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Relatório Semestral de Ameaças da Gen: cibercriminosos se aproximam de sistemas nos quais as pessoas confiam

00A Gen (NASDAQ: GEN) publicou seu Relatório de Ameaças do primeiro semestre de 2026 para ajudar as pessoas a entender quais ciberameaças estão emergindo e quais riscos estão moldando a vida digital hoje. Um ponto em comum permeia todo o relatório: cibercriminosos estão se movendo para mais perto das partes confiáveis da vida digital. Eles não estão apenas enviando links maliciosos ou distribuindo malwares, mas também explorando o contexto, sessões, fluxos de trabalho, marcas, sistemas de atualização, plataformas de publicidade e autoridade delegada.

 A confiança se tornou a nova superfície de ataque

A descoberta central do Relatório de Ameaças é uma mudança em como os ataques funcionam. As ameaças mais eficazes na primeira metade de 2026 não dependeram de explorações técnicas ou engano óbvio, elas tiveram sucesso porque eram difíceis de distinguir da vida digital normal. Golpes chegaram através de uma plataforma de reserva de hotel, referenciando uma reserva real. Contas de WhatsApp foram comprometidas não através de uma violação de senha, mas ao enganar usuários para aprovarem o navegador de um cibercriminoso como um dispositivo vinculado. A fraude se moveu através de contas financeiras reais e verificadas porque as pessoas por trás daquelas contas tinham sido recrutadas através das redes sociais com ofertas de dinheiro rápido. E agentes de IA, operando com permissões que o usuário já tinha concedido, foram parados antes de executarem um shell reverso (técnica de invasão que dá o controle remoto do sistema ao cibercriminoso).

“Os ataques mais eficazes no primeiro semestre de 2026 não pareciam ataques”, afirma Vita Santrucek, Diretor de Tecnologia e Desenvolvimento na Gen. “Eles chegaram por meio de plataformas de reservas, conversas familiares em aplicativos de mensagens, canais de atualização de software e fluxos de trabalho de agentes de IA — todos ambientes nos quais as pessoas já confiam. À medida que os cibercriminosos se misturam às experiências digitais do dia a dia, a proteção precisa estar cada vez mais próxima dos momentos em que essa confiança é conquistada, explorada ou quebrada”.

 Entre golpes, violações de identidade e de privacidade, o padrão é o mesmo: o ataque se moveu para dentro de sistemas confiáveis antes que o perigo se tornasse visível.

Destaques do Relatório de Ameaças

 A telemetria da Gen do primeiro semestre de 2026 mostra a atividade de tendências nas principais áreas de ameaças ao longo dos últimos seis meses.

As principais descobertas incluem:

  • 114,2 milhões de ataques de golpes de e-shop bloqueados, aumento de 109% – destacando o risco crescente de lojas online falsas visando compradores.
  • Um aumento de 387% em golpes de personificação de governo – mostrando que criminosos estão crescentemente explorando a confiança em instituições públicas para roubar dinheiro e informações.
  • Um aumento de mais de 454% nos golpes de personificação de familiares, enquanto uma atividade separada, chamada “GhostPairing”, mostrou como o recurso de dispositivo vinculado do WhatsApp pode ser explorado para obter acesso persistente a uma conta e permitir que pessoas se passem por familiares.
  • 20,3 milhões de ataques de golpes de suporte técnico bloqueados – refletindo tentativas contínuas de enganar pessoas para darem a golpistas acesso remoto a seus dispositivos ou informações financeiras.
  • Mais de 304 milhões de impressões de anúncios de golpes identificadas através da União Europeia e do Reino Unido em menos de um mês, evidenciando o quão facilmente anúncios fraudulentos podem alcançar as pessoas.
  • Aproximadamente 1,9 bilhão de tentativas de rastreamento bloqueadas durante o primeiro semestre de 2026 – demonstrando a escala do rastreamento online que pode corroer a privacidade do consumidor.
  • Os alertas de notificação de violação de dados do Norton e do LifeLock com fontes de origem atribuídas aumentaram 628,1%, chegando a 3,3 milhões. No total, mais de 10 milhões de notificações de violação de dados foram enviadas, comprovando que as informações pessoais de um número cada vez maior de pessoas estão sendo expostas em vazamentos de dados.
  • Aumento de 734% nos alertas de atividade de contas bancárias — mais uma evidência da rápida exploração financeira que acontece após uma violação.
  • 1 milhão de ataques de web skimming bloqueados, aumento de 212% – mostrando como criminosos continuaram a visar fluxos de checkout onde usuários já esperam inserir detalhes de pagamento.
  • Mais de 15,7 milhões de registros violados contendo endereços de e-mail identificados, dando a cibercriminosos mais oportunidades para visar consumidores com phishing, golpes e tentativas de tomada de conta.

 As principais descobertas no Brasil incluem diversas categorias de golpes que registraram aumento no primeiro semestre de 2026, entre elas:

  • Golpes relacionados a apostas (+755%)
  • Golpes financeiros genéricos (+261%)
  • Golpes de suporte técnico (+93%)
  • Golpes de lojas online falsas (e-shop scams) (+62%)
  • Golpes de relacionamento (+24%)
  • Phishing (+20%)
  • A atividade de ransomware aumentou 43%
  • A atividade de exploits aumentou 31%
  • A atividade de droppers aumentou 23%
  • A atividade de infostealers: web skimming (+176%), ladrões de senhas (password stealers) (+16%) e ameaças do tipo banker (+10%).
  • O relatório também identificou uma tendência específica no Brasil: PDFs falsos de pagamento que imitavam marcas de comércio eletrônico e instituições bancárias foram utilizados para atingir o ecossistema de pagamentos via boleto.

O relatório também identifica a IA agêntica como uma fronteira de segurança emergente. À medida que os sistemas de IA ganham a capacidade de navegar, instalar softwares, acessar arquivos, conectar-se a serviços e agir em nome dos usuários, os cibercriminosos visam cada vez mais as permissões e a confiança em que esses sistemas se baseiam. A telemetria inicial do Sage, a plataforma de segurança agêntica da Gen por trás de recursos como o AI Agent Protection da Norton e Avast, revelou que os comportamentos de risco mais comuns de agentes de IA envolveram:

  1. Tentar executar comandos de sistema perigosos.
  2. Tentar abrir um canal de comando remoto, o que poderia permitir que um invasor controlasse o sistema.
  3. Baixar e executar códigos da internet.
  4. Ler arquivos de credenciais sem autorização.
  5. Tentar criar um acesso remoto persistente, como adicionar uma chave SSH confiável.
  6. Tentar anular as instruções do agente.

O Relatório completo de Ameaças do primeiro semestre de 2026 da Gen está disponível (em inglês) em: https://www.gendigital.com/blog/insights/reports/threat-report-h1-2026.

Brasil é o terceiro país que mais sofreu ataques de ransomwares em junho, aponta Cohesity

O Brasil foi o terceiro país que mais sofreu ataques com ransomwares em junho, registrando 23 casos. Os dados são da plataforma Ransomware.live, iniciativa de Julien Mousqueton, CISO da Cohesity, empresa líder em segurança de dados com IA. É a primeira vez que o Brasil aparece entre os dez países mais afetados desde o início da publicação de dados do site, em janeiro.

A plataforma monitora e coleta dados de sites de vazamento de grupos de ransomware continuamente para identificar e listar novas vítimas. Ransomwares são softwares maliciosos que bloqueiam o acesso de usuários ou organizações, exigindo pagamento de resgate para restauração, sob a ameaça de vazamento ou exclusão permanente.

O Brasil só aparece atrás de Estados Unidos, com 199 casos, e Alemanha, com 49. O Reino Unido vem logo após o Brasil, com 21, seguido de Índia e Canadá, ambos com 20. França (15), Itália (15), México (14) e Tailândia (13) completam o top 10.

“A emergência do Brasil, Índia e Tailândia como alvos recém identificados pode ser reflexo de uma estratégia deliberada de focar em jurisdições com menor maturidade na resposta a incidentes e na coordenação com forças de segurança”, avalia Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para América Latina.

O número total de vítimas em junho, 708, representa uma redução de 10,5% em relação às 791 registradas em maio. “Apesar dessa diminuição mensal, o volume permanece historicamente elevado quando comparado aos doze meses anteriores, deixando claro o quão intenso e consistente é o atual cenário de ameaças”, aponta Leite.

Setores mais afetados

Em junho, o mercado B2B se manteve no topo dos alvos mais atingidos, registrando 123 vítimas — uma redução de 23,1% em comparação às 160 de maio. O setor de manufatura ficou na segunda colocação, com 83 ocorrências (queda de 19,4%), seguido por tecnologia, que somou 56 vítimas (recuo de 21,1%).

O segmento de saúde contabilizou 52 vítimas, registrando uma queda de 23,5% em relação às 68 do mês anterior. Na contramão, serviços ao consumidor foi o único a apresentar crescimento: uma alta discreta de 1,9%, passando de 52 para 53 vítimas. Já o setor de serviços financeiros teve um recuo de 26,5%, somando 25 vítimas, enquanto transporte/logística baixou 25,7%, chegando a 26 registros.

Números do site Ransomware.live são divulgados todos os meses pela Cohesity, que conta com a confiança de clientes em mais de 140 países, incluindo 70% da Fortune Global 500.

Ataques com ransomware nos últimos 12 meses:

  • Junho – 708
  • Maio – 791
  • Abril – 870
  • Março – 844
  • Fevereiro – 784
  • Janeiro – 702
  • Dezembro de 2025 – 882
  • Novembro de 2025- 717
  • Outubro de 2025 – 839
  • Setembro de 2025 – 598
  • Agosto de 2025 – 530
  • Julho de 2025 – 547

Setores com ransomwares mais afetados em junho:

  1. Mercado B2B – 123 (queda de 23.1% em relação a maio)
  2. Manufatura – 83 (queda de 19.4% em relação a maio)
  3. Tecnologia – 56 (queda de 21.1% em relação a maio)
  4. Serviços ao consumidor – 53 (aumento de 1.9% em relação a maio)
  5. Saúde – 52 (queda de 23.5% em relação a maio)
  6. Agricultura e produção de alimentos – 36 (queda de 7.7% em relação a maio)
  7. Construção – 27 (queda de 15.6% em relação a maio)
  8. Transportes/logísticas – 26 (queda de 25.7% em relação a maio)
  9. Serviços financeiros – 25 (queda de 26.5% em relação a maio)
  10.  Educação – 24 (queda de 14.3% em relação a maio)

Países mais afetados por ataques com ransomwares em junho:

  1. Estados Unidos – 199
  2. Alemanha – 49
  3. Brasil – 23
  4. Reino Unido – 21
  5. Índia – 20
  6. Canadá – 20
  7. França – 15
  8. Itália – 15
  9. México – 14
  10. Tailândia – 13

Cibersegurança: Como impedir que malware bancário roube dados financeiros do celular

Um tipo de software malicioso tem chamado a atenção de especialistas: o malware bancário. Trata-se de um programa criado para acessar e roubar dados de celulares e computadores e que dá aos criminosos o controle total do dispositivo infectado. Diferente de fraudes financeiras em que o golpista se passa por outra pessoa para pedir uma transferência, aqui o criminoso convence a vítima a instalar um software malicioso que dá acesso a aplicativos, contas bancárias, mensagens e informações pessoais, podendo, inclusive, realizar movimentações financeiras sem que a vítima perceba.

Malware bancário é um mecanismo usado para aplicar golpes digitais e acessar e roubar dados financeiros de celulares e computadores. Costuma chegar até o dispositivo das vítimas por meio de engenharia social, quando o criminoso engana a pessoa para que ela mesma realize alguma ação (como clicar em um link ou baixar um aplicativo de fonte desconhecida), acreditando que se trata de algo legítimo. Depois de instalado, o software funciona como um “espião” dentro do aparelho, transmitindo para o criminoso informações confidenciais como senhas, dados de contas e códigos de segurança.

Como criminosos aplicam golpes com o malware bancário?

Os golpes se iniciam em um contato direto, geralmente por WhatsApp. O criminoso se apresenta como um contato confiável, um representante de uma empresa conhecida, ou de um serviço que a vítima já usa ou tenha interesse. Durante a conversa, ele pede que a pessoa baixe ou atualize um aplicativo, ou até mesmo clique em um link. Em alguns casos, o golpista pode até fazer uma chamada de vídeo ou telefônica para parecer mais convincente, aumentar a sensação de segurança e acompanhar o processo em tempo real, gerando pressão e sentimento de urgência.

