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Como proteger sua smart TV e set-top box contra invasões

Em 2026, o proprietário de um roteador doméstico comum, de uma smart TV ou de uma TV box é um alvo de grande interesse para os cibercriminosos. Esses dispositivos são facilmente recrutados para botnets e redes de proxy residencial, sobre as quais já falamos anteriormente.

Os criminosos “sublicenciam” o dispositivo infectado, permitindo que terceiros paguem para acessar qualquer site usando o endereço IP da vítima, fazendo parecer que é o proprietário do dispositivo quem está realizando os acessos. Esse serviço é procurado para todo tipo de esquema ilícito: desde fraude publicitária e campanhas de spam até tentativas de descoberta de senhas por força bruta e invasão de contas. Em nosso artigo anterior, explicamos como os roteadores domésticos são recrutados para essas redes de proxy; hoje, vamos analisar uma categoria de dispositivos ainda mais vulnerável e igualmente onipresente: smart TVs e TV boxes.

Esses dispositivos atraem os criminosos por dois motivos. Primeiro, ao contrário de computadores e smartphones, as TVs quase sempre ficam conectadas à tomada e têm uma conexão rápida com a Internet. Uma tela apagada não significa que o dispositivo esteja desligado. Além disso, a interface de usuário e as ferramentas de monitoramento limitadas fazem com que processos suspeitos executados em segundo plano possam passar facilmente despercebidos pelos usuários.

A ameaça está evoluindo e se tornando mais agressiva. Um estudo recente constatou que, quando um proxyware chega a um set-top box, os riscos para o proprietário vão muito além de ter o próprio tráfego desviado.

Anatomia da infecção

Os pesquisadores se concentraram em uma popular TV box da SuperBox, que já abordamos anteriormente no artigo Sua TV box virou uma porta de entrada para terceiros?

A estratégia de marketing da SuperBox se baseia fortemente na promessa de oferecer milhares de canais de TV sem assinatura nem mensalidades. No entanto, assim que sai da caixa, o dispositivo não é capaz de fazer nada disso. Para ter acesso a conteúdo pirata, é necessário instalar a loja de aplicativos proprietária da marca.

Quando você a abre e instala aplicativos adicionais, os milhares de canais de TV realmente aparecem. Enquanto isso, nos bastidores, sem nenhum aviso ou solicitação de permissão, o dispositivo inunda sites externos com solicitações não autorizadas, e o tráfego de rede aumenta drasticamente.

Os pesquisadores descobriram vários fatos alarmantes. Primeiro, a vítima pode ser incluída simultaneamente em até cinco botnets. A SuperBox executa clientes de várias redes de proxyware ao mesmo tempo, que chegam a competir entre si, bloqueando a instalação de softwares concorrentes.

Mas o verdadeiro choque foram os ataques à rede interna. O proxyware da TV box não impõe nenhuma limitação ao que seus “clientes” pagantes podem fazer na rede. Eles podem acessar não apenas sites externos, mas também dispositivos dentro da sua rede doméstica.

Normalmente, as configurações do seu roteador doméstico e do provedor de serviços de Internet (ISP) protegem você contra ataques externos. Mas o proxyware contorna essas barreiras porque opera de dentro da rede. Durante um experimento, os pesquisadores confirmaram que um invasor na Internet pode facilmente usar o set-top box infectado para abrir o painel de administração de um roteador doméstico, como um Linksys, que deveria estar acessível apenas ao proprietário quando conectado à rede Wi-Fi doméstica. Isso significa que os hackers podem tentar roubar dados de outros dispositivos da mesma residência ou até mesmo criptografar o armazenamento de rede doméstico (NAS).

Ao mesmo tempo, falhas no firmware de fábrica da SuperBox permitem que hackers instalem e executem remotamente qualquer aplicativo com privilégios de superusuário, e essa ameaça está longe de ser apenas hipotética. Durante três semanas de monitoramento, o set-top box usado no teste sofreu mais de 1.300 ataques por meio da rede de proxy doméstica. Os invasores instalaram três tipos diferentes de malware, incluindo um módulo para realizar ataques DDoS.

O malware usa vários métodos para obter acesso ao sistema e permanece ativo mesmo após reinicializações e quedas de energia.

Como saber se seu set-top box está trabalhando para os hackers

Se você tem um set-top box barato ou uma Android TV de uma marca pouco conhecida, vale a pena verificar se há alguma anomalia.

O método mais confiável é analisar o tráfego de rede. Use as estatísticas disponíveis no painel de controle do seu roteador, mas observe que alguns modelos de baixo custo podem não oferecer esse recurso. Nos roteadores Asus, esse recurso é chamado de Traffic Analyzer; nos TP-Link, de Traffic Usage; e nos Keenetic, de Traffic Monitor. Encontre sua TV ou set-top box na lista de dispositivos e verifique a proporção entre os dados baixados e enviados. Esses dispositivos devem consumir muito tráfego para baixar vídeos, mas enviar pouquíssimos dados. Se seu set-top box estiver silenciosamente enviando gigabytes de dados ou permanecer ativo na rede mesmo quando estiver ocioso, esse é um sinal claro de que ele pode estar infectado.

