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Treinamento Avançado de Cyber Security: Plataformas Gratuitas, OPSEC, Navegadores, DNS, E-mail e Lab | RDS @RDSWEB

RDS @RDSWEB · OSINT Brasil · Análise de Dados de Fontes Abertas · Atualizado em setembro/2026

Treinamento Avançado de Cyber Security: Plataformas Gratuitas, OPSEC, Navegadores, DNS, E-mail e Lab

Guia único e consolidado: plataformas gratuitas de treinamento com certificado, OPSEC para não deixar rastros de metadados, navegador, DNS, e-mail criptografado, arquitetura de laboratório de treinamento, glossário técnico e uma lista indexada de recursos gratuitos, incluindo o Cybrary.

1. Plataformas gratuitas de treinamento com certificado

Ponto de atenção: o ISC2 Certified in Cybersecurity (CC) — a certificação gratuita e proctorada mais recomendada nos últimos anos — encerrou novas inscrições em 20/05/2026. Hoje não existe mais nenhuma certificação gratuita, proctorada por terceiro independente, no mercado. O que resta são certificados de conclusão de curso (comprovam esforço, não competência validada por exame independente).

Nível avançado / hands-on ofensivo e defensivo

  • TryHackMe — tier gratuito robusto, trilhas de SOC, red team, pentest júnior; certificados de conclusão de path grátis; certificações práticas pagas (SAL1, PT1) validadas por hands-on labs.
  • Hack The Box Academy — módulos introdutórios gratuitos, forte em ofensiva/defensiva realista.
  • OverTheWire — wargames clássicos de Linux, redes e fundamentos de segurança, 100% grátis, sem certificado formal mas essencial para prática.
  • Blue Team Labs Online — labs gratuitos de segurança defensiva, detecção e investigação de incidentes.
  • CyberDefenders — desafios blue team gratuitos: alertas, logs, cenários de SOC.
  • RangeForce — laboratórios gratuitos de análise de malware e simulação defensiva.

OSINT / CTI / threat intelligence

  • MITRE ATT&CK — recursos e treinamento gratuitos voltados a defenders, sem certificado mas referência obrigatória.
  • Splunk Education — fundamentos gratuitos, com badges de conclusão.
  • Elastic Security Labs — pesquisa de ameaças gratuita, conteúdo técnico aplicável a CTI.
  • CISA Learning — cursos gratuitos do governo dos EUA, alguns com certificado de conclusão.
  • NICCS Training Catalog — catálogo com 1000+ cursos verificados, muitos gratuitos.

Certificações vendor gratuitas (ainda ativas)

Nenhuma é proctorada por terceiro independente, mas seguem genuinamente gratuitas: Fortinet NSE 1-3, Cisco Networking Academy, AttackIQ Academy, Centri BTJA, IBM SkillsBuild, OPSWAT ICIP e Qualys.

Destaque: CDSE — Center for Development of Security Excellence #cdse

Órgão de treinamento da Defense Counterintelligence and Security Agency (DCSA/DoD dos EUA), acessado via plataforma STEPP. Biblioteca extensa e 100% gratuita de cursos em segurança da informação, contrainteligência, insider threat, segurança física/pessoal, OPSEC e cibersegurança para pessoal de defesa — aberta também a civis interessados. Emite certificados de conclusão (não são credenciais proctoradas de mercado, mas o conteúdo é referência sólida em OPSEC/contrainteligência aplicada).

Site oficial: cdse.edu · Referência adicional recomendada: álbum de materiais no Facebook.

Fundamentos / preparação para certificações pagas

  • Professor Messer — prepara para CompTIA Security+ 100% grátis no YouTube (o exame em si é pago).
  • Cybrary — biblioteca ampla, boa parte paga, mas com trilhas gratuitas de entrada.

Em português

C1b3rWall Academy — programa coordenado pela Universidade de Salamanca e Polícia Nacional da Espanha, 15 módulos gratuitos (cibercrime, criptografia, deep/dark web, pentesting, etc.), conteúdo em espanhol/português.

2. Como não deixar rastros de metadados

Metadados vazam pela combinação de vários sinais pequenos, não por um único ponto de falha. A regra de ouro é compartimentalização: identidade de investigação nunca se mistura com identidade pessoal.

Checklist essencial

  • Separe identidades: máquina/VM dedicada só para pesquisa, sem contas pessoais logadas.
  • Nunca reutilize username, foto, número de telefone ou padrão de escrita entre perfis de investigação e pessoais (correlação por estilo de texto é uma técnica OSINT real).
  • Metadados de arquivo (EXIF): toda imagem/documento coletado ou publicado deve passar por ExifTool antes de sair do ambiente de trabalho — remova GPS, modelo de câmera, autor, software, timestamps.
  • Metadados de documentos Office/PDF: use ExifTool ou mat2 (Metadata Anonymisation Toolkit) para limpar autor, e-mail do criador, caminho de rede e histórico de revisão embutidos em .docx/.pdf/.xlsx.
  • Fuso horário e idioma do sistema: configure a VM de pesquisa em UTC e idioma neutro (inglês), evitando correlacionar seu fuso/local real por metadados de sistema operacional.
  • Fingerprinting de navegador: canvas, WebGL, AudioContext, fontes instaladas, resolução de tela e bateria compõem uma "impressão digital" quase única mesmo sem cookies — trate como vetor prioritário (ver seção 2).
  • Redes Wi-Fi/MAC address: randomize o endereço MAC da interface de rede da máquina de pesquisa; evite Wi-Fi público sem VPN confiável.
  • Metadados de e-mail (headers): IP de origem, cliente de e-mail e roteamento SMTP ficam nos headers — use provedores que removem/ofuscam esses campos (ver seção 4).
  • Compartimentalização de navegador: perfis/containers separados por caso, sem sincronização de conta entre eles.
  • Nunca capture screenshots com a barra de tarefas, relógio, wallpaper ou ícones pessoais visíveis — esses elementos vazam sistema operacional, idioma, fuso e hábitos.
Ponto de atenção: nenhuma ferramenta sozinha resolve OPSEC. Vazamento de metadados normalmente acontece pela soma de pequenos descuidos (um EXIF esquecido, um cookie de sessão pessoal aberto na mesma janela, um MAC address real). Trate isso como processo, não como produto.

3. Qual navegador usar

A escolha depende do seu modelo de ameaça: pesquisa OSINT do dia a dia é diferente de acesso a fontes de alto risco.

NavegadorMelhor paraObservação
Tor BrowserAnonimato forte, acesso a .onion, pesquisa de alto riscoRoteamento onion nativo; mais lento; não usar para login em contas reais
Mullvad BrowserResistência a fingerprinting em navegação "clara" (sem Tor)Desenvolvido com a Tor Project; melhor combinado com VPN Mullvad
Firefox (hardened)Uso diário customizávelRequer hardening manual via about:config (desativar telemetria, WebRTC leak, etc.)
BraveUso geral com bloqueio de tracker/fingerprint pronto de fábricaBase Chromium; Shields bloqueia canvas/WebGL fingerprinting por padrão; possui aba Tor integrada
LibreWolfFirefox pré-hardenizado sem telemetriaBoa opção intermediária entre Firefox padrão e Tor
Tails (sistema live)Sessões efêmeras sem rastro em discoSistema operacional completo, todo tráfego via Tor, não grava nada ao desligar
Whonix / Qubes OSIsolamento por VM para investigação de alto riscoArquitetura de duas VMs (gateway + workstation); usado por investigadores que lidam com alvos sensíveis

Recomendação prática para OSINT profissional

Para o dia a dia de coleta OSINT/CTI: Mullvad Browser + VPN ou Firefox hardenizado em uma VM dedicada, com perfis separados por caso. Para pivots de alto risco (fóruns criminais, dark web, alvos sensíveis): Tor Browser dentro de Whonix ou Tails, nunca na máquina principal.

4. Qual DNS usar

O DNS revela cada domínio que você consulta, mesmo com HTTPS. Priorize resolução criptografada (DoH/DoT) e política de retenção de logs auditada.

ProvedorEndereçoPonto forte
Cloudflare1.1.1.1 / 1.0.0.1Mais rápido; política de não-log auditada externamente; suporta DoH/DoT/DoQ
Quad99.9.9.9 / 149.112.112.112Bloqueio de domínios maliciosos/phishing por inteligência de ameaças; ONG sem fins lucrativos, foco em privacidade
NextDNSconfig individualFiltros e listas de bloqueio customizáveis, analytics próprio — ideal se quiser telemetria da sua própria navegação
Pi-hole (self-hosted)servidor próprioControle total, bloqueio de rede inteira, roda em Raspberry Pi/Docker — melhor opção para lab de treinamento
Ponto de atenção: configure sempre DoH (DNS-over-HTTPS) ou DoT (DNS-over-TLS) no navegador ou sistema operacional — DNS em texto puro (porta 53 tradicional) é visível para qualquer um na rede local ou no provedor de internet.

5. E-mails criptografados

Proton Mail

Criptografia E2E por padrão entre usuários Proton; sede na Suíça; integra Proton VPN e Proton Drive.

Tutanota

E2E incluindo linha de assunto; código aberto; sede na Alemanha (GDPR).

Mailfence

Suporte nativo a OpenPGP; sede na Bélgica; bom para quem já usa chaves PGP próprias.

CTemplar / Skiff (verificar continuidade)

Alternativas menores; sempre confirme se o serviço segue ativo antes de adotar para casos reais.

  • PGP/GPG independente de provedor: Gpg4win (Windows), GPG Suite (macOS), GnuPG (Linux) — permite criptografia ponta a ponta mesmo em provedores "normais".
  • E-mails descartáveis para OSINT (nunca para comunicação sensível real): Guerrilla Mail, Temp-Mail, Mailinator — úteis apenas para testar exposição de contas em pivots, não para receber respostas confidenciais.
  • Alias/roteamento: SimpleLogin e AnonAddy geram aliases de e-mail únicos por serviço, reduzindo correlação entre cadastros.

6. Montando um lab de treinamento e pesquisa

Um laboratório isolado é o que separa prática segura de exposição de dados reais.

Camada de virtualização

  • VirtualBox / VMware Workstation Player — gratuitos, suficientes para a maioria dos labs.
  • Proxmox VE — se quiser um hypervisor bare-metal para várias VMs simultâneas.
  • Snapshots antes de cada exercício — sempre volte ao estado limpo após testar algo arriscado.

Distribuições prontas para o lab

  • Kali Linux — distro ofensiva padrão da indústria, ferramentas de pentest pré-instaladas.
  • Parrot Security OS — alternativa à Kali, mais leve, com foco também em anonimato.
  • REMnux — distro dedicada a engenharia reversa e análise de malware.
  • SIFT Workstation — forense digital (SANS).
  • Security Onion — SOC/blue team: IDS, monitoramento de rede, threat hunting, tudo em uma distro só.
  • Whonix Gateway + Workstation — para praticar isolamento de rede/anonimato com segurança.

Ambientes de prática (redes vulneráveis)

  • Metasploitable 2/3 — VM intencionalmente vulnerável para praticar exploração em ambiente controlado.
  • DVWA (Damn Vulnerable Web Application) — prática de vulnerabilidades web (SQLi, XSS, etc.).
  • OWASP Juice Shop — aplicação web moderna, vulnerabilidades OWASP Top 10.
  • VulnHub — repositório de VMs vulneráveis para download.
  • TryHackMe / Hack The Box — labs hospedados na nuvem, sem precisar montar infraestrutura própria.

Ferramentas de rede/lab

  • GNS3 / EVE-NG — simulação de topologias de rede corporativa completas.
  • Wireshark — análise de tráfego de rede, essencial em qualquer lab.
  • Docker — para subir rapidamente ambientes vulneráveis containerizados (ex: DVWA via Docker).
Ponto de atenção: o lab deve rodar em rede isolada (host-only/NAT interno), nunca em bridge exposta à internet ou à sua rede real, para evitar que uma máquina vulnerável de propósito vire porta de entrada real.

7. Glossário

TermoDefinição
OPSECOperations Security — disciplina de proteger informações que, combinadas, podem expor identidade, localização ou intenção do investigador/alvo.
FingerprintingTécnica de identificação de dispositivo/navegador via combinação de atributos técnicos (fontes, resolução, canvas, WebGL), sem depender de cookies.
Metadados EXIFDados embutidos em arquivos de imagem (câmera, GPS, data/hora, software usado).
DoH / DoTDNS-over-HTTPS / DNS-over-TLS — criptografam as consultas DNS, impedindo interceptação em trânsito.
PGP/GPGPretty Good Privacy / GNU Privacy Guard — padrão de criptografia assimétrica para e-mails e arquivos.
OSINTOpen Source Intelligence — inteligência produzida a partir de fontes públicas/abertas.
SOCMINTSocial Media Intelligence — subcampo do OSINT focado em redes sociais.
CTICyber Threat Intelligence — coleta e análise de informações sobre ameaças cibernéticas.
GEOINTGeospatial Intelligence — inteligência derivada de imagens/dados geográficos.
Dork (Google Dorking)Uso de operadores avançados de busca para encontrar informações expostas indevidamente.
SockpuppetPerfil fictício usado para pesquisa/infiltração controlada, sem ligação com identidade real do investigador.
SandboxAmbiente isolado usado para executar/testar código ou arquivos potencialmente maliciosos com segurança.
IOCIndicator of Compromise — evidência técnica (hash, IP, domínio) de atividade maliciosa.
MITRE ATT&CKFramework que cataloga táticas e técnicas usadas por atacantes reais.
Diamond ModelModelo analítico de CTI que relaciona adversário, capacidade, infraestrutura e vítima.
Zero TrustModelo de segurança que não confia implicitamente em nada dentro ou fora da rede — cada acesso é verificado.
VM (Virtual Machine)Máquina virtual — ambiente de sistema operacional isolado do hardware físico.
Red Team / Blue TeamEquipe ofensiva simulando ataques (red) vs. equipe defensiva de detecção/resposta (blue).

Como se proteger — reforço prático

Verificação por canal secundário

Confirme identidades e solicitações sensíveis por outro canal (telefone, app oficial), nunca só pelo mesmo canal onde a solicitação chegou.

Treinamento contínuo em phishing

Simulações periódicas mantêm a equipe alerta contra engenharia social.

EDR/XDR comportamental

Detecção baseada em comportamento, não apenas assinatura, para lidar com ameaças assistidas por IA.

Zero Trust / MFA

Autenticação multifator obrigatória e verificação contínua de acesso.

Monitoramento de threat intelligence

Acompanhamento ativo de IOCs e TTPs relevantes ao seu setor.

Plano de resposta a incidentes

Playbook testado e atualizado, com papéis definidos antes que o incidente aconteça.

8. Lista de URLs indexadas — treinamento gratuito

Recursos de treinamento gratuito, incluindo Cybrary e demais plataformas citadas neste guia.