Depois disso, o programa malicioso é instalado no celular e o criminoso passa a interferir no funcionamento do aparelho sem que a pessoa perceba. É nesse momento em que ele aproveita para realizar ações em segundo plano, como movimentações financeiras sem autorização. Em poucos minutos, os golpistas podem realizar empréstimos, transferências e outras operações, gerando prejuízos significativos para a vítima.

Como saber se o celular foi infectado?

Alguns sinais podem indicar que há algo errado com o aparelho:

  • O celular trava ou fica lento com mais frequência;
  • A bateria acaba muito mais rápido que o normal;
  • A tela fica preta ou sem resposta por alguns momentos;
  • O dispositivo reinicia ou fecha aplicativos de forma repentina;
  • O celular esquenta de forma excessiva;
  • Mensagens são enviadas automaticamente pelo celular, sem que o usuário tenha realizado a ação;
  • Presença de aplicativos desconhecidos, com nomes genéricos ou incomuns, que a pessoa não se lembra de ter instalado;
  • Mudanças inesperadas nas configurações do celular ou nos aplicativos instalados;
  • Aplicativos solicitando permissões incomuns, como acesso a acessibilidade, mensagens ou controle do dispositivo

Além dos sinais visíveis, é importante ficar atento às permissões concedidas aos aplicativos. Alguns malwares bancários solicitam acesso aos recursos de acessibilidade do celular, uma funcionalidade criada para auxiliar usuários com necessidades específicas. Quando utilizada de forma indevida, essa permissão pode permitir que aplicativos maliciosos visualizem informações exibidas na tela e executem ações no aparelho. Por isso, desconfie sempre que um aplicativo solicitar esse tipo de acesso sem uma justificativa clara.

“Se você perceber comportamentos anormais ou sentir que perdeu o controle do seu aparelho, principalmente após clicar em links desconhecidos ou instalar aplicativos fora das lojas oficiais, o mais seguro é restaurar o dispositivo para as configurações de fábrica. Essa medida ajuda a remover aplicativos ocultos, eliminar permissões indevidas e reduzir o risco de o malware continuar ativo”, orienta Rodrigo Fernandes, Supervisor de Prevenção à Fraude da DM

Dicas para se proteger

A principal forma de prevenção é nunca seguir instruções de terceiros que envolvam a instalação de aplicativos ou o acesso ao seu dispositivo. “Não clique em links suspeitos enviados por mensagem e não baixe aplicativos fora das lojas oficiais, como App Store e Google Play. Desconfie de contatos inesperados, mesmo que pareçam conhecidos, ou feitos por números de empresas que não sejam oficialmente verificados. Além disso, não realize qualquer ação, instalação ou atualização de aplicativo seguindo instruções, nem clique em links enviados por pessoas que não são da sua confiança. E nunca conceda acesso ao seu aparelho durante uma ligação”, aponta Rodrigo Fernandes.

Caí no golpe. E agora?

Se a pessoa desconfia que caiu em um golpe, o mais importante é agir rápido. “Entre em contato com o seu banco ou com a sua instituição financeira pelos canais oficiais para informar o ocorrido e tentar bloquear movimentações. Em seguida, altere suas senhas, principalmente de aplicativos bancários e e-mail, para recuperar o controle dos acessos. Se houver suspeita de instalação de aplicativo malicioso, considere restaurar o dispositivo para as configurações de fábrica. Além disso, é recomendado registrar um boletim de ocorrência, que pode ajudar no acompanhamento do caso”, aconselha o especialista.

Camadas de segurança

Para auxiliar clientes a se prevenir contra os prejuízos causados pelos golpes, a DM conta com camadas de segurança que ajudam a proteger as transações, como:

  • Confirmação de compra: em caso de movimentações suspeitas, entramos em contato por ligação ou WhatsApp pra aprovar a transação;
  • Bloqueio temporário do cartão: o cliente pode bloquear o cartão rapidamente pelo DM App em caso de suspeita;
  • Bloqueio de pagamentos de madrugada: transações realizadas em horários ou padrões considerados fora do comum são bloqueadas;
  • Gestão de limite: o usuário pode ajustar o limite conforme o seu perfil de uso, o que ajuda a reduzir possíveis prejuízos.

Além das camadas de segurança presentes no aplicativo DM, os clientes contam com recursos adicionais de proteção, como o código de segurança dinâmico (CVC), que dificulta o uso indevido dos dados do cartão em compras online.

Hospitais cada vez mais conectados ampliam eficiência, mas também aumentam exposição a ataques cibernéticos

A transformação digital tem revolucionado a medicina. Prontuários eletrônicos, equipamentos conectados à internet, sistemas integrados de gestão e plataformas de telemedicina tornaram os hospitais mais ágeis e eficientes. No entanto, essa rápida evolução trouxe consigo um desafio crítico: o aumento exponencial da vulnerabilidade a ataques cibernéticos.

Hoje, as instituições de saúde figuram entre os alvos mais visados por criminosos digitais. Além do alto valor comercial das informações armazenadas, que incluem dados pessoais, históricos médicos e registros financeiros, esses ambientes dependem da disponibilidade ininterrupta de seus sistemas para garantir a assistência à vida. Quando ocorre um incidente cibernético, os impactos vão muito além do vazamento de dados. A indisponibilidade tecnológica pode paralisar consultas, suspender cirurgias, adiar exames laboratoriais e até comprometer o funcionamento de dispositivos médicos essenciais.

Para Flavio Cruz, da Cyrex Security, empresa especializada em cibersegurança, o setor precisa tratar a proteção digital como um pilar estratégico de continuidade operacional. “Os hospitais estão hiperconectados e essa transformação trouxe ganhos inestimáveis para a qualidade da assistência. Porém, quanto maior a conectividade, maior é a superfície de ataque. Um incidente na saúde não representa apenas prejuízo financeiro; ele afeta diretamente a ponta do atendimento e coloca vidas em risco. Por isso, investir em prevenção, monitoramento contínuo e planos de resposta a incidentes deixou de ser uma demanda exclusiva da TI e passou a ser uma necessidade de governança corporativa”, afirma o executivo.

Para mitigar esses riscos, especialistas recomendam medidas fundamentais como a segmentação de redes hospitalares, a atualização constante de softwares, o uso de autenticação multifator (MFA) e a realização de backups isolados e protegidos. Contudo, o fator humano continua sendo decisivo: treinar e capacitar os colaboradores para identificar tentativas de fraude e engenharia social é indispensável, já que esta segue como uma das principais portas de entrada para invasões.

A necessidade de amadurecer a segurança digital é respaldada por dados globais contundentes. De acordo com o relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM, o segmento de saúde registrou o maior custo médio por incidente entre todos os setores analisados, atingindo a marca de US$ 7,42 milhões por violação de dados. Além disso, as organizações do setor levaram, em média, 279 dias para identificar e conter um ataque, um longo período em que operações críticas podem permanecer sob ameaça.

Outro levantamento da IBM, o X-Force Threat Intelligence Index 2025, aponta que 70% dos ataques atendidos por sua equipe de resposta a incidentes tiveram como alvo organizações de infraestrutura crítica, grupo no qual os hospitais estão inseridos. Em mais de um quarto dos casos, os invasores exploraram vulnerabilidades conhecidas que poderiam ter sido corrigidas, o que reforça a urgência de auditorias e correções constantes em equipamentos e aplicações.

No Brasil, o cenário é igualmente alarmante. Hospitais, clínicas e operadoras de saúde vêm sofrendo sucessivas tentativas de ransomware e sequestro de dados nos últimos anos. “Os dados mostram que a saúde virou uma prioridade para o crime organizado digital. Quando uma instituição para devido a um ataque, estamos falando de pacientes sem acesso ao próprio histórico clínico. A cibersegurança deve caminhar lado a lado com a segurança assistencial. Afinal, investir em prevenção custa muito menos do que remediar a paralisação de uma operação hospitalar”, conclui Flávio Cruz.

Relatório Executivo de Inteligência Cibernética – Vazamento de Dados do domínio gov.il pertence oficialmente ao Governo do Estado de Israel

O IDCiber Threat Intelligence Center, por meio do monitoramento contínuo de fontes abertas, fóruns clandestinos e canais especializados, identificou a divulgação de uma alegada base de dados associada ao domínio governamental www.gov.il, anunciada por um ator de ameaça em 22/06/2025. Segundo a publicação analisada, o grupo afirma ter explorado uma vulnerabilidade de API e obtido acesso não autorizado a informações de aproximadamente 268.938 registros de cidadãos, contendo dados pessoais diversos. As evidências observadas incluem amostras de registros supostamente extraídos da base comprometida e disponibilizados em plataforma pública de compartilhamento de conteúdo. Em conformidade com as melhores práticas de proteção à privacidade, os dados pessoais identificáveis (PII) presentes nas amostras foram anonimizados nesta análise, não sendo reproduzidos nomes, documentos, telefones, endereços, e-mails, identificadores ou quaisquer informações que permitam a identificação direta de indivíduos.

IDCiber Threat Intelligence Center
IDCiber Threat Intelligence Center

A análise preliminar indica que o conjunto de informações alegadamente exposto contém categorias de dados de elevada sensibilidade, incluindo dados cadastrais, informações demográficas, informações de contato, dados de localização e outros atributos pessoais. Caso a autenticidade e atualidade da base sejam confirmadas pelas autoridades competentes, o incidente poderá representar riscos significativos de fraude, engenharia social, campanhas de phishing direcionado, roubo de identidade, comprometimento de contas e outras atividades criminosas. O anúncio também demonstra intenção de monetização dos dados por parte do ator de ameaça, que disponibilizou canal de contato para potenciais interessados na aquisição do conteúdo.

Até o momento da análise, as evidências observadas permitem confirmar a existência de uma publicação reivindicando a violação e exibindo amostras de registros, porém a validação integral da autenticidade, integridade, abrangência e origem dos dados requer investigação técnica complementar pelas entidades responsáveis. Considerando o potencial impacto sobre cidadãos e organizações governamentais, recomenda-se a realização de procedimentos de resposta a incidentes, validação dos dados expostos, revisão dos controles de acesso, análise de vulnerabilidades em APIs, monitoramento reforçado de credenciais e comunicação adequada às partes potencialmente afetadas.

IDCiber Threat Intelligence Center
IDCiber Threat Intelligence Center
  • Classificação do incidente: Vazamento de Dados (Data Breach)
  • Organização alvo: Domínio governamental (www.gov.il)
  • Data da divulgação identificada: 22/06/2025
  • Volume alegado de impacto: 268.938 registros
  • Tipo de informação exposta: Dados pessoais e cadastrais (PII) – informações anonimizadas neste relatório
  • Severidade estimada: Alta
  • Status: Publicação identificada e em monitoramento

Fonte: IDCiber Threat Intelligence Center.

Sequestro de dados: 79% das empresas financeiras atacadas pagaram resgate a hackers

O setor financeiro global enfrenta uma crise sem precedentes na segurança digital, onde pagar o resgate de dados sequestrados virou a regra, não a exceção. Nos últimos 12 meses, 79% das instituições financeiras que sofreram ataques cibernéticos optaram por pagar os criminosos para recuperar seus sistemas. O dado alarmante faz parte de um novo estudo da Cohesity, empresa líder em segurança de dados com Inteligência Artificial, que ouviu 390 tomadores de decisão de TI e segurança em grandes corporações da América do Sul, América do Norte, Europa e Ásia.

O levantamento traça um diagnóstico severo sobre a vulnerabilidade do mercado: 77% das empresas financeiras globais já foram vítimas de cibercriminosos, sendo que mais da metade (57%) foi alvo de investidas apenas no último ano. O impacto financeiro e reputacional é quase inevitável, com 87% das organizações registrando perdas diretas de receita e 93% enfrentando severas consequências regulatórias ou legais após as invasões.

Apesar do cenário de terra arrasada, a pesquisa revela uma desconexão preocupante entre a realidade dos ataques e a percepção de segurança das lideranças. O cenário atual exige uma mudança profunda de postura, já que as ameaças deixaram de ser eventos isolados para se tornarem uma constante no ambiente digital, com frequência e sofisticação cada vez maiores.

  • Confiança em alta: Mesmo com uma em cada quatro empresas sendo atacada repetidamente, 46% dos entrevistados afirmam ter total confiança em suas estratégias de resiliência.
  • O fator IA: A Inteligência Artificial surge como a grande aposta de defesa para 39% dos executivos, que acreditam que a tecnologia assumirá um papel central na detecção de ameaças e na tomada de decisões autônomas, otimizando a eficiência das equipes internas e do SOC (Security Operations Center) na resposta a incidentes.

