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Pontos cegos na detecção: como os arquivos poliglotas são criados

Arquivos criados com a técnica poliglota têm aparecido cada vez mais em ciberataques nos últimos anos. Eles permitem que os invasores façam o malware passar pelos filtros de e-mail e pelos verificadores de arquivos, enganem as vítimas em ataques de phishing e dificultem as investigações de incidentes. Para conseguir isso, os invasores constroem deliberadamente um arquivo que o sistema pode interpretar como formatos diferentes, dependendo do aplicativo em que ele é aberto.  Um exemplo clássico é um arquivo que pode ser tratado como uma imagem PNG ou um arquivo ZIP. Basta alterar a extensão do arquivo ou simplesmente usar um ou outro aplicativo para abri-lo.

Vamos entender por que é possível criar arquivos desse tipo, quais combinações de formatos já foram usadas em ataques reais e como as organizações podem se proteger contra essa ameaça.

Por que é possível criar arquivos poliglotas

Os formatos de dados por trás dos arquivos poliglotas raramente são exóticos. Tudo se resume a uma combinação inteligente de formatos comuns que são estruturalmente compatíveis. Os poliglotas exploram pelo menos uma das seguintes peculiaridades em determinados formatos de arquivo:

  • A maioria dos formatos de arquivo precisa ser decodificada a partir do primeiro byte, mas alguns precisam ser lidos a partir do final. O exemplo mais claro é um arquivo ZIP: um início corrompido ou ausente não impede que os aplicativos leiam o arquivo, porque todos os cabeçalhos necessários ficam no final. Isso permite que os invasores simplesmente concatenem dois arquivos (no exemplo acima, um PNG e um ZIP). A parte inicial é lida como uma imagem PNG válida, enquanto a parte final é lida como um arquivo ZIP válido.
  • Muitos formatos funcionam como bonecas russas matrioscas: embora externamente tenham uma extensão específica correspondente ao uso pretendido, internamente o arquivo é, essencialmente, um arquivo ZIP que contém os dados necessários. Esse grupo inclui documentos modernos do Office (DOCX/XLSX/PPTX), pacotes de instalação do Android (APK), arquivos de biblioteca Java (JAR) e muitos outros.
  • Alguns formatos não têm requisitos estruturais rígidos ou têm requisitos suficientemente flexíveis para que o aplicativo que processa o arquivo consiga localizar o trecho de que precisa, mesmo quando esse trecho não está no início.

O repositório Polydet no GitHub apresenta vários exemplos de combinações possíveis de arquivos para criar um arquivo poliglota. De acordo com a classificação da MITRE, essa técnica se enquadra na categoria Masquerading (T1036.008, Masquerade File Type).

Exemplos de arquivos poliglotas em ciberataques conhecidos

Análises de campanhas de malware disponíveis publicamente revelam diversos tipos de arquivos poliglotas. Os invasores adaptam todo o cenário do ataque a uma combinação específica de tipos de arquivo.

O grupo Head Mare entregou o malware PhantomPyramid como um anexo ZIP. O arquivo consistia em código executável do Windows (EXE), com um pequeno arquivo ZIP concatenado ao final. Quando a vítima abriu o arquivo compactado, ele continha um arquivo com a extensão PDF.LNK que, então, iniciava esse mesmo anexo poliglota, desta vez como um arquivo executável.

No ataque documentado pela JPCERT, os invasores criaram um arquivo que começava como PDF e era detectado como PDF pela maioria dos verificadores, mas tinha uma extensão DOC e era aberto nos aplicativos do Office como um arquivo DOC válido contendo macros maliciosas.

Os ataques que disseminaram os cavalos de Tróia StrRAT e Ratty usaram um arquivo poliglota criado a partir de um pacote de instalação assinado do Windows (MSI), com código Java malicioso (JAR) anexado ao final.

Os ataques do StrelaStealer usaram um arquivo poliglota com extensão HTML: uma biblioteca do Windows (DLL) com um documento HTML de chamariz concatenado ao final. Um atalho no arquivo compactado iniciou o arquivo duas vezes: uma vez por meio do comando start (o equivalente a um clique duplo, que abriu um navegador exibindo o documento HTML) e outra por meio do rundll32 (que iniciou a DLL maliciosa).

Em um ataque simulado, mas engenhoso, os pesquisadores concatenaram dois arquivos ZIP comuns e descobriram que diferentes ferramentas populares de compactação exibiam o arquivo combinado de maneiras diferentes: algumas mostravam apenas o primeiro arquivo compactado, outras apenas o segundo, e outras mostravam ambos ao mesmo tempo, como se fossem um único arquivo compactado com conteúdo compartilhado. Se o invasor estiver familiarizado com a infraestrutura da vítima e souber quais softwares estão instalados, poderá usar essa combinação para mostrar um arquivo às ferramentas de segurança e outro à vítima.

Os invasores empregaram uma complexa matriosca de malware em uma campanha que distribuiu o infostealer IcedID. Eles anexaram um arquivo ZIP aos e-mails de phishing; descompactá-lo produziu um arquivo ISO. Esse ISO, por sua vez, era descompactado em um arquivo CHM (Ajuda do Windows) criado com a técnica poliglota. Quando a vítima o abriu com a ferramenta padrão de Ajuda do Windows, o arquivo executou um script JavaScript incorporado ao conteúdo da ajuda, que iniciou o aplicativo padrão mshta (host de aplicativos HTML da Microsoft) e o direcionou para esse mesmo arquivo CHM. Os autores da campanha empacotaram um aplicativo HTA dentro do arquivo CHM de forma que sua presença não interferisse na leitura do arquivo como um documento de ajuda inócuo. O manipulador de HTA, por sua vez, simplesmente ignora todos os dados irrelevantes no início do arquivo até encontrar o script HTA.