Treinamento geralOSINT/CTIBlue TeamDNS/PrivacidadeE-mailLab
RecursoURLCategoria
Cybrarycybrary.itTreinamento geral
TryHackMetryhackme.comTreinamento hands-on
Hack The Box Academyacademy.hackthebox.comTreinamento hands-on
CISA Learningcisa.gov/cisa-learningTreinamento geral / governo
NICCS Training Catalogniccs.cisa.govCatálogo de cursos
IBM SkillsBuildskillsbuild.orgFundamentos
Cisco Networking Academynetacad.comFundamentos/certificados vendor
Professor Messerprofessormesser.comPrep. Security+
OverTheWire Wargamesoverthewire.org/wargamesLab prático
Blue Team Labs Onlineblueteamlabs.onlineBlue Team
CyberDefenderscyberdefenders.orgBlue Team / CTI
RangeForcerangeforce.comMalware/defesa
MITRE ATT&CKattack.mitre.orgCTI / referência
Splunk Education (free)education.splunk.comSIEM/Blue Team
Elastic Security Labselastic.co/security-labsCTI
VulnHubvulnhub.comLab / VMs vulneráveis
OWASP Juice Shopowasp.org/juice-shopLab web
C1b3rWall Academyc1b3rwallacademy.orgTreinamento gratuito (PT/ES)
The Ultimate OSINT Collectionstart.me/p/DPYPMzHub de referência OSINT
Aperi'Solveaperisolve.comForense de imagem
Quad9 (DNS)quad9.netDNS seguro
NextDNSnextdns.ioDNS customizável
Cloudflare 1.1.1.11.1.1.1DNS seguro
Proton Mailproton.me/mailE-mail criptografado
Tutanotatuta.comE-mail criptografado
Mailfencemailfence.comE-mail criptografado (PGP)
Mullvad Browsermullvad.net/browserNavegador anti-fingerprint
Tor Projecttorproject.orgNavegador/anonimato
Tails OStails.netSO live/anonimato
Whonixwhonix.orgIsolamento por VM
Fortinet NSE Trainingfortinet.com/trainingCertificação vendor gratuita
AttackIQ Academyacademy.attackiq.comCertificação vendor gratuita
OPSWAT Academyopswat.com/academyCertificação vendor gratuita
Qualys Trainingqualys.com/trainingCertificação vendor gratuita
CDSE #cdsecdse.eduTreinamento gratuito DoD (OPSEC/contrainteligência)

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Cibersegurança virou tema de sobrevivência eleitoral

SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO · CAMPANHAS POLÍTICAS — MATRIX AWARENESS
CYBER POLITICAL SECURITY — ASSESSORIA TÉCNICA
AWARENESS Nº 04 / 2026 — SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO ELEITORAL

// RELATÓRIO TÉCNICO · CAMPANHAS E COMITÊS ELEITORAIS

Sites, e-mails, redes sociais e bases de eleitores formam a espinha dorsal de qualquer campanha. Quando essa infraestrutura falha, a eleição falha junto. Este awareness organiza o papel do analista de segurança, as políticas internas do comitê e os casos que provam o custo de negligenciar o tema.

5+ estados atendidos com equipes dedicadas, sem incidentes registrados
24h é a janela crítica de resposta a um vazamento ou conta sequestrada
1 clique de um voluntário é a origem da maioria dos incidentes de campanha
01

O papel do analista de segurança na campanha

Não é um técnico que "cuida dos computadores". É a função que atravessa infraestrutura, reputação, resposta a crise e cultura interna da equipe — as cinco frentes abaixo.

Proteção de infraestrutura

Sites, servidores, e-mails institucionais, aplicativos internos e dispositivos usados pela equipe.

Monitoramento reputacional

Acompanhamento contínuo de menções em redes sociais, portais e grupos privados, para flagrar ataques coordenados antes que ganhem escala.

Análise de calúnias e desinformação

Triagem técnica e jurídica de montagens, vídeos manipulados e conteúdos com IA, sustentando notificações e pedidos de remoção ao TSE e às plataformas.

Resposta a incidentes

Plano de ação para vazamento de dados, invasão de contas e ataques de negação de serviço, com protocolo claro para as primeiras horas.

Governança e treinamento da equipe

A maior parte dos incidentes não nasce de um hacker genial, mas de um voluntário que clicou no link errado ou reutilizou uma senha. A maioria dos vazamentos tem origem dentro da própria campanha, por negligência ou descuido — não por sofisticação do atacante. Não basta um bom firewall: é preciso cultura de segurança em todo o comitê.

02

Políticas de segurança para o time do partido

Um comitê organizado tem políticas escritas — não improvisadas. Sete cláusulas mínimas para qualquer equipe de campanha.

Gestão de acesso

Cada função tem permissões diferentes; ninguém acumula acesso total, e tudo é revogado no desligamento.

Autenticação forte

Senhas únicas por serviço, gerenciador corporativo e 2FA obrigatório em e-mail e redes sociais.

Segurança de e-mail

Filtro antiphishing e protocolo claro para links e anexos suspeitos — o vetor de ataque mais comum.

Segurança de dispositivos

Notebooks e celulares institucionais com criptografia, backup automático e apagamento remoto.

Proteção do site oficial

SSL, monitoramento de uptime, backups regulares e testes de vulnerabilidade contra defacement.

Conformidade com a LGPD eleitoral

Tratamento adequado da base de eleitores conforme diretrizes conjuntas do TSE e da ANPD.

Protocolo de resposta a crise

Manual de 24 horas: quem aciona o jurídico, quem notifica plataformas, quem fala com a imprensa.

03

Redes sociais: estratégia e regras do TSE

A presença digital do candidato é, ao mesmo tempo, o maior ativo da campanha e a maior superfície de ataque. O que é publicado precisa de cuidado; comentários e haters precisam de mitigação.

  • Contas oficiais verificadas nas plataformas, evitando perfis falsos que se passam pelo candidato — prática comum em disputas acirradas.
  • Ferramentas homologadas de análise — Meta Business Suite, TikTok Ads Manager, X Ads, YouTube Studio — para métricas confiáveis de alcance e origem de tráfego.
  • Registro técnico de evidências — prints, hashes de arquivo, metadados — sempre que um conteúdo ofensivo é identificado, para sustentar denúncia na Justiça Eleitoral.
  • Cuidado com o que é publicado — todo post, story ou vídeo passa por revisão antes de ir ao ar. Conteúdo digital é permanente e pode ser usado contra a campanha.
  • Mitigação de comentários e haters — equipe dedicada a moderar, ocultar ou denunciar ataques coordenados; não engajar em provocações; documentar padrões de ódio para denúncia.
⚠ ACOMPANHAMENTO OBRIGATÓRIO As resoluções do TSE sobre propaganda em redes sociais mudam a cada eleição — impulsionamento pago, identificação de conteúdo patrocinado, uso de inteligência artificial em peças e prazos de remoção de conteúdo irregular. O comitê precisa de alguém acompanhando as normas em tempo real, não descobrindo a regra depois de multado.

Um relatório da ABIN citado pela imprensa especializada projeta que as eleições brasileiras de 2026 vão enfrentar ataques com uso de inteligência artificial e campanhas de desinformação coordenadas, incluindo possível interferência estrangeira. Monitoramento reputacional deixou de ser "extra" e virou orçamento básico.

04

Casos que decidiram eleições

A história recente mostra, repetidas vezes, que falha de segurança da informação não é um problema técnico isolado — é um problema eleitoral.

2016 · ESTADOS UNIDOS

Vazamento de e-mails da campanha presidencial democrata

A invasão da conta do chefe de campanha e o vazamento de e-mails do comitê nacional alimentaram semanas de cobertura negativa no período decisivo da corrida — referência mundial sobre o custo político de uma conta comprometida.

2018 · ESTADOS UNIDOS

Invasão ao comitê republicano de campanha à Câmara

O comitê confirmou intrusão em seus sistemas de e-mail meses antes da eleição. Depois, a liderança admitiu ter passado a contratar equipe especializada em cibersegurança — reconhecimento tardio de estrutura insuficiente.

2018–2022 · BRASIL

Uso indevido de bases de dados de eleitores

Investigações jornalísticas revelaram o uso abusivo de dados pessoais em campanhas, com bases formadas a partir de vazamentos e fontes irregulares, usadas para disparos em massa — processos no TSE e desgaste de imagem.

2020 · BRASIL

Exposição de bases do TSE em dia de eleição

Hackers divulgaram acesso a sistemas do próprio Tribunal Superior Eleitoral — episódio que reforçou o debate sobre a fragilidade da infraestrutura pública e privada ligada ao processo eleitoral.

RECORRENTE

Sequestro de contas e vídeos falsos gerados por IA

Candidatos perdem o controle de perfis com milhares de seguidores, ou são alvo de vídeos manipulados por IA. Sem protocolo de resposta rápida, a mentira circula dias antes de qualquer desmentido — e, num calendário eleitoral curto, dias perdidos podem ser votos perdidos.

⚠ Em todos os casos, o padrão se repete: o problema não era falta de tecnologia disponível — era falta de investimento prévio em segurança da informação e de um time preparado para agir nas primeiras horas.
05

Proteção e boas práticas — dispositivos e redes

Dicas práticas para blindar a campanha no dia a dia. Dispositivos e redes sociais são os vetores mais explorados.

Dispositivos (notebooks e celulares)

  • Ativar criptografia de disco (BitLocker / FileVault / Android encryption)
  • 2FA em todas as contas institucionais — preferencialmente app authenticator, não SMS
  • Senhas únicas no gerenciador (1Password, Bitwarden corporativo)
  • Backup automático diário e teste de restauração mensal
  • Apagamento remoto configurado (Find My / MDM)
  • Não usar Wi-Fi público sem VPN institucional
  • Atualizar SO e apps no mesmo dia do patch de segurança
  • Separar dispositivo de campanha do uso pessoal

Redes sociais — o que publicar e como moderar

  • Toda publicação passa por revisão antes de ir ao ar
  • Não responder haters em tom de confronto — documentar e denunciar
  • Equipe de moderação com horários definidos (manhã / noite / debate)
  • Ocultar ou restringir comentários que tenham ódio, ameaça ou desinformação
  • Guardar evidências (print + URL + horário) de ataques coordenados
  • Evitar lives improvisadas sem roteiro e sem backup de conexão
  • Desativar localização em stories e posts quando não for necessário
  • Revogar acesso de voluntários e prestadores no fim da campanha

Mitigação de haters e comentários tóxicos

  • Mapear padrões: horários, hashtags e contas repetidas
  • Não amplificar o ataque — não citar o hater no desmentido público
  • Usar filtros de palavras e listas de bloqueio nas plataformas
  • Preparar respostas padrão para fake news recorrentes
  • Escalar para jurídico quando houver crime (ameaça, calúnia, injúria)
  • Treinar a equipe para não engajar emocionalmente

Conteúdo digital — cuidado permanente

  • Assumir que tudo publicado pode ser capturado e reutilizado
  • Evitar dados sensíveis de equipe, agenda ou doações em posts
  • Marcar conteúdo impulsionado conforme regra do TSE
  • Conferir se imagens e vídeos com IA estão identificados quando exigido
  • Manter histórico de versões e aprovação de peças
  • Ter plano de despublicação rápida se houver erro ou vazamento
06

Benefícios para o comitê

Comitês que tratam segurança da informação como prioridade estratégica — não como item de última hora — colhem resultados concretos.

Continuidade da campanha

Site, e-mail e redes funcionando sem interrupção em momentos críticos, como o dia da eleição ou de um debate.

Resposta rápida a fake news

Awareness técnicos prontos aceleram remoção de conteúdo falso junto às plataformas e ao TSE.

Proteção de dados de eleitores

Evita multas e processos por descumprimento da LGPD eleitoral.

Reputação preservada

Um incidente evitável não apaga meses de trabalho da equipe de comunicação.

Tranquilidade da equipe

Candidato e coordenadores focam em estratégia sabendo que a infraestrutura está monitorada.

Credibilidade institucional

Comitês auditados e com políticas claras transmitem profissionalismo a doadores e imprensa.

"Cibersegurança virou tema de sobrevivência eleitoral — não é assunto só do especialista de TI."

A experiência acumulada em atuação com jornalistas, times de web design, estrategistas e produção de conteúdo verificado — em múltiplos estados e candidatos, sem incidentes registrados — mostra que esse modelo funciona quando tratado como prioridade desde o primeiro dia de campanha, e não como reação a uma crise já instalada.

AWARENESS TÉCNICO — USO INTERNO DE COMITÊS E ASSESSORIAS DE CAMPANHA CYBER POLITICAL SECURITY

Marketing Digital com seguranca


Marketing Digital sem Segurança da Informação: os Riscos Reais e Como se Proteger | OSINT Brasil
Análise Analítico de Dados · OSINT Brasil

Marketing Digital sem Segurança da Informação: os Riscos Reais e Como se Proteger

Por que times de marketing viraram o alvo preferido de golpistas digitais — e o que muda quando um especialista em segurança da informação entra na equipe.

Leitura: 11 min Foco: C-level, CMOs, agências e times de performance Atualizado: julho/2026
Resposta rápida: sem segurança da informação, o marketing digital fica exposto a sequestro de contas de anúncios, phishing por e-mail e QR Code (quishing), cobranças falsas via Pix e vazamento de dados de campanha — riscos que geram prejuízo financeiro direto, exposição jurídica (LGPD) e dano reputacional. A recomendação de mercado é clara: todo time de marketing com mídia paga, redes sociais e dados de clientes precisa de um profissional de segurança da informação orientando processos e treinando a equipe.

1. O ponto cego do marketing digital

Marketing digital movimenta acesso a plataformas de anúncios, contas de redes sociais, cartões corporativos, listas de clientes e ferramentas de automação — tudo isso em um ritmo de trabalho que recompensa velocidade, não checagem. É exatamente esse ritmo que os golpistas exploram.

O problema não é falta de inteligência da equipe. É a ausência estrutural de um processo de segurança da informação dentro da rotina de marketing: ninguém validando remetentes, ninguém questionando um QR Code de cobrança, ninguém com autoridade para travar uma campanha suspeita antes que o cartão da empresa seja debitado repetidas vezes.

⚠ O padrão que se repete

Em praticamente todos os casos analisados, o vetor de entrada é o mesmo: uma mensagem "aparentemente legítima" — aviso de direitos autorais da Meta, proposta de parceria, cobrança de um fornecedor, notificação de bloqueio de página — que leva a um clique impulsivo. Não existe firewall que resolva isso sozinho: é processo, é cultura, é ter alguém de segurança da informação na mesa de decisão do marketing.

2. O que os dados mostram (estatísticas verificadas)

Os números abaixo vêm de relatórios setoriais de 2026 (CERT.br/NIC.br, ESET Threat Report, Kaspersky, World Economic Forum e Astra). Eles confirmam o que investigadores de segurança digital já vinham observando no campo: o phishing multicanal, com forte presença de QR Code e engenharia social contra equipes de marketing, tornou-se dominante.

+120%
crescimento nas notificações de fraude por phishing no Brasil no último ano
CERT.br / NIC.br, 2026
70%
das tentativas de fraude miram e-commerce e pagamentos instantâneos (Pix)
CERT.br / NIC.br, 2026
62%
de todo o phishing da América Latina está concentrado no Brasil
Kaspersky, 2026
86%
dos consumidores brasileiros já pagaram algo via QR Code — o que alimenta o quishing
CNDL / SPC Brasil, 2026
11%
dos e-mails de phishing detectados já usam QR Code como isca (quishing)
ESET Threat Report H1, 2026
42%+
de todas as violações de dados globais em 2026 devem envolver phishing
Astra Security, 2026
77%
dos líderes relataram aumento de fraude digital — hoje a maior preocupação de CEOs, à frente do ransomware
World Economic Forum, 2026
~10%
da receita global de uma grande plataforma de anúncios em 2024 esteve ligada a anúncios fraudulentos
Reportagem investigativa, 2026
Gráfico 1 — Principais canais usados para golpear equipes de marketing
Distribuição estimada de vetores de ataque com foco em times de marketing e mídia paga
E-mail (phishing/BEC) 76% Falsa notif. Meta/redes sociais 60% WhatsApp / links diretos 52% QR Code (quishing / cobrança falsa) 28% Vishing (ligação/voz clonada) 22% SMS (smishing) 20%
Elaborado a partir de ESET Threat Report H1 2026, SentinelOne 2026 e casos analisados em investigação OSINT. Valores aproximados, uso ilustrativo para priorização de defesa.

3. Os golpes que mais atingem quem faz marketing digital

Golpe 1 · Sequestro de conta de anúncios (Facebook/Meta Business)

Chega uma mensagem "da Meta" avisando sobre violação de direitos autorais ou página prestes a ser bloqueada, com um link para "resolver a pendência". Ao clicar e autenticar, o invasor herda o Business Manager — com cartão corporativo já validado — e passa a rodar anúncios fraudulentos em rajadas de valores pequenos, abaixo dos limites antifraude, até esgotar o limite do cartão.

Como identificar: a Meta nunca ameaça bloqueio definitivo por e-mail comum pedindo login em página externa; bloqueios reais aparecem dentro da própria plataforma de anúncios.