A Estratégia da Sobrevivência: Organização Mínima Viável (MVC)

Diante do consenso de que é praticamente impossível blindar as empresas contra todos os tipos de ameaças, o mercado financeiro passou a adotar uma nova filosofia de sobrevivência: o conceito de Minimum Viable Company (MVC), ou Organização Mínima Viável.

Em vez de gastar energia e tempo tentando reerguer toda a infraestrutura tecnológica de uma só vez após um apagão cibernético, o foco da estratégia MVC muda drasticamente. A prioridade máxima passa a ser a recuperação estritamente essencial. O objetivo é colocar de pé a menor versão funcional possível da empresa, garantindo que o negócio continue operando (mesmo que de forma limitada ou sob condições degradadas) até que a crise seja totalmente controlada.

Medidas Práticas: O Caminho para a Resiliência

Para enfrentar o aumento dessas ameaças, viabilizar a estratégia de MVC e reduzir vulnerabilidades críticas, a Clavis Segurança da Informação destaca medidas prioritárias, com foco no SOC, voltadas à proteção e rápida recuperação do ambiente digital corporativo:

Treinamento de Colaboradores: A capacitação contínua transforma o elo mais fraco em defesa activa, reduzindo drasticamente a eficácia de ataques de phishing e engenharia social.

Controle de Identidade: A adoção de Autenticação Multifator (MFA) é a barreira mais eficiente para impedir que credenciais roubadas permitam o acesso indevido a dados sensíveis.

Monitoramento e Auditoria: O acompanhamento em tempo real permite detectar anomalias rapidamente, enquanto auditorias frequentes corrigem vulnerabilidades antes que sejam exploradas por criminosos.

Automação de Segurança: O uso de ferramentas automatizadas acelera a resposta a incidentes e reduz a janela de exposição de falhas críticas, que pode superar 55 dias.

Backup e Recuperação: Manter cópias de segurança isoladas e planos de recuperação testados garante a continuidade do negócio e protege a empresa contra extorsões digitais.

A segurança de redes corporativas consolida-se como um pilar indispensável para a estabilidade e o crescimento sustentável no mercado brasileiro. Com ameaças cada vez mais ágeis e onerosas, investir em um ecossistema que integre soluções tecnológicas, processos automatizados e conscientização humana deixa de ser uma demanda técnica para se tornar um diferencial competitivo estratégico.

Megavazamento de 24 bilhões de credenciais e bloqueio do Telegram na Índia expõem nova fase do crime digital

Dois acontecimentos recentes acenderam um alerta global sobre a evolução das fraudes digitais e a profissionalização do crime cibernético. De um lado, pesquisadores da Cybernews identificaram uma base exposta contendo aproximadamente 24 bilhões de registros de credenciais, incluindo e-mails, nomes de usuário, senhas em texto claro e URLs de acesso. De outro, o governo da Índia bloqueou temporariamente o Telegram após suspeitas de que grupos organizados estariam utilizando a plataforma para tentar fraudar candidatos do NEET 2026, principal exame nacional de admissão para cursos de medicina do país. Para a LC SECconsultoria especializada em cibersegurança e compliance, os dois episódios evidenciam a crescente profissionalização do crime digital.

Segundo informações divulgadas pela Cybernews, a base reúne dados provenientes de diferentes fontes, incluindo infostealers, compilações de vazamentos anteriores e outras exposições digitais acumuladas ao longo dos anos. Embora ainda não seja possível determinar quantos registros são duplicados ou quantas pessoas únicas foram afetadas, a consolidação desse volume de informações em um único conjunto amplia significativamente o potencial para ataques de tomada de contas, fraudes financeiras e invasões corporativas.

Na Índia, o caso envolvendo o Telegram também chamou a atenção pela escala da operação, pois, segundo informações divulgadas pela Reuters, o bloqueio temporário da plataforma ocorreu após autoridades apontarem que grupos organizados teriam utilizado o aplicativo para coordenar tentativas de fraude relacionadas ao exame NEET 2026. O episódio ganhou repercussão nacional após o cancelamento dos resultados de cerca de 2,3 milhões de estudantes em meio a investigações sobre possível vazamento de questões e irregularidades no processo seletivo.

Embora distintos, os dois casos compartilham um elemento importante: a utilização de plataformas digitais como parte da infraestrutura que sustenta operações criminosas. Ao rastrear a origem dos dados presentes na base identificada pela Cybernews, os pesquisadores encontraram 36 fontes distintas de informação. Segundo a investigação, grande parte delas estaria associada a canais do Telegram utilizados para compartilhamento de credenciais roubadas, dados obtidos em violações de segurança e materiais relacionados a atividades ilícitas.

“O aspecto mais relevante desses casos é que eles mostram como o crime digital funciona atualmente. Não estamos falando apenas de vazamentos ou de uma plataforma específica, mas de um ecossistema onde dados roubados são coletados, organizados, compartilhados e utilizados por diferentes grupos criminosos. O Telegram aparece nesse contexto como um dos canais identificados para circulação dessas informações, evidenciando como plataformas digitais podem ser incorporadas à cadeia operacional das fraudes”, afirma Luiz Cláudio, CEO e fundador da LC SEC.

O cenário acompanha uma tendência observada globalmente pelo relatório Microsoft Digital Defense de 2025, que aponta que mais de 97% dos ataques contra identidade são baseados em senhas e que esse tipo de ameaça cresceu 32% no primeiro semestre de 2025. O relatório também destaca que mecanismos de autenticação multifator resistentes a phishing são capazes de bloquear mais de 99% desses ataques.

Na avaliação do especialista, o foco das organizações não deve estar apenas na proteção de sistemas, mas também na gestão da identidade digital. “Quando credenciais comprometidas passam a circular livremente, os criminosos conseguem assumir contas legítimas, acessar ambientes corporativos e utilizar essas informações para ataques mais sofisticados. A identidade digital se tornou um dos ativos mais valiosos e mais visados do ambiente corporativo”, explica Luiz Claudio.

Diante desse cenário, a LC SEC recomenda que empresas revisem suas políticas de autenticação, ampliem o uso de autenticação multifator (MFA), fortaleçam processos de validação de identidade e monitorem continuamente credenciais expostas. A adoção de estratégias de Threat Intelligence, avaliações periódicas de acessos privilegiados e programas permanentes de conscientização também são medidas importantes para reduzir riscos e antecipar movimentos de grupos criminosos.

Ataques com ransomwares fizeram 791 vítimas em maio; mercado B2B é o mais visado, aponta Cohesity

Ataques com ransomwares fizeram 791 vítimas no mês de maio, numa leve diminuição de 9,1% em comparação aos 870 registrados em abril. Os dados são da plataforma Ransomware.live, iniciativa de Julien Mousqueton, especialista em cibersegurança e executivo da Cohesity, empresa líder em segurança de dados com IA.

O site monitora e coleta dados de sites de vazamento de grupos de ransomware continuamente para identificar e listar novas vítimas. Ransomwares são softwares maliciosos que bloqueiam o acesso de usuários ou organizações, exigindo pagamento de resgate para restauração, sob a ameaça de vazamento ou exclusão permanente.

Olhando para os últimos 12 meses, a atividade permanece substancialmente elevada. O número de maio está bem acima da faixa de 501 a 598 vista entre junho e setembro, e somente um pouco abaixo do pico recente de 882 em dezembro. “A queda de 9,1% em relação a abril é estatisticamente notável, mas não deve ser interpretada como evidência de uma queda sustentada”, analisa Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para América Latina e Caribe.

Apesar desse recuo, o cenário de ameaças permaneceu dinâmico, diz. “Quatro grupos divulgaram suas primeiras vítimas em maio, e nove agentes novos apareceram em sites de vazamento. Isso sinaliza a fragmentação contínua do ecossistema de ‘ransomware-as-a-service’, quando desenvolvedores profissionais alugam ou vendem sua infraestrutura para outros hackers”.

Segundo Leite, o surgimento de nove atores em um mês reflete a fragmentação do ecossistema, onde afiliados mudam de nome ou se separam de grandes operações. Apesar desse influxo, 15 grupos antes ativos ficaram inativos em maio. “Embora novas operações surjam, muitas são efêmeras devido à pressão policial, dissolução interna ou mudança de identidade”, destaca.

Países e setores mais afetados

Os Estados Unidos seguiram como o país mais afetado, representando 309 das 791 vítimas (39,1%). O Reino Unido (49 vítimas) e a Alemanha (41 vítimas) ocuparam o segundo e o terceiro lugares, respectivamente. O Canadá (32), a Espanha (23) e o Japão (17), aparecem em seguida, antes de Austrália (20), México (16) e França (16).

O mercado B2B continuou sendo o mais visado, com 160 vítimas. O setor de manufatura registrou 103 casos, seguido pelos setores de tecnologia (71) e saúde (68). “O alto volume registrado constantemente no setor de saúde ressalta a persistente atratividade do setor para operadores de ransomware que buscam alvos com alto potencial de exploração”, diz o executivo.

O vice-presidente da Cohesity para América Latina e Caribe também chamou a atenção para os 39 casos no setor de agricultura e produção de alimentos. “Ataques a esse setor têm aumentado, numa tendência que merece atenção, dadas as implicações para a infraestrutura crítica das cadeias de suprimentos de alimentos”, disse. O setor de educação figurou pela primeira vez no ranking dos dez principais setores neste mês, com 28 vítimas.

Números do site Ransomware.live são divulgados todos os meses pela Cohesity, que conta com a confiança de clientes em mais de 140 países, incluindo 70% da Fortune Global 500.

Ataques com ransomware nos últimos 12 meses:

  • Maio – 791
  • Abril – 870
  • Março – 844
  • Fevereiro – 784
  • Janeiro – 702
  • Dezembro de 2025 – 882
  • Novembro – 717
  • Outubro – 839
  • Setembro – 598
  • Agosto – 530
  • Julho – 547
  • Junho – 501

Setores com ransomwares mais afetados em maio:

  1. Mercado B2B – 160
  2. Manufatura – 103
  3. Tecnologia – 71
  4. Saúde – 68
  5. Serviços ao consumidor – 52
  6. Agricultura e produção de alimentos – 39
  7. Transportes/logísticas – 35
  8. Serviços financeiros – 34
  9. Construção – 32
  10. Educação – 28

Países mais afetados por ataques com ransomwares em maio:

  1. Estados Unidos – 309
  2. Reino Unido – 49
  3. Alemanha – 41
  4. Canadá – 32
  5. Espanha – 23
  6. Austrália – 20
  7. Itália – 20
  8. Japão – 17
  9. França – 16
  10. México – 16

51% das instituições financeiras pesquisadas perdem mais de US$10 milhões ao ano com fraudes no Brasil

As perdas financeiras e o volume de golpes no setor bancário brasileiro continuam em uma escalada agressiva. Uma nova pesquisa da BioCatch, líder em prevenção a fraudes por inteligência comportamental, revela que 89% dos líderes bancários no Brasil relatam aumento nas tentativas de golpe em 2026. O número representa um salto notável frente aos 77% do ano anterior e supera a média global atual, que é de 81%

O estudo inédito entrevistou 100 profissionais de alta liderança (gerência, diretoria e C-suite) das áreas de gestão de fraudes, prevenção a crimes financeiros, risco e compliance no país. O perfil dos participantes reflete o peso do ecossistema financeiro nacional: 99% atuam em instituições com mais de US$ 10 milhões sob gestão, e metade (50%) gerencia ativos que superam a marca de US$ 1 bilhão.

Embora o Brasil tenha se posicionado como o mercado mais próximo das médias globais entre todos os países pesquisados, os dados nacionais de perdas e sofisticação acendem um alerta vermelho para o setor.

O prejuízo financeiro das fraudes no ecossistema brasileiro

A pressão financeira exercida pelas atividades criminosas já dita o orçamento dos grandes bancos, gerando impactos severos tanto para as instituições quanto para os usuários. No âmbito institucional, mais da metade dos entrevistados no Brasil (51%) perde acima de US$ 10 milhões para fraudes todos os anos. Ao mesmo tempo, para 19% dos entrevistados esse rombo supera os US$ 25 milhões anuais e, para 3%, o dano ultrapassa a marca de US$ 100 milhões.

Na outra ponta, o prejuízo transferido ao cliente final é igualmente alarmante. Cerca de 74% dos executivos afirmam que seus clientes perdem mais de US$ 5 milhões anualmente em fraudes autorizadas e golpes, e quase metade (44%) relata perdas de clientes acima de US$ 10 milhões ao ano.

Esse cenário é ainda mais agravado pelo dinamismo e rapidez dos ataques, que preocupam diretamente os comitês de risco: atualmente, 82% dos líderes de fraude no Brasil declaram estar muito preocupados com o aumento na velocidade da atividade fraudulenta, um índice superior aos 76% registrados na média global.