Como as ferramentas de segurança lidam com arquivos poliglotas

Os exemplos acima deixam claro como esse truque de leitura dupla permite que os invasores implantem malware no computador da vítima. Mas como os filtros de e-mail e os sistemas EDR realmente lidam com arquivos desse tipo? A resposta depende inteiramente da solução específica, portanto, isso precisa ser verificado, seja por meio da análise da documentação técnica do fornecedor, seja pela execução de um teste controlado na infraestrutura corporativa, com todas as devidas precauções.  De modo geral, apenas dois pontos são válidos em todos os casos:

  • A maioria das soluções de segurança não confia na extensão informada de um arquivo; em vez disso, verifica seu início para determinar sua estrutura real. É por isso que, no ataque descrito acima, o arquivo PDF com extensão DOC foi analisado como um PDF inofensivo, enquanto a macro maliciosa estava na parte DOC concatenada.
  • Se um arquivo começar como algo inofensivo (por exemplo, uma imagem) e sua extensão corresponder, uma análise mais sofisticada provavelmente não será aplicada a ele. Os invasores podem explorar isso: as instruções que acompanham o arquivo podem orientar a vítima a renomeá-lo para que o comportamento do sistema acabe associado à segunda carga útil, e não à imagem.

Como proteger uma organização contra ataques de arquivos poliglotas

A defesa contra arquivos poliglotas não requer soluções técnicas ou organizacionais complexas. O que exige são boas práticas de segurança sólidas e consistentes em toda a organização:

  • use listas fechadas de aplicativos autorizados a serem executados nas estações de trabalho dos funcionários. exclua aplicativos do Windows desatualizados, ferramentas administrativas da Microsoft não utilizadas, softwares de acesso remoto e de transferência de arquivos e qualquer outro software considerado potencialmente perigoso ou obsoleto.
  • use soluções de segurança de e-mail avançadas e equipadas com CDR (tecnologia de Desarme e Reconstrução de Conteúdo, que desarma anexos suspeitos e os reconstrói em versões mais seguras) e tecnologia de detonação (que executa anexos suspeitos em um ambiente isolado para análise). configure a análise aprofundada para anexos que apresentem sinais externos de serem arquivos poliglotas: todos os arquivos compactados e do Office, arquivos com extensões não padrão e assim por diante.
  • da mesma forma, configure a solução EDR para realizar uma análise aprofundada de possíveis arquivos poliglotas.
  • crie regras de monitoramento que gerem alertas para combinações incomuns entre um processo e os arquivos que ele recebe para processamento, como um arquivo CHM iniciado por meio do mshta ou um arquivo HTML iniciado por meio do rundll32, como nos exemplos acima.
  • adicione informações básicas sobre arquivos poliglotas ao programa de conscientização em segurança utilizado pela organização, para que os usuários fiquem atentos quando forem orientados a alterar a extensão de um arquivo ou a manipulá-lo de alguma forma incomum, por exemplo, abrindo-o em um aplicativo específico.

Malware em sistemas de infoentretenimento automotivos: como ocorre a infecção

Em junho de 2026, descobrimos um malware incomum que tem como alvo… centrais multimídia automotivas baseadas em Android. Este é o primeiro caso documentado de malware distribuído para centrais multimídia automotivas por meio de um serviço de atualização automática de firmware. Já abordamos diversos incidentes de cibersegurança automotiva, mas, em geral, eles envolviam vazamentos de dados na infraestrutura digital das fabricantes ou testes conduzidos por pesquisadores de segurança.

No entanto, este caso envolve malware que cibercriminosos estão distribuindo ativamente. Os objetivos são cometer fraude publicitária e criar uma botnet de proxies formada por centrais multimídia automotivas infectadas. Neste artigo, explicamos o que é uma central multimídia automotiva, como os invasores infectam esses dispositivos e o que isso pode significar para os motoristas.

O que é uma central multimídia automotiva?

Primeiro, vamos esclarecer o que é exatamente uma central multimídia automotiva. O termo pode parecer técnico, mas, na realidade, a maioria dos motoristas interage com uma delas sempre que usa o carro. A central multimídia é o sistema de infoentretenimento do veículo, geralmente centrado em uma tela usada para controlar a navegação, a música e outras funções do veículo. Nos carros modernos, as centrais multimídia automotivas costumam estar conectadas à Internet.

As fabricantes usam frequentemente o Android nas centrais multimídia por sua praticidade, já que o sistema foi desenvolvido para atender a diferentes usos automotivos e oferece diversas vantagens:

  • muitas opções de personalização da interface;
  • facilidade para desenvolver aplicativos;
  • a possibilidade de adicionar aplicativos e componentes próprios ao sistema;
  • um grande ecossistema de aplicativos já existente.

No entanto, essas mesmas vantagens também criam riscos, pois os aplicativos podem ser maliciosos em vez de legítimos. E foi exatamente isso que aconteceu neste caso: usando um aplicativo malicioso, invasores incorporaram veículos a uma botnet. Veja como isso aconteceu…

Como os invasores infectam as centrais multimídia automotivas e qual malware utilizam?