Golpe 2 · QR Code de cobrança falso (quishing)

Uma fatura, boleto ou "cobrança de fornecedor" chega com QR Code para pagamento via Pix. O código foi trocado ou é malicioso desde a origem: o valor cai direto na conta do golpista, e o erro só é percebido quando o fornecedor real cobra novamente.

Como identificar: sempre conferir o nome do recebedor exibido pelo próprio aplicativo do banco após a leitura do QR Code — nunca confiar no que está escrito no documento.

Golpe 3 · Phishing por e-mail com engenharia social (BEC)

Um e-mail se passa por executivo, agência parceira ou plataforma de mídia, pedindo aprovação urgente de pagamento ou troca de dados bancários de fornecedor. Já responde por parcela relevante das fraudes corporativas reportadas em 2026.

Como identificar: qualquer mudança de dados bancários ou pedido de urgência financeira deve passar por confirmação em canal alternativo (telefone já conhecido, nunca o número informado no próprio e-mail).

Golpe 4 · Links encurtados e páginas clonadas de plataformas de anúncio

Páginas idênticas às de login de Meta Ads Manager, Google Ads ou TikTok Ads capturam credenciais e, em muitos casos, contornam até autenticação de dois fatores usando técnicas de proxy em tempo real (adversary-in-the-middle).

Como identificar: nunca acessar painéis de anúncio por link recebido — sempre digitar o endereço oficial diretamente no navegador ou usar favoritos salvos.

Por que o pessoal de marketing cai mais nesses golpes

  • Volume de acessos: um profissional de marketing lida diariamente com múltiplas plataformas, senhas e notificações — a superfície de ataque é maior que a de qualquer outra área operacional.
  • Cultura de urgência: métricas, prazos de campanha e aprovação de budget criam pressão para agir rápido, exatamente o gatilho psicológico que golpes exploram.
  • Confiança automática em notificações de plataforma: alertas "da Meta", "do Google" ou "do TikTok" são tratados como legítimos por padrão.
  • Ausência de camada de checagem: raramente existe um segundo profissional — de segurança da informação — validando cobranças e acessos antes da ação.

4. Como contratar um especialista em segurança da informação (sem cair em golpe na própria contratação)

Assim como o marketing é alvo de golpes, a contratação de "especialistas em segurança" também é. Abaixo, critérios práticos para blindar o processo de contratação e exemplos de como estruturar essa vaga ou contrato.

Checklist de validação do especialista

  • Peça referências verificáveis de clientes anteriores e confirme diretamente com eles (nunca apenas com contatos fornecidos pelo próprio candidato).
  • Confira certificações reais (ex: CTI, OSINT, forense digital, LGPD) em bases oficiais das entidades certificadoras, não apenas em prints.
  • Exija um plano de trabalho com escopo definido: auditoria de acessos, resposta a incidentes, treinamento de equipe e revisão de processos de pagamento.
  • Desconfie de quem promete "proteção total" ou "zero risco" — segurança da informação trabalha com redução de risco, não eliminação absoluta.
  • Formalize contrato com cláusulas de confidencialidade e conformidade com a LGPD e o Marco Civil da Internet.
  • Prefira modelos híbridos: um consultor externo especializado em CTI/OSINT orientando processos, combinado com um ponto focal interno treinado no dia a dia.

Exemplo de estrutura de contratação

ModeloQuando faz sentidoEntregável esperado
Consultoria pontual (diagnóstico)Empresa nunca fez auditoria de segurança no marketingRelatório de vulnerabilidades + plano de ação priorizado
Consultoria recorrente (retainer mensal)Times com mídia paga ativa e múltiplas contas de anúncioMonitoramento, resposta a incidentes, treinamento contínuo
Profissional interno dedicadoOperação de marketing em grande escala, múltiplas marcas/contasGovernança de acessos, políticas internas, resposta 24/7

5. Modelo executivo: segurança da informação como pauta de C-level

Segurança da informação aplicada ao marketing não é pauta apenas de TI. Cada camada da liderança tem um risco direto e uma responsabilidade específica:

CEO

Risco reputacional e de continuidade do negócio diante de um golpe que atinja a marca publicamente.

CFO

Exposição financeira direta: cobranças indevidas, sequestro de cartão corporativo, custo de resposta a incidente.

Jurídico

Responsabilidade legal por vazamento de dados de clientes e obrigações da LGPD em caso de incidente.

Board

Governança: ausência de política de segurança no marketing é uma lacuna de controle interno.

Compliance

Conformidade regulatória e rastreabilidade dos processos de aprovação de pagamento e acesso.

Auditoria

Evidência e trilha de auditoria de quem acessou o quê, quando, e com qual autorização.

RH

Treinamento contínuo da equipe e risco de ameaça interna por falha de processo, não de caráter.

Gráfico 2 — Lógica de custo: prevenção vs. incidente
Relação ilustrativa entre investir em segurança da informação e o custo médio de resposta a um incidente já em curso
Prevenção retainer mensal Incidente resposta + prejuízo
Relação ilustrativa baseada em benchmarks de mercado de resposta a incidente de phishing/fraude corporativa. Valores variam conforme porte da operação de marketing.

Framework de 4 pilares para o C-level

  1. Governança de acessos: quem tem login em quais contas de anúncio, redes sociais e ferramentas — com revisão periódica.
  2. Validação de pagamento em dois canais: nenhuma cobrança (boleto, QR Code, Pix) aprovada sem confirmação fora do canal em que ela chegou.
  3. Treinamento contínuo da equipe: simulações de phishing e quishing, não apenas uma palestra anual.
  4. Especialista de referência: um profissional de segurança da informação (interno ou consultor) como ponto de escalonamento imediato diante de qualquer suspeita.

Sua operação de marketing tem uma camada de segurança da informação?

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Análise Analítico de Dados — OSINT Brasil

Contrate um profissional de segurança da informação e mantenha sua empresa à prova de golpes digitais

 


🧠 Entenda o risco

Antes de se proteger, é essencial saber que golpes digitais exploram pressa, distração e confiança. Criminosos usam mensagens falsas, sites clonados e engenharia social para roubar dados e dinheiro.

🔍 Verifique links e remetentes

  • Passe o mouse sobre o link antes de clicar — veja se o endereço parece legítimo.

  • Desconfie de e-mails com erros de ortografia ou domínios estranhos.

  • Nunca baixe anexos de remetentes desconhecidos.

🔐 Ative autenticação em dois fatores

  • Habilite o 2FA em redes sociais, bancos e e-mails.

  • Prefira aplicativos autenticadores (como Microsoft Authenticator ou Google Authenticator) em vez de SMS.

  • Isso bloqueia invasões mesmo que alguém descubra sua senha.

💸 Desconfie de pedidos urgentes de Pix

  • Golpistas simulam familiares ou empresas pedindo transferências imediatas.

  • Confirme por telefone ou outro canal antes de enviar dinheiro.

  • Lembre-se: urgência é sinal de golpe.

🧰 Mantenha antivírus e sistemas atualizados

  • Atualizações corrigem falhas que hackers exploram.

  • Use antivírus confiável e mantenha o firewall ativo.

  • Evite instalar programas de fontes desconhecidas.

🚫 Nunca compartilhe códigos recebidos por SMS

  • Códigos de verificação são pessoais e temporários.

  • Nenhum suporte técnico legítimo pedirá esse código.

  • Compartilhar pode permitir que o golpista acesse sua conta.

🧩 Dica extra: educação digital contínua

  • Leia blogs confiáveis como osintbrasil.blogspot.com.

  • Participe de cursos gratuitos sobre segurança cibernética.

  • Ensine familiares e colegas — proteção é coletiva.

Em um cenário cada vez mais vulnerável a ataques digitais, proteger dados e sistemas deixou de ser opcional — é uma necessidade estratégica. Contratar um profissional de segurança da informação garante que sua empresa esteja preparada para prevenir, detectar e responder a ameaças cibernéticas com eficiência. Esse especialista implementa políticas de proteção, monitora vulnerabilidades e assegura conformidade com normas como LGPD e ISO 27001. Investir em segurança é investir na continuidade e credibilidade do seu negócio.






 


Os usuários podem monitorar outras pessoas em tempo real para fins logísticos ou de segurança

CCTV: como uma ferramenta de código aberto expôs a localização de usuários do Telegram | OSINT Brasil RDS Consultoria / OSINT Brasil">

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OSINT · Privacidade Digital · Contrainteligência

CCTV: a ferramenta de código aberto que transformou o Telegram em um mapa de rastreamento em tempo real

Como o recurso "Pessoas Próximas" virou vetor de geolocalização, o que a repercussão global do caso ensina sobre exposição digital, e o que diz a lei brasileira sobre esse tipo de monitoramento.

Análise Analítico de Dados · OSINT Brasil ·
"Quem não controla a informação, vira alvo dela." — Rogério Souza

O que foi o caso CCTV

Em 2024, um projeto de código aberto batizado Close-Circuit Telegram Vision (CCTV) ganhou notoriedade internacional por demonstrar, na prática, uma fragilidade conceitual em um recurso que milhões de pessoas usam sem pensar duas vezes: o "Pessoas Próximas" do Telegram, criado originalmente para sugerir contatos e canais locais.

A ferramenta automatizava um processo que, isoladamente, qualquer usuário do Telegram poderia repetir manualmente: consultar a distância aproximada informada pelo aplicativo entre a conta que faz a busca e outras contas próximas. Ao repetir essa consulta a partir de múltiplos pontos simulados, era possível aplicar um raciocínio de trilateração — a mesma lógica geométrica usada por GPS e por técnicas clássicas de GEOINT — para convergir sobre a localização real de um alvo, com precisão relatada na faixa de 50 a 100 metros.

Ponto de virada: em 6 de setembro de 2024, o Telegram desativou o recurso "Pessoas Próximas" em nível de plataforma. Isso encerrou de forma definitiva o funcionamento de todas as ferramentas construídas sobre esse vetor, incluindo o CCTV. O caso ilustra um padrão recorrente em OSINT: recursos de conveniência de UX frequentemente carregam superfícies de exposição que só se tornam visíveis quando alguém as instrumentaliza publicamente.

Por que o caso repercutiu tanto

A cobertura do caso não ficou restrita a um nicho técnico. Veículos e comunidades de segurança em pelo menos quatro idiomas noticiaram o tema — da imprensa especializada em tecnologia à imprensa investigativa russa, passando por publicações de segurança na Itália e na Espanha. O padrão de repercussão é um indicador clássico de que a ferramenta tocou em uma preocupação real e generalizada: a sensação de que aplicativos de mensageria, mesmo os que se posicionam como focados em privacidade, podem carregar funcionalidades cujo risco não é comunicado com clareza ao usuário final.

Do ponto de vista de quem trabalha com Threat Intelligence e investigação digital defensiva, o episódio é um estudo de caso relevante sobre três frentes que se cruzam:

  • Superfície de exposição por design — recursos pensados para conveniência (encontrar pessoas/canais perto de você) podem ser reaproveitados como primitivas de rastreamento quando automatizados em escala.
  • Assimetria entre usuário comum e agente malicioso — a maioria dos usuários não tem ideia de que uma funcionalidade de "descoberta local" pode ser convertida em ferramenta de perseguição (stalking) por qualquer pessoa com conhecimento básico de scripting.
  • Velocidade de resposta da plataforma — o desligamento do recurso, embora tardio em relação à circulação pública da ferramenta, mostra que pressão pública e cobertura de imprensa continuam sendo um dos poucos mecanismos efetivos de correção rápida quando não há regulação específica em tempo real.

A lógica técnica, em nível conceitual

Sem reproduzir instruções operacionais — o que não é o objetivo deste artigo nem de qualquer conteúdo produzido pela OSINT Brasil —, vale entender a lógica subjacente para fins de conscientização defensiva:

  1. O aplicativo informa uma distância aproximada entre duas contas quando ambas têm o recurso de descoberta local ativo.
  2. Repetindo essa consulta a partir de coordenadas de referência diferentes (um processo de deslocamento simulado), obtêm-se múltiplos "raios" de distância até o mesmo alvo.
  3. A interseção geométrica desses raios — o mesmo princípio usado por sistemas de posicionamento por satélite — converge para uma área cada vez menor, até aproximar a localização real com margem de dezenas de metros.

Essa lógica não é exclusiva do Telegram. Qualquer serviço que exponha "distância até outro usuário" sem limitar a granularidade, a frequência de consulta ou o comportamento automatizado (via API) está sujeito ao mesmo tipo de abuso. É por isso que, em auditorias de exposição digital, um dos pontos de verificação padrão da metodologia OSINT Brasil é justamente mapear quais aplicativos do cliente expõem, mesmo que de forma aproximada, sinais de proximidade geográfica.

Enquadramento jurídico no Brasil

Ferramentas com essa finalidade — rastrear a localização de uma pessoa sem consentimento, para fins de monitoramento, controle ou vigilância — esbarram em pelo menos três frentes do ordenamento jurídico brasileiro:

Lei do Stalking (Lei nº 14.132/2021)

Incluiu no Código Penal o crime de perseguição (art. 147-A), que criminaliza perseguir alguém reiteradamente, por qualquer meio, ameaçando sua integridade física ou psicológica, restringindo sua capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade. O uso de uma ferramenta de geolocalização não consentida para monitorar deslocamentos de uma pessoa se encaixa diretamente nesse tipo penal quando há reiteração e finalidade de vigilância.

LGPD (Lei nº 13.709/2018)

Dados de geolocalização são dados pessoais e, dependendo do contexto (por exemplo, quando revelam rotina, endereço residencial ou deslocamentos que permitem inferir características sensíveis), podem se aproximar do regime mais rigoroso do art. 11. O tratamento sem base legal — e monitoramento oculto de terceiros certamente não se enquadra nas hipóteses do art. 7º — configura ilícito civil, sujeito a indenização por danos morais e, no caso de agentes de tratamento formais, a sanções administrativas da ANPD.

Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014)

Reforça a proteção à privacidade e à intimidade como princípios da disciplina do uso da internet no Brasil (art. 3º, incisos II e III), servindo de base complementar em ações que discutam responsabilidade de provedores de aplicação diante de vazamentos de funcionalidade que facilitem rastreamento não consentido.

Nota sobre jurisprudência recente: tribunais superiores brasileiros vêm consolidando, ao longo de 2025 e 2026, o entendimento de que o tratamento de dados pessoais sem base legal adequada gera dever de indenizar quando há exposição concreta de intimidade — e o STJ tem atuado para uniformizar decisões sobre compartilhamento indevido de dados pessoais, inclusive sob o CPC (arts. 927 e 1.036), buscando reduzir divergências entre tribunais de segunda instância. Na esfera criminal, o STF já assentou que provas obtidas a partir de dados de geolocalização ou conteúdo telemático sem autorização judicial são nulas em investigações penais — precedente que reforça, por analogia, a ilicitude de qualquer coleta de localização à margem do devido processo.

Lições defensivas: como reduzir sua superfície de exposição

Vetor de riscoAção recomendada
Recursos de "descoberta por proximidade"Desative funcionalidades de geolocalização social sempre que não forem estritamente necessárias.
Compartilhamento de localização em tempo realRestrinja a contatos específicos e por tempo limitado, nunca de forma permanente.
Metadados em fotos e storiesRemova metadados de GPS antes de publicar (revisão EXIF), especialmente em conteúdo próximo à residência ou local de trabalho.
Apps de terceiros com permissão de localizaçãoAudite periodicamente quais aplicativos têm acesso contínuo (não apenas "durante o uso").
Padrões de rotina expostos publicamenteEvite postar em tempo real; publique com atraso quando o conteúdo revelar padrões de deslocamento previsíveis.

