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CrashStealer, um novo infostealer para macOS: como funciona e como se manter seguro | Blog oficial da Kaspersky

13 de Agosto de 2026, 09:00

Os usuários de Mac historicamente confiaram na segurança de seu sistema operacional. Essa tranquilidade vem principalmente do controle estrito da Apple sobre o ecossistema e do fato de que o macOS sempre enfrentou menos ataques em massa do que o Windows. No entanto, isso não significa que os computadores Mac não tenham vulnerabilidades: as ameaças existem, e novas surgem o tempo todo. Nas últimas semanas, pesquisadores de segurança publicaram relatórios sobre pelo menos duas novas campanhas direcionadas a dispositivos Apple.

O malware usado em uma das campanhas foi apelidado de CrashStealer, enquanto o outro é conhecido como ClickLock. Ambos usam truques diferentes para forçar usuários a inserir a senha do Mac, que os invasores usam para roubar credenciais de contas, ativos de criptomoedas, documentos e muito mais. No post de hoje, analisamos em detalhes como o CrashStealer funciona e como evitar ser vítima dele.

Um aplicativo de videoconferência com o CrashStealer embutido

Em maio de 2026, pesquisadores identificaram os primeiros sinais de desenvolvimento desse malware e, no início de julho, detectaram sua atuação em ambiente real. O malware recebeu esse nome devido ao seu mecanismo principal: ele se disfarça da ferramenta integrada de geração de relatórios de falhas do macOS (CrashReporter), enquanto funciona como um infostealer criado para sequestrar dados confidenciais.

Os pesquisadores conseguiram rastrear um dos sites que os usuários visitaram para baixar o malware. O site se passa por uma plataforma legítima de distribuição da ferramenta de videoconferência Werkbit.

Segundo os pesquisadores, esse foi o site usado pelas vítimas para baixar o Werkbit, que continha, sem que elas soubessem, o malware loader CrashStealer. Fonte

No entanto, você não pode simplesmente visitar o site e baixar o software. Antes de iniciar o download, a pessoa precisa informar um PIN de reunião. Essa configuração provavelmente permite que os invasores limitem o alcance da campanha, direcionando-a apenas a vítimas específicas previamente selecionadas. Ainda não se sabe exatamente como os cibercriminosos escolhem seus alvos nem como entregam o PIN.

As pessoas “sortudas” que recebem um código acabam instalando a carga maliciosa inicial, chamada Werkbit Setup. Curiosamente, a carga maliciosa possui um certificado de desenvolvedor da Apple válido e foi aprovada no processo de autenticação de aplicativos da empresa, o que indica que passou pela verificação automatizada destinada a detectar código malicioso. Como resultado, os invasores conseguem contornar o Gatekeeper, mecanismo de proteção integrado do sistema operacional. Isso permite que a carga útil seja iniciada sem acionar os avisos usuais de software não confiável.

[caption] O instalador Werkbit Setup é assinado com um certificado válido de desenvolvedor da Apple e passou pelo processo de autenticação de aplicativos da empresa. Fonte

[/caption]Depois de iniciado, o Werkbit Setup primeiro se conecta ao GitHub. Pesquisadores acreditam que o uso dessa plataforma ajuda os invasores a passar despercebidos, fazendo com que as solicitações iniciais de rede pareçam muito menos suspeitas para as ferramentas de segurança. Depois de obter instruções de um repositório no GitHub, o programa se conecta diretamente ao servidor dos invasores para baixar o próprio CrashStealer.

Em seguida, o carregador salva o malware em uma pasta temporária do macOS, executa-o e apaga a maioria dos arquivos intermediários da instalação. Como resultado, em poucos segundos após a execução do Werkbit Setup, um infostealer totalmente funcional está em operação. Vale destacar que o usuário nunca recebe o aplicativo de videoconferência prometido.

Como o CrashStealer funciona

Ao contrário do carregador Werkbit Setup, o malware CrashStealer em si não é assinado com um certificado de desenvolvedor da Apple. Para evitar que os usuários desconfiem, o malware se disfarça da ferramenta de relatório de falhas do macOS, o CrashReporter, usando exatamente o mesmo nome, identificador de aplicativo e um ícone semelhante.

Depois de executado, o CrashStealer realiza uma sequência de etapas para obter acesso a dados confidenciais, estabelecer persistência no sistema e ocultar rastros:

  1. Remove metadados, incluindo o atributo que identifica o aplicativo como um arquivo baixado da Internet.
  2. Exibe uma solicitação falsa do sistema pedindo a senha do macOS do usuário.
  3. Usa as credenciais capturadas anteriormente para acessar o Keychain, o gerenciador de senhas integrado do macOS.
  4. Verifica se há ferramentas de segurança e softwares de análise de malware instalados no computador.
  5. Coleta senhas salvas nos navegadores, cookies, dados do Keychain e informações de outros gerenciadores de senhas e carteiras de criptomoedas.
  6. Criptografa os dados roubados e os prepara para envio ao servidor dos invasores.
  7. Cria uma cópia de si mesmo e estabelece persistência para ser executado automaticamente sempre que o macOS é inicializado.
  8. Exclui arquivos temporários e outros vestígios da instalação para dificultar ainda mais a detecção.

A segunda etapa merece uma análise mais detalhada. A solicitação de senha exibida ao usuário é extremamente convincente. Além disso, o malware verifica imediatamente se as credenciais estão corretas: se a pessoa cometer um erro de digitação e inserir uma senha inválida, o CrashStealer exibirá a janela novamente para que ela tente outra vez.

[caption] Depois de ser executado, o CrashStealer exibe uma janela pop-up que simula a solicitação padrão de senha do macOS. Fonte

[/caption]

Quais dados o CrashStealer tenta roubar?

A lista de alvos do CrashStealer é extensa. O principal alvo é o Keychain, o gerenciador de credenciais integrado do macOS, onde o sistema armazena credenciais de contas, chaves criptográficas, certificados, tokens e outros dados confidenciais.

Os usuários de gerenciadores de senhas de terceiros também não estão protegidos: o malware rouba dados de 14 desses serviços, incluindo 1Password, Bitwarden, LastPass, Dashlane, Keeper, KeePassXC, NordPass, Enpass e RoboForm.

Além disso, o malware coleta todas as credenciais e cookies armazenados em navegadores baseados no Chromium (Chrome, Brave, Edge, Opera, Opera GX, Vivaldi, Chromium e NAVER Whale) bem como no Firefox. Os invasores demonstram ter um grande interesse em ativos de criptomoedas: o CrashStealer tem como alvo específico os dados de 80 extensões diferentes de carteiras de criptomoedas, incluindo MetaMask, Phantom, Coinbase Wallet, Trust Wallet, Rabby, Exodus, Keplr e Solflare.

Por fim, o malware verifica as pastas Documentos e Downloads em busca de arquivos que possam ser de interesse dos cibercriminosos. O CrashStealer criptografa todos os dados roubados com o algoritmo AES-256-GCM, os compacta em um arquivo ZIP e os envia ao servidor dos invasores.

Como proteger seu dispositivo

O aumento dos ataques direcionados ao macOS é um claro sinal de alerta: quem usa dispositivos Apple precisa adotar uma postura mais proativa em relação à segurança. Recomendamos:

  • Pesquisar sobre os aplicativos na Internet antes de instalá-los
  • Dar preferência a utilitários disponíveis nas lojas de aplicativos oficiais sempre que possível
  • Usar uma solução de segurança confiável que bloqueie sites maliciosos e impeça a atividade de malware no dispositivo
  • Manter todas as suas credenciais e detalhes bancários em um gerenciador de senhas seguro. Uma opção é o Kaspersky Password Manager que, vale destacar, não foi listado entre os aplicativos visados pelo CrashStealer

As soluções de segurança da Kaspersky detectam o malware descrito nesta publicação e atribuem a ele os veredictos HEUR:Trojan-Downloader.OSX.Agent.gen e HEUR:Trojan-PSW.OSX.Agent.gen.