Primeiro, é importante observar que esse malware não afeta todas as centrais multimídia automotivas, mas apenas aquelas que utilizam software desenvolvido pela empresa chinesa DoFun. A empresa desenvolve firmware, aplicativos e serviços de nuvem para sistemas de infoentretenimento automotivos baseados em Android e, de acordo com seu site, atende a mais de 30 milhões de proprietários de veículos em todo o mundo.

Para distribuir o malware para o sistema de infoentretenimento de um veículo, os invasores usam o TWCore, um aplicativo de sistema legítimo responsável pelas atualizações de software nas centrais multimídia automotivas da DoFun. Em condições normais, o TWCore obtém da nuvem da desenvolvedora informações sobre os arquivos que precisam ser baixados e instalados no dispositivo. Esses arquivos são, principalmente, atualizações de software já instalado na central multimídia, mas o mesmo mecanismo pode ser usado para instalar novos aplicativos. E é exatamente isso que os invasores exploram: eles usam o TWCore para instalar o JarService (um dropper de cavalo de Troia malicioso) nas centrais multimídia automotivas.

O JarService é essencialmente um aplicativo “vazio”. Ou seja, ele não tem uma interface de usuário e não tenta se passar por um serviço legítimo. A ausência de uma interface faz todo sentido neste caso: os invasores não precisam convencer o usuário a instalar o malware manualmente, e nenhuma interação do usuário é necessária.

O código do JarService contém, de forma criptografada, a carga útil da próxima etapa, além de informações sobre sua versão e ponto de entrada. A função do JarService é descriptografar esses dados e iniciar a próxima etapa da infecção: um módulo malicioso de download. Depois de iniciado, o módulo de download se conecta ao servidor de comando e controle (C2) dos invasores e envia informações sobre o malware instalado. Em resposta, o servidor fornece um link para a carga útil da próxima etapa. O módulo de download obtém essa carga útil, descriptografa-a e a executa.

Neste caso, o malware instala um tipo de malware conhecido como “clicker”, usado para aumentar fraudulentamente o número de impressões de anúncios. Depois de ser executado, o malware entra em contato regularmente com o servidor C2 e envia informações sobre o dispositivo infectado, incluindo seu modelo, resolução de tela, endereço MAC e detalhes da rede Wi-Fi conectada. Em troca, o malware pode receber vários comandos dos invasores. Por exemplo, ele pode fazer solicitações HTTP e abrir páginas da Web. Mas, mais importante ainda, pode baixar e executar código malicioso adicional no sistema de infoentretenimento do veículo comprometido.

Os invasores usam esse recurso para instalar um módulo malicioso chamado zhima, que adiciona a central multimídia infectada a uma botnet. A botnet resultante é usada para operar um serviço conhecido como proxy residencial, permitindo que os invasores direcionem seu tráfego por meio dos dispositivos infectados ao realizar ataques e outras atividades maliciosas.

Quem está por trás do malware e o que os invasores pretendem alcançar?

Os invasores infectam centrais multimídia automotivas com malware principalmente para expandir a botnet. Uma investigação realizada por especialistas da Kaspersky constatou que a operação está associada à plataforma maliciosa BADBOX e, mais especificamente, a um dos agentes de ameaça ligados a ela: o MoYu Group. Indícios no código do malware, juntamente com semelhanças em relação à infraestrutura anteriormente atribuída ao MoYu Group, apontam para o envolvimento do grupo. A própria BADBOX reúne uma série de atividades maliciosas voltadas à infecção de dispositivos Android e à exploração clandestina de seus recursos.

Os invasores, então, ganham dinheiro monetizando o acesso a recursos que pertencem a outras pessoas. Ao investigar a infraestrutura da botnet, nossos especialistas descobriram vínculos entre o MoYu Group e os serviços PXYEDGE e ProxyForU, que oferecem serviços de proxy residencial. Esses serviços permitem que clientes de todo o mundo direcionem seu tráfego de Internet por meio de dispositivos conectados à botnet e, assim, acessem a Internet usando os endereços IP desses dispositivos. Isso sugere que as centrais multimídia automotivas infectadas já podem estar sendo usadas como parte dessa infraestrutura.

Como o malware afeta os usuários?

Em primeiro lugar, o malware consome parte dos recursos computacionais da central multimídia automotiva. A carga adicional pode fazer com que o sistema de infoentretenimento do veículo fique mais lento ou menos estável. Ao mesmo tempo, é muito provável que a velocidade da conexão de Internet do dispositivo infectado também diminua, pois os invasores podem direcionar grandes volumes de tráfego por meio dele.

Também vale destacar que o malware não se limita a oferecer funcionalidade de proxy. Ele pode receber comandos dos invasores, além de baixar e executar código malicioso adicional. Como resultado, as consequências de uma infecção podem variar de acordo com a carga útil que os operadores da botnet decidirem instalar no dispositivo.

Conclusão

Este caso demonstra mais uma vez que ataques a todos os tipos de dispositivos conectados à Internet, de decodificadores de TV a sistemas de infoentretenimento automotivo, não são apenas uma possibilidade teórica, mas uma realidade concreta. Os invasores estão constantemente procurando novos dispositivos cujos recursos possam explorar para seus próprios fins. Por isso, a proteção contra malware é importante muito além de computadores e smartphones.

Nossos especialistas informaram a desenvolvedora sobre o esquema de distribuição do malware que identificaram, e ela corrigiu os problemas de segurança identificados.