Se as estatísticas de tráfego não estiverem disponíveis, procure sinais indiretos:

  • Os LEDs de atividade da rede e da memória não param de piscar, mesmo quando ninguém está usando o dispositivo.
  • O gabinete do set-top box fica constantemente morno ou quente.
  • A interface apresenta atraso em relação ao controle remoto, e o set-top box trava aleatoriamente, sem relação com a reprodução de vídeos pesados.
  • A velocidade da Internet nos outros dispositivos (computadores ou celulares) sofre uma queda significativa.
  • Ao tentar acessar sites conhecidos pela rede Wi-Fi doméstica, você se depara constantemente com um CAPTCHA, um sinal de que sua rede pode estar comprometida e ter sido identificada como fonte de spam.
  • O suporte técnico do seu provedor de serviços de Internet entra em contato para perguntar sobre um volume de tráfego de rede suspeito.

O que fazer com um dispositivo infectado

A melhor solução é desconectar o dispositivo da Internet e descartá-lo. Se precisar continuar usando-o, siga estas etapas para minimizar os riscos:

  1. Realize uma redefinição de fábrica (hard reset). Restaure o set-top box ao estado original.
  2. Deixe-o desconectado da Internet antes de configurá-lo novamente. Na primeira vez que ligá-lo após a redefinição, ignore a etapa de configuração do Wi-Fi e não conecte o cabo Ethernet.
  3. Bloqueie a instalação de aplicativos. Acesse as configurações do Android e desative a instalação de aplicativos de fontes desconhecidas. Não se esqueça de desativar todos os recursos de depuração que estiverem ativados: depuração USB, depuração sem fio e ADB. Os nomes dos itens de menu podem variar de acordo com a versão do Android e o fabricante do dispositivo.
  4. Isole-o na rede. Configure uma rede Wi-Fi para convidados no roteador e conecte a TV box a ela. Ative o isolamento de clientes (Client Isolation) nas configurações do roteador, se esse recurso estiver disponível. Isso impedirá que a TV box detecte outros dispositivos da sua rede doméstica, protegendo seus computadores e o armazenamento de rede.
  5. Verifique se há atualizações. Depois que a TV box estiver conectada à rede para convidados, verifique se há atualizações oficiais de firmware. Às vezes, os fabricantes corrigem vulnerabilidades conhecidas, embora não seja recomendável contar com isso no caso de marcas pouco conhecidas.

Suas medidas de proteção mais confiáveis

Comprar dispositivos baratos com recursos de streaming de conteúdo pirata e instalar softwares de fontes duvidosas é uma maneira praticamente certa de comprometer sua rede doméstica. Seu endereço IP se tornará uma fonte de atividade maliciosa, o que, na melhor das hipóteses, fará com que seu provedor de serviços de Internet bloqueie seu acesso e, na pior das hipóteses, fará com que você entre no radar das autoridades policiais. Além disso, os hackers podem usar a TV box como ponto de partida para atacar seus computadores e NAS domésticos, o que pode levar ao roubo de dados pessoais ou a um ataque de ransomware.

A melhor proteção é comprar dispositivos de marcas confiáveis e pagar por conteúdo legal. Além disso, para evitar que alguém assuma o controle da sua rede, certifique-se de que o painel de administração do roteador e os outros dispositivos domésticos estejam protegidos por senhas fortes e exclusivas. Para não precisar memorizar todas elas, use um gerenciador de senhas confiável, como o Kaspersky Password Manager. Além disso, o recurso Smart Home Monitor incluído no Kaspersky Premium permite manter todos os seus dispositivos sob controle.

Talvez haja outras coisas que você não saiba sobre seus dispositivos de casa inteligente:

North Korea-linked Hackers Hide a Backdoor Inside HAProxy

North Korea-linked hackers hid a backdoor inside HAProxy, masking C2 traffic and stealing data while keeping the load balancer working normally.

North Korean-linked hackers found a genuinely clever hiding spot for their malware: inside the actual source code of HAProxy, the load balancing software running at the edge of two South Korean companies’ networks. Rapid7’s research documents a previously undocumented Linux toolkit hitting South Korea’s automotive and media sectors, and the depth of integration here goes well beyond a typical backdoor bolted onto a system.

“A new Linux toolkit, identified by Rapid7 Labs, has been targeting organizations across South Korea’s automotive and media industries with minimal detection. The campaign made use of a HAProxy instance named “ted backdoor”, alongside trojanized versions of crond, agetty, atd, sshd, and polkitd.” reads the report published by Rapid7. “This previously undocumented framework enabled threat actors to execute remote commands on compromised servers, inject malicious scripts into web traffic, perform credential harvesting, and engage in long-term surveillance.”