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  • Como proteger seus dados após uma separação | Blog oficial da Kaspersky Maxim Baybarin
    O fim de um relacionamento é uma grande ruptura: daquelas que viram a vida de cabeça para baixo. A rotina familiar, em que duas pessoas compartilhavam interesses, momentos e, muitas vezes, até o mesmo espaço físico, desmorona de repente, deixando cada uma em seu próprio mundo. Além disso, os casais não estão conectados apenas na vida real, mas também digitalmente. Assinaturas compartilhadas, endereços e senhas salvos, acesso a armazenamentos conjuntos na nuvem, tudo isso fazia parte do dia a dia
     

Como proteger seus dados após uma separação | Blog oficial da Kaspersky

24 de Julho de 2026, 09:00

O fim de um relacionamento é uma grande ruptura: daquelas que viram a vida de cabeça para baixo. A rotina familiar, em que duas pessoas compartilhavam interesses, momentos e, muitas vezes, até o mesmo espaço físico, desmorona de repente, deixando cada uma em seu próprio mundo.

Além disso, os casais não estão conectados apenas na vida real, mas também digitalmente. Assinaturas compartilhadas, endereços e senhas salvos, acesso a armazenamentos conjuntos na nuvem, tudo isso fazia parte do dia a dia. Superar emocionalmente o término pode levar bastante tempo, mas há medidas que você pode tomar desde já para reforçar sua segurança, mesmo que não ajudem a superar seu ex-parceiro.

Veja o que vale a pena verificar após uma separação, quais serviços devem ser desvinculados e por que isso é importante, mesmo quando o término acontece de forma amigável.

Higiene digital: seu seguro contra problemas

Revogar o acesso do seu ex-parceiro às suas contas online não é paranoia, é uma forma de proteger sua própria segurança. Uma separação não rompe automaticamente os vínculos digitais: todo acesso concedido durante o relacionamento continua ativo até que alguém o revogue manualmente. Na maioria das vezes, ninguém pretende explorar esse acesso de forma maliciosa. Ainda assim, ele pode resultar em situações constrangedoras ou até em um risco real de rastreamento.

Foi o que aconteceu com Aleta Dignard-Fung, de Las Vegas, que contou à NPR que, após terminar com o namorado, nem lhe ocorreu que ele ainda sabia sua senha do Spotify. Um dia, enquanto tomava banho ouvindo música, ela percebeu que sua playlist havia mudado de repente. O ex-parceiro tinha acessado a conta em outro dispositivo e estava reproduzindo as músicas que ele havia escolhido. “Foi como uma guerra no Spotify. Passamos uns 10 minutos tentando sobrescrever as músicas um do outro”, contou. Mas as consequências nem sempre são tão inofensivas.

Nessa mesma entrevista, a consultora de relacionamentos Susan Winter relatou um caso de sua própria prática profissional. Um de seus clientes simplesmente não conseguia superar a ex-namorada após o término. Os dois compartilhavam uma conta no OpenTable, serviço de reservas em restaurantes, e ela nunca revogou o acesso dele à conta. Ele passou a acompanhar todas as reservas feitas por ela: para onde ela iria, em que horário e para quantas pessoas. Era assim que ele acompanhava se havia alguém novo na vida dela.

Embora revelem comportamentos bastante diferentes por parte dos ex-parceiros, essas duas histórias têm a mesma origem: contas que nunca foram devidamente bloqueadas após o término. No primeiro caso, isso gerou uma situação constrangedora. No segundo, provocou ansiedade e uma sensação real de estar sendo observada. Para evitar que qualquer um desses cenários aconteça com você, vale a pena seguir uma lista de verificação simples.

Encerre as sessões do seu ex-parceiro

Nas configurações das suas redes sociais, aplicativos de mensagens, e-mail e outros serviços importantes, abra a lista de sessões ativas e encerre todas, exceto as dos dispositivos que você utiliza atualmente.

Redefina suas senhas

Atualize as senhas de todas as contas importantes que seu parceiro possa ter conhecido, por exemplo, caso você utilizasse uma data significativa como senha. Se você reutilizava a mesma senha em vários serviços, redefina-a em todos eles. Aproveite também para revisar as perguntas de segurança e o e-mail ou número de telefone de recuperação da conta, garantindo que nenhum deles ainda esteja vinculado ao seu ex-parceiro. Para evitar o trabalho de memorizar novas credenciais e, ao mesmo tempo, aumentar sua segurança, recomendamos usar um gerenciador de senhas, que gera uma senha forte e exclusiva para cada conta, além de armazená-las e sincronizá-las em todos os seus dispositivos. Assim, você só precisa se lembrar de uma única senha principal.

Verifique a autenticação de dois fatores e os dispositivos confiáveis

Assegure-se de que os códigos de verificação sejam enviados somente para o seu dispositivo. Remova os dispositivos do seu ex-parceiro da lista de dispositivos confiáveis. Você pode fazer isso nas configurações da sua conta Apple ou Google.

Desvincule contas Apple e Google compartilhadas

Se vocês compartilhavam uma conta Apple ou Google, desconecte-se dessa conta. Desative o Compartilhamento Familiar, o iCloud e os backups. Verifique também os álbuns de fotos compartilhados: tudo o que for adicionado automaticamente a eles também poderá ser visto pelo seu ex-parceiro.

Revise suas assinaturas

Se vocês compartilhavam assinaturas, como serviços de streaming ou planos familiares, cancele-as ou crie novas e vincule-as ao seu próprio cartão.

Verifique seus cartões bancários

Se o cartão do seu ex-parceiro estiver vinculado a uma conta de marketplace, aplicativo de entrega ou transporte por aplicativo que pertence a você, remova-o dos métodos de pagamento salvos. e o seu cartão estiver vinculado à conta da outra pessoa e você não tiver mais acesso a ela, a opção mais segura é solicitar a emissão de um novo cartão.

Revogue o acesso à sua casa inteligente

Revogue o acesso do seu ex-parceiro a câmeras, campainhas inteligentes com vídeo, rastreadores GPS e alto-falantes inteligentes. Se os dispositivos estiverem vinculados a uma conta compartilhada, redefina a senha ou transfira-os para sua conta pessoal.

Revise suas configurações de privacidade

erifique as configurações de privacidade das suas contas em diversos serviços e nas redes sociais usando nossa ferramenta online gratuita, Privacy Checker. Ela orienta você na configuração da privacidade de acordo com seu sistema operacional, plataforma e até mesmo seu navegador.

Se perceber sinais de perseguição

Procure organizações de apoio ou de assistência jurídica: elas podem ajudar você a definir o melhor curso de ação. Também vale a pena contar com o apoio de familiares e amigos próximos para enfrentar esse momento difícil. Em dispositivos Android, você pode usar nosso pacote de segurança com o recurso Quem está me espionando. Ele foi desenvolvido para ajudar a detectar rastreamento e perseguição, permitindo que você tome as medidas adequadas para se proteger. O recurso inclui:

  • Detecção de stalkerware. Identifica aplicativos criados para monitorar sua vida em segredo e coletar informações que você jamais gostaria de ver compartilhadas com outras pessoas.
  • Verificação de Dispositivo. Encontra rastreadores instalados de forma oculta que permitem que alguém acompanhe seus deslocamentos e saiba onde você está o tempo todo.
  • Controle de permissões. Mostra quais aplicativos têm acesso a permissões que podem facilitar a espionagem ou comprometer sua privacidade.