Uma análise técnica completa do malware está disponível na Securelist.

Que outros métodos os invasores podem usar para comprometer um veículo e quais riscos eles representam para os motoristas? Leia mais em nossas publicações:

Veja como os hackers usam scripts do PowerShell para roubar contas do Telegram | Blog oficial da Kaspersky

Existem dezenas de maneiras de invadir uma conta do Telegram. Revelamos com frequência casos de phishing nos Miniaplicativos do Telegram, golpes usando bots, presentes e brindes, além de muitas outras táticas. Hoje, estamos analisando outro método de sequestro de conta: um método baseado em um script do PowerShell.

O script enganoso, chamado de “Atualização de telemetria do Windows”, na verdade serve como uma ferramenta para sequestrar sessões do Telegram. Ele coleta dados de computadores completamente indefesos e os envia aos invasores por meio de um bot do Telegram.

Um script malicioso contendo um malware de roubo de dados

Os cibercriminosos costumam usar scripts do PowerShell para baixar malware e coletar dados de forma oculta. Desta vez, os pesquisadores descobriram um script no Pastebin disfarçado de atualização comum do Windows. Na realidade, trata-se de um infostealer projetado para sequestrar dados de sessão do Telegram para Windows e permitir que hackers assumam o controle de contas sem senha nem código de verificação.

Mas, afinal, o que é um script do PowerShell? Pense nisso como um arquivo de texto repleto de comandos para um computador Windows. Em vez de uma pessoa gastar tempo clicando e executando tarefas manualmente, o computador segue essas instruções para fazer tudo automaticamente em questão de segundos.

Esse script do PowerShell rouba dados de sessão do Telegram para Windows, permitindo que hackers invadam contas sem usar uma senha nem códigos de verificação

Os pesquisadores logo identificaram um token de bot do Telegram e um ID de chat na parte superior do script, além de várias referências à pasta tdata. Essa pasta é onde o Telegram para Windows mantém as chaves de autorização usadas para fazer login dos usuários nos seus servidores. Se esses dados forem capturados por invasores, será possível acessar a conta do Telegram da vítima sem precisar de uma senha nem de um código de verificação. Os invasores, então, mantêm o acesso até que a vítima verifique suas sessões ativas no aplicativo e encerre manualmente as sessões suspeitas.

Como o malware de roubo de dados funciona

O malware chega ao computador da vítima disfarçado de script do PowerShell de atualização da telemetria do Windows. Assim que é executado, esse script reúne informações básicas do sistema: nome de usuário, nome do host e endereço IP público. Em seguida, ele verifica se o Telegram Desktop está instalado. Se estiver, o script força o encerramento do aplicativo para desbloquear os arquivos do Telegram para edição.

A partir daí, o resto é simples: o script compacta todo o conteúdo da pasta tdata em um diretório temporário, encaminha o arquivo compactado para os invasores e, então, exclui o arquivo do computador para ocultar seus rastros.

A boa notícia é que é provável que o malware de roubo de dados ainda não tenha comprometido nenhuma conta, pois não foram encontradas provas de transferências reais de dados. Parece que os pesquisadores detectaram esse script malicioso do PowerShell enquanto ele ainda estava na fase de teste do protótipo.

Outro sinal de alerta é seu nome bem suspeito. Os cibercriminosos normalmente usam nomes neutros para ocultar seus bots e aplicativos. Mas, nesse caso, quando os pesquisadores o identificaram, o bot estava sendo executado sob o nome aleatório afhbhfsdvfh_bot com uma descrição bastante honesta: Atacante do Telegram. Os pesquisadores observaram que, embora o bot provavelmente tenha sido submetido a testes funcionais, ele ainda não havia sido implementado em escala, o que explica o nome aleatório.

Como se defender contra scripts do PowerShell

A defesa contra esse malware de roubo de dados sem nome requer uma abordagem de segurança em camadas. Em primeiro lugar, é preciso entender como um script do PowerShell vai parar no seu PC. Isso geralmente ocorre por meio de anexos de e-mail maliciosos, vulnerabilidades de software, aplicativos infectados ou truques de engenharia social. É por isso que recomendamos a instalação de um pacote de segurança robusto no seu dispositivo e extrema cautela ao clicar em links e baixar arquivos.

  • Tome cuidado com os downloads. Sempre verifique os sites que você usa para baixar arquivos. Opte por fontes oficiais e confiáveis. E lembre-se de que os canais do Telegram e do Discord, bem como sites duvidosos e criados apenas para golpes, definitivamente não se encaixam nessa descrição.
  • Cuidado com links e anexos de e-mail. Lembre-se de que o e-mail continua sendo o método de entrega de malware favorito dos cibercriminosos. Os cibercriminosos podem enviar um script do PowerShell diretamente para sua caixa de entrada como anexo ou induzir você a clicar em um link que aciona um download automático.
  • Mantenha seus aplicativos e SO atualizados. As vulnerabilidades de software podem surgir a qualquer momento, mas as correções geralmente são disponibilizadas rapidamente. Recomendamos instalar atualizações assim que elas forem disponibilizadas. Para facilitar as coisas, basta ativar as atualizações automáticas sempre que possível.