Cenários prospectivos

O desligamento do recurso pelo Telegram resolve o vetor específico do CCTV, mas não elimina o problema estrutural. Alguns cenários prováveis para os próximos ciclos:

  • Migração do vetor para outras plataformas — qualquer aplicativo que ainda exponha distância aproximada entre usuários (redes de namoro, apps de encontros, redes sociais de nicho) permanece candidato a réplicas conceituais da mesma técnica.
  • Pressão regulatória crescente — a tendência, tanto na União Europeia (DSA/GDPR) quanto no Brasil (agenda da ANPD), é de exigir de plataformas testes de "privacy by design" mais rigorosos antes do lançamento de recursos sociais baseados em proximidade.
  • Judicialização de casos concretos — é razoável esperar um aumento de ações envolvendo a Lei do Stalking combinadas a pedidos de indenização sob a LGPD, à medida que vítimas de monitoramento digital não consentido buscam reparação civil e criminal simultaneamente.
  • Uso em due diligence e investigação defensiva — o caso já se consolidou como referência didática em treinamentos de OSINT e threat intelligence, justamente pelo caráter reproduzível do princípio geométrico por trás da técnica.

Conclusão

O caso CCTV não foi apenas sobre uma ferramenta específica — foi sobre como um detalhe aparentemente inofensivo de design de produto pode se transformar em vetor de vigilância em escala quando cai nas mãos certas (ou erradas). Para profissionais de segurança da informação, investigação digital e compliance, o episódio reforça uma regra permanente: toda funcionalidade que revela proximidade, distância ou presença de um usuário é, por definição, uma funcionalidade de geolocalização — e deve ser tratada com o mesmo rigor jurídico e técnico que qualquer outro dado sensível.

Conteúdo produzido pela OSINT Brasil para fins de conscientização em segurança da informação e investigação digital defensiva. Este artigo não reproduz nem incentiva o uso de ferramentas de rastreamento não consentido de pessoas, prática que pode configurar crime de perseguição (art. 147-A do Código Penal) e ilícito civil sob a LGPD.

Relatório Semestral de Ameaças da Gen: cibercriminosos se aproximam de sistemas nos quais as pessoas confiam

00A Gen (NASDAQ: GEN) publicou seu Relatório de Ameaças do primeiro semestre de 2026 para ajudar as pessoas a entender quais ciberameaças estão emergindo e quais riscos estão moldando a vida digital hoje. Um ponto em comum permeia todo o relatório: cibercriminosos estão se movendo para mais perto das partes confiáveis da vida digital. Eles não estão apenas enviando links maliciosos ou distribuindo malwares, mas também explorando o contexto, sessões, fluxos de trabalho, marcas, sistemas de atualização, plataformas de publicidade e autoridade delegada.

 A confiança se tornou a nova superfície de ataque

A descoberta central do Relatório de Ameaças é uma mudança em como os ataques funcionam. As ameaças mais eficazes na primeira metade de 2026 não dependeram de explorações técnicas ou engano óbvio, elas tiveram sucesso porque eram difíceis de distinguir da vida digital normal. Golpes chegaram através de uma plataforma de reserva de hotel, referenciando uma reserva real. Contas de WhatsApp foram comprometidas não através de uma violação de senha, mas ao enganar usuários para aprovarem o navegador de um cibercriminoso como um dispositivo vinculado. A fraude se moveu através de contas financeiras reais e verificadas porque as pessoas por trás daquelas contas tinham sido recrutadas através das redes sociais com ofertas de dinheiro rápido. E agentes de IA, operando com permissões que o usuário já tinha concedido, foram parados antes de executarem um shell reverso (técnica de invasão que dá o controle remoto do sistema ao cibercriminoso).

“Os ataques mais eficazes no primeiro semestre de 2026 não pareciam ataques”, afirma Vita Santrucek, Diretor de Tecnologia e Desenvolvimento na Gen. “Eles chegaram por meio de plataformas de reservas, conversas familiares em aplicativos de mensagens, canais de atualização de software e fluxos de trabalho de agentes de IA — todos ambientes nos quais as pessoas já confiam. À medida que os cibercriminosos se misturam às experiências digitais do dia a dia, a proteção precisa estar cada vez mais próxima dos momentos em que essa confiança é conquistada, explorada ou quebrada”.

 Entre golpes, violações de identidade e de privacidade, o padrão é o mesmo: o ataque se moveu para dentro de sistemas confiáveis antes que o perigo se tornasse visível.

Destaques do Relatório de Ameaças

 A telemetria da Gen do primeiro semestre de 2026 mostra a atividade de tendências nas principais áreas de ameaças ao longo dos últimos seis meses.

As principais descobertas incluem:

  • 114,2 milhões de ataques de golpes de e-shop bloqueados, aumento de 109% – destacando o risco crescente de lojas online falsas visando compradores.
  • Um aumento de 387% em golpes de personificação de governo – mostrando que criminosos estão crescentemente explorando a confiança em instituições públicas para roubar dinheiro e informações.
  • Um aumento de mais de 454% nos golpes de personificação de familiares, enquanto uma atividade separada, chamada “GhostPairing”, mostrou como o recurso de dispositivo vinculado do WhatsApp pode ser explorado para obter acesso persistente a uma conta e permitir que pessoas se passem por familiares.
  • 20,3 milhões de ataques de golpes de suporte técnico bloqueados – refletindo tentativas contínuas de enganar pessoas para darem a golpistas acesso remoto a seus dispositivos ou informações financeiras.
  • Mais de 304 milhões de impressões de anúncios de golpes identificadas através da União Europeia e do Reino Unido em menos de um mês, evidenciando o quão facilmente anúncios fraudulentos podem alcançar as pessoas.
  • Aproximadamente 1,9 bilhão de tentativas de rastreamento bloqueadas durante o primeiro semestre de 2026 – demonstrando a escala do rastreamento online que pode corroer a privacidade do consumidor.
  • Os alertas de notificação de violação de dados do Norton e do LifeLock com fontes de origem atribuídas aumentaram 628,1%, chegando a 3,3 milhões. No total, mais de 10 milhões de notificações de violação de dados foram enviadas, comprovando que as informações pessoais de um número cada vez maior de pessoas estão sendo expostas em vazamentos de dados.
  • Aumento de 734% nos alertas de atividade de contas bancárias — mais uma evidência da rápida exploração financeira que acontece após uma violação.
  • 1 milhão de ataques de web skimming bloqueados, aumento de 212% – mostrando como criminosos continuaram a visar fluxos de checkout onde usuários já esperam inserir detalhes de pagamento.
  • Mais de 15,7 milhões de registros violados contendo endereços de e-mail identificados, dando a cibercriminosos mais oportunidades para visar consumidores com phishing, golpes e tentativas de tomada de conta.

 As principais descobertas no Brasil incluem diversas categorias de golpes que registraram aumento no primeiro semestre de 2026, entre elas:

  • Golpes relacionados a apostas (+755%)
  • Golpes financeiros genéricos (+261%)
  • Golpes de suporte técnico (+93%)
  • Golpes de lojas online falsas (e-shop scams) (+62%)
  • Golpes de relacionamento (+24%)
  • Phishing (+20%)
  • A atividade de ransomware aumentou 43%
  • A atividade de exploits aumentou 31%
  • A atividade de droppers aumentou 23%
  • A atividade de infostealers: web skimming (+176%), ladrões de senhas (password stealers) (+16%) e ameaças do tipo banker (+10%).
  • O relatório também identificou uma tendência específica no Brasil: PDFs falsos de pagamento que imitavam marcas de comércio eletrônico e instituições bancárias foram utilizados para atingir o ecossistema de pagamentos via boleto.

O relatório também identifica a IA agêntica como uma fronteira de segurança emergente. À medida que os sistemas de IA ganham a capacidade de navegar, instalar softwares, acessar arquivos, conectar-se a serviços e agir em nome dos usuários, os cibercriminosos visam cada vez mais as permissões e a confiança em que esses sistemas se baseiam. A telemetria inicial do Sage, a plataforma de segurança agêntica da Gen por trás de recursos como o AI Agent Protection da Norton e Avast, revelou que os comportamentos de risco mais comuns de agentes de IA envolveram:

  1. Tentar executar comandos de sistema perigosos.
  2. Tentar abrir um canal de comando remoto, o que poderia permitir que um invasor controlasse o sistema.
  3. Baixar e executar códigos da internet.
  4. Ler arquivos de credenciais sem autorização.
  5. Tentar criar um acesso remoto persistente, como adicionar uma chave SSH confiável.
  6. Tentar anular as instruções do agente.

O Relatório completo de Ameaças do primeiro semestre de 2026 da Gen está disponível (em inglês) em: https://www.gendigital.com/blog/insights/reports/threat-report-h1-2026.

Brasil é o terceiro país que mais sofreu ataques de ransomwares em junho, aponta Cohesity

O Brasil foi o terceiro país que mais sofreu ataques com ransomwares em junho, registrando 23 casos. Os dados são da plataforma Ransomware.live, iniciativa de Julien Mousqueton, CISO da Cohesity, empresa líder em segurança de dados com IA. É a primeira vez que o Brasil aparece entre os dez países mais afetados desde o início da publicação de dados do site, em janeiro.

A plataforma monitora e coleta dados de sites de vazamento de grupos de ransomware continuamente para identificar e listar novas vítimas. Ransomwares são softwares maliciosos que bloqueiam o acesso de usuários ou organizações, exigindo pagamento de resgate para restauração, sob a ameaça de vazamento ou exclusão permanente.

O Brasil só aparece atrás de Estados Unidos, com 199 casos, e Alemanha, com 49. O Reino Unido vem logo após o Brasil, com 21, seguido de Índia e Canadá, ambos com 20. França (15), Itália (15), México (14) e Tailândia (13) completam o top 10.

“A emergência do Brasil, Índia e Tailândia como alvos recém identificados pode ser reflexo de uma estratégia deliberada de focar em jurisdições com menor maturidade na resposta a incidentes e na coordenação com forças de segurança”, avalia Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para América Latina.

O número total de vítimas em junho, 708, representa uma redução de 10,5% em relação às 791 registradas em maio. “Apesar dessa diminuição mensal, o volume permanece historicamente elevado quando comparado aos doze meses anteriores, deixando claro o quão intenso e consistente é o atual cenário de ameaças”, aponta Leite.

Setores mais afetados

Em junho, o mercado B2B se manteve no topo dos alvos mais atingidos, registrando 123 vítimas — uma redução de 23,1% em comparação às 160 de maio. O setor de manufatura ficou na segunda colocação, com 83 ocorrências (queda de 19,4%), seguido por tecnologia, que somou 56 vítimas (recuo de 21,1%).

O segmento de saúde contabilizou 52 vítimas, registrando uma queda de 23,5% em relação às 68 do mês anterior. Na contramão, serviços ao consumidor foi o único a apresentar crescimento: uma alta discreta de 1,9%, passando de 52 para 53 vítimas. Já o setor de serviços financeiros teve um recuo de 26,5%, somando 25 vítimas, enquanto transporte/logística baixou 25,7%, chegando a 26 registros.

Números do site Ransomware.live são divulgados todos os meses pela Cohesity, que conta com a confiança de clientes em mais de 140 países, incluindo 70% da Fortune Global 500.

Ataques com ransomware nos últimos 12 meses:

  • Junho – 708
  • Maio – 791
  • Abril – 870
  • Março – 844
  • Fevereiro – 784
  • Janeiro – 702
  • Dezembro de 2025 – 882
  • Novembro de 2025- 717
  • Outubro de 2025 – 839
  • Setembro de 2025 – 598
  • Agosto de 2025 – 530
  • Julho de 2025 – 547

Setores com ransomwares mais afetados em junho:

  1. Mercado B2B – 123 (queda de 23.1% em relação a maio)
  2. Manufatura – 83 (queda de 19.4% em relação a maio)
  3. Tecnologia – 56 (queda de 21.1% em relação a maio)
  4. Serviços ao consumidor – 53 (aumento de 1.9% em relação a maio)
  5. Saúde – 52 (queda de 23.5% em relação a maio)
  6. Agricultura e produção de alimentos – 36 (queda de 7.7% em relação a maio)
  7. Construção – 27 (queda de 15.6% em relação a maio)
  8. Transportes/logísticas – 26 (queda de 25.7% em relação a maio)
  9. Serviços financeiros – 25 (queda de 26.5% em relação a maio)
  10.  Educação – 24 (queda de 14.3% em relação a maio)

Países mais afetados por ataques com ransomwares em junho:

  1. Estados Unidos – 199
  2. Alemanha – 49
  3. Brasil – 23
  4. Reino Unido – 21
  5. Índia – 20
  6. Canadá – 20
  7. França – 15
  8. Itália – 15
  9. México – 14
  10. Tailândia – 13

Cibersegurança: Como impedir que malware bancário roube dados financeiros do celular

Um tipo de software malicioso tem chamado a atenção de especialistas: o malware bancário. Trata-se de um programa criado para acessar e roubar dados de celulares e computadores e que dá aos criminosos o controle total do dispositivo infectado. Diferente de fraudes financeiras em que o golpista se passa por outra pessoa para pedir uma transferência, aqui o criminoso convence a vítima a instalar um software malicioso que dá acesso a aplicativos, contas bancárias, mensagens e informações pessoais, podendo, inclusive, realizar movimentações financeiras sem que a vítima perceba.

Malware bancário é um mecanismo usado para aplicar golpes digitais e acessar e roubar dados financeiros de celulares e computadores. Costuma chegar até o dispositivo das vítimas por meio de engenharia social, quando o criminoso engana a pessoa para que ela mesma realize alguma ação (como clicar em um link ou baixar um aplicativo de fonte desconhecida), acreditando que se trata de algo legítimo. Depois de instalado, o software funciona como um “espião” dentro do aparelho, transmitindo para o criminoso informações confidenciais como senhas, dados de contas e códigos de segurança.

Como criminosos aplicam golpes com o malware bancário?

Os golpes se iniciam em um contato direto, geralmente por WhatsApp. O criminoso se apresenta como um contato confiável, um representante de uma empresa conhecida, ou de um serviço que a vítima já usa ou tenha interesse. Durante a conversa, ele pede que a pessoa baixe ou atualize um aplicativo, ou até mesmo clique em um link. Em alguns casos, o golpista pode até fazer uma chamada de vídeo ou telefônica para parecer mais convincente, aumentar a sensação de segurança e acompanhar o processo em tempo real, gerando pressão e sentimento de urgência.

Depois disso, o programa malicioso é instalado no celular e o criminoso passa a interferir no funcionamento do aparelho sem que a pessoa perceba. É nesse momento em que ele aproveita para realizar ações em segundo plano, como movimentações financeiras sem autorização. Em poucos minutos, os golpistas podem realizar empréstimos, transferências e outras operações, gerando prejuízos significativos para a vítima.

Como saber se o celular foi infectado?

Alguns sinais podem indicar que há algo errado com o aparelho:

  • O celular trava ou fica lento com mais frequência;
  • A bateria acaba muito mais rápido que o normal;
  • A tela fica preta ou sem resposta por alguns momentos;
  • O dispositivo reinicia ou fecha aplicativos de forma repentina;
  • O celular esquenta de forma excessiva;
  • Mensagens são enviadas automaticamente pelo celular, sem que o usuário tenha realizado a ação;
  • Presença de aplicativos desconhecidos, com nomes genéricos ou incomuns, que a pessoa não se lembra de ter instalado;
  • Mudanças inesperadas nas configurações do celular ou nos aplicativos instalados;
  • Aplicativos solicitando permissões incomuns, como acesso a acessibilidade, mensagens ou controle do dispositivo

Além dos sinais visíveis, é importante ficar atento às permissões concedidas aos aplicativos. Alguns malwares bancários solicitam acesso aos recursos de acessibilidade do celular, uma funcionalidade criada para auxiliar usuários com necessidades específicas. Quando utilizada de forma indevida, essa permissão pode permitir que aplicativos maliciosos visualizem informações exibidas na tela e executem ações no aparelho. Por isso, desconfie sempre que um aplicativo solicitar esse tipo de acesso sem uma justificativa clara.