O que realmente pode ajudar, e o que pode piorar a situação durante esse momento tão difícil? Confira nossas outras postagens:

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  • Como gerenciar assinaturas com segurança | Blog oficial da Kaspersky rafaeromer
    Você já tentou calcular quanto gasta por mês com assinaturas? Música, filmes, jogos, cursos de idiomas, serviços de delivery, assinatura de bancos aquecidos e até mesmo a possibilidade de conversar com o bot Grok diretamente do seu veículo: hoje existe assinatura para praticamente tudo. Há até mesmo serviços de assinatura criados especificamente para… acompanhar suas outras assinaturas. O número de assinaturas varia bastante dependendo de onde você mora, mas, estatisticamente, 78% dos adultos no
     

Como gerenciar assinaturas com segurança | Blog oficial da Kaspersky

28 de Maio de 2026, 10:00

Você já tentou calcular quanto gasta por mês com assinaturas? Música, filmes, jogos, cursos de idiomas, serviços de delivery, assinatura de bancos aquecidos e até mesmo a possibilidade de conversar com o bot Grok diretamente do seu veículo: hoje existe assinatura para praticamente tudo. Há até mesmo serviços de assinatura criados especificamente para… acompanhar suas outras assinaturas.

O número de assinaturas varia bastante dependendo de onde você mora, mas, estatisticamente, 78% dos adultos no mundo possuem pelo menos uma assinatura paga, e o usuário médio gerencia 5,6 serviços ativos. Além disso, uma grande parte dessas assinaturas são planos familiares usados por grupos de parentes próximos… e, às vezes, por outras pessoas também: 37% dos usuários compartilham suas assinaturas fora do núcleo familiar imediato.

Como contas de assinatura, especialmente planos familiares, costumam conter dados pessoais sensíveis, elas se tornaram um alvo prioritário para cibercriminosos. Hoje, vamos analisar como gerenciar suas assinaturas com segurança, evitar que suas contas sejam comprometidas e não cair nos golpes mais recentes dos golpistas.

Segurança de contas e assinaturas compartilhadas

Por que alguém poderia querer invadir sua assinatura? Mesmo que o serviço ofereça apenas entretenimento, sua conta quase certamente contém informações sensíveis: nome, endereço, e-mail, telefone, nomes de outros membros e outros dados de identificação pessoal. Esses dados são, então, vendidos na dark web e usados para novos ataques.

Os invasores comprometem contas de assinatura por meio de engenharia social e phishing ou explorando o hábito de muitos usuários de utilizar senhas fracas ou já vazadas. Como destacamos recentemente em nossa pesquisa, quase metade das senhas em todo o mundo pode ser decifrada em menos de um minuto. Os golpistas, então, revendem assinaturas existentes ou vagas em grupos familiares com desconto, ou ainda cadastram a vítima em novos serviços, esperando que as cobranças extras passem despercebidas.

Por fim, alguns intermediários nem sequer se preocupam em invadir contas; eles simplesmente compram assinaturas em massa para um grande número de dispositivos, nas quais o custo por unidade costuma ser muito menor. Depois, revendem vagas individuais desses planos em marketplaces on-line. Como resultado, uma única conta “familiar” pode acabar sendo compartilhada entre pessoas completamente desconhecidas entre si.

Compartilhamento de assinaturas com familiares e outras pessoas

Muitos titulares de assinaturas não veem problema em compartilhar o acesso com familiares e amigos. Mas o que poderia dar errado?

O pior cenário do ponto de vista da segurança acontece quando uma única conta é adquirida e o proprietário compartilha login e senha com outros usuários. Isso geralmente ocorre quando as pessoas tentam economizar em um plano familiar comprando uma assinatura individual e dividindo o acesso. Alguns serviços até permitem perfis diferentes, mas todos ficam vinculados à mesma conta, o que significa que as credenciais são compartilhadas. É assim que funcionam plataformas de streaming como Hulu e Disney+.

Compartilhar uma mesma conta entre várias pessoas aumenta significativamente o risco de suas credenciais caírem em mãos erradas. Não há como garantir que todos estejam armazenando essas informações de forma segura ou que seus dispositivos não estejam infectados por malware. Mesmo sem malware, é extremamente fácil entregar uma senha aos invasores sem perceber, simplesmente ao acessar o serviço de assinatura em uma rede Wi-Fi pública desprotegida.

É totalmente possível que a senha que você compartilhou gentilmente com alguns amigos já tenha aparecido em algum canto da dark web. E você pode perder o acesso à sua conta em breve. Além disso, se você reutiliza a mesma senha em diferentes sites e aplicativos, suas outras contas também passam a estar na mira dos criminosos.

O segundo cenário ocorre quando cada membro do grupo possui uma conta individual. Muitos serviços agora permitem adicionar usuários extras à assinatura sem custo adicional, e a maioria dos titulares fica feliz em distribuir essas vagas gratuitas. Ainda assim, não é hora de baixar a guarda: a violação de apenas uma dessas contas pode expor informações sensíveis, como nomes de familiares, endereços, dados de cobrança e outros dados relacionados à assinatura.

Como proteger suas assinaturas (e sua carteira)

Para manter seus dados pessoais e os de quem você ama privados e suas contas sob seu controle, siga estas regras simples.

Use uma segurança robusta para suas contas

Para isso, aprenda e ensine seus amigos e familiares a usar gerenciadores de senhas, autenticação de dois fatores e chaves de acesso.

Se você e as pessoas próximas dependem apenas da memória para armazenar senhas, há uma grande chance de reutilizarem a mesma senha em vários serviços. Esse é um erro grave: violações de dados acontecem o tempo todo, e uma única senha comprometida dá aos invasores acesso às suas outras contas.

A solução mais simples é utilizar um gerenciador de senhas que gere e armazene senhas complexas e exclusivas para cada site e serviço. Tudo o que você precisa lembrar é a senha principal do cofre criptografado. Além disso, o Kaspersky Password Manager não apenas armazena e cria senhas; ele também pode verificar se elas apareceram em bancos de dados vazados e sincronizar suas credenciais entre todos os seus dispositivos.

E mais: um gerenciador de senhas oferece uma proteção robusta contra phishing. Ao contrário de uma pessoa, que pode facilmente ser enganada por uma página de login quase idêntica à original hospedada em um domínio falso, o gerenciador de senhas não cai nesse tipo de golpe. Ele só oferecerá preencher automaticamente o login e a senha salvos no site ou serviço específico para o qual eles foram originalmente armazenados.

Evite usar navegadores para armazenar suas senhas: infelizmente, os invasores já descobriram há muito tempo como extrair senhas salvas no navegador em questão de segundos.

A autenticação de dois fatores (2FA) adiciona uma camada extra de verificação após a inserção da senha, como um código enviado por SMS ou um código temporário gerado por um aplicativo autenticador. Sempre que tecnicamente possível, ative a 2FA em todas as contas vinculadas às suas assinaturas. Isso vale tanto para os próprios serviços de assinatura quanto para contas de terceiros usadas para login, como Google, Apple ou Facebook.

Recomendamos armazenar seus tokens de autenticação de dois fatores e gerar os códigos temporários, atualizados a cada 30 segundos, dentro do Kaspersky Password Manager. Isso reduz significativamente as chances de alguém assumir o controle da sua conta. Mesmo que um invasor descubra ou adivinhe sua senha, ele não conseguirá obter o código sem acesso físico ao seu dispositivo.