Deepfakes e novas vulnerabilidades

A inteligência artificial transformou-se rapidamente em uma arma de engenharia social nas mãos de organizações criminosas, desafiando as defesas tradicionais das instituições brasileiras. Essa nova realidade é evidente no avanço dos ataques baseados em deepfakes, já observados por quase dois terços (63%) dos executivos no Brasil nos últimos 12 meses, um índice significativamente superior à média global de 50%. Na prática, a tecnologia não está criando golpes inteiramente novos, mas tornando as táticas existentes muito mais críveis em um mercado onde o Pix, o WhatsApp, o mobile banking e o comércio em redes sociais estão profundamente enraizados no cotidiano.

Um dos reflexos disso no dia a dia do ecossistema nacional são os golpes de emergência familiar por chamadas ou mensagens no WhatsApp, em que criminosos utilizam áudios gerados por IA para imitar a voz de filhos ou cônjuges simulando uma urgência e solicitando transferências Pix imediatas. Da mesma forma, os criminosos clonam a voz de gerentes ou utilizam áudio e vídeo alterados por IA em falsas chamadas de suporte bancário; a vítima é induzida a acreditar que sua conta está sob ataque e acaba convencida a transferir fundos para uma suposta ‘conta segura’ ou a instalar softwares de acesso remoto.

Paralelamente, o país enfrenta sérias dificuldades para barrar golpes de falsificação de identidade (impersonation), com 60% dos tomadores de decisão locais classificando como muito ou extremamente difíceis de reconhecer. E, olhando para o futuro, a preocupação com a próxima onda de ataques é um consenso: para 90% dos profissionais brasileiros entrevistados, a IA Agêntica pode se tornar a maior vulnerabilidade explorável pelo crime organizado no próximo ano. E, além de tudo, 83% apontam que será extremamente desafiador mitigar o problema e distinguir ações legítimas assistidas por IA de atividades maliciosas ou manipuladas.

“A grande virada de chave tecnológica que estamos presenciando reside na evolução dos agentes de IA tradicionais para a chamada IA Agêntica. Enquanto um agente comum executa de forma rígida uma única tarefa programada, a IA Agêntica possui autonomia para traçar caminhos alternativos e contornar barreiras até atingir seu objetivo”, afirma Diego Baldin, diretor de Global Advisory da BioCatch para a América Latina.

“Quando essa tecnologia é capturada pelo crime organizado, passamos a lidar com sistemas automatizados capazes de conduzir interações complexas de engenharia social, persuadindo uma vítima até que ela esteja totalmente convencida, para só então repassar o ataque para um operador humano, que  conclui o golpe. Esse ecossistema não apenas automatiza o roubo de dados, mas é inteligente o suficiente para filtrar e priorizar as informações mais valiosas, conectar-se a outras ferramentas maliciosas e aprender com os próprios erros em tempo real. Se o algoritmo encontra um bloqueio de segurança, ele recalcula a rota autonomamente até conseguir violar o sistema.”

A urgência da inteligência interbancária

Diante de um cenário em que a autenticação tradicional perde eficácia contra a persuasão digital e a tecnologia avançada, a alta liderança bancária do país aponta o compartilhamento de dados em rede como uma das principais soluções.

A grande maioria dos executivos brasileiros (88%) acredita que o compartilhamento de inteligência entre bancos teria um impacto positivo significativo na capacidade de conter fraudes e crimes financeiros. Indo além, 89% afirmam que obter inteligência em tempo real sobre a conta destinatária envolvida em uma transação seria o divisor de águas para identificar e conter golpes financeiros antes que o dinheiro seja pulverizado.

Curiosamente, a pesquisa também revelou uma característica cultural do mercado nacional: os líderes bancários brasileiros são significativamente menos propensos do que seus pares internacionais a afirmar que suas instituições investem em prevenção de fraudes para evitar a perda de clientes (churn). Apenas 23% dos executivos no Brasil citam a perda de clientes como motivo para investimentos na área, contra 39% globalmente. O foco do país está direcionado firmemente no combate à sofisticação tática do crime e na proteção sistêmica do fluxo financeiro.

“A IA já está redefinindo a velocidade e a sofisticação das ameaças no Brasil, permitindo que criminosos escalem ataques de engenharia social com o uso de deepfakes em um ritmo muito superior à média global”, conta Baldin.

“O dado mais revelador é que no ecossistema brasileiro, ao contrário do mercado global, a liderança local investe em prevenção a fraudes motivada pela blindagem financeira imediata. Em um ambiente hiperconectado e de transações instantâneas, a urgência financeira e operacional parece ter prioridade, ao conter o vazamento monetário e a velocidade do crime. Para vencer essa corrida, o setor precisa ir além das checagens estáticas de identidade: o futuro depende do entendimento contínuo e em tempo real do comportamento e da intenção do usuário, combinado com uma rede de inteligência interbancária que neutralize as contas de laranjas usadas para lavar o produto das fraudes.”

Acesse a pesquisa completa aqui.

Copa do Mundo 2026: Fortinet identifica mais de 1.140 domínios maliciosos relacionados ao torneio

A expectativa sobre a Copa do Mundo de 2026 vem sendo amplamente explorada por cibercriminosos em escala global. Levantamento realizado pelo FortiGuard Labs, laboratório de inteligência da Fortinet, identificou mais de 13 mil domínios registrados com referências ao torneio entre janeiro e maio deste ano. Desse universo, cerca de 1.140 endereços (o equivalente a 8,8%) foram classificados como maliciosos ou suspeitos, evidenciando o uso crescente do maior evento do futebol mundial como isca para fraudes digitais.

De acordo com a análise, a infraestrutura criada pelos criminosos sustenta campanhas organizadas voltadas à aplicação de golpes financeiros e ao roubo de informações sensíveis. Entre as principais ameaças observadas estão páginas falsas para venda de ingressos, inclusive por meio de canais como o Telegram; lojas virtuais fraudulentas de produtos oficiais; plataformas ilegítimas de transmissão de partidas; campanhas de phishing e falsas oportunidades de emprego relacionadas ao evento.

Nos dois meses que antecederam a competição, foi identificado um crescimento expressivo no registro de novos domínios ligados à Copa do Mundo, acompanhando o movimento do mercado e dos países na ampliação das ações direcionadas ao evento e aumento do interesse do público. O levantamento apontou que mais de 270 mil credenciais de usuários/fãs que visitaram sites relacionados à FIFA foram identificadas em registros de roubo de dados baseados em delimitadores.

Contas falsas em redes sociais
Outro destaque do levantamento é a proliferação de perfis falsos em redes sociais. Mais de 1.700 contas e canais que utilizam indevidamente a identidade visual e a marca da FIFA foram identificados em plataformas digitais, especialmente Facebook e Instagram:

  • Instagram – 60,27%
  • Facebook – 28,94%
  • X (antigo Twitter) – 8,16%
  • Telegram – 1,66%
  • Youtube – 0,97%

“Esses ambientes são utilizados para disseminar promoções inexistentes, páginas de phishing, sorteios falsos e outras estratégias de engenharia social destinadas a enganar torcedores. Os pesquisadores também utilizaram a circulação de aplicativos maliciosos que simulam serviços de apostas esportivas, streaming de partidas e acompanhamento de resultados. Distribuídos por sites não oficiais e canais de mensagens, esses aplicativos podem instalar malwares capazes de roubar credenciais, capturar dados financeiros e comprometer os dispositivos das vítimas”, aponta Alexandre Bonatti, vice-presidente de Engenharia da Fortinet Brasil.

A comercialização fraudulenta de ingressos aparece entre os golpes mais recorrentes. Criminosos criam páginas praticamente idênticas às oficiais para convencer consumidores a realizar pagamentos ou fornecer dados pessoais e bancários. Em muitos casos, a sensação de urgência e a escassez de ingressos são utilizadas para induzir decisões rápidas e reduzir a desconfiança dos usuários.

As falsas lojas de produtos licenciados também ganharam espaço nas campanhas identificadas pelo FortiGuard Labs. Bonatti comenta que os cibercriminosos têm aproveitado o interesse por camisas, itens colecionáveis e produtos exclusivos da Copa do Mundo para comercializar mercadorias inexistentes ou falsificadas, a partir de ambientes que replicam o visual de marcas conhecidas.

“Outra modalidade em crescimento envolve vagas de trabalho temporárias ligadas ao torneio. Mensagens distribuídas por redes sociais, aplicativos de conversa e e-mails direcionam candidatos para páginas falsas de recrutamento que simulam processos seletivos legítimos e capturam credenciais de acesso e informações pessoais”, acrescenta o executivo.

Além das fraudes voltadas aos consumidores, a Fortinet alerta para a necessidade de empresas e organizações envolvidas no evento e parceiros comerciais reforçarem seus mecanismos de proteção. O monitoramento contínuo de domínios semelhantes às marcas, a adoção de autenticação multifator, a atualização constante dos sistemas e o compartilhamento de inteligência sobre ameaças são medidas essenciais para reduzir riscos durante todo o ciclo da competição.

Como consumidores podem se proteger

  • Conferir cuidadosamente o endereço do site antes de realizar qualquer compra ou informar dados pessoais;
  • Priorizar a aquisição de ingressos e produtos em canais oficiais ou parceiros autorizados;
  • Desconfiar de ofertas com descontos muito acima do mercado ou com prazo extremamente limitado;
  • Evitar downloads de aplicativos e plataformas de streaming provenientes de fontes não oficiais;
  • Utilizar autenticação multifator em contas digitais sempre que possível;
  • Acompanhar regularmente movimentações bancárias e notificações de cartões para identificar operações suspeitas.

Recomendações para empresas

Para fortalecer a proteção contra ameaças cibernéticas durante a Copa do Mundo, a Fortinet recomenda que as empresas adotem uma estratégia integrada de segurança. Entre as principais medidas estão o monitoramento contínuo de domínios que possam explorar indevidamente suas marcas, a implementação de soluções avançadas para detecção de phishing e fraudes digitais, além da manutenção permanente de plataformas, aplicações e integrações atualizadas.

A companhia também destaca a importância de reforçar políticas de autenticação multifator para contas críticas e administrativas, promover ações de conscientização voltadas a colaboradores, parceiros e clientes sobre os golpes mais comuns relacionados ao torneio e estabelecer processos integrados de resposta a incidentes, garantindo uma atuação rápida diante de tentativas de fraude ou comprometimento de credenciais.

Sobre a Fortinet
A Fortinet (NASDAQ: FTNT) é uma força motriz na evolução da segurança cibernética e na convergência de rede e segurança. Nossa missão é proteger pessoas, dispositivos e dados em todos os lugares, e hoje oferecemos segurança cibernética onde você precisar com o maior portfólio integrado de mais de 50 produtos de nível empresarial. Mais de meio milhão de clientes confiam nas soluções da Fortinet, que estão entre as mais implantadas, mais patenteadas e mais validadas do setor. O Fortinet Training Institute, um dos maiores e mais amplos programas de treinamento do setor, dedica-se a disponibilizar treinamento em segurança cibernética e novas oportunidades de carreira para todos. O FortiGuard Labs, laboratório de pesquisa e inteligência de ameaças de elite da Fortinet, desenvolve e utiliza aprendizado de máquina de ponta e tecnologias de IA para fornecer aos clientes inteligência de ameaças acionável e proteção oportuna e consistente com a melhor classificação do mercado. Saiba mais em www.fortinet.com/br, Fortinet Blog e FortiGuard Labs.

Gen alerta sobre uma campanha sofisticada de falsas ofertas de emprego projetada para roubar credenciais

Os pesquisadores de ameaças da Gen (NASDAQ: GEN), líder global na promoção da liberdade digital por meio de um portfólio de marcas confiáveis que inclui Norton, Avast, LifeLock e MoneyLion, entre outras, identificaram uma sofisticada campanha de fraude que utiliza falsas ofertas de emprego e processos de recrutamento aparentemente legítimos para roubar credenciais de acesso dos usuários e obter informações sensíveis. Os criminosos exploram a reputação de organizações e marcas amplamente reconhecidas, assim como o interesse gerado por grandes acontecimentos internacionais, para dar maior credibilidade aos seus golpes.

Entre os exemplos analisados, foram encontrados sites que se passavam pela FIFA e por outras entidades e marcas vinculadas a um dos eventos esportivos mais aguardados de 2026. No entanto, os pesquisadores também observaram tentativas semelhantes que utilizavam a imagem de empresas reconhecidas de diferentes setores para gerar confiança nos usuários.