“Se você perceber comportamentos anormais ou sentir que perdeu o controle do seu aparelho, principalmente após clicar em links desconhecidos ou instalar aplicativos fora das lojas oficiais, o mais seguro é restaurar o dispositivo para as configurações de fábrica. Essa medida ajuda a remover aplicativos ocultos, eliminar permissões indevidas e reduzir o risco de o malware continuar ativo”, orienta Rodrigo Fernandes, Supervisor de Prevenção à Fraude da DM

Dicas para se proteger

A principal forma de prevenção é nunca seguir instruções de terceiros que envolvam a instalação de aplicativos ou o acesso ao seu dispositivo. “Não clique em links suspeitos enviados por mensagem e não baixe aplicativos fora das lojas oficiais, como App Store e Google Play. Desconfie de contatos inesperados, mesmo que pareçam conhecidos, ou feitos por números de empresas que não sejam oficialmente verificados. Além disso, não realize qualquer ação, instalação ou atualização de aplicativo seguindo instruções, nem clique em links enviados por pessoas que não são da sua confiança. E nunca conceda acesso ao seu aparelho durante uma ligação”, aponta Rodrigo Fernandes.

Caí no golpe. E agora?

Se a pessoa desconfia que caiu em um golpe, o mais importante é agir rápido. “Entre em contato com o seu banco ou com a sua instituição financeira pelos canais oficiais para informar o ocorrido e tentar bloquear movimentações. Em seguida, altere suas senhas, principalmente de aplicativos bancários e e-mail, para recuperar o controle dos acessos. Se houver suspeita de instalação de aplicativo malicioso, considere restaurar o dispositivo para as configurações de fábrica. Além disso, é recomendado registrar um boletim de ocorrência, que pode ajudar no acompanhamento do caso”, aconselha o especialista.

Camadas de segurança

Para auxiliar clientes a se prevenir contra os prejuízos causados pelos golpes, a DM conta com camadas de segurança que ajudam a proteger as transações, como:

  • Confirmação de compra: em caso de movimentações suspeitas, entramos em contato por ligação ou WhatsApp pra aprovar a transação;
  • Bloqueio temporário do cartão: o cliente pode bloquear o cartão rapidamente pelo DM App em caso de suspeita;
  • Bloqueio de pagamentos de madrugada: transações realizadas em horários ou padrões considerados fora do comum são bloqueadas;
  • Gestão de limite: o usuário pode ajustar o limite conforme o seu perfil de uso, o que ajuda a reduzir possíveis prejuízos.

Além das camadas de segurança presentes no aplicativo DM, os clientes contam com recursos adicionais de proteção, como o código de segurança dinâmico (CVC), que dificulta o uso indevido dos dados do cartão em compras online.

Hospitais cada vez mais conectados ampliam eficiência, mas também aumentam exposição a ataques cibernéticos

A transformação digital tem revolucionado a medicina. Prontuários eletrônicos, equipamentos conectados à internet, sistemas integrados de gestão e plataformas de telemedicina tornaram os hospitais mais ágeis e eficientes. No entanto, essa rápida evolução trouxe consigo um desafio crítico: o aumento exponencial da vulnerabilidade a ataques cibernéticos.

Hoje, as instituições de saúde figuram entre os alvos mais visados por criminosos digitais. Além do alto valor comercial das informações armazenadas, que incluem dados pessoais, históricos médicos e registros financeiros, esses ambientes dependem da disponibilidade ininterrupta de seus sistemas para garantir a assistência à vida. Quando ocorre um incidente cibernético, os impactos vão muito além do vazamento de dados. A indisponibilidade tecnológica pode paralisar consultas, suspender cirurgias, adiar exames laboratoriais e até comprometer o funcionamento de dispositivos médicos essenciais.

Para Flavio Cruz, da Cyrex Security, empresa especializada em cibersegurança, o setor precisa tratar a proteção digital como um pilar estratégico de continuidade operacional. “Os hospitais estão hiperconectados e essa transformação trouxe ganhos inestimáveis para a qualidade da assistência. Porém, quanto maior a conectividade, maior é a superfície de ataque. Um incidente na saúde não representa apenas prejuízo financeiro; ele afeta diretamente a ponta do atendimento e coloca vidas em risco. Por isso, investir em prevenção, monitoramento contínuo e planos de resposta a incidentes deixou de ser uma demanda exclusiva da TI e passou a ser uma necessidade de governança corporativa”, afirma o executivo.

Para mitigar esses riscos, especialistas recomendam medidas fundamentais como a segmentação de redes hospitalares, a atualização constante de softwares, o uso de autenticação multifator (MFA) e a realização de backups isolados e protegidos. Contudo, o fator humano continua sendo decisivo: treinar e capacitar os colaboradores para identificar tentativas de fraude e engenharia social é indispensável, já que esta segue como uma das principais portas de entrada para invasões.

A necessidade de amadurecer a segurança digital é respaldada por dados globais contundentes. De acordo com o relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM, o segmento de saúde registrou o maior custo médio por incidente entre todos os setores analisados, atingindo a marca de US$ 7,42 milhões por violação de dados. Além disso, as organizações do setor levaram, em média, 279 dias para identificar e conter um ataque, um longo período em que operações críticas podem permanecer sob ameaça.

Outro levantamento da IBM, o X-Force Threat Intelligence Index 2025, aponta que 70% dos ataques atendidos por sua equipe de resposta a incidentes tiveram como alvo organizações de infraestrutura crítica, grupo no qual os hospitais estão inseridos. Em mais de um quarto dos casos, os invasores exploraram vulnerabilidades conhecidas que poderiam ter sido corrigidas, o que reforça a urgência de auditorias e correções constantes em equipamentos e aplicações.

No Brasil, o cenário é igualmente alarmante. Hospitais, clínicas e operadoras de saúde vêm sofrendo sucessivas tentativas de ransomware e sequestro de dados nos últimos anos. “Os dados mostram que a saúde virou uma prioridade para o crime organizado digital. Quando uma instituição para devido a um ataque, estamos falando de pacientes sem acesso ao próprio histórico clínico. A cibersegurança deve caminhar lado a lado com a segurança assistencial. Afinal, investir em prevenção custa muito menos do que remediar a paralisação de uma operação hospitalar”, conclui Flávio Cruz.

Relatório Executivo de Inteligência Cibernética – Vazamento de Dados do domínio gov.il pertence oficialmente ao Governo do Estado de Israel

O IDCiber Threat Intelligence Center, por meio do monitoramento contínuo de fontes abertas, fóruns clandestinos e canais especializados, identificou a divulgação de uma alegada base de dados associada ao domínio governamental www.gov.il, anunciada por um ator de ameaça em 22/06/2025. Segundo a publicação analisada, o grupo afirma ter explorado uma vulnerabilidade de API e obtido acesso não autorizado a informações de aproximadamente 268.938 registros de cidadãos, contendo dados pessoais diversos. As evidências observadas incluem amostras de registros supostamente extraídos da base comprometida e disponibilizados em plataforma pública de compartilhamento de conteúdo. Em conformidade com as melhores práticas de proteção à privacidade, os dados pessoais identificáveis (PII) presentes nas amostras foram anonimizados nesta análise, não sendo reproduzidos nomes, documentos, telefones, endereços, e-mails, identificadores ou quaisquer informações que permitam a identificação direta de indivíduos.

IDCiber Threat Intelligence Center
IDCiber Threat Intelligence Center

A análise preliminar indica que o conjunto de informações alegadamente exposto contém categorias de dados de elevada sensibilidade, incluindo dados cadastrais, informações demográficas, informações de contato, dados de localização e outros atributos pessoais. Caso a autenticidade e atualidade da base sejam confirmadas pelas autoridades competentes, o incidente poderá representar riscos significativos de fraude, engenharia social, campanhas de phishing direcionado, roubo de identidade, comprometimento de contas e outras atividades criminosas. O anúncio também demonstra intenção de monetização dos dados por parte do ator de ameaça, que disponibilizou canal de contato para potenciais interessados na aquisição do conteúdo.

Até o momento da análise, as evidências observadas permitem confirmar a existência de uma publicação reivindicando a violação e exibindo amostras de registros, porém a validação integral da autenticidade, integridade, abrangência e origem dos dados requer investigação técnica complementar pelas entidades responsáveis. Considerando o potencial impacto sobre cidadãos e organizações governamentais, recomenda-se a realização de procedimentos de resposta a incidentes, validação dos dados expostos, revisão dos controles de acesso, análise de vulnerabilidades em APIs, monitoramento reforçado de credenciais e comunicação adequada às partes potencialmente afetadas.

IDCiber Threat Intelligence Center
IDCiber Threat Intelligence Center
  • Classificação do incidente: Vazamento de Dados (Data Breach)
  • Organização alvo: Domínio governamental (www.gov.il)
  • Data da divulgação identificada: 22/06/2025
  • Volume alegado de impacto: 268.938 registros
  • Tipo de informação exposta: Dados pessoais e cadastrais (PII) – informações anonimizadas neste relatório
  • Severidade estimada: Alta
  • Status: Publicação identificada e em monitoramento

Fonte: IDCiber Threat Intelligence Center.

A Quarta Onda: Inteligência Artificial, Segurança Nacional e a Nova Corrida Tecnológica

1. Introdução

Alvin Toffler (1928-2016) foi um dos futuristas do século XX. Além de ensaios sobre avanços tecnológicos, escreveu o livro O Choque do Futuro, no ano de 1970.

Em seu livro de maior sucesso, A Terceira Onda (1980), Toffler organizou a história da humanidade não por séculos ou dinastias, mas por grandes “ondas” que representaram momentos de mudanças tecnológicas e sociais.

Para Toffler, uma “onda” ocorre quando uma nova tecnologia ou forma de produzir riqueza colide com a sociedade, transformando modelos econômicos, as relações interpessoais, a forma de produção cultural e até mesmo a maneira como vivemos. As três ondas que Toffler apresentou, resumidamente, foram:

1ª Onda: A Revolução Agrícola – Iniciada há cerca de 10 mil anos, representou a transição do nomadismo para o sedentarismo. Caracterizou-se pelo domínio da agricultura e do pastoreio, onde a terra era a principal fonte de riqueza e poder.

2ª Onda: A Revolução Industrial – iniciada no final do século XVIII (Inglaterra) e que dominou os séculos XIX e XX. Os motores da mudança foram: a máquina a vapor, os combustíveis fósseis e a produção em massa.

3ª Onda: A Era da Informação – emergiu na metade do século XX (década de 1950/1960), cujos motores da mudança foram: o computador, a internet, a biotecnologia.

Ao encerrarmos o primeiro quarto do século XXI, uma ferramenta tecnológica demonstra estar revolucionando o cotidiano da sociedade e, ao mesmo tempo, desafiando nada menos do que a própria inteligência humana: a Inteligência Artificial (IA).

Diante desse cenário, então, surge uma indagação: em que medida o comunicado emitido pelo Five Eyes sobre IA faz soar o alarme para uma quarta onda?

Seria o Mythos, da Anthropic, a corrente de vento que começa a agitar os “mares da tecnologia”, os mesmos que conectam as nações por meio de uma navegação entre bits e bytes?

2) A Inteligência e o alarme

Five Eyes significa a aliança existente entre as Agências de Inteligência dos seguintes países: Austrália, Canadá, Nova Zelândia, Reino Unido e Estados Unidos da América (EUA), e representa, em última instância, a extensão do antigo projeto Echelon (vide livro Contra & Inteligência, 2024, pág. 83).

Em 22/06/2026, agências de cibersegurança ligadas ao Five Eyes emitiram um comunicado conjunto que denotou ser um alerta quanto à rápida obsolescência dos recursos tradicionais de cibersegurança, indicando que o avanço dos modelos de IA de Fronteira pode reduzir significativamente a marcha do tempo em relação à validade de premissas que orientam a cibersegurança tradicional.

Segundo o Five Eyes, as alterações tecnológicas que anteriormente eram esperadas ao longo de anos poderão ocorrer em poucos meses, exigindo maior capacidade de adaptação por parte das organizações públicas e privadas.

Em síntese, Agências de Inteligência anunciaram que ferramentas de IA estão incorporando novas e mais potentes capacidades de encontrar e explorar vulnerabilidades, cada vez mais rapidamente. Ou seja, a marcha do tempo foi acelerada pela IA reduzindo a janela temporal entre o surgimento de uma vulnerabilidade e sua exploração prática.

O alerta baseia-se na rápida evolução dos modelos de IA, que demonstram capacidades para executar, com elevado grau de automação e velocidade, atividades que tradicionalmente exigiam equipes altamente especializadas. Entre elas destacam-se:

‒        o reconhecimento técnico de infraestruturas digitais, mediante o mapeamento automatizado de ativos físicos e serviços;

‒        a identificação e correlação de vulnerabilidades em softwares, sistemas operacionais e aplicações;

‒        a análise de grandes volumes de dados para identificação de padrões, anomalias e oportunidades de exploração; e

‒        a priorização de vetores de ataque e o apoio à tomada de decisão em operações defensivas ou ofensivas no domínio cibernético.

Tarefas que antes dependiam predominantemente de operadores dedicados passam a ser executadas com maior velocidade e escala por sistemas baseados em IA, que, entre outras capacidades, podem reduzir barreiras técnicas para agentes maliciosos, ampliando a velocidade, a automação e a complexidade das operações cibernéticas.

O cenário torna-se ainda mais complexo porque amplia a capacidade operacional tanto de grupos criminosos independentes ou de atores patrocinados por Estados, tornando os ataques mais frequentes, adaptáveis e difíceis de serem detectados.

Embora muitas das recomendações já integrem as boas práticas consolidadas da cibersegurança, tal como a sempre sugerida redução da superfície de ataque, o Five Eyes orienta para que as organizações adotem estratégias baseadas em resiliência operacional, partindo do pressuposto de que incidentes de segurança poderão ocorrer.

Entre as medidas sugeridas estão:

‒        incorporação da IA para as operações defensivas;

‒        modernização de infraestruturas legadas;

‒        cadência de patching;

‒        fortalecimento dos controles de acesso e a aplicação do princípio do menor privilégio; e

‒        aprimoramento das capacidades de detecção, contenção e resposta a incidentes.

O alerta também evidencia uma mudança na dinâmica da cibersegurança. Se, nas últimas décadas, a evolução das defesas ocorreu por meio de melhorias graduais, a IA tende a reduzir significativamente os ciclos de inovação, exigindo revisões mais frequentes das arquiteturas de segurança, dos processos de governança e das estratégias de gestão de riscos. Nesse contexto, a capacidade de adaptação contínua passa a ser um componente essencial da postura de segurança das organizações.

A terminologia IA de Fronteira tornou-se mundialmente reconhecida na Cúpula de Bletchley Park, em novembro de 2023, também conhecida como Artificial Intelligence Safety Summit. Segue-se a sua definição:

2.1 What do we mean by frontier AI models?

For the purposes of this paper, we define “frontier AI models” as highly capable foundation models2 that could exhibit sufficiently dangerous capabilities. Such harms could take the form of significant physical harm or the disruption of key societal functionson a global scale, resulting from intentional misuse or accident [25, 26]. It would be prudent to assume that next-generation foundation models could possess advanced enough capabilities to qualify as frontier AI models, given both the difficulty of predicting when sufficiently dangerous capabilities will arise and the already significant capabilities of today’s models.[1] (grifei)

3) Quem é Mythos 5?

O Mythos 5 é um modelo de IA de Fronteira desenvolvido pela empresa Anthropic, pertencendo à mesma linhagem e geração do Claude.

Enquanto o Claude Fable 5 é a versão comercial e distribuída para o público e empresas, o Claude Mythos 5, como “irmão gêmeo” do Fable 5, compartilha a mesma base de dados, porém com modificações especificamente para defesa técnica avançada.

O Mythos, como modelo de testes controlados, encontrava-se enclausurado dentro de uma sandbox, uma espécie de prisão digital. Ao operar fora dessa sandbox, em pouco tempo, o Mythos encontrou centenas de falhas em sistemas operacionais, tal como o OpenBSD, navegadores, vulnerabilidades zero-day em softwares, além de bugs no Linux, inconsistências essas antes desconhecidas pelas comunidades de cybersegurança.