Instale o Kaspersky Premium em cada dispositivo onde você usa o Telegram. Nossa solução de segurança bloqueia malwares, anexos maliciosos, spam, tentativas de phishing e sites suspeitos. A assinatura do Kaspersky Premium inclui um gerenciador de senhas. Ele gera senhas fortes e exclusivas e as armazena com segurança, impede que você insira suas credenciais em sites falsos e é útil para aumentar a segurança do Telegram, que abordaremos a seguir.

Como proteger sua conta do Telegram

Para proteger sua conta do Telegram contra esses tipos de golpes de sequestro, recomendamos o seguinte:

  • Monitore regularmente sua atividade no Telegram. Os hackers costumam roubar contas para o envio em massa de spam e para aplicar golpes. É uma boa ideia verificar seu histórico de conversas de vez em quando para verificar se não apareceram novas conversas ou mensagens que você não enviou.
  • Encerre sessões não reconhecidas imediatamente. Se você suspeitar que foi vítima desse infostealer ou de qualquer outro ataque cibernético, encerre todas as outras sessões do Telegram o mais rápido possível acessando ConfiguraçõesDispositivosEncerrar todas as outras sessões.

Se sua conta do Telegram já foi invadida, você tem 24 horas para expulsar os invasores encerrando as sessões deles. Explicamos por que essa regra existe e mapeamos todas as formas possíveis de recuperar sua conta no nosso guia detalhado: O que fazer se sua conta do Telegram for hackeada?

Mas é essencial reforçar a segurança da sua conta. Primeiro, configure uma senha na nuvem acessando ConfiguraçõesPrivacidade e segurançaVerificação em duas etapas. Uma senha comum não é suficiente; ela deve ser exclusiva e difícil de comprometer. Recomendamos ler nossa postagem sobre o assunto: Como criar uma senha inesquecível.

Melhor ainda, opte por chaves de acesso: uma tecnologia que não requer o uso de senhas e oferece proteção avançada contra vazamentos e phishing. Para configurar esse método de login, vá para ConfiguraçõesPrivacidade e segurançaChaves de acesso. A maneira mais fácil de gerenciar suas chaves de acesso é com o Kaspersky Password Manager. Nosso aplicativo multiplataforma garante que você possa fazer login no Telegram usando suas chaves de acesso salvas, esteja no Windows, Android, iOS ou macOS.

Para saber mais sobre como os cibercriminosos podem invadir sua conta do Telegram e como protegê-la, confira nossas outras postagens:

TV boxes maliciosas: descubra como uma “SuperBox” barata transforma sua casa em um nó proxy para cibercriminosos | Blog oficial da Kaspersky

Netflix, Apple TV+, Disney+, Hulu, Amazon Prime, YouTube Premium… Hoje em dia, as famílias que seguem a lei costumam pagar, em média, de cinco a dez assinaturas apenas para assistir ao conteúdo que desejam, com gastos mensais facilmente ultrapassando a casa dos cem dólares. Não é surpresa, portanto, que as redes sociais e os marketplaces on-line estejam registrando um aumento na demanda por “caixas mágicas”. Surgidas no final de 2025, essas TV boxes Android prometem desbloquear milhares de canais e oferecer acesso gratuito a serviços de streaming mediante um único pagamento.

Os anúncios desses dispositivos estão inundando o TikTok e o Instagram: influenciadores sorridentes tiram os SuperBoxes da caixa, conectam-nos à TV e navegam por inúmeros canais. Parece a solução perfeita contra o alto preço das assinaturas, certo? Mas, na prática, essa é uma das formas mais fáceis de permitir a entrada de uma botnet na sua rede doméstica.

Captura de tela de um vídeo do TikTok mostrando um SuperBox em ação

Um vídeo promocional no TikTok explicando como é ótimo quando tudo é grátis simplesmente cancelar todas as suas assinaturas

O que há de errado com essas TV boxes baratas?

Já surgiram vários relatos sobre TV boxes maliciosas, mas agora sua divulgação atingiu uma escala realmente alarmante.

No final de 2025, analistas examinaram vários modelos do SuperBox, um dispositivo popular disponível nas principais lojas de varejo e marketplaces on-line. As descobertas foram muito preocupantes: logo após serem ligados, os dispositivos começaram a enviar solicitações aos servidores do aplicativo de mensagens chinês Tencent QQ e ao serviço de proxy Grass, efetivamente disponibilizando a largura de banda da Internet do usuário para terceiros.

Dentro do firmware, os pesquisadores descobriram aplicativos completamente incomuns em um reprodutor de mídia: um scanner de rede, um analisador de tráfego e ferramentas de sequestro de DNS. Com isso, o dispositivo não apenas transmite conteúdo pirata, mas também vasculha a rede local em busca de outros alvos (incluindo interfaces industriais SCADA) e fica pronto para participar de ataques DDoS. Também foi descoberto que os SuperBoxes contêm pastas com o nome revelador “secondstage”, um forte indício de malware em vários estágios.

Mais recentemente, em abril de 2026, o podcast Darknet Diaries publicou uma entrevista com um pesquisador de segurança conhecido pelo pseudônimo D3ada55, que compartilhou diversos detalhes preocupantes sobre essas caixas, incluindo o fato de que elas ainda eram vendidas livremente em plataformas como Amazon, Walmart e Best Buy.

