativo no Windows.

Essa situação é um exemplo clássico de por que é tão importante manter todos softwares atualizados e executar uma Home Security solução robusta de segurança cibernética em todos os seus gadgets. Por exemplo, o Kaspersky Premium fornece alertas em tempo real sobre comportamento suspeito de software e faz o bloqueio instantâneo de ameaças. Como um bônus adicional, a assinatura do Kaspersky Premium inclui uma VPN segura e confiável.

Lembre-se de que mineradores maliciosos de criptomoedas também atacam smartphones, disfarçando-se muitas vezes de jogos populares e até de aplicativos oficiais de serviços governamentais. Confira nossas postagens anteriores para saber mais:

Trojan BeatBanker e BTMOB: técnicas de infecção e como manter a segurança | Blog oficial da Kaspersky

Por:GReAT
13 de Março de 2026, 14:40

Para conseguir concretizar seus planos ardilosos, os desenvolvedores de malware para Android precisam enfrentar vários desafios sucessivos: enganar os usuários para invadir o smartphone, burlar os softwares de segurança, convencer as vítimas a conceder várias permissões do sistema, manter a distância de otimizadores de bateria integrados que consomem muitos recursos e, depois de tudo isso, ter a certeza de que o malware realmente gera lucro. Os criadores do BeatBanker, uma campanha de malware baseado em‑Android descoberta recentemente por nossos especialistas, desenvolveram algo novo para cada uma dessas etapas. O ataque é voltado, por enquanto, para usuários brasileiros, mas as ambições dos desenvolvedores quase certamente motivará uma expansão internacional, então, vale a pena permanecer em alerta e estudar os truques do agente da ameaça. É possível encontrar uma análise técnica completa do malware na Securelist.

Como o BeatBanker se infiltra em um smartphone

O malware é distribuído por páginas de phishing especialmente criadas que imitam a Google Play Store. Uma página facilmente confundida com o Marketplace oficial convida os usuários a baixar um aplicativo aparentemente útil. Em uma campanha, o trojan se disfarçou como o aplicativo de serviços do governo brasileiro, o INSS Reembolso. Em outra, ele se apresentava como um aplicativo da Starlink.

O site malicioso cupomgratisfood{.}shop faz um excelente trabalho ao imitar uma loja de aplicativos. Não está claro por que o aplicativo INSS Reembolso falso aparece todas as três vezes. Para transparecer mais credibilidade, talvez?!

A instalação ocorre em várias etapas para evitar a solicitação de muitas permissões ao mesmo tempo e para acalmar ainda mais a vítima. Depois que o primeiro aplicativo é baixado e iniciado, ele exibe uma interface que também se assemelha ao Google Play e simula uma atualização para o aplicativo falso, ao solicitar a permissão do usuário para instalar aplicativos, algo que não parece fora do comum no contexto. Se essa permissão for concedida, o malware baixará módulos maliciosos adicionais no smartphone.

Após a instalação, o trojan simula uma atualização do aplicativo chamariz via Google Play ao solicitar permissão para instalar aplicativos enquanto baixa módulos maliciosos adicionais no processo

Todos os componentes do trojan são criptografados. Antes de descriptografar e prosseguir para os próximos estágios da infecção, ele verifica se o smartphone é real e se ele está no país de destino. O BeatBanker encerra imediatamente o próprio processo se encontrar discrepâncias ou detectar que está sendo executado em ambientes emulados ou de análise. Isso complica a análise dinâmica do malware. Aliás, o falso downloader de atualizações injeta módulos diretamente na RAM para evitar a criação de arquivos no smartphone que seriam visíveis ao software de segurança.

Todos esses truques não são novidade e são frequentemente usados em malwares complexos para computadores desktop. No entanto, para smartphones, essa sofisticação ainda é uma raridade, e nem todas as ferramentas de segurança conseguirão detectar isso. Usuários de produtos da Kaspersky estão protegidos contra essa ameaça.

Reprodução de áudio como um escudo

Uma vez estabelecido no smartphone, o BeatBanker baixa um módulo para minerar a criptomoeda Monero. Os autores estavam muito preocupados com a possibilidade dos sistemas agressivos de otimização de bateria do smartphone desligarem o minerador, então eles criaram um truque: tocar um som quase inaudível o tempo todo. Os sistemas de controle de consumo de energia normalmente poupam os aplicativos que estão reproduzindo áudio ou vídeo para evitar cortar a música de fundo ou os players de podcast. Dessa forma, o malware pode ser executado continuamente. Além disso, ele exibe uma notificação persistente na barra de status para solicitar ao usuário que mantenha o telefone ligado para uma atualização do sistema.