A investigação revelou que os criminosos não se limitam a publicar vagas falsas. Em muitos casos, eles constroem processos completos de contratação que incluem perfis falsos de recrutadores, alguns deles baseados em fotografias e informações de profissionais reais disponíveis publicamente em plataformas como o LinkedIn. Além disso, enviam convites de calendário e direcionam as vítimas para sites projetados para imitar páginas legítimas de recrutamento.

Os pesquisadores alertam que uma página de emprego com aparência profissional não garante que seja autêntica. Os cibercriminosos podem copiar logotipos, fotografias, descrições de vagas e até botões de login de sites legítimos para criar páginas fraudulentas altamente convincentes. Além disso, o uso de ferramentas de inteligência artificial facilitou a criação desse tipo de sites maliciosos, tornando-os cada vez mais difíceis de detectar.

Uma vez no site, os usuários são convidados a iniciar sessão por meio de opções conhecidas, como o acesso com o Google. No entanto, por trás dessas páginas há formulários criados para capturar credenciais e outras informações sensíveis. Os pesquisadores observaram que algumas campanhas rejeitavam contas pessoais e solicitavam especificamente contas corporativas, com o objetivo de obter acesso a sistemas internos, arquivos e outros recursos empresariais.

“A engenharia social tornou-se cada vez mais sofisticada. Os cibercriminosos já não dependem apenas de e-mails suspeitos ou mensagens mal redigidas; agora são capazes de replicar processos completos de recrutamento, inclusive com ajuda da IA, e aproveitar a confiança gerada por marcas e organizações reconhecidas. Isso transforma as falsas ofertas de emprego em uma ameaça especialmente perigosa, já que as vítimas acreditam estar diante de uma oportunidade profissional legítima quando, na realidade, estão entregando acesso a informações valiosas”, afirma Iskander Sanchez-Rola, Diretor Sênior de IA e Inovação na Norton.

Os pesquisadores também descobriram que, uma vez que uma página maliciosa é removida, os criminosos geralmente registram novos domínios para dar continuidade à campanha. Essa capacidade de adaptação dificulta a detecção e permite que as ameaças permaneçam ativas por mais tempo.

Desde 1º de maio de 2026, os produtos da Gen, incluindo Norton, bloquearam mais de 250 ataques relacionados a essas campanhas, embora os especialistas alertem que o alcance real pode ser maior devido à constante evolução das táticas utilizadas pelos cibercriminosos.

Para ajudar os usuários a identificar esse tipo de ameaça, os especialistas da Norton recomendam:

  • Desconfiar de ofertas de emprego inesperadas ou excessivamente atraentes.
  • Verificar se as vagas provêm de sites oficiais e prestar atenção ao endereço do site.
  • Confirmar a legitimidade dos recrutadores antes de fornecer informações pessoais.
  • Evitar inserir credenciais em páginas acessadas por links recebidos por e-mail ou aplicativos de mensagens.
  • Suspeitar de qualquer processo de recrutamento que solicite credenciais corporativas ou informações sensíveis em etapas iniciais.
  • Confirmar a existência da vaga diretamente nos canais oficiais da organização.
  • Utilizar ferramentas de cibersegurança, como o Norton 360 com Norton Scam Protection, que utiliza inteligência artificial para ajudar a detectar tentativas de phishing e sites fraudulentos antes que comprometam informações pessoais ou credenciais de acesso.

À medida que as campanhas de fraude evoluem, a combinação entre engenharia social e o uso indevido de marcas reconhecidas continua se tornando uma das ferramentas mais eficazes para os cibercriminosos. Manter uma postura crítica e verificar cada etapa do processo pode ajudar a diferenciar uma oportunidade legítima de uma fraude projetada para comprometer informações pessoais e corporativas.

Sobre a Gen

Gen (NASDAQ: GEN) é uma empresa global dedicada a impulsionar a Liberdade Digital por meio de suas marcas de consumo confiáveis, incluindo Norton, Avast, LifeLock, MoneyLion e outras. A família de marcas da Gen tem como base a oferta de segurança cibernética e empoderamento financeiro para as primeiras gerações digitais. Hoje, a Gen capacita as pessoas a viverem suas vidas digitais com segurança, privacidade e confiança para as gerações futuras. A Gen oferece produtos e serviços premiados em cibersegurança, privacidade online, proteção de identidade e bem-estar financeiro para quase 500 milhões de usuários em mais de 150 países. Saiba mais em GenDigital.com.

Sobre os Laboratórios de Ameaças da Gen

Os Laboratórios de Ameaças da Gen representam a equipe de pesquisa e tecnologia de Segurança Cibernética dentro da Gen, focada em descobrir e analisar as mais recentes ameaças digitais e golpes em todo o mundo. Com base em dados, pesquisa e experiência técnica, a equipe mapeia padrões e riscos que moldam um cenário de ameaças em constante evolução. Essas descobertas impulsionam tecnologias de segurança que protegem as pessoas em todo o portfólio de marcas confiáveis da Gen, incluindo Norton, Avast e LifeLock, entre outras.

Sobre a Norton

Norton é líder em cibersegurança e faz parte da Gen (NASDAQ: GEN), empresa global dedicada a promover a Liberdade Digital por meio de um portfólio de marcas confiáveis para o consumidor. A Norton capacita milhões de pessoas e famílias com proteção premiada para seus dispositivos, privacidade online e identidade digital. Os produtos e serviços da Norton são certificados por organizações independentes de testes, incluindo AV-TESTAV-Comparatives e SE Labs. A Norton também é membro fundadora da Coalition Against Stalkerware. Saiba mais em https://br.norton.com

Pressão geopolítica leva 66% das empresas a ajustarem estratégias de cibersegurança

A instabilidade no cenário internacional impulsionou 66% das organizações globais a reestruturarem suas defesas digitais em resposta à volatilidade geopolítica. Os dados são do estudo Global Cybersecurity Outlook 2026, realizado pelo Fórum Econômico Mundial em parceria com a Accenture e líderes do setor, que destaca ainda que 94% dos líderes entrevistados identificam a IA como a principal força a remodelar o risco cibernético no próximo ano, elevando o potencial de ataques voltados à espionagem e à interrupção de infraestruturas críticas.

Embora a influência geopolítica nas decisões de segurança digital apresente oscilações, o tema permanece central na agenda estratégica. Na prática, esse cenário acelera a necessidade de integrar a cibersegurança às decisões de infraestrutura e continuidade operacional, especialmente em setores críticos e altamente digitalizados.

Para  Rafael Dantas, Head de Cibersegurança da TLD, empresa brasileira especializada em tecnologia, a digitalização acelerada, especialmente no setor público, trouxe ganhos expressivos de eficiência, mas também reforça a necessidade de reforçar a segurança para possíveis ataques em sistemas e dados estratégicos. “A cibersegurança não pode mais ser vista apenas como um suporte técnico; ela deve integrar a arquitetura das infraestruturas tecnológicas para assegurar a continuidade de serviços essenciais e a soberania digital das instituições”, comenta.

Nesse contexto, falhas de proteção podem gerar impactos sistêmicos, desde a interrupção de serviços públicos essenciais até o vazamento de dados sensíveis de milhões de cidadãos. Especialistas reforçam que a salvaguarda dessas estruturas deve ser tratada como um pilar fundamental da infraestrutura nacional.

Os dados reforçam a relevância do tema. De acordo com dados do relatório do Cenário Global de Ameaças de 2026 da Fortinet® (NASDAQ: FTNT), líder global em cibersegurança que impulsiona a convergência entre redes e segurança, o Brasil concentrou 753,8 bilhões de tentativas de ataques ao longo de 2025, revelando que o cibercrime funciona como um sistema, com hackers criminosos atuando em todo o ciclo de vida do ataque e finalizando com agentes ocultos.

O volume coloca o Brasil entre os países mais visados da América Latina, evidenciando que a ameaça é também local e crescente. Setores como financeiro, governo e saúde seguem como os principais alvos, dada a criticidade dos dados que concentram e a dependência de sistemas digitais para a operação de serviços essenciais.

A combinação entre tensões geopolíticas, adoção acelerada de IA e lacunas de maturidade em segurança cria um ambiente de risco multidimensional, que exige das organizações uma postura cada vez mais proativa e estratégica.

“Enquanto as ameaças evoluem com o apoio de inteligência artificial e financiamento estruturado, muitas organizações ainda reagem de forma reativa. O momento exige uma mudança de mentalidade: cibersegurança precisa estar na mesa das lideranças executivas, com orçamento, governança e visão de longo prazo como vantagem competitiva e requisito de soberania”, conclui.

Serviços financeiros em risco: os ataques de DDoS estão maiores, mais longos e mais complexos, segundo uma pesquisa da Akamai

Os cibercriminosos agora visam os serviços financeiros mais do que qualquer outro setor para ataques de negação de serviço distribuída (DDoS) na web e em APIs (camadas 3 e 4), revela a Akamai (NASDAQ: AKAM) em seu relatório State of the Internet (SOTI) intitulado AI-Empowered Botnets and API Visibility Gaps: Attack Trends in Financial Services. As descobertas revelam uma mudança perigosa à medida que hacktivistas pró-Irã e bots impulsionados por IA usam táticas de DDoS para interromper serviços bancários online, sistemas de pagamento e aplicações críticas.

Impulsionada por infraestruturas alimentadas por IA, a duração média dos ataques globais de DDoS das camadas 3 e 4 direcionados ao setor de serviços financeiros aumentou 738% desde 2024. Isso mostra que, embora a transformação digital tenha permitido avanços como serviços bancários online e pagamentos em tempo real, ela também facilitou as invasões.

Algumas descobertas importantes do relatório:

  • Entre os líderes de serviços financeiros entrevistados no Estudo sobre o impacto da segurança de APIs de 2026, 96% relataram pelo menos um incidente com a segurança de APIs nos últimos 12 meses, o índice mais alto entre todos os setores.

  • Em 2025, 60% do total de ataques na web e 83% das incursões contra pontos de extremidade de APIs visaram serviços bancários.

  • Quase 80% das instituições financeiras enfrentaram ataques de ransomware nos últimos dois anos, mas menos da metade adotou tecnologias avançadas de segurança.

  • A atividade avançada de bots aumentou 147% no final de 2025 e, em um estudo de caso, impressionantes 96% de todo o tráfego de websites foram identificados como bots de scraping mal-intencionados.

  • Os métodos de ataques cibernéticos contra serviços financeiros variam significativamente de acordo com a região: a EMEA é o principal alvo de DDoS das camadas 3 e 4 (62%), a APAC é a mais visada por DDoS da camada 7 (52%) e, na América do Norte, os ataques na web são os mais predominantes (44%).

“Os cibercriminosos e hacktivistas continuam impulsionando os ataques de DDoS, transformando-os em uma ameaça constante, e os serviços financeiros estão na mira”, afirma Steve Winterfeld, CISO consultivo da Akamai. “Além disso, os dados mostram que as APIs são cada vez mais visadas, pois a IA não reduz os riscos de segurança tradicionais, ela os amplifica. Felizmente, as organizações de serviços financeiros podem aproveitar as estratégias de segurança e as práticas recomendadas detalhadas neste relatório.”

O relatório também mostra tendências baseadas em dados sobre atividades criminosas, a participação do CISO da FS-ISAC, um destaque de segurança sobre recursos MITRE, um destaque de nuvem sobre as diferenças entre arquiteturas de IA e estratégias práticas de mitigação de ataques de DNS e DDoS.

Já em seu 12º ano, os relatórios SOTI Security da Akamai continuam oferecendo insights críticos sobre tendências de cibersegurança e desempenho na web, extraídos de ataques observados na infraestrutura protetiva de cibersegurança da Akamai, que lida com uma parcela significativa do tráfego global da web.

Sobre a Akamai

A Akamai é a empresa de cibersegurança e computação em nuvem que potencializa e protege negócios online. Nossas soluções de segurança líderes de mercado, inteligência avançada contra ameaças e equipe de operações globais oferecem defesa em profundidade para garantir a segurança de dados e aplicações empresariais em todos os lugares. As abrangentes soluções de computação em nuvem da Akamai oferecem desempenho e acessibilidade na plataforma mais distribuída do mundo. Empresas globais confiam na Akamai para obter a confiabilidade, a escala e a experiência necessárias para expandir seus negócios com confiança. Saiba mais em akamai.com e akamai.com/blog, ou siga a Akamai Technologies no X e no LinkedIn.