Essas descobertas, segundo o governo norte-americano, foram entendidas como potencialmente graves à segurança nacional dos EUA, resultando, em 12/06/2025, na diretriz de controle de exportação do Departamento de Comércio dos EUA que exigiu a suspensão imediata do acesso aos dois modelos por qualquer cidadão estrangeiro, tanto fora quanto dentro dos EUA, incluindo os próprios funcionários estrangeiros da Anthropic.

Como consequência, a Anthropic informou que, diante da dificuldade operacional de verificar, em tempo real, a nacionalidade de todos os usuários, optou por desabilitar temporariamente os modelos para toda a sua base de clientes. Segundo a Anthropic, o governo norte-americano não apresentou detalhes técnicos sobre a preocupação de segurança. A empresa declarou entender que a decisão estaria relacionada à existência de um método capaz de contornar (“jailbreak”) determinadas salvaguardas do modelo Fable 5, permitindo sua utilização para identificar vulnerabilidades de softwares.

Segundo a Anthropic, o Mythos 5 estava restrito a um conjunto limitado de organizações participantes do programa Project Glasswing, voltado para defesa cibernética e proteção de infraestruturas críticas.

A preocupação do governo norte-americano, em relação ao Mythos, seria decorrente do alerta de pesquisadores da Amazon que usaram prompts para fazer o Fable 5 fornecer informações supostamente proibidas e que poderiam auxiliar ciberataques.

Em suma, a determinação de suspensão, segundo o governo dos EUA, se deve ao potencial do modelo para acelerar a identificação de vulnerabilidades em softwares complexos, fortalecendo atividades defensivas, como auditorias de segurança e identificação preventiva de falhas. Entretanto, o mesmo modelo poderia ser empregado para apoiar agentes maliciosos a conduzirem operações ofensivas.

4) Reflexões críticas para a cybersegurança

Embora o comunicado do Five Eyes não mencione diretamente a Anthropic ou o Mythos, ambos os episódios convergem para uma mesma preocupação estratégica: o rápido aumento das capacidades ofensivas e defensivas proporcionadas pelos modelos de IA de Fronteira.

A metáfora da “quarta onda” parece ganhar consistência justamente porque os elementos disruptivos dessa transformação não decorrem apenas da evolução tecnológica em si, mas da velocidade com que os modelos de IA de Fronteira passam a alterar o equilíbrio entre ataque e defesa no domínio cibernético, com consequência diretas nas relações socioeconômicas.

A principal mensagem do comunicado é que modelos cada vez mais avançados tendem a acelerar a descoberta de vulnerabilidades, reduzir barreiras técnicas para agentes maliciosos e encurtar significativamente o ciclo de eficácia das arquiteturas tradicionais de cibersegurança.

O caso Mythos 5 da Anthropic representa um exemplo concreto para esse cenário de evolução tecnológica. Ao que tudo indica, em vez de tratar o risco apenas sob uma perspectiva teórica, o governo norte-americano passou a considerar determinados modelos de IA como ativos estratégicos, submetendo-os a mecanismos de controle compatíveis com tecnologias sensíveis de interesse para a segurança nacional, não distante do próprio espectro militar.

Sob essa perspectiva, os dois episódios (Five Eyes e Anthropic) sinalizam uma possível mudança de paradigma. A IA deixa de ser percebida apenas como uma ferramenta de inovação tecnológica e passa a integrar, de forma crescente e dual (civil e militar), as agendas de segurança nacional, governança tecnológica e competição estratégica entre Estados.

Não por acaso, CEOs de gigantes tecnológicas como o Google, OpenAI e a Anthropic estiveram presentes na última reunião do G7, realizada na cidade francesa de Évian-les-Bains, em junho de 2026, coincidentemente dias antes do comunicado das Agências de Inteligência. A ocasião foi marcada por uma deliberação conjunta voltada para o estabelecimento de diretrizes de governança para a IA, com ênfase na proteção de menores em plataformas online.

5) Conclusão parcial

Na medida em que essa nova onda tecnológica ganha forma, a atuação das Agências de Inteligência com projeção global, como o Five Eyes, torna ainda mais relevante o acompanhamento desse fenômeno sob a perspectiva da Inteligência Estratégica e da Contrainteligência Corporativa.

Até recentemente, as preocupações relacionadas à espionagem empresarial concentravam-se na proteção de pessoas, documentos, sistemas e redes. A rápida evolução dos modelos de IA, contudo, introduz uma nova categoria de ativo estratégico: a própria capacidade computacional de acelerar a identificação de vulnerabilidades, de ampliar a produção de conhecimentos técnicos especializados e de influenciar diretamente a vantagem competitiva de Estados e organizações privadas.

Nesse contexto, observa-se também o fortalecimento do que a Bravus Consultoria cita como sendo o Complexo Industrial da Inteligência (vide Contra & Inteligência, 2024, p. 104), caracterizado pela crescente integração entre governos, empresas de tecnologia, universidades, centros de pesquisa e organizações de defesa na disputa por capacidades críticas na Atividade de Inteligência e agora, mais do que nunca, em IA.

Se Alvin Toffler identificou três grandes ondas de transformação da civilização, os acontecimentos recentes sugerem que a IA poderá representar a força motriz de uma quarta onda, cujos efeitos extrapolam o ambiente tecnológico para alcançar a geopolítica, a segurança nacional e, por conseguinte, a contrainteligência corporativa.

Se essa interpretação estiver correta, talvez o alerta do Five Eyes não deva ser compreendido apenas como mais um Relatório de Inteligência (RELINT) sobre cibersegurança, mas como um dos primeiros sinais institucionais de que a IA inaugura uma nova fronteira de competição estratégica entre Estados, empresas e organizações.

Luis Fernando Baptistella

Capitão de Mar e Guerra (Vet.)

Diretor da Bravus Consultoria || Consultor em Inteligência e Contrainteligência

Autor dos livros Contra & Inteligência 4.0 e Counter & Intelligence 4.0

Pós-graduado em Inteligência Estratégica

Fontes consultadas:

https://www.cisa.gov/news-events/news/five-eyes-cyber-security-agencies-statement

Eric Geller – https://www.cybersecuritydive.com/news/ai-cyberattacks-five-eyes-frontier-models-warning/823526/

Pieter Arntz – https://www.malwarebytes.com/blog/ai/2026/06/claude-fable-5-and-mythos-5-abruptly-disabled-after-us-gov-deems-them-too-clever?utm_source=iterable&utm_medium=email&utm_campaign=b2c_pro_oth_20260622_juneweeklynewsletter_v4_178177982315&utm_content=Claude_logo

Bloqueios da Anthropic vieram após alerta da Amazon – CISO Advisor

Professor Danilo Gato – @odanilogato

Nota de Esclarecimento: Embora este artigo de opinião seja fundamentado nas referências citadas, o conceito de Quarta Onda, com base em Alvin Toffler, no que tange à Atividade de Inteligência e à Cybersegurança, é uma tese autoral desenvolvida pelo autor através de pesquisas e estudos próprios. Os direitos sobre esta metodologia/abordagem específica são reservados.


[1] Disponível em https://arxiv.org/abs/2307.03718.

 

Fonte: https://www.linkedin.com/pulse/quarta-onda-intelig%25C3%25AAncia-artificial-seguran%25C3%25A7a-e-nova-baptistella-xloif/

Megavazamento de 24 bilhões de credenciais e bloqueio do Telegram na Índia expõem nova fase do crime digital

Dois acontecimentos recentes acenderam um alerta global sobre a evolução das fraudes digitais e a profissionalização do crime cibernético. De um lado, pesquisadores da Cybernews identificaram uma base exposta contendo aproximadamente 24 bilhões de registros de credenciais, incluindo e-mails, nomes de usuário, senhas em texto claro e URLs de acesso. De outro, o governo da Índia bloqueou temporariamente o Telegram após suspeitas de que grupos organizados estariam utilizando a plataforma para tentar fraudar candidatos do NEET 2026, principal exame nacional de admissão para cursos de medicina do país. Para a LC SECconsultoria especializada em cibersegurança e compliance, os dois episódios evidenciam a crescente profissionalização do crime digital.

Segundo informações divulgadas pela Cybernews, a base reúne dados provenientes de diferentes fontes, incluindo infostealers, compilações de vazamentos anteriores e outras exposições digitais acumuladas ao longo dos anos. Embora ainda não seja possível determinar quantos registros são duplicados ou quantas pessoas únicas foram afetadas, a consolidação desse volume de informações em um único conjunto amplia significativamente o potencial para ataques de tomada de contas, fraudes financeiras e invasões corporativas.

Na Índia, o caso envolvendo o Telegram também chamou a atenção pela escala da operação, pois, segundo informações divulgadas pela Reuters, o bloqueio temporário da plataforma ocorreu após autoridades apontarem que grupos organizados teriam utilizado o aplicativo para coordenar tentativas de fraude relacionadas ao exame NEET 2026. O episódio ganhou repercussão nacional após o cancelamento dos resultados de cerca de 2,3 milhões de estudantes em meio a investigações sobre possível vazamento de questões e irregularidades no processo seletivo.

Embora distintos, os dois casos compartilham um elemento importante: a utilização de plataformas digitais como parte da infraestrutura que sustenta operações criminosas. Ao rastrear a origem dos dados presentes na base identificada pela Cybernews, os pesquisadores encontraram 36 fontes distintas de informação. Segundo a investigação, grande parte delas estaria associada a canais do Telegram utilizados para compartilhamento de credenciais roubadas, dados obtidos em violações de segurança e materiais relacionados a atividades ilícitas.

“O aspecto mais relevante desses casos é que eles mostram como o crime digital funciona atualmente. Não estamos falando apenas de vazamentos ou de uma plataforma específica, mas de um ecossistema onde dados roubados são coletados, organizados, compartilhados e utilizados por diferentes grupos criminosos. O Telegram aparece nesse contexto como um dos canais identificados para circulação dessas informações, evidenciando como plataformas digitais podem ser incorporadas à cadeia operacional das fraudes”, afirma Luiz Cláudio, CEO e fundador da LC SEC.

O cenário acompanha uma tendência observada globalmente pelo relatório Microsoft Digital Defense de 2025, que aponta que mais de 97% dos ataques contra identidade são baseados em senhas e que esse tipo de ameaça cresceu 32% no primeiro semestre de 2025. O relatório também destaca que mecanismos de autenticação multifator resistentes a phishing são capazes de bloquear mais de 99% desses ataques.

Na avaliação do especialista, o foco das organizações não deve estar apenas na proteção de sistemas, mas também na gestão da identidade digital. “Quando credenciais comprometidas passam a circular livremente, os criminosos conseguem assumir contas legítimas, acessar ambientes corporativos e utilizar essas informações para ataques mais sofisticados. A identidade digital se tornou um dos ativos mais valiosos e mais visados do ambiente corporativo”, explica Luiz Claudio.

Diante desse cenário, a LC SEC recomenda que empresas revisem suas políticas de autenticação, ampliem o uso de autenticação multifator (MFA), fortaleçam processos de validação de identidade e monitorem continuamente credenciais expostas. A adoção de estratégias de Threat Intelligence, avaliações periódicas de acessos privilegiados e programas permanentes de conscientização também são medidas importantes para reduzir riscos e antecipar movimentos de grupos criminosos.

Ataques com ransomwares fizeram 791 vítimas em maio; mercado B2B é o mais visado, aponta Cohesity

Ataques com ransomwares fizeram 791 vítimas no mês de maio, numa leve diminuição de 9,1% em comparação aos 870 registrados em abril. Os dados são da plataforma Ransomware.live, iniciativa de Julien Mousqueton, especialista em cibersegurança e executivo da Cohesity, empresa líder em segurança de dados com IA.

O site monitora e coleta dados de sites de vazamento de grupos de ransomware continuamente para identificar e listar novas vítimas. Ransomwares são softwares maliciosos que bloqueiam o acesso de usuários ou organizações, exigindo pagamento de resgate para restauração, sob a ameaça de vazamento ou exclusão permanente.

Olhando para os últimos 12 meses, a atividade permanece substancialmente elevada. O número de maio está bem acima da faixa de 501 a 598 vista entre junho e setembro, e somente um pouco abaixo do pico recente de 882 em dezembro. “A queda de 9,1% em relação a abril é estatisticamente notável, mas não deve ser interpretada como evidência de uma queda sustentada”, analisa Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para América Latina e Caribe.

Apesar desse recuo, o cenário de ameaças permaneceu dinâmico, diz. “Quatro grupos divulgaram suas primeiras vítimas em maio, e nove agentes novos apareceram em sites de vazamento. Isso sinaliza a fragmentação contínua do ecossistema de ‘ransomware-as-a-service’, quando desenvolvedores profissionais alugam ou vendem sua infraestrutura para outros hackers”.

Segundo Leite, o surgimento de nove atores em um mês reflete a fragmentação do ecossistema, onde afiliados mudam de nome ou se separam de grandes operações. Apesar desse influxo, 15 grupos antes ativos ficaram inativos em maio. “Embora novas operações surjam, muitas são efêmeras devido à pressão policial, dissolução interna ou mudança de identidade”, destaca.

Países e setores mais afetados

Os Estados Unidos seguiram como o país mais afetado, representando 309 das 791 vítimas (39,1%). O Reino Unido (49 vítimas) e a Alemanha (41 vítimas) ocuparam o segundo e o terceiro lugares, respectivamente. O Canadá (32), a Espanha (23) e o Japão (17), aparecem em seguida, antes de Austrália (20), México (16) e França (16).

O mercado B2B continuou sendo o mais visado, com 160 vítimas. O setor de manufatura registrou 103 casos, seguido pelos setores de tecnologia (71) e saúde (68). “O alto volume registrado constantemente no setor de saúde ressalta a persistente atratividade do setor para operadores de ransomware que buscam alvos com alto potencial de exploração”, diz o executivo.

O vice-presidente da Cohesity para América Latina e Caribe também chamou a atenção para os 39 casos no setor de agricultura e produção de alimentos. “Ataques a esse setor têm aumentado, numa tendência que merece atenção, dadas as implicações para a infraestrutura crítica das cadeias de suprimentos de alimentos”, disse. O setor de educação figurou pela primeira vez no ranking dos dez principais setores neste mês, com 28 vítimas.

Números do site Ransomware.live são divulgados todos os meses pela Cohesity, que conta com a confiança de clientes em mais de 140 países, incluindo 70% da Fortune Global 500.

Ataques com ransomware nos últimos 12 meses:

  • Maio – 791
  • Abril – 870
  • Março – 844
  • Fevereiro – 784
  • Janeiro – 702
  • Dezembro de 2025 – 882
  • Novembro – 717
  • Outubro – 839
  • Setembro – 598
  • Agosto – 530
  • Julho – 547
  • Junho – 501

Setores com ransomwares mais afetados em maio:

  1. Mercado B2B – 160
  2. Manufatura – 103
  3. Tecnologia – 71
  4. Saúde – 68
  5. Serviços ao consumidor – 52
  6. Agricultura e produção de alimentos – 39
  7. Transportes/logísticas – 35
  8. Serviços financeiros – 34
  9. Construção – 32
  10. Educação – 28

Países mais afetados por ataques com ransomwares em maio:

  1. Estados Unidos – 309
  2. Reino Unido – 49
  3. Alemanha – 41
  4. Canadá – 32
  5. Espanha – 23
  6. Austrália – 20
  7. Itália – 20
  8. Japão – 17
  9. França – 16
  10. México – 16

51% das instituições financeiras pesquisadas perdem mais de US$10 milhões ao ano com fraudes no Brasil

As perdas financeiras e o volume de golpes no setor bancário brasileiro continuam em uma escalada agressiva. Uma nova pesquisa da BioCatch, líder em prevenção a fraudes por inteligência comportamental, revela que 89% dos líderes bancários no Brasil relatam aumento nas tentativas de golpe em 2026. O número representa um salto notável frente aos 77% do ano anterior e supera a média global atual, que é de 81%

O estudo inédito entrevistou 100 profissionais de alta liderança (gerência, diretoria e C-suite) das áreas de gestão de fraudes, prevenção a crimes financeiros, risco e compliance no país. O perfil dos participantes reflete o peso do ecossistema financeiro nacional: 99% atuam em instituições com mais de US$ 10 milhões sob gestão, e metade (50%) gerencia ativos que superam a marca de US$ 1 bilhão.