Exemplo de uma notificação de atualização persistente do sistema de outro aplicativo malicioso disfarçado como um aplicativo da Starlink

Controle via Google

Para gerenciar o trojan, os autores utilizam o Firebase Cloud Messaging (FCM) legítimo do Google, um sistema para receber notificações e enviar dados de um smartphone. Esse recurso está disponível para todos os aplicativos e é o método mais popular para enviar e receber dados. Graças ao FCM, os invasores podem monitorar o status do dispositivo e alterar as configurações de acordo com suas necessidades.

Não acontecerá nada durante um tempo, depois que o malware for instalado, os invasores esperam pacientemente. Então, eles acionam o minerador, mas com o cuidado de reduzir a intensidade, se o telefone superaquecer, a bateria começar a descarregar ou o proprietário estiver usando o dispositivo. Tudo isso é feito via FCM.

Roubo e espionagem

Além do minerador de criptomoedas, o BeatBanker instala módulos extras para espionar o usuário e realizar o roubo no momento certo. O módulo de spyware solicita a permissão dos Serviços de Acessibilidade, e se ela for concedida, o monitoramento de tudo o que estiver acontecendo no smartphone começa.

Se o proprietário abrir o aplicativo Binance ou Trust Wallet para enviar USDT, o malware sobrepõe uma tela falsa na parte superior da interface da carteira ao trocar efetivamente o endereço do destinatário pelo seu próprio endereço. Todas as transferências vão para os golpistas.

O trojan possui um sistema de controle remoto avançado e é capaz de executar muitos outros comandos:

  • Interceptação de códigos únicos do Google Autenticador
  • Gravação de áudio do microfone
  • Streaming da tela em tempo real
  • Monitoramento da área de transferência e interceptação de pressionamentos de tecla
  • Envio de mensagens SMS
  • Simulação de toques em áreas específicas da tela e entrada de texto de acordo com um script enviado pelo invasor e muito mais

Tudo isso torna possível roubar a vítima quando ela usa qualquer outro serviço bancário ou de pagamento, não apenas os pagamentos de criptomoedas.

Às vezes, as vítimas são infectadas com um módulo diferente para espionagem e controle remoto por smartphone, o trojan de acesso remoto BTMOB. Seus recursos maliciosos são ainda mais amplos, incluindo:

  • Aquisição automática de determinadas permissões no Android 13 a 15
  • Rastreamento contínuo de geolocalização
  • Acesso às câmeras frontal e traseira
  • Obtenção de códigos PIN e senhas para desbloqueio da tela
  • Captura da digitação do teclado

Como se proteger contra o BeatBanker

Os criminosos virtuais estão constantemente refinando seus ataques e criando novas soluções como formas de lucrar com as vítimas. Apesar disso, é possível se proteger seguindo algumas precauções simples:

  • Baixe aplicativos somente de fontes oficiais, como o Google Play ou a loja de aplicativos pré-instalada pelo fornecedor. Se encontrar um aplicativo ao pesquisar na Internet, não o abra por meio de um link do navegador, em vez disso, acesse o aplicativo Google Play ou outra loja consolidada em seu smartphone e procure por ele lá. Enquanto estiver fazendo isso, verifique o número de downloads, o histórico do aplicativo, as classificações e os comentários. Evite aplicativos novos, aplicativos com classificações baixas e aqueles com um pequeno número de downloads.
  • Verifique todas as permissões concedidas. Não conceda permissões sem a certeza do que elas fazem ou por que esse aplicativo específico as requer. Tenha muito cuidado com permissões como Instalar aplicativos desconhecidos, Acessibilidade, Superusuário e Exibir sobre outros aplicativos. Escrevemos sobre isso em detalhes em um artigo separado.
  • Equipe seu dispositivo com uma solução antimalware abrangente. Naturalmente, recomendamos o Kaspersky for Android. Os usuários dos produtos Kaspersky estão protegidos contra o BeatBanker, detectado com os veredictos HEUR:Trojan-Dropper.AndroidOS.BeatBanker e HEUR:Trojan-Dropper.AndroidOS.Banker.*.
  • Atualize regularmente o sistema operacional e o software de segurança. Para o Kaspersky for Android, atualmente indisponível no Google Play, consulte nossas instruções detalhadas sobre como instalar e atualizar o aplicativo.

Ameaças aos usuários do Android estão aumentando bastante ultimamente. Confira nossas outras postagens sobre os ataques Android mais relevantes e difundidos, além das dicas para manter você e seus entes queridos seguros:

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