Ataques cibernéticos colocam setor elétrico sob pressão e elevam alerta para infraestrutura crítica

O setor elétrico brasileiro enfrenta um cenário cada vez mais desafiador no campo da cibersegurança. Somente no primeiro semestre de 2025 foram registradas mais de 535 mil tentativas de ataques cibernéticos contra empresas do segmento, segundo dados da Energy Future. O avanço das ameaças ocorre em um momento em que o Brasil figura entre os países mais visados por malwares na América Latina, enquanto ataques de ransomware seguem crescendo globalmente. Para especialistas, o volume de ocorrências expõe a vulnerabilidade de uma infraestrutura considerada essencial para o funcionamento da economia e dos serviços públicos.

Para Cláudio Calonge, CEO da Briskcom, empresa com mais de duas décadas de atuação em tecnologia e adequação regulatória para o setor elétrico, o aumento das tentativas de invasão demonstra que a proteção digital deixou de ser uma questão exclusivamente tecnológica e passou a ser um tema estratégico para a continuidade das operações. “A cibersegurança não é mais uma opção, mas uma exigência inegociável para garantir a continuidade e a segurança do fornecimento de energia. O setor precisa adotar uma postura preventiva e entender que a resiliência operacional depende diretamente da maturidade dos seus processos de proteção digital”, afirma.

O risco vai além da interrupção de sistemas. Estudos internacionais mostram que ataques de ransomware ao setor de energia podem gerar prejuízos milionários, considerando paralisação operacional, perda de produtividade, custos de recuperação e danos reputacionais. Em um ambiente cada vez mais conectado e dependente de dados, falhas de segurança podem afetar desde operações de geração e transmissão até processos críticos de monitoramento e tomada de decisão.

A preocupação não é apenas teórica. Em 2024, o Operador Nacional do Sistema Elétrico conseguiu bloquear aproximadamente 539 milhões de ataques cibernéticos, evidenciando a intensidade da atividade criminosa direcionada à infraestrutura energética. Ao mesmo tempo, relatórios recentes apontam que parte relevante dos agentes ainda opera com sistemas legados e enfrenta dificuldades para alcançar os níveis de adequação exigidos pelas normas do setor. O próprio Tribunal de Contas da União já alertou para vulnerabilidades regulatórias e de fiscalização, reforçando a necessidade de investimentos contínuos em proteção digital e gestão de riscos.

Nesse contexto, Calonge avalia que o principal desafio dos próximos anos será transformar a cibersegurança em uma cultura permanente dentro das organizações. Segundo ele, não basta investir em ferramentas se os processos não evoluírem na mesma velocidade das ameaças. “O setor elétrico precisa compreender que cada vulnerabilidade pode representar riscos que ultrapassam os limites de uma única empresa e impactam toda a cadeia de fornecimento de energia. As melhorias precisam ser implementadas com rigor técnico e visão de longo prazo para proteger não apenas os negócios, mas também a estabilidade de um serviço essencial para a sociedade”, conclui.

Relatório de Ameaça: STX RAT

Motivação

O STX RAT representa mais um representante relevante da evolução contínua dos Remote Access Trojans (RATs) baseados em .NET, operando em um ecossistema onde acessibilidade, modularidade e baixo custo de entrada favorecem sua rápida disseminação entre atores de ameaça com diferentes níveis de sofisticação. Para a tomada de decisão de CISOs, o risco não reside apenas nas capacidades técnicas do malware, mas na combinação de três fatores críticos:

  • Facilidade de aquisição e operação (commodity malware)
  • Capacidade de persistência silenciosa em endpoints corporativos
  • Integração com cadeias de ataque maiores (stealers, loaders, ransomware)

O STX RAT não é, isoladamente, uma ferramenta de alta sofisticação. No entanto, seu uso em campanhas oportunistas e sua capacidade de fornecer acesso contínuo ao ambiente comprometido o tornam um multiplicador de risco, frequentemente atuando como estágio intermediário para ataques mais destrutivos. Do ponto de vista de negócio, os principais impactos incluem:

  • Exfiltração de dados sensíveis (credenciais, documentos, sessões)
  • Comprometimento prolongado sem detecção
  • Uso como ponto de apoio para ransomware
  • Exposição regulatória (LGPD) e dano reputacional

A Evolução

O STX RAT se insere no ecossistema consolidado de RATs baseados em .NET, ao lado de famílias como AsyncRAT e QuasarRAT. Essas ferramentas compartilham características comuns:

  • Código relativamente acessível
  • Facilidade de customização
  • Interfaces de controle amigáveis
  • Distribuição via fóruns underground e canais fechados

Em 2025, cabe destacar que houve uma convergência entre três categorias de malware:

  • RATs tradicionais (controle remoto)
  • Infostealers (exfiltração rápida de dados)
  • Loaders (entrega de payloads adicionais)

O STX RAT acompanha essa tendência ao oferecer:

  • Capacidades de coleta de dados
  • Execução remota de comandos
  • Flexibilidade para integração com outros payloads

O STX segue a tend6encia de Malware-as-a-Service (MaaS), um modelo de negocio criminoso onde deliquentes menos experientes conseguem conduzir campanhas eficazes com baixo investimento técnico.

3. Análise de Kill Chain

3.1 Vetores de entrada

O STX RAT é tipicamente distribuído por meio de vetores amplamente conhecidos, porém ainda eficazes:

  • Campanhas de phishing com anexos maliciosos
  • Arquivos compactados contendo executáveis disfarçados
  • Arquivos ISO, LNK e loaders
  • Software pirata, cracks e keygens
  • Malvertising

A eficácia desses vetores depende fortemente de engenharia social, frequentemente adaptada ao idioma e contexto regional, além de ser cada vez mais efetiva graças ao uso intensivo de IA.

3.2 Execução inicial

Após o acesso inicial:

  • O usuário executa um loader ou dropper
  • O payload é descompactado ou injetado em memória
  • Pode haver uso de LOLBins (ex.: PowerShell) para execução indireta

3.3 Persistência

O STX RAT estabelece persistência utilizando:

  • Chaves de registro (Run/RunOnce)
  • Tarefas agendadas
  • Cópias em diretórios persistentes do sistema

Essa persistência é projetada para se manter a reinicializações e ofuscar as ações de ferramentas, analistas e .

3.4 Expansão e pós-exploração

Embora não seja um framework completo, que inclua o movimento lateral, o acesso fornecido permite:

  • Execução de ferramentas adicionais
  • Download de payloads secundários
  • Movimentação manual por operadores

4. Arquitetura Técnica do STX RAT

O STX RAT, por suas características de desenvolvimento, possui:

  • Portabilidade
  • Ofuscação
  • Rápido desenvolvimento

4.1. Capacidades principais:

  • Keylogging
  • Captura de tela
  • Gerenciamento de arquivos
  • Execução remota de comandos
  • Monitoramento do sistema

A comunicação entre cliente e servidor permite controle quase em tempo real.

5. Evasão

O STX RAT emprega técnicas comuns, porém eficazes:

5.1. Ofuscação

  • Proteção de strings
  • Packing do binário

5.2. Evasão de análise

  • Detecção de ambiente virtual
  • Delay de execução
  • Verificação de sandbox

5.3. Evasão de defesa

  • Uso de LOLBins
  • Execução em memória (parcial)
  • Possível bypass de mecanismos como AMSI

O objetivo não é invisibilidade total, mas reduzir a probabilidade de detecção automática.

6. Comando e Controle (C2)

A comunicação C2 geralmente utiliza:

  • HTTP/HTTPS
  • Portas customizadas
  • Comunicação periódica (beaconing)

6.1. Características:

  • Uso de VPS de baixo custo
  • Rotação de IPs/domínios
  • Infraestrutura descartável

Essa arquitetura favorece:

  • Resiliência operacional
  • Dificuldade de bloqueio completo

7. Impacto na América Latina

A América Latina apresenta condições favoráveis para disseminação do malware:

  • Alta taxa de uso de software não licenciado
  • Menor maturidade em segurança em PMEs
  • Forte uso e eficácia de engenharia social

Setores frequentemente impactados:

  • Financeiro
  • Governo
  • Pequenas e médias empresas

Campanhas costumam explorar:

  • Idioma local (português ou espanhol)
  • Temas como boletos, impostos, entregas e serviços bancários são os mais frequentes.

8. Técnicas, Táticas e procedimentos (TTPs)

O comportamento do STX RAT pode ser mapeado em diversas táticas:

a) Initial Access

  • Phishing (T1566)

b) Execution

  • User Execution (T1204)
  • PowerShell (T1059.001)

c) Persistence

  • Registry Run Keys (T1547.001)
  • Scheduled Tasks (T1053)

d) Defense Evasion

  • Obfuscated Files (T1027)
  • Virtualization/Sandbox Evasion (T1497)

e) Command & Control

  • Application Layer Protocol (T1071)

f) Exfiltration

  • Exfiltration Over C2 Channel (T1041)

9. Estratégias de Detecção e Defesa

9.1. Controles técnicos

  • EDR/XDR com análise comportamental
  • Monitoramento de rede
  • Detecção de anomalias

9.2. Hardening

  • Bloqueio de macros
  • Controle de execução de scripts
  • Princípio do menor privilégio

9.3. Conscientização dos Usuários

  • Treinamento contínuo contra phishing

10. Recomendações e Conclusões

O STX RAT não representa uma ruptura tecnológica, mas sim a continuidade de uma tendência perigosa, onde o modelo MaaS facilita o acesso de ferramentas de acesso remoto malicioso de alta eficácia. As principais recomendações de alto nível apontam para:

  • Investir em visibilidade de endpoint
  • Integrar threat intelligence ao SOC
  • Melhorar capacidade de resposta a incidentes
  • Reduzir superfície de ataque

Sua relevância está na escala, acessibilidade e integração com cadeias de ataque maiores, tornando-o um risco significativo para usuários finais e PMEs. Para Gestores e C-Levels, a prioridade deve ser:

  • Detecção precoce
  • Resposta rápida
  • Redução de exposição humana

O maior risco não está na sofisticação do malware, mas na combinação entre acessibilidade, engenharia social e falhas de visibilidade defensiva.

Fiquem seguros e atenção nos detalhes! Um informe de inteligência pode fazer toda a diferença.

Cibersegurança: por que a proteção ainda é vista como despesa no setor financeiro?

O setor financeiro ocupa a segunda posição no ranking global de ataques cibernéticos, de acordo com um relatório da Verizon. O documento registrou 3.336 incidentes no segmento em 2025, com 927 resultando em vazamentos de dados confirmados. Na América Latina, foram 657 casos, sendo 413 com vazamentos. O cenário no Brasil acompanha a tendência, com o Banco Central reportando, somente em 2024, 12 incidentes de vazamentos de chaves Pix. Os números mostram a exposição de um segmento que lida com ativos e informações de clientes.

A recorrência dos ataques levanta uma questão sobre a abordagem da segurança pelas lideranças. A proteção dos sistemas e dados é vista por parte dos gestores como um centro de custo, não como um pilar para a sustentação do negócio. Essa visão ignora que o custo de um incidente de segurança é, em média, superior ao investimento preventivo. O relatório “Cost of a Data Breach” da IBM, de 2024, aponta que o prejuízo médio de um ataque no setor financeiro foi de US$ 6,08 milhões.

“A cibersegurança é tratada como uma despesa por empresas que ainda não têm um grau elevado de maturidade em segurança da informação. As companhias que já estão em um patamar mais elevado enxergam a cibersegurança como um investimento”, afirma Rodrigo Rocha, gerente de arquitetura de soluções da CG One, empresa de tecnologia focada em segurança da informação, proteção de redes e gerenciamento integrado de riscos.

A evolução dos riscos e os impactos nos negócios

Os riscos para as instituições financeiras abrangem desde ataques de negação de serviço (DDoS), que buscam a indisponibilidade de plataformas e o prejuízo de imagem, até o roubo de informações e o desvio de valores de contas de clientes. “Nos últimos anos, as táticas dos atacantes ganharam complexidade, com o desenvolvimento de ransomwares como LockBit e Conti, ataques à cadeia de suprimentos que comprometem plataformas de autenticação de fintechs, exploração de APIs e o uso de inteligência artificial generativa e deepfakes em ações de engenharia social”, explica Rocha.

Um ataque bem-sucedido pode resultar em perda de credibilidade junto a clientes e ao mercado, além de perdas financeiras diretas. Há também o impacto regulatório, com a possibilidade de aplicação de multas pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) em caso de descumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

A estratégia de defesa como caminho

Não existe uma única tecnologia que funcione como solução definitiva para a proteção do ecossistema financeiro. A eficácia da defesa está na implementação de um plano de médio e longo prazo, com o objetivo de elevar a maturidade em segurança da informação de forma contínua.