Por fim, você pode abandonar as senhas (quase) completamente adotando chaves de acesso. Já explicamos anteriormente como funciona essa alternativa às senhas e os detalhes do seu uso. Atualmente, este é o sistema de autenticação mais resistente a invasões disponível. Sua principal desvantagem era a dificuldade de sincronizar chaves de acesso entre diferentes ecossistemas, como Windows e iOS, mas as versões mais recentes do Kaspersky Password Manager já conseguem salvar e sincronizar chaves de acesso entre dispositivos Windows, macOS, iOS e Android, tornando esse problema praticamente irrelevante.

Não negligencie a segurança dos dispositivos

Mesmo uma senha complexa e a 2FA não são motivos para baixar a guarda. Um invasor pode infectar seu dispositivo com um infostealer: um malware desenvolvido para roubar cookies de sessão do navegador, arquivos de configuração de aplicativos e outros dados sensíveis. Os cookies de sessão permitem que você permaneça conectado sem precisar inserir suas credenciais toda vez; porém, se golpistas tiverem acesso a esses cookies, poderão fazer login no serviço se passando por você, mesmo sem saber seu usuário ou sua senha. Por isso, uma abordagem preventiva é essencial, especialmente se você usa o Chrome, o Edge, o Opera ou outros navegadores baseados no Chromium no Windows. Recomendamos instalar o Kaspersky Premium em todos os seus dispositivos, incluindo o Kaspersky Password Manager, além de proteção abrangente contra ciberameaças.

Compartilhe assinaturas apenas com pessoas em quem você confia

Caso contrário, você pode estar criando um problema para si mesmo. Por exemplo: se você compartilhar uma assinatura da Steam com um amigo que utiliza cheats em jogos, ambas as contas podem acabar banidas. Além disso, nunca tente permitir que outra pessoa acesse sua conta pessoal ou assinatura individual. Compartilhar sua senha com terceiros geralmente viola os termos de serviço e pode resultar no bloqueio da sua conta.

Verifique se não há desconhecidos no seu grupo familiar

Para isso, revise periodicamente os dispositivos e sessões ativas nas configurações das suas assinaturas. Se encontrar um dispositivo desconhecido na lista de acessos autorizados, encerre essa sessão (ou todas) e altere imediatamente a senha da conta. Fazer login novamente em alguns dispositivos é muito mais simples do que tentar recuperar uma conta sequestrada.

E lembre-se: não deixe que seus próprios hábitos comprometam sua segurança. Se estiver na casa de amigos, viajando ou em uma viagem de trabalho e usar um computador local ou uma smart TV, ou ainda fizer login em um computador público, não se esqueça de sair da conta quando terminar. Caso contrário, a próxima pessoa que usar aquele dispositivo poderá acabar tendo acesso gratuito às suas assinaturas ou, pior ainda, ao seu e-mail ou armazenamento de fotos na nuvem.

Não caia na armadilha

Fique atento a e-mails e mensagens de phishing que imitam serviços legítimos. Se você receber uma notificação sobre a “necessidade de atualizar seus dados de pagamento” ou um aviso de que “um novo usuário foi adicionado” ao seu plano familiar, não clique imediatamente em links nem abra anexos. Os links podem direcionar a páginas de phishing, e os anexos podem conter malware. Os golpistas frequentemente usam endereços de e-mail e domínios quase idênticos aos verdadeiros, por exemplo, trocando l (L minúsculo) por I (i maiúsculo) ou utilizando um nome familiar em outra extensão de domínio.

Infelizmente, páginas de phishing hoje são muitas vezes indistinguíveis das originais, especialmente com o uso de IA para criar layouts e designs de alta qualidade. Como está cada vez mais difícil identificar todos os sinais de fraude manualmente, o ideal é delegar essa proteção antiphishing ao Kaspersky Premium. Ele alertará você sobre sites suspeitos, ajudando a proteger seu dinheiro e sua tranquilidade.

Por fim, alguns golpistas atraem usuários com brindes, como falsas assinaturas-presente do Telegram Premium. A vítima é instruída a acessar uma página de phishing que imita a tela de login do Telegram e entrar em sua conta para resgatar o brinde. O resultado é previsível: em vez de ganhar uma assinatura premium, a vítima perde o controle da conta. Recentemente, os golpistas passaram até a usar miniaplicativos dentro do próprio Telegram para roubar credenciais diretamente na plataforma, sob diversos pretextos, desde promoções falsas até alegações de que o usuário precisa migrar para um novo chat porque o anterior foi bloqueado.

Evite comprar assinaturas de vendedores terceirizados

É comum encontrar ofertas de assinaturas em marketplaces e plataformas de varejo por preços muito abaixo dos cobrados oficialmente pelo provedor do serviço. Na maioria das vezes, esse valor “imperdível” esconde uma conta hackeada ou um grupo familiar do qual você pode ser removido a qualquer momento, já que o administrador da família pode ser o próprio vendedor ou um usuário aleatório. Além disso, compartilhar um plano familiar com desconhecidos espalhados pelo mundo viola os termos de uso de muitos serviços.

Como se livrar de assinaturas indesejadas

Agora que já falamos sobre segurança de assinaturas, e aquelas assinaturas extras que vão consumindo silenciosamente seu saldo todos os meses? Pesquisas mostram que os usuários normalmente subestimam quantas assinaturas ativas possuem e quanto gastam com elas. Também é muito comum esquecer de cancelar renovações automáticas de serviços que já não utilizam ou cobranças automáticas iniciadas após o fim de períodos de teste gratuitos.

Se você suspeita que esse seja o seu caso, comece investigando seus próprios extratos bancários. Cobranças recorrentes com o mesmo valor podem indicar uma assinatura esquecida. Verifique quem recebeu o pagamento; se o nome não parecer familiar, faça uma busca online pela empresa. Também vale procurar na sua caixa de e-mails pelo nome do comerciante ou pelo valor da cobrança. Isso pode ajudar a localizar notificações de assinatura e entender exatamente pelo que você está pagando. E não se esqueça de verificar a pasta de spam, já que alertas de assinaturas frequentemente acabam indo parar lá.

Agora, veja como verificar e cancelar assinaturas ativas adquiridas pela App Store e pela Google Play.

Para usuários Android

  1. Abra Ajustes em seu dispositivo.
  2. Toque em Google, depois na foto do perfil e acesse Conta do Google.
  3. Vá para Pagamentos e assinaturas.

Se você for o administrador do grupo familiar, também poderá visualizar o histórico de compras dos outros membros da família.

Para usuários iOS

  1. Abra Ajustes em seu dispositivo.
  2. Toque na sua foto de perfil no topo do menu.
  3. Vá para Assinaturas.

Nota: para gerenciar sua assinatura do iCloud, será necessário acessar a seção específica do iCloud, localizada logo abaixo de Assinaturas. Na seção Compartilhamento Familiar, caso você seja a pessoa que configurou o grupo, será possível visualizar o histórico de assinaturas e compras de todos os membros da família.

Leia mais sobre assinaturas:

Quase metade de todas as senhas existentes podem ser quebradas em menos de um minuto | Blog oficial da Kaspersky

19 de Maio de 2026, 10:00

Todos os anos, centenas de milhões de senhas de usuários reais são vazadas na dark web. Analisamos 231 milhões de senhas exclusivas que foram vazadas na dark web entre 2023 e 2026, e as conclusões são sombrias: a grande maioria delas é extremamente fraca. Basta uma hora e alguns dólares no bolso para que um invasor quebre 60% dessas senhas. Além disso, a quebra de senhas vem crescendo a cada ano. No nosso estudo anterior, realizado em 2024, a porcentagem de senhas vulneráveis era menor.

Hoje, analisaremos o quanto as senhas comuns são seguras (spoiler: nem um pouco) e como você pode proteger seus dados e contas usando métodos mais robustos. Ao mesmo tempo, destacaremos os padrões mais comuns utilizados por usuários reais na criação das suas senhas.