A evolução da infecção: do BADBOX ao Keenadu

O caso do SuperBox está longe de ser a única ocorrência em que os dispositivos Android foram transformados em nós de botnet ou vendidos com infecções de fábrica. Aqui estão os casos mais recentes:

  • BADBOX 2.0. Em julho de 2025, a Google processou os operadores de uma botnet que comprometeu mais de 10 milhões de dispositivos Android, principalmente TV boxes, tablets e projetores baratos que não tinham certificação do Google Play Protect. Conforme informamos anteriormente, o BADBOX 2.0 tem como alvo TV boxes e opera tanto como uma rede proxy quanto como uma plataforma de fraude publicitária.
  • Kimwolf. Em dezembro de 2025, a equipe do QiAnXin XLab descobriu uma botnet DDoS que havia sequestrado cerca de 1,8 milhão de dispositivos Android. O hardware infectado incluía modelos genéricos de fabricantes pouco conhecidos que usavam nomes chamativos como TV BOX, SuperBox, XBOX, SmartTV e outros. O alcance da infecção foi enorme, com dispositivos comprometidos distribuídos para o mundo todo. Os países mais atingidos foram o Brasil, Índia, Estados Unidos, Argentina, África do Sul, Filipinas e México.
  • Keenadu. Nossos especialistas descobriram esse malware à espreita no firmware de dispositivos novos em novembro de 2025, mas ele só chamou atenção depois de publicarmos um estudo sobre ele em fevereiro de 2026. O Keenadu se disfarça de componente legítimo do sistema, até mesmo entrando em aplicativos de desbloqueio facial e potencialmente concedendo aos invasores acesso a dados biométricos, informações bancárias e mensagens pessoais.

Todas essas histórias compartilham a mesma origem: o cavalo de Troia Triada, documentado pela primeira vez pelos nossos pesquisadores em 2016 e apelidado na época de “um dos cavalos de Troia móveis mais avançados”. Ao longo da última década, ele evoluiu de um malware comum para um backdoor modular integrado diretamente ao firmware durante a fabricação.

Como o esquema de infecção funciona

Os fabricantes de TV boxes baratas cortam gastos em tudo: certificação do Google Play Protect, auditorias de firmware e atualizações de segurança. Muitos desses dispositivos são executados no Android Open Source Project sem nenhuma garantia de segurança. Em algum lugar ao longo da cadeia de suprimentos, seja na fábrica, por meio de um intermediário ou em uma distribuidora, um backdoor é injetado na imagem do firmware. Nossos especialistas suspeitam que o próprio fabricante pode nem estar ciente do comprometimento.

A escala da infecção transforma milhões de caixas idênticas na base perfeita para uma botnet: cada dispositivo comprometido representa um endereço IP exclusivo que pode ser alugado para terceiros. Operadores de botnet, como o Kimwolf, lucram com isso não apenas por meio de ataques DDoS distribuídos, mas também revendendo a largura de banda de smart TVs e TV boxes infectadas.

O que isso significa para você

Uma TV box infectada fica na sala de estar, conectada ao Wi-Fi doméstico. Isso significa que ela pode detectar smartphones com aplicativos bancários, unidades de armazenamento conectadas à rede (NAS) com arquivos da família, câmeras IP, fechaduras inteligentes, computadores de trabalho e qualquer outro dispositivo conectado à sua rede Wi-Fi.

Com esse tipo de vetor de acesso inicial dentro da sua rede doméstica, um invasor pode interceptar tráfego não criptografado, falsificar solicitações de DNS, verificar portas e procurar vulnerabilidades em dispositivos vizinhos. Além disso, seu endereço IP pode ser usado para atividades fraudulentas. Como resultado, na melhor das hipóteses, seu IP acabará entrando em listas de bloqueio, e serviços legítimos começarão a barrar seu acesso por atividade suspeita; na pior, autoridades podem bater à sua porta.

Como identificar um gadget potencialmente perigoso

Você deve ficar alerta se um dispositivo:

  • For vendido sob uma marca sem nome ou genérica, como T95, X96Q, MX10, TV BOX, SuperBox ou similares
  • Promete acesso vitalício gratuito a serviços premium pagos mediante um único pagamento
  • Exige que você desative o Google Play Protect ou instale APKs de terceiros durante a configuração inicial
  • Não tem uma certificação do Play Protect
  • É promovido por meio de campanhas agressivas de spam nas redes sociais

Como evitar hospedar um nó de botnet

  • Compre TV boxes certificadas com Google Play Protect ou adquira dispositivos diretamente de operadoras de telecomunicações e provedores de Internet confiáveis.
  • Isole todos os dispositivos domésticos inteligentes. Configure uma rede Wi-Fi separada no roteador da sua casa para TV boxes, câmeras, alto-falantes inteligentes, aspiradores robóticos e dispositivos semelhantes, mantendo smartphones, unidades NAS e computadores na rede principal. Isso evita que o malware se espalhe para seus dispositivos mais importantes.
  • Atualize o firmware com frequência em todos os dispositivos, e não se esqueça do roteador, pois ele também representa um elo vulnerável na cadeia.
  • Remova todos os aplicativos da TV box Android que não foram instalados por você, especialmente lojas de aplicativos alternativas, “impulsionadores” de Wi-Fi e “limpadores de sistema”.
  • Monitore o tráfego da sua rede. Roteadores modernos e o Kaspersky Premium conseguem exibir os destinos de conexão de cada dispositivo. Conexões frequentes entre um reprodutor de mídia e servidores na China representam um forte sinal de alerta de segurança.
  • Instale o Kaspersky Premium em todos os seus dispositivos, pois ele protege contra cavalos de Troia e bloqueia páginas de phishing usadas para distribuir arquivos APK infectados.
  • Não desative o Google Play Protect e evite instalar APKs de fontes duvidosas, pois esse é o principal vetor de infecção usado para burlar a loja oficial de aplicativos.
  • Em caso de dúvida, devolva a TV box. Não vale a pena arriscar sua biometria, dados bancários ou a reputação do seu endereço IP por causa de um dispositivo de streaming barato.