Para Rocha, as organizações podem utilizar frameworks de mercado para avaliar o nível de maturidade atual e traçar um plano de evolução. “A proteção de uma empresa, de qualquer segmento, depende da execução de um plano estruturado, com parceiros e soluções que ajudem nessa jornada”, finaliza o especialista da CG One.

Sala-cofre volta ao radar das empresas diante do crescimento das ameaças híbridas

Nos últimos anos, os ataques cibernéticos no Brasil não apenas aumentaram em volume, mas também em sofisticação. Em 2024, o país registrou impressionantes 356 bilhões de tentativas de invasão digital, segundo dados do FortiGuard Labs. Esse número representa um aumento significativo em relação aos anos anteriores, refletindo uma mudança na estratégia dos cibercriminosos, que agora priorizam ataques mais direcionados e complexos. A evolução nas táticas de ataque exige que as empresas adotem medidas de segurança mais robustas e integradas para proteger seus ativos digitais.

E as ameaças não se limitam somente ao espaço virtual. Ameaças híbridas – que combinam vetores cibernéticos e físicos – também se intensificaram. Empresas e infraestruturas críticas enfrentam riscos que vão de brechas digitais a incidentes físicos como incêndios, sabotagem ou desastres naturais.

Em paralelo, eventos climáticos extremos e ações maliciosas tangíveis continuam a ameaçar data centers e equipamentos corporativos. Em outras palavras, segurança cibernética e infraestrutura física andam de mãos dadas no enfrentamento das ameaças atuais.

O retorno da sala-cofre como uma camada estratégica de proteção

Nesse contexto de ameaça ampliada, as empresas estão redescobrindo as salas-cofre como uma importante camada complementar na estratégia de segurança digital. Historicamente concebida como uma solução de proteção física – literalmente uma sala fortificada para abrigar servidores e mídias – a sala-cofre evoluiu para se integrar à abordagem holística de segurança da informação.

Vários fatores explicam por que algumas empresas voltaram a apostar nessas estruturas. Primeiro, a proliferação de ataques de ransomware e outras ameaças digitais fez crescer a recomendação de manter backups offline e isolados – e não há isolamento mais seguro do que um cofre físico. Segundo, os custos de inatividade e perda de dados atingiram patamares recordes, tornando o investimento em proteção física altamente justificável. Quando uma sala-cofre garante a integridade da infraestrutura mesmo sob incidentes graves, o retorno do investimento torna-se rápido e certo, evitando prejuízos operacionais e de negócios. Em prédios compartilhados ou ambientes de TI híbridos, a sala-cofre atua como uma apólice de seguro: se o pior acontecer, a empresa terá condições de se recuperar rapidamente.

Além disso, a adoção de salas-cofre reflete uma mudança cultural. Empresas antes focadas exclusivamente no digital passaram a reconhecer que a resiliência completa exige abordar tanto o virtual quanto o físico. Não se trata de retroceder no tempo, mas sim de combinar o melhor dos dois mundos: firewalls, criptografia e sistemas de detecção cuidam das ameaças lógicas, enquanto a sala-cofre mitiga riscos ambientais e humanos (incêndios, água, poeira, sabotagem) que também podem causar a perda ou indisponibilidade de dados. Em síntese, a sala-cofre ressurge não como um gasto a mais, mas como parte integrante de uma estratégia moderna de defesa em profundidade, oferecendo uma camada adicional de proteção em tempos de ameaças complexas.

Novas certificações técnicas e exigências internacionais

As salas-cofre contemporâneas diferem muito dos cofres de antigamente. Elas incorporam uma série de requisitos técnicos e tecnológicos avançados para fazer frente às ameaças atuais. Estas salas podem suportar incêndio severo por pelo menos 60 minutos e são desenvolvidas para não permitir que a temperatura interna exceda 75 °C, nem que a umidade relativa ultrapasse 85%, mesmo sob calor e pressão extremos, dessa forma os equipamentos eletrônicos em seu interior não sofrem danos térmicos ou por condensão enquanto o fogo é combatido.

Além da barreira ao fogo, as salas-cofre devem ser verdadeiras fortalezas ambientais. Elas precisam impedir a entrada de água e poeira, seja proveniente de tubulações rompidas, de mangueiras dos bombeiros ou de detritos do ambiente externo. Para isso, adotam vedação de alto padrão, com nível de proteção equivalente a IP-66 ou similar, bloqueando jatos de água e partículas contaminantes. A estanqueidade e isolamento garantem também que fumaça e gases corrosivos não penetrem, protegendo circuitos delicados de contaminação química.

Tais características são essenciais, pois em um sinistro real não é apenas o fogo que ameaça o data center: explosões podem lançar destroços, o acionamento de sprinklers pode causar inundações, e a fuligem pode arruinar servidores. A sala-cofre, ao ser hermética e estruturalmente reforçada, funciona como um cofre dentro do cofre, mantendo a integridade mesmo se o prédio ao redor colapsar parcial ou totalmente.

A depender da sensibilidade dos equipamentos e da criticidade dos dados, muitas salas-cofre modernas são projetadas com blindagem eletromagnética – efetivamente atuando como uma gaiola de Faraday. Com isso, o ambiente interno fica imune a perturbações externas que poderiam causar mau funcionamento de servidores ou exponenciar erros de transmissão. De quebra, essa característica protege contra espionagem por emissão de sinais (tempest), evitando vazamento de informações via ondas de rádiofrequência.

Integração da sala-cofre à arquitetura moderna de segurança cibernética

A adoção de salas-cofre hoje não ocorre de forma isolada, mas sim integrada à arquitetura de segurança cibernética corporativa. Empresas de vanguarda veem a sala-cofre como mais um componente de sua estratégia de ciber-resiliência, alinhando políticas e tecnologias de modo que o todo seja maior que a soma das partes.

Na prática, isso significa que o plano de segurança considera cenários combinados: por exemplo, um ataque cibernético grave pode ser acompanhado por tentativas de sabotagem física, ou um desastre natural pode ser explorado por criminosos para roubar dados enquanto os sistemas estão offline. Nesses casos, a sala-cofre atua em conjunto com as defesas lógicas. Enquanto firewalls, antivírus e sistemas de detecção de intrusão tentam barrar o invasor digital, a sala-cofre impede que qualquer agressão física (fogo, explosão, intruso) destrua os servidores ou os deixe inacessíveis. Se, por alguma fatalidade, hackers contornarem todas as barreiras e ativarem um malware destrutivo, os backups dentro da sala-cofre permanecerão a salvo, desconectados e isolados o suficiente para possibilitar uma restauração rápida.

Uma das tendências arquitetônicas atuais é o conceito de “zero trust” não apenas na rede, mas também no ambiente físico. Ou seja, assume-se que nenhum perímetro está 100% livre de riscos – inclusive o prédio da empresa. Assim, informações realmente críticas podem ser duplicadas em mídia desconectada e guardadas em sala-cofre, garantindo um último recurso de recuperação em caso de ransomware, ou ataques de sabotagem coordenados.

As salas-cofre modernas também são projetadas para se conectar aos sistemas de gerenciamento e monitoramento central. Integradas ao SIEM (Security Information and Event Management) elas fornecem telemetria contínua: temperatura, umidade, status dos sensores, travamento de portas, tudo é acompanhado em tempo real, permitindo à equipe de TI agir proativamente.

Naturalmente, investir em uma sala-cofre não elimina a necessidade de manter defesas cibernéticas robustas. Ela deve ser vista como parte de um ecossistema: tão importante quanto backups criptografados, políticas de acesso e treinamento de usuários. A sala-cofre é a última trincheira, mas a empresa precisa vigiar todas as frentes. Quando integrada a um plano abrangente de segurança, entretanto, seu valor é incomensurável. Casos reais demonstram que, no momento da verdade – seja um ataque devastador ou um desastre inesperado –, essa infraestrutura pode fazer a diferença entre a continuidade dos negócios ou o colapso total.

O panorama contemporâneo aponta que veremos cada vez mais empresas adotando essa abordagem híbrida de segurança. Não por modismo ou saudosismo tecnológico, mas porque a realidade impõe camadas múltiplas de proteção. E se a transformação digital acelerou processos e ampliou exposições, ela também nos lembra de que, para todo avanço virtual, é prudente um passo de fortificação real. A sala-cofre, portanto, consolidou-se como um pilar estratégico da segurança digital corporativa, garantindo que mesmo diante do inesperado – seja um hacker ou um incêndio – a empresa permaneça de pé e operacional, custe o que custar.

TÜV Rheinland: há 150 anos tornando o mundo mais seguro

A TÜV Rheinland é uma das principais fornecedoras de serviços de testes e inspeções do mundo, com receita anual superior a 2,7 bilhões de euros e cerca de 26.000 colaboradores em mais de 50 países. Seus especialistas altamente qualificados testam sistemas e produtos técnicos, viabilizam a inovação e apoiam empresas na transição para uma atuação mais sustentável. A empresa capacita profissionais em diversas áreas e certifica sistemas de gestão conforme padrões internacionais. Com expertise reconhecida em áreas como mobilidade, fornecimento de energia e infraestrutura, a TÜV Rheinland assegura qualidade independente em todas as etapas, inclusive em tecnologias emergentes, como hidrogênio verde, inteligência artificial e condução autônoma. Dessa forma, contribui para um futuro mais seguro e melhor para todos. Desde 2006, a TÜV Rheinland é signatária do Pacto Global da ONU, que promove a sustentabilidade e combate à corrupção. Para saber mais, acesse: https://tuv.com

Além do monitoramento: o novo papel do SOC na defesa cibernética

Neste ano, o Brasil sofreu mais de 315 bilhões de tentativas de ataque cibernético apenas no primeiro semestre — número que representa cerca de 84% de todo o tráfego malicioso registrado na América Latina no período, de acordo com um levantamento da Fortinet divulgado em agosto passado. Com adversários fazendo uso crescente de IA para conduzir campanhas de phishing, ataques DDoS e exploração de vulnerabilidades em ambientes híbridos e multicloud, líderes de segurança corporativa se veem diante de uma encruzilhada: manter o SOC (Security Operations Center) da forma como está ou apostar em novas tecnologias e formas de trabalho que respondam à nova realidade.

Grupos criminosos adotam táticas avançadas e combinam técnicas de Advanced Persistent Threat (APT) com ferramentas de IA para driblar as defesas tradicionais. Golpes que envolvem deepfakes ou phishing automatizado por IA tornam cada vez mais difícil distinguir o legítimo do malicioso. Ao mesmo tempo, a superfície de ataque das organizações se expandiu dramaticamente. Com ambientes de TI híbridos e multicloud, centenas de novos serviços e integrações são adicionados constantemente aos ecossistemas corporativos, abrindo brechas que muitas vezes são difíceis de monitorar.

O problema é que grande parte dos SOCs atuais foi concebida para um contexto em que as ameaças eram baseadas em assinatura e o volume de eventos era controlável. Hoje, porém, a multiplicação de fontes de telemetria, tais como endpoints, nuvens, APIs, identidades, dispositivos IoT e aplicações SaaS, faz com que o volume de logs cresça de forma exponencial.

Não se trata apenas de mais dados, mas de dados de naturezas distintas, com diferentes formatos, níveis de granularidade e relevância operacional. Ferramentas modernas de detecção e monitoramento, como EDRs, XDRs e soluções de observabilidade, coletam informações em tempo real e geram fluxos contínuos de telemetria que precisam ser correlacionados com ameaças conhecidas e comportamentos anômalos. Sem uma arquitetura de dados e automação adequadas, esse ecossistema torna-se difícil de orquestrar – e o SOC passa a lidar menos com ruído e mais com complexidade analítica. O desafio, portanto, deixou de ser filtrar falsos positivos e passou a ser transformar grandes volumes de logs em inteligência acionável com velocidade e contexto.

E, quando os adversários passam a empregar IA para criar malwares praticamente indetectáveis, um SOC calcado apenas em esforço humano não consegue escalar na mesma proporção do risco. O resultado é um descompasso perigoso entre a capacidade defensiva e a velocidade com que as ameaças modernas atuam, evidenciando que manter o status quo não é mais sustentável.

Uma das principais transformações em curso é a adoção do modelo de SOC as a Service, que redefine a forma como as empresas estruturam sua defesa cibernética. Diferente do modelo híbrido ou totalmente interno, o SOCaaS oferece monitoramento, detecção e resposta a incidentes 24×7 por meio de uma plataforma escalável e baseada em nuvem, administrada por especialistas em cibersegurança.

Esse formato elimina a necessidade de manter infraestrutura local pesada e reduz o tempo de implantação, ao mesmo tempo em que garante acesso contínuo a tecnologias e analistas altamente especializados.