Como as senhas são quebradas

Os métodos utilizados para armazenar e decifrar senhas já foram abordados em detalhes no nosso estudo anterior, mas faremos uma breve recapitulação dos pontos mais importantes.

Nos dias atuais, as senhas quase nunca são armazenadas em texto simples. Por exemplo, se você criar uma conta com a senha “Password123!”, o servidor não a armazenará desta forma. Em vez disso, a senha passa por um processo de hash usando algoritmos específicos, transformando-se em uma sequência de letras e números de comprimento fixo (um hash), que é o que realmente fica armazenado no servidor. O hash MD5 para “Password123!” se parece assim:

2c103f2c4ed1e59c0b4e2e01821770fa.

Cada vez que o usuário insere sua senha, ela é convertida em um hash e comparada com o hash que está armazenado no servidor; se eles corresponderem, a senha está correta. Se um invasor colocar as mãos nesse hash, ele precisará quebrá-lo para recuperar a senha original, em um processo conhecido como “quebra de senha”. Isso normalmente é feito usando GPUs próprias ou alugadas, e vários métodos podem ser empregados na execução:

  • Enumeração exaustiva (força bruta). O computador tenta todas as combinações possíveis de caracteres, calculando um hash para cada uma delas. Esse é o método mais fácil para quebrar senhas curtas ou compostas por um único conjunto de caracteres (como apenas dígitos).
  • Tabelas arco-íris. Esse método é um pesadelo para quem usa senhas simples. Trata-se basicamente de uma “lista telefônica” de hashes já quebrados por força bruta ou algoritmos inteligentes. Tudo o que um invasor precisa fazer é encontrar um hash correspondente e ver qual senha corresponde a ele.
  • Quebra inteligente. Esses algoritmos são treinados com base em bancos de dados de senhas vazadas. Eles entendem a frequência de diferentes combinações de caracteres e fazem as verificações das sequências mais prováveis para as menos comuns. Os algoritmos consideram palavras do dicionário e substituições de caracteres (a → @ ou s → $), bem como estruturas de senhas comuns, como “palavra do dicionário + número + caractere especial”, enquanto verificam hashes em relação às tabelas arco-íris. A combinação desses métodos acelera bastante o processo de quebra de senhas.

Além desses métodos, os invasores também conseguem interceptar senhas em texto simples. Existem várias maneiras de fazer isso: phishing (em que uma vítima é atraída para uma página da Web falsa e insere sua senha), keyloggers que detectam teclas pressionadas, malwares de roubo de dados, cavalos de Troia capazes de acessar documentos, cookies, dados da área de transferência e muito mais. Infelizmente, muitos usuários armazenam suas senhas em formato de texto simples em anotações, aplicativos de mensagens e documentos, ou as salvam em navegadores onde invasores podem extraí-las em segundos.

Todos os anos, detectamos cerca de cem milhões de vazamentos de senhas em formato de texto simples. Usamos esses bancos de dados para avisar os usuários do [placeholder KPM] caso seus dados tenham sido comprometidos. Eles nos perguntam com frequência se conhecemos suas senhas. E a resposta é: não. Já explicamos em linguagem não técnica como comparamos suas senhas com senhas vazadas sem precisar conhecê-las (nem as senhas armazenadas no [placeholder KPM] nem mesmo seus hashes saem do seu dispositivo) nas visões gerais da nossa tecnologia de análise de vazamentos e na arquitetura interna do nosso gerenciador de senhas. Dê uma olhada neles. Você ficará surpreso com a elegância do processo.

60% das senhas são quebradas em menos de uma hora

Adicionamos 38 milhões de senhas reais divulgadas por invasores em fóruns da dark web ao banco de dados do nosso estudo anterior e comparamos os resultados. O teste foi realizado usando uma única GPU RTX 5090 para senhas com hash gerado pelo algoritmo MD5. Os dados utilizados na análise foram obtidos do nosso serviço Digital Footprint Intelligence . Você pode consultar o algoritmo que usamos para avaliar a força das senhas em nosso artigo na Securelist.

Infelizmente, as senhas continuam fracas, e fica cada vez mais fácil e rápido quebrá-las. Hoje, 60% das senhas podem ser quebradas em menos de uma hora. Há dois anos, essa porcentagem era de 59%. Mas o fato mais alarmante é este: quase metade de todas as senhas (48%) são quebradas em menos de um minuto!

Tempo para decifrar Porcentagem de senhas que podiam ser quebradas neste período em 2024 Porcentagem de senhas que podiam ser quebradas neste período nos dias de hoje
Menos de um minuto 45% 48%
Menos de uma hora 59% (+14%) 60% (+12%)
Menos de 24 horas 67% (+8%) 68% (+ 8%)
Menos de um mês 73% (+6%) 74% (+6%)
Menos de um ano 77% (+4%) 77% (+3%)
Mais de um ano 23% 23%

Tempo para quebrar uma senha: dois anos atrás e hoje

Esse aumento na velocidade ocorreu devido aos processadores gráficos, que se tornam mais poderosos a cada ano. Enquanto uma RTX 4090 em 2024 atingia uma velocidade de 164 gigahashes (bilhões de hashes) por segundo em ataques de força bruta contra hashes MD5, a nova RTX 5090 aumentou essa taxa em 34%, chegando a 220 gigahashes por segundo.

E embora uma placa de vídeo de alta tecnologia como essa possa ser encontrada à venda no varejo por milhares de dólares, o preço não representa um grande empecilho: há muitos serviços em nuvem baratos que permitem alugar o poder de computação de uma GPU. Dependendo da configuração e do modelo, os custos de aluguel variam de alguns centavos a alguns dólares por hora. Como vimos, uma hora é tudo o que um invasor precisa para quebrar três de cada cinco senhas encontradas em um vazamento. Além disso, dependendo da escala da tarefa, é possível alugar dez ou até cem GPUs em vez de apenas uma…

É interessante notar que quebrar todas as senhas de um conjunto de dados leva quase o mesmo tempo que quebrar apenas uma. Durante cada iteração, depois que o invasor calcula um hash para uma combinação de caracteres específica, ele verifica se esse mesmo hash existe em algum lugar no conjunto de dados. Quanto maior é o conjunto, mais fácil é encontrar uma correspondência. Se uma correspondência for encontrada, a senha correspondente será marcada como “quebrada”, e o algoritmo seguirá para a próxima.

Quais senhas são vulneráveis?

A força de qualquer senha depende do seu comprimento, da variedade do conteúdo e da aleatoriedade desse conteúdo. As senhas criadas por humanos acabam sendo as menos seguras, já que, infelizmente, somos bastante previsíveis. As pessoas usam palavras do dicionário e combinações de caracteres que já foram dominadas pelos algoritmos inteligentes e evitam usar sequências longas e aleatórias de caracteres. Além disso, muitas não sabem que é possível detectar padrões em sequências que aparentam ser aleatórias. O curioso é que senhas geradas por IA ainda carregam traços de uma abordagem humana. Falamos sobre isso em outro post sobre como criar uma senha forte e memorável.

Quase metade de todas as senhas existentes podem ser quebradas em menos de um minuto

Porcentagem de senhas de diferentes comprimentos que podem ser quebradas em um determinado período

O comprimento de uma senha é o principal fator que afeta o tempo que ela leva para ser decifrada. Como você pode ver na tabela abaixo, leva menos de 24 horas para quebrar quase todas as senhas de oito caracteres.