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Ferramentas de vigilância baseadas em veículos

É melhor pensar no carro moderno como um computador sobre rodas que constantemente envia dados de diagnóstico para os servidores da montadora ou do revendedor. Ao entrar no carro, você encontrará dezenas de sensores: GPS, velocímetros, microfones com viva-voz, câmeras externas e até mesmo sensores menos óbvios (mas muito ativos) de pressão do pedal, pressão dos pneus, temperatura do motor e muito mais. Ainda que esses dados não sejam transmitidos à montadora em tempo real, eles são registrados na memória interna do carro e podem revelar uma grande quantidade de informações sobre as viagens, os hábitos e o entorno do motorista. Já explicamos como as montadoras coletam dados para uso comercial e para quem eles são vendidos (alerta de spoiler: as seguradoras são as maiores compradoras de telemetria), mas hoje mostraremos como os órgãos de segurança pública e as agências de inteligência utilizam essa mina de ouro.

Provas digitais

Os departamentos de polícia do mundo todo reconhecem o imenso valor dos dados armazenados nos veículos. Quando um carro ou o seu proprietário está envolvido em um crime, os investigadores fazem mais do que apenas verificar impressões digitais ou DNA. A tecnologia Car Intelligence (CARINT) permite que eles vasculhem todos os sistemas a bordo do carro, extraindo dados como:

  • Histórico de viagens fornecido pelo GPS
  • Registros de chamadas, atividade do player de mídia e comandos de voz
  • Listas de dispositivos pareados e de contatos sincronizados
  • Estatísticas de condução: quilometragem, modos de desempenho do motor e outros parâmetros técnicos

Há vários casos em que esses dados serviram como prova e desmentiram álibis. Em um caso ocorrido nos EUA, um comando de voz gravado representou a prova concreta de que a pessoa tida como suspeita era a autora do crime.

Com o aumento de carros conectados com SIM próprio e comunicação direta com a montadora, agentes de segurança pública não precisam mais de acesso físico ao veículo. Dados importantes, como o histórico de localização fornecido pelo GPS, podem ser obtidos diretamente dos servidores da montadora. Além disso, uma investigação conduzida pelo Senado dos EUA revelou que nove das 14 montadoras investigadas estavam fornecendo esses dados sem um mandado.

Os principais fornecedores de software de inteligência automotiva, como Ateros, Berla, TA9/Rayzone e Toka, vendem apenas para agências governamentais e policiais, por isso são pouco conhecidos pelo público.

Vigilância abrangente

Para rastrear pessoas, os dados extraídos do seu próprio veículo são cruzados com informações de outras fontes. Segundo vazamentos à imprensa, os principais produtos dessa categoria combinam dados do SIM do carro, registros de Bluetooth, imagens de câmeras de segurança de monitoramento urbano e informações disponibilizadas para venda por corretores de dados. Esse conjunto de dados híbrido simplifica o mapeamento abrangente dos movimentos e contatos de uma pessoa sob investigação. Jornalistas descobriram que algumas empresas permitem ativar remotamente microfones e câmeras do veículo sem que o proprietário descubra, permitindo a eles ouvir conversas em tempo real. No entanto, especialistas observam que, devido à diversidade de implementações técnicas em diferentes sistemas, invadir o sistema de um carro continua sendo uma tarefa difícil e sem garantia de sucesso. Muitas vezes, é mais simples correlacionar outros conjuntos de dados, mais acessíveis, para obter o mesmo resultado.

Ferramentas de espionagem nativas

Recursos como a ativação secreta de câmeras, microfones e outros sensores podem, em teoria, fazer parte das funcionalidades de fábrica de um veículo, em vez de serem resultado de uma invasão. Embora não tenhamos encontrado nenhuma prova pública de tais casos, sabe-se que os veículos fabricados na China estão sob crescente escrutínio em vários países. Eles foram banidos de instalações militares israelenses, com exceção de um único modelo da Chery, desde que seu sistema multimídia tenha sido removido. O Reino Unido e a Polônia também estabeleceram proibições semelhantes, sendo que os funcionários do Ministério da Defesa do Reino Unido são instruídos a não conectar o telefone de trabalho a carros fabricados na China. Na Alemanha, as análises de segurança de veículos chineses foram realizadas pelas agências especializadas BfV e ZITiS, mas as descobertas permanecem confidenciais.

Vigilância de baixo custo

Para rastrear um veículo, ou milhares deles, não é necessário invadir os sistemas a bordo nem acessar extensas redes de leitores de placas. Um estudo científico recente demonstrou que os sistemas de monitoramento da pressão dos pneus (TPMS), que à primeira vista parecem inocentes, fornecem dados suficientes para um rastreamento eficaz. Os dados desses sensores são transmitidos por rádio sem qualquer criptografia e incluem um ID exclusivo que facilita a identificação de um carro específico. Isso permite mais do que apenas confirmar o movimento do veículo; também pode ser usado para estimar o peso do motorista ou determinar se ele está viajando sozinho. Pode não parecer tão impressionante quanto acessar remotamente as câmeras de um carro, mas exige pouco investimento e funciona até em veículos mais antigos sem conexão com a Internet.