Ao integrar telemetria proveniente de múltiplas camadas, o SOC as a Service consolida os eventos em um único datalake de análise, aplicando correlação e contextualização automatizadas com apoio de SOAR e machine learning. Assim, os alertas deixam de ser tratados de forma isolada e passam a compor narrativas completas de ataque, permitindo uma visão tática e antecipada das ameaças.

Essa automação nativa reduz drasticamente o tempo médio de detecção (MTTD) e o tempo médio de resposta (MTTR), pontos críticos para conter ataques modernos que podem se propagar em minutos.

Outro benefício do modelo é a atualização contínua da inteligência de ameaças. Fornecedores de SOCaaS normalmente operam com bases globais de threat intelligence, alimentadas por fontes de ciberinteligência regionais e internacionais.

Essa atualização constante amplia a visibilidade sobre novas campanhas maliciosas, técnicas de exploração e indicadores de comprometimento (IoCs), garantindo que o ambiente corporativo permaneça protegido mesmo diante de vetores inéditos. Ao mesmo tempo, as plataformas de SOCaaS modernas integram recursos de análise comportamental (UEBA) e aprendizado contínuo, permitindo identificar padrões anômalos e prevenir movimentos laterais antes que evoluam para incidentes graves.

Mais do que uma modernização tecnológica, a adoção de modelos de SOC as a Service representa um novo paradigma de defesa cibernética. O CISO que ainda vê o SOC apenas como um centro de monitoramento precisa agora encará-lo como um núcleo de inteligência e antecipação, sustentado por automação, correlação de dados e aprendizado de máquina.

Ataques cibernéticos fazem 1,3 vítima por hora no mundo, segundo relatório da Apura

Os ataques de ransomware estão longe de desacelerar. No último ano, foram registradas 11.796 vítimas diretas desse tipo de ciberataque ao redor do mundo, 1,3 vítimas por hora, segundo dados do BTTng da Apura Cyber Intelligence, plataforma de inteligência em ameaças cibernéticas. O impacto vai além dos números: empresas paralisadas, serviços essenciais comprometidos e milhões de pessoas expostas a riscos iminentes.

A onda de ataques abrange qualquer empresa de todos os segmentos, desde a saúde até os serviços públicos. Em maio passado, a Ascension Healthcare, uma das maiores operadoras de saúde dos EUA, foi alvo de um ataque cibernético que comprometeu sistemas críticos, incluindo registros médicos e comunicação interna. Hospitais ficaram sem acesso a informações essenciais por semanas, forçando equipes a recorrerem a procedimentos manuais. “Isso gerou riscos reais, com erros relatados no Kansas e em Detroit, que poderiam ter resultado em graves consequências médicas”, explica Anchises Moraes, Especialista de Theat Intel da Apura.

A Ascension não divulgou oficialmente o grupo por trás do ataque, mas investigações apontam para o Black Basta. Sete dos vinte e cinco mil servidores foram comprometidos, e 5,6 milhões de indivíduos receberam notificações sobre o possível vazamento de dados.

No Brasil, a TOTVS foi alvo do grupo BlackByte, com relatos de que dados da empresa foram acessados. A companhia informou seus acionistas, garantindo a continuidade dos serviços, mas sem dissipar completamente a incerteza. Já a Sabesp sofreu um ataque do grupo RansomHouse, que não apenas roubou dados, mas também os publicou posteriormente.

O futuro dos ataques: alvos menores, impactos maiores

Se antes os criminosos miravam grandes corporações exigindo valores exorbitantes, a tendência é que ataques menores, porém em massa, ganhem força em todo o mundo, incluindo o Brasil. Pequenas e médias empresas se tornaram alvos fáceis, já que possuem menos recursos para segurança e maior propensão a pagar resgates. “Elas têm mais dificuldade em recuperar dados roubados ou encriptados, tornando-se presas ideais para esses criminosos”, alerta Anchises.

Outro ponto crítico é a ascensão da Internet das Coisas (IoT). O crescimento de dispositivos conectados, tanto em ambientes domésticos quanto industriais, expande a superfície de ataque. Botnets formadas por aparelhos desprotegidos alimentam ataques de negação de serviço (DDoS), enquanto falhas em sistemas industriais expõem infraestruturas críticas a riscos catastróficos.

“Quanto mais automatizado, maior a vulnerabilidade. Empresas que adotam tecnologia intensiva, como na Indústria 4.0, precisam investir tanto em proteção cibernética quanto na capacitação de seus colaboradores”, destaca o especialista.

A resposta global? O endurecimento das leis e a repressão ao pagamento de resgates. Nesse ambiente, governos e entidades reguladoras estão apertando o cerco. Leis mais rigorosas para setores críticos, como saúde, finanças e infraestrutura, estão sendo discutidas e aplicadas ao redor do mundo. Penalidades mais severas para empresas que negligenciarem a segurança cibernética também estão no radar.

“Infelizmente, muitas empresas só reagem quando o prejuízo financeiro se torna inegável. Com regulamentação mais dura e multas elevadas, elas serão forçadas a reforçar suas defesas”, conclui.

Outra tendência é o desestímulo ao pagamento de resgates. Algumas legislações já estão sendo elaboradas para coibir essa prática, retirando dos criminosos seu principal incentivo. Fiscalizações mais rigorosas e colaboração internacional também fazem parte do arsenal contra o ransomware.

Merece destaque a ação das forças da lei, que no ano passado foi sentido por grandes grupos de ransomware. Em fevereiro de 2024 foi anunciada a ‘Operação Cronos’ realizada de forma conjunta por agências de segurança de diversos países, incluindo o FBI, a Agência Nacional do Crime (NCA) do Reino Unido e a Europol, com o objetivo de desmantelar as atividades do grupo LockBit, um dos grupos mais ativos até então. Estima-se que o líder do grupo pode ter lucrado, sozinho, cerca de US$100 milhões.

“A guerra contra os cibercriminosos está longe de acabar. Mas empresas, governos e indivíduos precisam agir agora para que a próxima grande vítima não seja apenas mais uma estatística”, sublinha Anchises.

Sobre a Apura Cyber Intelligence, acesse: https://apura.com.br/

Cibercriminosos adotam agentes de IA para lançar ataques autônomos e adaptáveis em 2025

De acordo com um estudo publicado pelo Observatório Latino-Americano de Ameaças Digitais (OLAD) em 2025, 411 ataques cibernéticos e ameaças digitais direcionados a empresas e instituições na América Latina foram documentados durante o ano passado, incluindo infraestruturas críticas como alvos, espionagem e ransomware.

À medida que os recursos de defesa de IA evoluem, o mesmo acontece com as estratégias e ferramentas de IA utilizadas pelos agentes de ameaças, criando um cenário de riscos em rápida transformação que superam os métodos tradicionais de detecção e respostas. Nesse contexto, a nova pesquisa da Unit 42, equipe de inteligência de ameaças da Palo Alto Networks, intitulada Agentic AI Attack Framework, revelou como os criminosos estão começando a usar os agentes, uma evolução da inteligência artificial que vai além da geração de conteúdo a qual, ao contrário da generativa, que se concentra na criação de texto, imagens ou código, depende somente de agentes autônomos capazes de tomar decisões, adaptar ao ambiente e executar várias fases de um ataque cibernético sem intervenção humana direta.

O relatório detalha como esses agentes podem ser programados para executar tarefas como inspeção do sistema, escrever e-mails de phishing personalizados, evitar controles de segurança, manipular conversas em tempo real e remover rastros digitais. O mais preocupante é que eles podem aprender com os erros, ajustar o próprio comportamento e colaborar entre si, o que os torna uma ameaça muito mais dinâmica e difícil de conter.

Durante os testes, a Unit 42 simulou um ataque de ransomware, desde o comprometimento inicial até a exfiltração de dados, em apenas 25 minutos, usando IA em cada estágio da cadeia de ataque. Isso representou um aumento de 100 vezes na velocidade, totalmente impulsionado por IA.

Em contraste com os ciberataques tradicionais, que normalmente seguem padrões previsíveis e exigem intervenção humana em cada estágio, os ataques agênticos podem operar de forma contínua e adaptável. Isso significa que um único agente pode iniciar uma campanha de invasão, avaliar seu progresso, modificar sua estratégia em tempo real e escalar o ataque sem a necessidade de supervisão direta. Essa capacidade de ser autônomo representa um desafio para as equipes de cibersegurança, que precisam lidar com ameaças que não são apenas mais rápidas, como também mais inteligentes e persistentes.

Esses ataques cibernéticos podem ter consequências graves para as organizações. Por exemplo, um agente mal-intencionado pode enviar e-mails falsos altamente convincentes aos funcionários para roubar senhas, se infiltrar em sistemas internos e circular pela rede sem ser detectado. Isso leva ao roubo de informações confidenciais, como dados de clientes ou planos estratégicos, ou até mesmo ao sequestro de sistemas importantes por ransomware, paralisando as operações por dias. Além do impacto econômico, esses incidentes prejudicam a reputação da empresa, geram uma perda de confiança e podem levar a sanções legais se informações pessoais ou financeiras forem comprometidas.

Preparando-se para o imprevisível: como fortalecer a segurança organizacional

Nesse cenário, as organizações precisam de uma infraestrutura de segurança avançada e adaptável. Não é mais suficiente reagir a incidentes, agora é essencial antecipá-los por meio de monitoramento contínuo, análise inteligente de dados e automação dos principais processos.

A tendência à plataformização permite que as empresas reduzam a fragmentação tecnológica, melhorem a visibilidade do próprio ambiente digital e respondam mais rapidamente a qualquer tentativa de invasão. A Palo Alto Networks, por exemplo, está fazendo algo exatamente nesse sentido, desenvolvendo uma plataforma unificada de segurança de dados que abrangerá desde o desenvolvimento de código até ambientes de nuvem e centros de operações de segurança (SOCs). Essa iniciativa busca oferecer uma visão holística da segurança e facilitar o gerenciamento centralizado de ameaças, o que é essencial diante de um cenário de ataques cibernéticos cada vez mais sofisticados.

Além disso, a adoção de arquiteturas como o SASE (Secure Access Service Edge) fortalece a postura de segurança ao estender a proteção para além do perímetro tradicional. Essas tecnologias permitem controles granulares baseados em identidade, contexto e comportamento, o que é fundamental em um ambiente em que usuários, dispositivos e aplicativos estão distribuídos. Para as organizações brasileiras, investir nesse tipo de recurso representa uma melhoria técnica, bem como uma estratégia fundamental para garantir a continuidade operacional e a proteção de ativos essenciais contra ameaças cada vez mais automatizadas e persistentes.

O Brasil, com a crescente digitalização em setores-chave, como saúde, educação e serviços públicos, se torna um alvo atraente para essa ameaça emergente. A necessidade de fortalecer as capacidades de segurança cibernética no país é urgente, especialmente em face da adoção acelerada de tecnologias digitais em todos os níveis do governo e das empresas.

Diante desse cenário, especialistas da Palo Alto Networks recomendam que as organizações brasileiras implementem soluções de segurança que integrem recursos de detecção baseados em IA, bem como programas de conscientização e resposta a incidentes que considerem esse novo tipo de ameaças automatizadas.

A evolução dos ataques cibernéticos para esquemas mais autônomos e adaptáveis exige uma resposta igualmente inovadora. Somente por meio de estratégias proativas e colaborativas será possível mitigar os riscos apresentados por essa nova era de ataques alimentados pelos agentes de IA.

Sobre a Unit 42

A Unit 42 da Palo Alto Networks reúne pesquisadores de ameaças de renome mundial, respondentes de incidentes de elite e consultores de segurança especializados para criar uma organização orientada por inteligência e pronta para responder, apaixonada por ajudar a gerenciar o risco cibernético proativamente. Juntos, nossa equipe atua como seu consultor de confiança para ajudar a avaliar e testar controles de segurança contra as ameaças certas, transformar estratégias de segurança com uma abordagem informada sobre ameaças e responder a incidentes em tempo recorde para que você possa voltar aos negócios mais rapidamente. Visite paloaltonetworks.com/unit42.

Sobre a Palo Alto Networks

Como líder global em segurança cibernética, a Palo Alto Networks (NASDAQ: PANW) tem o compromisso de proteger nosso modo de vida digital por meio de inovação contínua. Com a confiança de organizações em todo o mundo, fornecemos soluções de segurança de ponta a ponta baseadas em IA em redes, nuvem, operações de segurança e IA, capacitadas pela inteligência e experiência em ameaças da Unit 42. Nosso foco na plataformização permite que as empresas simplifiquem a segurança em escala, garantindo que a proteção impulsione a inovação. Saiba mais em www.paloaltonetworks.com.

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