Porcentagem de senhas de diferentes comprimentos que podem ser quebradas em um determinado períodoMas a previsibilidade de uma senha também importa. Você acha que sua senha se torna mais segura ao adicionar um número ou um caractere especial a uma palavra fácil de lembrar? A resposta é sim, mas nem tanto. Os padrões usados pelas pessoas para criar senhas são fáceis de prever e, às vezes, até divertidos, embora isso não tenha graça nenhuma.

O que aprendemos sobre padrões de senhas

Uma análise de mais de 200 milhões de senhas revelou padrões característicos que permitem que algoritmos inteligentes quebrem senhas com facilidade.

Escolha um número

Mais da metade de todas as senhas (53%) terminam com um ou mais dígitos, enquanto quase uma em cada seis (17%) começa com um número. Uma em cada oito (12%) contém sequências que parecem anos, variando de 1950 a 2030, e uma em cada 10 (10%) contém anos entre 1990 e 2026. É provável que isso aconteça porque as pessoas utilizam seu ano de nascimento (ou de alguém que elas conhecem), algum outro ano significativo ou o ano em que criaram a senha ou a conta. Curiosidade: a distribuição dessas datas sugere que os usuários mais ativos na Internet nasceram entre 2000 e 2012.

No entanto, entre todas as combinações numéricas, a mais popular é “1234”, como você já deve ter adivinhado. No geral, padrões com sequências de teclas do teclado (“qwerty”, “ytrewq” e similares) aparecem em 3% das senhas.

Caracteres especiais não são garantia de segurança

A maioria das políticas de senha nos últimos anos exige o uso de pelo menos um caractere especial. O vencedor absoluto desta categoria é o símbolo @: ele aparece em uma em cada 10 senhas. O ponto (.) aparece em segundo lugar, seguido do ponto de exclamação (!) em terceiro.

O amor governa o mundo… e o Skibidi Toilet também

Palavras carregadas de emoção costumam servir de base para senhas, e as positivas são as mais comuns. Alguns dos termos mais usados são “love” (“amor”), “angel” (“anjo”), “team” (“equipe”), “mate” (“amigo”), “life” (“vida”) e “star” (“estrela”). Dito isto, a negatividade também se faz presente, principalmente na forma de palavrões comuns em inglês.

É curioso notar que memes virais também são usados em senhas. Entre 2023 e 2026, o uso da palavra Skibidi aumentou 36 vezes! Naturalmente (veja o link se isso não parecer tão natural assim), a palavra “toilet” também ganhou popularidade, embora em menor escala.

Os usuários tendem a manter as senhas inalteradas por anos

Mais da metade das senhas (54%) que identificamos em vazamentos recentes já haviam aparecido antes. Uma das explicações para isso é a migração dos mesmos dados de um conjunto de dados para outro. No entanto, há uma explicação muito mais preocupante: muitos usuários usam a mesma senha durante anos.

A análise das datas encontradas nas senhas mostra que as combinações que contêm os anos de 2020 a 2024 permanecem populares. Parece que as pessoas adicionam o ano atual à senha quando a criam e depois esquecem dela por vários anos. Isso torna possível calcular a vida útil média de uma senha: de três a cinco anos.

Essa é uma tendência perigosa. Primeiro, porque os algoritmos inteligentes conseguem decifrar senhas muito mais complexas nesse período de tempo. E, em segundo lugar, quanto mais tempo sua senha permanecer inalterada, maior será a probabilidade de ela vazar, seja por meio de uma violação, infecção por malware ou ataque de phishing.

A situação fica ainda pior quando a mesma senha é usada em várias contas. Nesse caso, os invasores nem precisam quebrar nada: basta encontrar sua senha em um único vazamento e usá-la em outros sites.

Como proteger suas senhas e contas

Se, ao ler esta postagem, você percebeu que suas senhas podem ser facilmente quebradas, não entre em pânico. Fizemos uma lista de dicas simples, mas essenciais, para você seguir.

Use um gerenciador de senhas

As senhas mais fracas são as criadas por humanos. Criar e memorizar centenas de sequências aleatórias de 16 a 20 caracteres (já que cada site exige uma senha longa e exclusiva) é uma tarefa difícil e pouco realista.

É por isso que você deve delegar a geração e o armazenamento das suas senhas ao nosso gerenciador de senhas. Além de criar e armazenar senhas complexas e aleatórias em um formato criptografado, ele também as sincroniza em todos os seus dispositivos. Para descriptografar seu cofre, basta lembrar de uma senha principal que só você conhece: nosso guia sobre senhas mnemônicas pode ajudar com isso.

Não armazene senhas em formato de texto simples

Faça o que fizer, nunca anote senhas em arquivos, mensagens ou documentos. Esses recursos não contam com a criptografia robusta oferecida por um gerenciador de senhas. Além disso, esse tipo de anotação cai instantaneamente nas mãos de invasores caso você seja infectado por um cavalo de Troia ou um infostealer.

Não armazene senhas no navegador

Muitos usuários salvam suas senhas nos navegadores, especialmente porque eles oferecem essa opção automaticamente. Porém, estudos mostram que os malwares evoluíram para extrair essas senhas de todos os navegadores populares quase instantaneamente. O KPM pode ajudar você a importar senhas salvas do seu navegador favorito: basta seguir nosso guia simples de três etapas. Mais importante ainda, não se esqueça de limpar o gerenciador de senhas do navegador assim que a importação for concluída.

Prefira usar chaves de acesso

Sempre que possível, use chaves de acesso uma alternativa criptográfica às senhas. Nesta configuração, o serviço armazena uma chave pública, enquanto a chave privada permanece no seu dispositivo e nunca é transmitida. Durante o login, o dispositivo apenas assina uma solicitação única. Além disso, as chaves de acesso estão vinculadas a um domínio específico, o que significa que ataques de phishing com endereços falsificados não funcionarão. O KPM permite armazenar senhas e chaves de acesso, resolvendo o problema da sincronização entre diferentes ecossistemas, incluindo Windows, Android, macOS e iOS.

Configure a autenticação de dois fatores

Ative a autenticação de dois fatores sempre que possível. Mesmo que sua senha tenha sido comprometida, uma configuração de 2FA bem implementada torna extremamente difícil que um invasor acesse sua conta. Para garantir a máxima segurança, prefira aplicativos autenticadores a códigos únicos enviados via SMS. E sim, o KPM também é útil neste caso.

Pratique uma boa higiene digital

Lembre-se: armazenar suas senhas corretamente é apenas metade do caminho. É essencial seguir boas práticas de higiene digital: evite baixar arquivos não verificados, softwares piratas, cheats ou cracks e não clique em links suspeitos. O número de ataques com infostealers tem aumentado de forma consistente nos últimos anos, o que significa que você precisa de uma solução de segurança robusta para garantir proteção total. Recomendamos o Kaspersky Premium, pois ele protege todos os seus dispositivos contra cavalos de Troia, phishing e outras ameaças. Além disso, a assinatura inclui o nosso gerenciador de senhas.

Se você leva a sério a segurança das suas contas, confira nossas postagens sobre senhas, chaves de acesso e autenticação de dois fatores:

O iPhone não é tão invencível assim: uma análise do DarkSword e do Coruna | Blog oficial da Kaspersky

24 de Abril de 2026, 09:00

O DarkSword e o Coruna são novas ferramentas utilizadas em ataques invisíveis a dispositivos iOS. Esses ataques não exigem interação do usuário e já estão sendo usados em larga escala por agentes mal-intencionados. Antes do surgimento dessas ameaças, a maioria dos usuários do iPhone não precisava se preocupar com a segurança de dados. Poucos grupos realmente se preocupavam com isso, como políticos, ativistas, diplomatas, executivos de negócios de alto nível e pessoas que lidam com dados extremamente confidenciais, já que eles poderiam vir a ser alvos de agências de inteligência estrangeiras. Já discutimos spywares avançados usados contra esses grupos anteriormente, e observamos como era raro encontrá-los.