Embora o Brasil tenha se posicionado como o mercado mais próximo das médias globais entre todos os países pesquisados, os dados nacionais de perdas e sofisticação acendem um alerta vermelho para o setor.

O prejuízo financeiro das fraudes no ecossistema brasileiro

A pressão financeira exercida pelas atividades criminosas já dita o orçamento dos grandes bancos, gerando impactos severos tanto para as instituições quanto para os usuários. No âmbito institucional, mais da metade dos entrevistados no Brasil (51%) perde acima de US$ 10 milhões para fraudes todos os anos. Ao mesmo tempo, para 19% dos entrevistados esse rombo supera os US$ 25 milhões anuais e, para 3%, o dano ultrapassa a marca de US$ 100 milhões.

Na outra ponta, o prejuízo transferido ao cliente final é igualmente alarmante. Cerca de 74% dos executivos afirmam que seus clientes perdem mais de US$ 5 milhões anualmente em fraudes autorizadas e golpes, e quase metade (44%) relata perdas de clientes acima de US$ 10 milhões ao ano.

Esse cenário é ainda mais agravado pelo dinamismo e rapidez dos ataques, que preocupam diretamente os comitês de risco: atualmente, 82% dos líderes de fraude no Brasil declaram estar muito preocupados com o aumento na velocidade da atividade fraudulenta, um índice superior aos 76% registrados na média global.

Deepfakes e novas vulnerabilidades

A inteligência artificial transformou-se rapidamente em uma arma de engenharia social nas mãos de organizações criminosas, desafiando as defesas tradicionais das instituições brasileiras. Essa nova realidade é evidente no avanço dos ataques baseados em deepfakes, já observados por quase dois terços (63%) dos executivos no Brasil nos últimos 12 meses, um índice significativamente superior à média global de 50%. Na prática, a tecnologia não está criando golpes inteiramente novos, mas tornando as táticas existentes muito mais críveis em um mercado onde o Pix, o WhatsApp, o mobile banking e o comércio em redes sociais estão profundamente enraizados no cotidiano.

Um dos reflexos disso no dia a dia do ecossistema nacional são os golpes de emergência familiar por chamadas ou mensagens no WhatsApp, em que criminosos utilizam áudios gerados por IA para imitar a voz de filhos ou cônjuges simulando uma urgência e solicitando transferências Pix imediatas. Da mesma forma, os criminosos clonam a voz de gerentes ou utilizam áudio e vídeo alterados por IA em falsas chamadas de suporte bancário; a vítima é induzida a acreditar que sua conta está sob ataque e acaba convencida a transferir fundos para uma suposta ‘conta segura’ ou a instalar softwares de acesso remoto.

Paralelamente, o país enfrenta sérias dificuldades para barrar golpes de falsificação de identidade (impersonation), com 60% dos tomadores de decisão locais classificando como muito ou extremamente difíceis de reconhecer. E, olhando para o futuro, a preocupação com a próxima onda de ataques é um consenso: para 90% dos profissionais brasileiros entrevistados, a IA Agêntica pode se tornar a maior vulnerabilidade explorável pelo crime organizado no próximo ano. E, além de tudo, 83% apontam que será extremamente desafiador mitigar o problema e distinguir ações legítimas assistidas por IA de atividades maliciosas ou manipuladas.

“A grande virada de chave tecnológica que estamos presenciando reside na evolução dos agentes de IA tradicionais para a chamada IA Agêntica. Enquanto um agente comum executa de forma rígida uma única tarefa programada, a IA Agêntica possui autonomia para traçar caminhos alternativos e contornar barreiras até atingir seu objetivo”, afirma Diego Baldin, diretor de Global Advisory da BioCatch para a América Latina.

“Quando essa tecnologia é capturada pelo crime organizado, passamos a lidar com sistemas automatizados capazes de conduzir interações complexas de engenharia social, persuadindo uma vítima até que ela esteja totalmente convencida, para só então repassar o ataque para um operador humano, que  conclui o golpe. Esse ecossistema não apenas automatiza o roubo de dados, mas é inteligente o suficiente para filtrar e priorizar as informações mais valiosas, conectar-se a outras ferramentas maliciosas e aprender com os próprios erros em tempo real. Se o algoritmo encontra um bloqueio de segurança, ele recalcula a rota autonomamente até conseguir violar o sistema.”

A urgência da inteligência interbancária

Diante de um cenário em que a autenticação tradicional perde eficácia contra a persuasão digital e a tecnologia avançada, a alta liderança bancária do país aponta o compartilhamento de dados em rede como uma das principais soluções.

A grande maioria dos executivos brasileiros (88%) acredita que o compartilhamento de inteligência entre bancos teria um impacto positivo significativo na capacidade de conter fraudes e crimes financeiros. Indo além, 89% afirmam que obter inteligência em tempo real sobre a conta destinatária envolvida em uma transação seria o divisor de águas para identificar e conter golpes financeiros antes que o dinheiro seja pulverizado.

Curiosamente, a pesquisa também revelou uma característica cultural do mercado nacional: os líderes bancários brasileiros são significativamente menos propensos do que seus pares internacionais a afirmar que suas instituições investem em prevenção de fraudes para evitar a perda de clientes (churn). Apenas 23% dos executivos no Brasil citam a perda de clientes como motivo para investimentos na área, contra 39% globalmente. O foco do país está direcionado firmemente no combate à sofisticação tática do crime e na proteção sistêmica do fluxo financeiro.

“A IA já está redefinindo a velocidade e a sofisticação das ameaças no Brasil, permitindo que criminosos escalem ataques de engenharia social com o uso de deepfakes em um ritmo muito superior à média global”, conta Baldin.

“O dado mais revelador é que no ecossistema brasileiro, ao contrário do mercado global, a liderança local investe em prevenção a fraudes motivada pela blindagem financeira imediata. Em um ambiente hiperconectado e de transações instantâneas, a urgência financeira e operacional parece ter prioridade, ao conter o vazamento monetário e a velocidade do crime. Para vencer essa corrida, o setor precisa ir além das checagens estáticas de identidade: o futuro depende do entendimento contínuo e em tempo real do comportamento e da intenção do usuário, combinado com uma rede de inteligência interbancária que neutralize as contas de laranjas usadas para lavar o produto das fraudes.”

Acesse a pesquisa completa aqui.

Copa do Mundo 2026: Fortinet identifica mais de 1.140 domínios maliciosos relacionados ao torneio

A expectativa sobre a Copa do Mundo de 2026 vem sendo amplamente explorada por cibercriminosos em escala global. Levantamento realizado pelo FortiGuard Labs, laboratório de inteligência da Fortinet, identificou mais de 13 mil domínios registrados com referências ao torneio entre janeiro e maio deste ano. Desse universo, cerca de 1.140 endereços (o equivalente a 8,8%) foram classificados como maliciosos ou suspeitos, evidenciando o uso crescente do maior evento do futebol mundial como isca para fraudes digitais.

De acordo com a análise, a infraestrutura criada pelos criminosos sustenta campanhas organizadas voltadas à aplicação de golpes financeiros e ao roubo de informações sensíveis. Entre as principais ameaças observadas estão páginas falsas para venda de ingressos, inclusive por meio de canais como o Telegram; lojas virtuais fraudulentas de produtos oficiais; plataformas ilegítimas de transmissão de partidas; campanhas de phishing e falsas oportunidades de emprego relacionadas ao evento.

Nos dois meses que antecederam a competição, foi identificado um crescimento expressivo no registro de novos domínios ligados à Copa do Mundo, acompanhando o movimento do mercado e dos países na ampliação das ações direcionadas ao evento e aumento do interesse do público. O levantamento apontou que mais de 270 mil credenciais de usuários/fãs que visitaram sites relacionados à FIFA foram identificadas em registros de roubo de dados baseados em delimitadores.

Contas falsas em redes sociais
Outro destaque do levantamento é a proliferação de perfis falsos em redes sociais. Mais de 1.700 contas e canais que utilizam indevidamente a identidade visual e a marca da FIFA foram identificados em plataformas digitais, especialmente Facebook e Instagram:

  • Instagram – 60,27%
  • Facebook – 28,94%
  • X (antigo Twitter) – 8,16%
  • Telegram – 1,66%
  • Youtube – 0,97%

“Esses ambientes são utilizados para disseminar promoções inexistentes, páginas de phishing, sorteios falsos e outras estratégias de engenharia social destinadas a enganar torcedores. Os pesquisadores também utilizaram a circulação de aplicativos maliciosos que simulam serviços de apostas esportivas, streaming de partidas e acompanhamento de resultados. Distribuídos por sites não oficiais e canais de mensagens, esses aplicativos podem instalar malwares capazes de roubar credenciais, capturar dados financeiros e comprometer os dispositivos das vítimas”, aponta Alexandre Bonatti, vice-presidente de Engenharia da Fortinet Brasil.

A comercialização fraudulenta de ingressos aparece entre os golpes mais recorrentes. Criminosos criam páginas praticamente idênticas às oficiais para convencer consumidores a realizar pagamentos ou fornecer dados pessoais e bancários. Em muitos casos, a sensação de urgência e a escassez de ingressos são utilizadas para induzir decisões rápidas e reduzir a desconfiança dos usuários.

As falsas lojas de produtos licenciados também ganharam espaço nas campanhas identificadas pelo FortiGuard Labs. Bonatti comenta que os cibercriminosos têm aproveitado o interesse por camisas, itens colecionáveis e produtos exclusivos da Copa do Mundo para comercializar mercadorias inexistentes ou falsificadas, a partir de ambientes que replicam o visual de marcas conhecidas.

“Outra modalidade em crescimento envolve vagas de trabalho temporárias ligadas ao torneio. Mensagens distribuídas por redes sociais, aplicativos de conversa e e-mails direcionam candidatos para páginas falsas de recrutamento que simulam processos seletivos legítimos e capturam credenciais de acesso e informações pessoais”, acrescenta o executivo.

Além das fraudes voltadas aos consumidores, a Fortinet alerta para a necessidade de empresas e organizações envolvidas no evento e parceiros comerciais reforçarem seus mecanismos de proteção. O monitoramento contínuo de domínios semelhantes às marcas, a adoção de autenticação multifator, a atualização constante dos sistemas e o compartilhamento de inteligência sobre ameaças são medidas essenciais para reduzir riscos durante todo o ciclo da competição.

Como consumidores podem se proteger

  • Conferir cuidadosamente o endereço do site antes de realizar qualquer compra ou informar dados pessoais;
  • Priorizar a aquisição de ingressos e produtos em canais oficiais ou parceiros autorizados;
  • Desconfiar de ofertas com descontos muito acima do mercado ou com prazo extremamente limitado;
  • Evitar downloads de aplicativos e plataformas de streaming provenientes de fontes não oficiais;
  • Utilizar autenticação multifator em contas digitais sempre que possível;
  • Acompanhar regularmente movimentações bancárias e notificações de cartões para identificar operações suspeitas.

Recomendações para empresas

Para fortalecer a proteção contra ameaças cibernéticas durante a Copa do Mundo, a Fortinet recomenda que as empresas adotem uma estratégia integrada de segurança. Entre as principais medidas estão o monitoramento contínuo de domínios que possam explorar indevidamente suas marcas, a implementação de soluções avançadas para detecção de phishing e fraudes digitais, além da manutenção permanente de plataformas, aplicações e integrações atualizadas.

A companhia também destaca a importância de reforçar políticas de autenticação multifator para contas críticas e administrativas, promover ações de conscientização voltadas a colaboradores, parceiros e clientes sobre os golpes mais comuns relacionados ao torneio e estabelecer processos integrados de resposta a incidentes, garantindo uma atuação rápida diante de tentativas de fraude ou comprometimento de credenciais.

Sobre a Fortinet
A Fortinet (NASDAQ: FTNT) é uma força motriz na evolução da segurança cibernética e na convergência de rede e segurança. Nossa missão é proteger pessoas, dispositivos e dados em todos os lugares, e hoje oferecemos segurança cibernética onde você precisar com o maior portfólio integrado de mais de 50 produtos de nível empresarial. Mais de meio milhão de clientes confiam nas soluções da Fortinet, que estão entre as mais implantadas, mais patenteadas e mais validadas do setor. O Fortinet Training Institute, um dos maiores e mais amplos programas de treinamento do setor, dedica-se a disponibilizar treinamento em segurança cibernética e novas oportunidades de carreira para todos. O FortiGuard Labs, laboratório de pesquisa e inteligência de ameaças de elite da Fortinet, desenvolve e utiliza aprendizado de máquina de ponta e tecnologias de IA para fornecer aos clientes inteligência de ameaças acionável e proteção oportuna e consistente com a melhor classificação do mercado. Saiba mais em www.fortinet.com/br, Fortinet Blog e FortiGuard Labs.

Gen alerta sobre uma campanha sofisticada de falsas ofertas de emprego projetada para roubar credenciais

Os pesquisadores de ameaças da Gen (NASDAQ: GEN), líder global na promoção da liberdade digital por meio de um portfólio de marcas confiáveis que inclui Norton, Avast, LifeLock e MoneyLion, entre outras, identificaram uma sofisticada campanha de fraude que utiliza falsas ofertas de emprego e processos de recrutamento aparentemente legítimos para roubar credenciais de acesso dos usuários e obter informações sensíveis. Os criminosos exploram a reputação de organizações e marcas amplamente reconhecidas, assim como o interesse gerado por grandes acontecimentos internacionais, para dar maior credibilidade aos seus golpes.

Entre os exemplos analisados, foram encontrados sites que se passavam pela FIFA e por outras entidades e marcas vinculadas a um dos eventos esportivos mais aguardados de 2026. No entanto, os pesquisadores também observaram tentativas semelhantes que utilizavam a imagem de empresas reconhecidas de diferentes setores para gerar confiança nos usuários.

A investigação revelou que os criminosos não se limitam a publicar vagas falsas. Em muitos casos, eles constroem processos completos de contratação que incluem perfis falsos de recrutadores, alguns deles baseados em fotografias e informações de profissionais reais disponíveis publicamente em plataformas como o LinkedIn. Além disso, enviam convites de calendário e direcionam as vítimas para sites projetados para imitar páginas legítimas de recrutamento.

Os pesquisadores alertam que uma página de emprego com aparência profissional não garante que seja autêntica. Os cibercriminosos podem copiar logotipos, fotografias, descrições de vagas e até botões de login de sites legítimos para criar páginas fraudulentas altamente convincentes. Além disso, o uso de ferramentas de inteligência artificial facilitou a criação desse tipo de sites maliciosos, tornando-os cada vez mais difíceis de detectar.

Uma vez no site, os usuários são convidados a iniciar sessão por meio de opções conhecidas, como o acesso com o Google. No entanto, por trás dessas páginas há formulários criados para capturar credenciais e outras informações sensíveis. Os pesquisadores observaram que algumas campanhas rejeitavam contas pessoais e solicitavam especificamente contas corporativas, com o objetivo de obter acesso a sistemas internos, arquivos e outros recursos empresariais.

“A engenharia social tornou-se cada vez mais sofisticada. Os cibercriminosos já não dependem apenas de e-mails suspeitos ou mensagens mal redigidas; agora são capazes de replicar processos completos de recrutamento, inclusive com ajuda da IA, e aproveitar a confiança gerada por marcas e organizações reconhecidas. Isso transforma as falsas ofertas de emprego em uma ameaça especialmente perigosa, já que as vítimas acreditam estar diante de uma oportunidade profissional legítima quando, na realidade, estão entregando acesso a informações valiosas”, afirma Iskander Sanchez-Rola, Diretor Sênior de IA e Inovação na Norton.

Os pesquisadores também descobriram que, uma vez que uma página maliciosa é removida, os criminosos geralmente registram novos domínios para dar continuidade à campanha. Essa capacidade de adaptação dificulta a detecção e permite que as ameaças permaneçam ativas por mais tempo.