The implant, which Rapid7 calls the “ted backdoor” based on debug strings the attackers left behind, isn’t a separate process running alongside HAProxy. It’s compiled directly into HAProxy’s own source code as a custom plugin, using the software’s native filter API, internal memory management, and event scheduler to intercept HTTP traffic while completely legitimate load balancing keeps running normally on top of it.

“The standout feature of this toolkit is its depth of integration with the target environment. The ted backdoor is compiled as part of the victim’s existing HAProxy version 2.8.12.” continues the report. “It uses its native filter API, internal memory pools, event scheduler, and process management infrastructure to intercept traffic and hide from monitoring, while genuine load balancing traffic operates as expected.”

Rapid7 explains, which is really the whole thesis of why this backdoor is so hard to spot: it’s not an addition to the software, it’s woven into it.

The backdoor receives commands through a surprisingly simple trick. The attackers send a request for a fake image at /favorite_list_2x_m500_ico.jpg. This switches the HAProxy filter into command-and-control mode.

The malware then saves the command in a named pipe and removes traces of the request from HAProxy’s internal counters. It also clears the forwarding buffers, so the request never reaches the backend server. The command ends at the load balancer, leaving nothing in the application logs to show that it happened.

This ability to erase its own traces makes the backdoor very different from a normal web shell. The C2 requests never reach the backend server and are also removed from HAProxy’s statistics.

As a result, neither the application logs nor HAProxy’s connection logs show that the attack happened. A security team checking the logs could find nothing suspicious because the backdoor has already erased the evidence.

Beyond remote command execution, the backdoor can quietly inject malicious scripts or entirely swap out page content for specific victims matched by IP address, browser fingerprint, or even a hidden authentication credential smuggled inside the Accept-Language header, effectively turning a company’s own load balancer into a watering hole against its own visitors. It also hooks response bodies carefully enough to hide the size difference caused by injected content, stripping the header that would let a browser notice the byte-range mismatch. That’s a level of protocol-level care that suggests real HAProxy internals expertise, not a quick copy-paste job.

The main backdoor also comes with a separate toolkit that modifies common Linux system daemons such as crond, agetty, atd, and sshd. These programs continue to work normally but also carry malicious features.

One component acts as an SSH keylogger. It captures passwords that administrators enter in plain text and quietly records them. Another tool, called curlRAT, contacts a remote server every 12 hours by default, or every 30 seconds when the attacker enables its fast-poll mode.

curlRAT also checks whether the system runs inside a virtual machine. If it does not find the expected signs, it refuses to run. This behavior suggests the attackers designed the malware to avoid sandboxes and other analysis environments.

Attribution here sits at medium confidence, and Rapid7 is upfront about the limits of what the evidence actually shows. The targeting pattern, simple XOR-based encryption, a custom substitution cipher, and command-server infrastructure already linked to APT37 by other threat intelligence feeds all point toward North Korean state involvement, with some technical overlap also drawing comparisons to a concurrent Lazarus Group campaign against South Korean media sites.

“Further evidence is necessary to make a more definitive assessment. Moreover, the presence of ngx_* prefixed routines within the ted backdoor suggest code reused from an nginx backdoor. The ngx_* prefixed routines were observed during the latest Funnull campaign, where (similar to our case) a custom nginx filter was registered to hook HTTP traffic, and simple XOR encryption was applied to the configuration file.” Rapid7 states. “However, other than a similar naming convention, no significant code-level overlaps exist to support a stronger linkage.”

If your organization runs HAProxy, or really any edge component handling SSL termination and traffic routing, the practical lesson here is uncomfortable but simple: that software deserves the same scrutiny as your actual application servers, not less. The Hacker News confirmed in early September that the specific command domains used in this campaign have already gone dark, returning no DNS records at all, which is useful for reviewing historical logs but does nothing to stop whatever comes next from the same operators. Checking a load balancer’s own logs isn’t enough anymore when the backdoor’s entire design goal is making sure those logs never see it in the first place.

“ted backdoor and curlRAT were designed to persist during long-term espionage operations with the ability to steal cookie sessions, credentials, redirect selected users, conduct drive-by download attacks, and hide evidence of the tampered page to a specific range of IPs to evade detection.” concludes the report. “Defenders should treat any edge component managing user traffic, SSL, or runtime modules with the same strict security standards as their main application servers. Relying on the component’s own logs is not enough; securing these systems requires independent network correlation, memory behavioral analysis, and binary integrity checks.”

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Pierluigi Paganini

(SecurityAffairs – hacking, North Korea)

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OctLurk and SilkLurk Windows Backdoors Target Governments in 6 Countries

Kaspersky links OctLurk and SilkLurk to cyberespionage attacks stealing passwords, emails and files from government systems in six countries since January 2025.

Residential Proxy Risks: Understanding Google’s Latest Action Against 2 Million Strong NetNut

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The post Residential Proxy Risks: Understanding Google’s Latest Action Against 2 Million Strong NetNut appeared first on The Security Ledger with Paul F. Roberts.

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