No entanto, o DarkSword e o Coruna, descobertos por pesquisadores no início deste ano, são revolucionários. Esses malwares estão sendo usados em infecções em massa de usuários comuns. Nesta postagem, explicamos por que essa mudança ocorreu, os riscos dessas ferramentas e como se proteger.

O que sabemos sobre o DarkSword e como ele pode infectar o seu iPhone

Em meados de março de 2026, três equipes de pesquisa diferentes coordenaram a divulgação das suas descobertas sobre um novo spyware chamado de DarkSword. Essa ferramenta é capaz de invadir silenciosamente dispositivos com o iOS 18, sem que o usuário perceba que algo está errado.

Primeiro, devemos esclarecer uma coisa: o iOS 18 não é tão antigo quanto parece. Embora a versão mais recente seja o iOS 26, a Apple revisou recentemente o sistema de versões, surpreendendo a todos. A empresa decidiu avançar oito versões (da 18 diretamente para a 26) para que o número do sistema operacional correspondesse ao ano atual. Apesar disso, a Apple estima que cerca de um quarto de todos os dispositivos ativos ainda executam o iOS 18 ou uma versão anterior.

Agora que isso já foi esclarecido, vamos voltar a falar sobre o DarkSword. A pesquisa mostra que esse malware infecta as vítimas quando elas visitam sites perfeitamente legítimos que contêm códigos maliciosos. O spyware se instala sem qualquer interação do usuário: basta acessar uma página comprometida. Isso é conhecido como técnica de infecção zero clique. Os pesquisadores relatam que milhares de dispositivos já foram infectados desta forma.

Para comprometer um dispositivo, o DarkSword usa uma cadeia de exploits com seis vulnerabilidades para evitar o sandbox, aumentar privilégios e executar código. Assim que o dispositivo é infectado, o malware consegue coletar dados, incluindo:

  • Senhas
  • Fotos
  • Conversas e dados do iMessage, WhatsApp e Telegram
  • Histórico do navegador
  • Informações dos aplicativos Calendário, Notas e Saúde da Apple

Além disso, o DarkSword coleta dados de carteiras de criptomoedas, atuando como malware de dupla finalidade para espionagem e roubo de criptoativos.

A única boa notícia é que o spyware não sobrevive a uma reinicialização. O DarkSword é um malware sem arquivo, o que significa que ele vive na RAM do dispositivo e nunca se incorpora ao sistema de arquivos.

Coruna: direcionado às versões mais antigas do iOS

Apenas duas semanas antes da descoberta do DarkSword se tornar pública, os pesquisadores revelaram outra ameaça que tinha o iOS como alvo, chamada de Coruna. Esse malware consegue comprometer dispositivos que executam softwares mais antigos, especificamente as versões 13 a 17.2.1 do iOS. O método utilizado pelo Coruna é exatamente igual ao do DarkSword: as vítimas visitam um site legítimo injetado com código malicioso que, em seguida, infecta o dispositivo delas com o malware. Todo o processo é completamente invisível e não requer interação do usuário.

Uma análise detalhada do código do Coruna revelou que ele explora 23 vulnerabilidades distintas do iOS, várias delas localizadas no WebKit da Apple. Vale lembrar que, de um modo geral (fora da UE), todos os navegadores iOS precisam usar o mecanismo WebKit. Isso significa que essas vulnerabilidades não afetam apenas os usuários do Safari, mas também qualquer pessoa que use outros navegadores no iPhone.

A versão mais recente do Coruna, assim como o DarkSword, inclui modificações projetadas para drenar carteiras de criptomoedas. Ele também coleta fotos e, em alguns casos, informações de e-mails. Ao que tudo indica, roubar criptomoedas parece ser o principal motivo da implementação generalizada do Coruna.

Quem criou o Coruna e o DarkSword, e como eles foram disseminados?

A análise do código de ambas as ferramentas sugere que o Coruna e o DarkSword provavelmente foram desenvolvidos por grupos diferentes. No entanto, ambos são softwares criados por empresas patrocinadas pelo governo, possivelmente dos EUA. Isso se reflete na alta qualidade do código: não são kits montados com partes aleatórias, mas exploits projetados de forma uniforme. Em algum momento, essas ferramentas vazaram e foram parar nas mãos de gangues de cibercriminosos.

Os especialistas da GReAT, da Kaspersky, analisaram todos os componentes do Coruna e confirmaram que o kit de exploração é uma versão atualizada da estrutura usada na Operação Triangulação. Esse ataque anterior tinha como alvo os funcionários da Kaspersky, uma história que abordamos em detalhes neste blog.

Uma teoria sugere que um funcionário da empresa que desenvolveu o Coruna vendeu o malware para hackers. Desde então, ele tem sido usado para drenar carteiras de criptomoedas de usuários na China. Alguns especialistas estimam que pelo menos 42 mil dispositivos foram infectados somente neste país.

Quanto ao DarkSword, os cibercriminosos já o usaram para infectar dispositivos de usuários na Arábia Saudita, Turquia e Malásia. O problema se agrava pelo fato de que os invasores que implementaram o DarkSword deixaram o código-fonte completo nos sites infectados, facilitando a detecção dele por outros grupos criminosos.

O código também inclui comentários detalhados explicado exatamente o que faz cada componente, reforçando a hipótese de que ele surgiu no Ocidente. Essas instruções detalhadas tornam mais fácil para outros hackers adaptarem a ferramenta para interesses próprios.

Como se proteger do Coruna e do DarkSword

Dois malwares poderosos que permitem a infecção em massa de iPhones sem exigir qualquer interação do usuário caíram nas mãos de um grupo essencialmente ilimitado de cibercriminosos. Para ser infectado pelo Coruna ou pelo DarkSword, basta que você visite o site errado na hora errada. Portanto, este é um daqueles casos em que todos os usuários precisam levar a sério a segurança do iOS, não apenas aqueles que pertencem a grupos de alto risco.

A melhor coisa a fazer para se proteger do Coruna e do DarkSword é atualizar assim que possível os dispositivos para a versão mais recente do iOS ou do iPadOS 26. Se isso não for possível (por exemplo, se o dispositivo for mais antigo e não compatível com o iOS 26), ainda assim é recomendado baixar a versão mais recente disponível. Especificamente, procure as versões 15.8.7, 16.7.15 ou 18.7.7. A Apple aplicou correções em vários sistemas operacionais mais antigos, o que é raro.

Para proteger os dispositivos Apple contra malwares semelhantes que provavelmente aparecerão no futuro, recomendamos fazer o seguinte:

  • Instale as atualizações em todos os dispositivos da Apple o quanto antes. A empresa lança regularmente versões do SO que corrigem vulnerabilidades conhecidas. Não as ignore.
  • Ative a opção Otimização de segurança em segundo plano. Esse recurso permite que o dispositivo receba correções de segurança críticas além das atualizações completas do iOS, reduzindo o risco de exploração de vulnerabilidades pelos hackers. Para ativá-lo, vá para ConfiguraçõesPrivacidade e segurançaOtimização de segurança em segundo plano e ative a opção Instalar automaticamente.
  • Considere usar o Modo de bloqueio. Essa é uma configuração de segurança reforçada que, apesar de limitar alguns recursos do dispositivo, bloqueia ou restringe ataques de forma significativa. Para ativá-lo, vá para ConfiguraçõesPrivacidade e segurançaModo de bloqueioAtivar o Modo de bloqueio.
  • Reinicie o dispositivo uma vez por dia (ou mais). Isso interrompe a atuação de malwares sem arquivo, pois essas ameaças não são incorporadas ao sistema e desaparecem após a reinicialização.
  • Use o armazenamento criptografado para dados confidenciais. Mantenha chaves de carteiras de criptomoedas, fotos de documentos e dados confidenciais em um local seguro. Kaspersky Password Manager é uma ótima opção para isso, pois gerencia suas senhas, tokens de autenticação de dois fatores e chaves de acesso em todos os dispositivos, mantendo notas, fotos e documentos sincronizados e criptografados.