Desde 1º de maio de 2026, os produtos da Gen, incluindo Norton, bloquearam mais de 250 ataques relacionados a essas campanhas, embora os especialistas alertem que o alcance real pode ser maior devido à constante evolução das táticas utilizadas pelos cibercriminosos.

Para ajudar os usuários a identificar esse tipo de ameaça, os especialistas da Norton recomendam:

  • Desconfiar de ofertas de emprego inesperadas ou excessivamente atraentes.
  • Verificar se as vagas provêm de sites oficiais e prestar atenção ao endereço do site.
  • Confirmar a legitimidade dos recrutadores antes de fornecer informações pessoais.
  • Evitar inserir credenciais em páginas acessadas por links recebidos por e-mail ou aplicativos de mensagens.
  • Suspeitar de qualquer processo de recrutamento que solicite credenciais corporativas ou informações sensíveis em etapas iniciais.
  • Confirmar a existência da vaga diretamente nos canais oficiais da organização.
  • Utilizar ferramentas de cibersegurança, como o Norton 360 com Norton Scam Protection, que utiliza inteligência artificial para ajudar a detectar tentativas de phishing e sites fraudulentos antes que comprometam informações pessoais ou credenciais de acesso.

À medida que as campanhas de fraude evoluem, a combinação entre engenharia social e o uso indevido de marcas reconhecidas continua se tornando uma das ferramentas mais eficazes para os cibercriminosos. Manter uma postura crítica e verificar cada etapa do processo pode ajudar a diferenciar uma oportunidade legítima de uma fraude projetada para comprometer informações pessoais e corporativas.

Sobre a Gen

Gen (NASDAQ: GEN) é uma empresa global dedicada a impulsionar a Liberdade Digital por meio de suas marcas de consumo confiáveis, incluindo Norton, Avast, LifeLock, MoneyLion e outras. A família de marcas da Gen tem como base a oferta de segurança cibernética e empoderamento financeiro para as primeiras gerações digitais. Hoje, a Gen capacita as pessoas a viverem suas vidas digitais com segurança, privacidade e confiança para as gerações futuras. A Gen oferece produtos e serviços premiados em cibersegurança, privacidade online, proteção de identidade e bem-estar financeiro para quase 500 milhões de usuários em mais de 150 países. Saiba mais em GenDigital.com.

Sobre os Laboratórios de Ameaças da Gen

Os Laboratórios de Ameaças da Gen representam a equipe de pesquisa e tecnologia de Segurança Cibernética dentro da Gen, focada em descobrir e analisar as mais recentes ameaças digitais e golpes em todo o mundo. Com base em dados, pesquisa e experiência técnica, a equipe mapeia padrões e riscos que moldam um cenário de ameaças em constante evolução. Essas descobertas impulsionam tecnologias de segurança que protegem as pessoas em todo o portfólio de marcas confiáveis da Gen, incluindo Norton, Avast e LifeLock, entre outras.

Sobre a Norton

Norton é líder em cibersegurança e faz parte da Gen (NASDAQ: GEN), empresa global dedicada a promover a Liberdade Digital por meio de um portfólio de marcas confiáveis para o consumidor. A Norton capacita milhões de pessoas e famílias com proteção premiada para seus dispositivos, privacidade online e identidade digital. Os produtos e serviços da Norton são certificados por organizações independentes de testes, incluindo AV-TESTAV-Comparatives e SE Labs. A Norton também é membro fundadora da Coalition Against Stalkerware. Saiba mais em https://br.norton.com

Pressão geopolítica leva 66% das empresas a ajustarem estratégias de cibersegurança

A instabilidade no cenário internacional impulsionou 66% das organizações globais a reestruturarem suas defesas digitais em resposta à volatilidade geopolítica. Os dados são do estudo Global Cybersecurity Outlook 2026, realizado pelo Fórum Econômico Mundial em parceria com a Accenture e líderes do setor, que destaca ainda que 94% dos líderes entrevistados identificam a IA como a principal força a remodelar o risco cibernético no próximo ano, elevando o potencial de ataques voltados à espionagem e à interrupção de infraestruturas críticas.

Embora a influência geopolítica nas decisões de segurança digital apresente oscilações, o tema permanece central na agenda estratégica. Na prática, esse cenário acelera a necessidade de integrar a cibersegurança às decisões de infraestrutura e continuidade operacional, especialmente em setores críticos e altamente digitalizados.

Para  Rafael Dantas, Head de Cibersegurança da TLD, empresa brasileira especializada em tecnologia, a digitalização acelerada, especialmente no setor público, trouxe ganhos expressivos de eficiência, mas também reforça a necessidade de reforçar a segurança para possíveis ataques em sistemas e dados estratégicos. “A cibersegurança não pode mais ser vista apenas como um suporte técnico; ela deve integrar a arquitetura das infraestruturas tecnológicas para assegurar a continuidade de serviços essenciais e a soberania digital das instituições”, comenta.

Nesse contexto, falhas de proteção podem gerar impactos sistêmicos, desde a interrupção de serviços públicos essenciais até o vazamento de dados sensíveis de milhões de cidadãos. Especialistas reforçam que a salvaguarda dessas estruturas deve ser tratada como um pilar fundamental da infraestrutura nacional.

Os dados reforçam a relevância do tema. De acordo com dados do relatório do Cenário Global de Ameaças de 2026 da Fortinet® (NASDAQ: FTNT), líder global em cibersegurança que impulsiona a convergência entre redes e segurança, o Brasil concentrou 753,8 bilhões de tentativas de ataques ao longo de 2025, revelando que o cibercrime funciona como um sistema, com hackers criminosos atuando em todo o ciclo de vida do ataque e finalizando com agentes ocultos.

O volume coloca o Brasil entre os países mais visados da América Latina, evidenciando que a ameaça é também local e crescente. Setores como financeiro, governo e saúde seguem como os principais alvos, dada a criticidade dos dados que concentram e a dependência de sistemas digitais para a operação de serviços essenciais.

A combinação entre tensões geopolíticas, adoção acelerada de IA e lacunas de maturidade em segurança cria um ambiente de risco multidimensional, que exige das organizações uma postura cada vez mais proativa e estratégica.

“Enquanto as ameaças evoluem com o apoio de inteligência artificial e financiamento estruturado, muitas organizações ainda reagem de forma reativa. O momento exige uma mudança de mentalidade: cibersegurança precisa estar na mesa das lideranças executivas, com orçamento, governança e visão de longo prazo como vantagem competitiva e requisito de soberania”, conclui.

Serviços financeiros em risco: os ataques de DDoS estão maiores, mais longos e mais complexos, segundo uma pesquisa da Akamai

Os cibercriminosos agora visam os serviços financeiros mais do que qualquer outro setor para ataques de negação de serviço distribuída (DDoS) na web e em APIs (camadas 3 e 4), revela a Akamai (NASDAQ: AKAM) em seu relatório State of the Internet (SOTI) intitulado AI-Empowered Botnets and API Visibility Gaps: Attack Trends in Financial Services. As descobertas revelam uma mudança perigosa à medida que hacktivistas pró-Irã e bots impulsionados por IA usam táticas de DDoS para interromper serviços bancários online, sistemas de pagamento e aplicações críticas.

Impulsionada por infraestruturas alimentadas por IA, a duração média dos ataques globais de DDoS das camadas 3 e 4 direcionados ao setor de serviços financeiros aumentou 738% desde 2024. Isso mostra que, embora a transformação digital tenha permitido avanços como serviços bancários online e pagamentos em tempo real, ela também facilitou as invasões.

Algumas descobertas importantes do relatório:

  • Entre os líderes de serviços financeiros entrevistados no Estudo sobre o impacto da segurança de APIs de 2026, 96% relataram pelo menos um incidente com a segurança de APIs nos últimos 12 meses, o índice mais alto entre todos os setores.

  • Em 2025, 60% do total de ataques na web e 83% das incursões contra pontos de extremidade de APIs visaram serviços bancários.

  • Quase 80% das instituições financeiras enfrentaram ataques de ransomware nos últimos dois anos, mas menos da metade adotou tecnologias avançadas de segurança.

  • A atividade avançada de bots aumentou 147% no final de 2025 e, em um estudo de caso, impressionantes 96% de todo o tráfego de websites foram identificados como bots de scraping mal-intencionados.

  • Os métodos de ataques cibernéticos contra serviços financeiros variam significativamente de acordo com a região: a EMEA é o principal alvo de DDoS das camadas 3 e 4 (62%), a APAC é a mais visada por DDoS da camada 7 (52%) e, na América do Norte, os ataques na web são os mais predominantes (44%).

“Os cibercriminosos e hacktivistas continuam impulsionando os ataques de DDoS, transformando-os em uma ameaça constante, e os serviços financeiros estão na mira”, afirma Steve Winterfeld, CISO consultivo da Akamai. “Além disso, os dados mostram que as APIs são cada vez mais visadas, pois a IA não reduz os riscos de segurança tradicionais, ela os amplifica. Felizmente, as organizações de serviços financeiros podem aproveitar as estratégias de segurança e as práticas recomendadas detalhadas neste relatório.”

O relatório também mostra tendências baseadas em dados sobre atividades criminosas, a participação do CISO da FS-ISAC, um destaque de segurança sobre recursos MITRE, um destaque de nuvem sobre as diferenças entre arquiteturas de IA e estratégias práticas de mitigação de ataques de DNS e DDoS.

Já em seu 12º ano, os relatórios SOTI Security da Akamai continuam oferecendo insights críticos sobre tendências de cibersegurança e desempenho na web, extraídos de ataques observados na infraestrutura protetiva de cibersegurança da Akamai, que lida com uma parcela significativa do tráfego global da web.

Sobre a Akamai

A Akamai é a empresa de cibersegurança e computação em nuvem que potencializa e protege negócios online. Nossas soluções de segurança líderes de mercado, inteligência avançada contra ameaças e equipe de operações globais oferecem defesa em profundidade para garantir a segurança de dados e aplicações empresariais em todos os lugares. As abrangentes soluções de computação em nuvem da Akamai oferecem desempenho e acessibilidade na plataforma mais distribuída do mundo. Empresas globais confiam na Akamai para obter a confiabilidade, a escala e a experiência necessárias para expandir seus negócios com confiança. Saiba mais em akamai.com e akamai.com/blog, ou siga a Akamai Technologies no X e no LinkedIn.

Ataques cibernéticos colocam setor elétrico sob pressão e elevam alerta para infraestrutura crítica

O setor elétrico brasileiro enfrenta um cenário cada vez mais desafiador no campo da cibersegurança. Somente no primeiro semestre de 2025 foram registradas mais de 535 mil tentativas de ataques cibernéticos contra empresas do segmento, segundo dados da Energy Future. O avanço das ameaças ocorre em um momento em que o Brasil figura entre os países mais visados por malwares na América Latina, enquanto ataques de ransomware seguem crescendo globalmente. Para especialistas, o volume de ocorrências expõe a vulnerabilidade de uma infraestrutura considerada essencial para o funcionamento da economia e dos serviços públicos.

Para Cláudio Calonge, CEO da Briskcom, empresa com mais de duas décadas de atuação em tecnologia e adequação regulatória para o setor elétrico, o aumento das tentativas de invasão demonstra que a proteção digital deixou de ser uma questão exclusivamente tecnológica e passou a ser um tema estratégico para a continuidade das operações. “A cibersegurança não é mais uma opção, mas uma exigência inegociável para garantir a continuidade e a segurança do fornecimento de energia. O setor precisa adotar uma postura preventiva e entender que a resiliência operacional depende diretamente da maturidade dos seus processos de proteção digital”, afirma.

O risco vai além da interrupção de sistemas. Estudos internacionais mostram que ataques de ransomware ao setor de energia podem gerar prejuízos milionários, considerando paralisação operacional, perda de produtividade, custos de recuperação e danos reputacionais. Em um ambiente cada vez mais conectado e dependente de dados, falhas de segurança podem afetar desde operações de geração e transmissão até processos críticos de monitoramento e tomada de decisão.

A preocupação não é apenas teórica. Em 2024, o Operador Nacional do Sistema Elétrico conseguiu bloquear aproximadamente 539 milhões de ataques cibernéticos, evidenciando a intensidade da atividade criminosa direcionada à infraestrutura energética. Ao mesmo tempo, relatórios recentes apontam que parte relevante dos agentes ainda opera com sistemas legados e enfrenta dificuldades para alcançar os níveis de adequação exigidos pelas normas do setor. O próprio Tribunal de Contas da União já alertou para vulnerabilidades regulatórias e de fiscalização, reforçando a necessidade de investimentos contínuos em proteção digital e gestão de riscos.

Nesse contexto, Calonge avalia que o principal desafio dos próximos anos será transformar a cibersegurança em uma cultura permanente dentro das organizações. Segundo ele, não basta investir em ferramentas se os processos não evoluírem na mesma velocidade das ameaças. “O setor elétrico precisa compreender que cada vulnerabilidade pode representar riscos que ultrapassam os limites de uma única empresa e impactam toda a cadeia de fornecimento de energia. As melhorias precisam ser implementadas com rigor técnico e visão de longo prazo para proteger não apenas os negócios, mas também a estabilidade de um serviço essencial para a sociedade”, conclui.

Cibersegurança: por que a proteção ainda é vista como despesa no setor financeiro?

O setor financeiro ocupa a segunda posição no ranking global de ataques cibernéticos, de acordo com um relatório da Verizon. O documento registrou 3.336 incidentes no segmento em 2025, com 927 resultando em vazamentos de dados confirmados. Na América Latina, foram 657 casos, sendo 413 com vazamentos. O cenário no Brasil acompanha a tendência, com o Banco Central reportando, somente em 2024, 12 incidentes de vazamentos de chaves Pix. Os números mostram a exposição de um segmento que lida com ativos e informações de clientes.

A recorrência dos ataques levanta uma questão sobre a abordagem da segurança pelas lideranças. A proteção dos sistemas e dados é vista por parte dos gestores como um centro de custo, não como um pilar para a sustentação do negócio. Essa visão ignora que o custo de um incidente de segurança é, em média, superior ao investimento preventivo. O relatório “Cost of a Data Breach” da IBM, de 2024, aponta que o prejuízo médio de um ataque no setor financeiro foi de US$ 6,08 milhões.

“A cibersegurança é tratada como uma despesa por empresas que ainda não têm um grau elevado de maturidade em segurança da informação. As companhias que já estão em um patamar mais elevado enxergam a cibersegurança como um investimento”, afirma Rodrigo Rocha, gerente de arquitetura de soluções da CG One, empresa de tecnologia focada em segurança da informação, proteção de redes e gerenciamento integrado de riscos.

A evolução dos riscos e os impactos nos negócios

Os riscos para as instituições financeiras abrangem desde ataques de negação de serviço (DDoS), que buscam a indisponibilidade de plataformas e o prejuízo de imagem, até o roubo de informações e o desvio de valores de contas de clientes. “Nos últimos anos, as táticas dos atacantes ganharam complexidade, com o desenvolvimento de ransomwares como LockBit e Conti, ataques à cadeia de suprimentos que comprometem plataformas de autenticação de fintechs, exploração de APIs e o uso de inteligência artificial generativa e deepfakes em ações de engenharia social”, explica Rocha.

Um ataque bem-sucedido pode resultar em perda de credibilidade junto a clientes e ao mercado, além de perdas financeiras diretas. Há também o impacto regulatório, com a possibilidade de aplicação de multas pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) em caso de descumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

A estratégia de defesa como caminho

Não existe uma única tecnologia que funcione como solução definitiva para a proteção do ecossistema financeiro. A eficácia da defesa está na implementação de um plano de médio e longo prazo, com o objetivo de elevar a maturidade em segurança da informação de forma contínua.

Para Rocha, as organizações podem utilizar frameworks de mercado para avaliar o nível de maturidade atual e traçar um plano de evolução. “A proteção de uma empresa, de qualquer segmento, depende da execução de um plano estruturado, com parceiros e soluções que ajudem nessa jornada”, finaliza o especialista da CG One.

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