A ideia de que os dispositivos da Apple são à prova de balas é um mito. Eles são vulneráveis a ataques de zero clique, cavalos de Troia e técnicas de infecção ClickFix. Além disso, aplicativos maliciosos já foram encontrados na App Store mais de uma vez. Leia mais aqui:

O que é um ataque browser-in-the-browser e como identificar uma janela de login falsa | Blog oficial da Kaspersky

9 de Março de 2026, 09:10

Em 2022, analisamos em profundidade um método de ataque chamado browser-in-the-browser, originalmente desenvolvido pelo pesquisador de cibersegurança conhecido como mr.d0x. Na época, ainda não havia exemplos reais desse modelo sendo utilizado em ataques. Quatro anos depois, a situação mudou: os ataques browser-in-the-browser deixaram de ser apenas um conceito teórico e passaram a ser utilizados em campanhas reais. Neste artigo, revisitamos o que exatamente é um ataque browser-in-the-browser, mostramos como hackers estão utilizando essa técnica e, principalmente, explicamos como evitar se tornar a próxima vítima.

O que é um ataque browser-in-the-browser (BitB)?

Para começar, vale relembrar o que mr.d0x realmente desenvolveu. A base do ataque surgiu da observação de quão avançadas se tornaram as ferramentas modernas de desenvolvimento Web, como HTML, CSS e JavaScript. Essa constatação levou o pesquisador a conceber um modelo de phishing particularmente sofisticado.

Um ataque browser-in-the-browser é uma forma avançada de phishing que utiliza recursos de design e desenvolvimento Web para criar sites fraudulentos que imitam janelas de login de serviços conhecidos, como Microsoft, Google, Facebook ou Apple, com aparência praticamente idêntica à original. No conceito proposto pelo pesquisador, o atacante cria um site aparentemente legítimo para atrair as vítimas. Uma vez nesse site, o usuário descobre que não pode deixar comentários ou realizar uma compra sem antes fazer login.

O processo parece simples: basta clicar no botão Fazer login com {nome de um serviço popular}. É nesse momento que ocorre o golpe. Em vez de abrir a página real de autenticação do serviço legítimo, o usuário recebe um formulário falso renderizado dentro do próprio site malicioso, que se apresenta visualmente como se fosse… uma janela pop-up do navegador. Além disso, a barra de endereço exibida nessa janela, também renderizada pelos invasores, mostra uma URL aparentemente legítima. Mesmo uma inspeção cuidadosa pode não revelar a fraude.

A partir desse ponto, o usuário desavisado insere suas credenciais Microsoft, Google, Facebook ou Apple nessa janela renderizada, e esses dados são enviados diretamente aos cibercriminosos. Durante algum tempo, esse esquema permaneceu apenas como um experimento teórico do pesquisador de segurança. Hoje, porém, ataques reais já incorporaram essa técnica aos seus arsenais de phishing.

Roubo de credenciais do Facebook

Os atacantes adaptaram o conceito original de mr.d0x. Em ataques recentes do tipo browser-in-the-browser, o golpe começa com e-mails criados para alarmar o destinatário. Em uma campanha de phishing, por exemplo, os criminosos se passaram por um escritório de advocacia informando ao usuário que ele teria cometido uma violação de direitos autorais ao publicar conteúdo no Facebook. A mensagem incluía um link aparentemente legítimo que supostamente levaria à publicação problemática.

E-mail de phishing disfarçado de notificação jurídica

Os invasores enviaram mensagens em nome de um escritório de advocacia fictício alegando violação de direitos autorais, acompanhadas de um link que supostamente direcionava ao post problemático no Facebook. Fonte

Curiosamente, para reduzir a desconfiança da vítima, ao clicar no link não era exibida imediatamente uma página falsa de login do Facebook. Em vez disso, o usuário era primeiro apresentado a um CAPTCHA falso da Meta. Somente após “passar” por essa verificação é que a vítima recebia a janela pop-up de autenticação falsa.

Janela de login falsa renderizada diretamente dentro da página

Isso não é um pop-up real do navegador, mas um elemento da própria página que imita uma tela de login do Facebook. Esse truque permite que os invasores exibam um endereço aparentemente legítimo. Fonte

Naturalmente, a página falsa de login do Facebook segue o modelo descrito por mr.d0x. Ela é construída inteiramente com ferramentas de desenvolvimento Web para capturar as credenciais da vítima. Enquanto isso, a URL exibida na barra de endereço simulada aponta para o site verdadeiro do Facebook, www.facebook.com.

Como evitar se tornar uma vítima

O fato de golpistas já estarem utilizando ataques browser-in-the-browser demonstra que as técnicas de fraude digital evoluem constantemente. Ainda assim, existe uma forma eficaz de verificar se uma janela de login é legítima. Utilizar um gerenciador de senhas, que funciona como um teste de segurança confiável para sites.

Isso ocorre, porque, ao preencher credenciais automaticamente, o gerenciador de senhas verifica a URL real da página, e não aquilo que parece estar na barra de endereço ou o que a interface visual mostra. Diferentemente de um usuário humano, não é possível enganar um gerenciador de senhas por meio de técnicas como browser-in-the-browser, domínios com pequenas variações ortográficas (typosquatting) ou formulários de phishing ocultos em anúncios e pop-ups. A regra é simples: se o gerenciador de senhas oferecer o preenchimento automático de login e senha, você está em um site para o qual já salvou credenciais. Se ele permanecer silencioso, há um forte indício de que algo está errado.

Além disso, seguir algumas recomendações clássicas de segurança digital ajuda a se proteger contra phishing ou, pelo menos, reduzir os danos caso um ataque seja bem-sucedido:

  • Ative a autenticação em dois fatores (2FA) em todas as contas que suportam esse recurso. Idealmente, utilize códigos temporários gerados por um aplicativo autenticador dedicado como segundo fator. Isso ajuda a evitar golpes de phishing que interceptam códigos de confirmação enviados por SMS, aplicativos de mensagem ou e-mail. Leia mais sobre 2FA de código único em nosso post dedicado.
  • Utilize chaves de acesso. A opção de login com chave de acesso também pode indicar que você está em um site legítimo. Aprenda tudo sobre o que são chaves de acesso e como começar a usá-las em nossa análise aprofundada sobre essa tecnologia.
  • Crie senhas únicas e complexas para todas as contas. Faça o que fizer, nunca reutilize a mesma senha em contas diferentes. Recentemente explicamos em nosso blog o que torna uma senha realmente forte. Gerar combinações únicas, sem precisar memorizá-las, KPMé a melhor opção. Como benefício adicional, também pode gerar códigos temporários para autenticação em dois fatores, armazenar suas chaves de acesso e sincronizar suas senhas e arquivos entre seus diferentes dispositivos.

Por fim, este post serve como mais um lembrete de que ataques teóricos descritos por pesquisadores de cibersegurança frequentemente acabam sendo utilizados em ataques reais. Então, fique de olho no nosso blog, e assine nosso canal no Telegram para se manter atualizado sobre as ameaças mais recentes à sua segurança digital e saber como neutralizá-las.

Leia sobre outras técnicas de phishing criativas que os golpistas estão usando diariamente:

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