Como se proteger contra o rastreamento de veículos

Rastrear alguém pelo carro compromete a privacidade. No entanto, equilibrar a mitigação desse risco é difícil, pois muitas medidas são complexas e ineficazes, reduzindo a utilidade, a segurança e a conveniência dos veículos modernos. Assim, antes de tomar qualquer medida, você deve ponderá-la em relação ao seu perfil de risco pessoal.

Para reduzir o risco de vazamento de dados, verifique as configurações de privacidade no aplicativo do fabricante, no sistema multimídia do carro e no smartphone conectado. Um carro conectado pode transmitir para a nuvem dados sobre seu funcionamento: informações sobre viagens, localização, estilo de direção, condição do veículo e funcionamento de seus componentes. Alguns desses dados são necessários para navegação, diagnóstico e manutenção, mas nem todas as permissões são indispensáveis: revise as configurações e desative a transmissão de dados não relacionados às funções necessárias.

Tenha cuidado com as permissões de acesso ao microfone, à câmera, aos contatos, às mensagens e à geolocalização. Conecte ao carro apenas seus próprios dispositivos e não salve telefones de outras pessoas nem dispositivos Bluetooth desconhecidos no sistema. Ao sincronizar o smartphone, selecione apenas recursos dos quais precisa: chamadas, música e navegação, em vez de conceder acesso total a todos os dados do aparelho.

Não recorra a técnicos que ofereçam “desbloquear” o carro, reprogramar unidades de controle eletrônico ou instalar softwares para ampliar recursos, aumentar a potência ou interferir no funcionamento do carro. Esses softwares não foram testados pelo fabricante: eles podem agir de forma imprevisível, coletar e transmitir dados para agentes maliciosos, desativar recursos de segurança ou afetar sistemas críticos do veículo: incluindo direção, frenagem e funcionamento do motor.

Ao escolher um carro novo, pergunte na concessionária não apenas sobre a pontuação nos testes de segurança NCAP, potência do motor ou consumo de combustível, mas também sobre as tecnologias de cibersegurança utilizadas no veículo. Soluções como o Kaspersky Automotive Secure Gateway, que é baseado no KasperskyOS, fornecerão a proteção necessária para carros novos contra ameaças cibernéticas.

Que outras ameaças os carros conectados escondem? Leia mais em nossas publicações:

Quase metade de todas as senhas existentes podem ser quebradas em menos de um minuto | Blog oficial da Kaspersky

Todos os anos, centenas de milhões de senhas de usuários reais são vazadas na dark web. Analisamos 231 milhões de senhas exclusivas que foram vazadas na dark web entre 2023 e 2026, e as conclusões são sombrias: a grande maioria delas é extremamente fraca. Basta uma hora e alguns dólares no bolso para que um invasor quebre 60% dessas senhas. Além disso, a quebra de senhas vem crescendo a cada ano. No nosso estudo anterior, realizado em 2024, a porcentagem de senhas vulneráveis era menor.

Hoje, analisaremos o quanto as senhas comuns são seguras (spoiler: nem um pouco) e como você pode proteger seus dados e contas usando métodos mais robustos. Ao mesmo tempo, destacaremos os padrões mais comuns utilizados por usuários reais na criação das suas senhas.

Como as senhas são quebradas

Os métodos utilizados para armazenar e decifrar senhas já foram abordados em detalhes no nosso estudo anterior, mas faremos uma breve recapitulação dos pontos mais importantes.

Nos dias atuais, as senhas quase nunca são armazenadas em texto simples. Por exemplo, se você criar uma conta com a senha “Password123!”, o servidor não a armazenará desta forma. Em vez disso, a senha passa por um processo de hash usando algoritmos específicos, transformando-se em uma sequência de letras e números de comprimento fixo (um hash), que é o que realmente fica armazenado no servidor. O hash MD5 para “Password123!” se parece assim:

2c103f2c4ed1e59c0b4e2e01821770fa.

Cada vez que o usuário insere sua senha, ela é convertida em um hash e comparada com o hash que está armazenado no servidor; se eles corresponderem, a senha está correta. Se um invasor colocar as mãos nesse hash, ele precisará quebrá-lo para recuperar a senha original, em um processo conhecido como “quebra de senha”. Isso normalmente é feito usando GPUs próprias ou alugadas, e vários métodos podem ser empregados na execução:

  • Enumeração exaustiva (força bruta). O computador tenta todas as combinações possíveis de caracteres, calculando um hash para cada uma delas. Esse é o método mais fácil para quebrar senhas curtas ou compostas por um único conjunto de caracteres (como apenas dígitos).
  • Tabelas arco-íris. Esse método é um pesadelo para quem usa senhas simples. Trata-se basicamente de uma “lista telefônica” de hashes já quebrados por força bruta ou algoritmos inteligentes. Tudo o que um invasor precisa fazer é encontrar um hash correspondente e ver qual senha corresponde a ele.
  • Quebra inteligente. Esses algoritmos são treinados com base em bancos de dados de senhas vazadas. Eles entendem a frequência de diferentes combinações de caracteres e fazem as verificações das sequências mais prováveis para as menos comuns. Os algoritmos consideram palavras do dicionário e substituições de caracteres (a → @ ou s → $), bem como estruturas de senhas comuns, como “palavra do dicionário + número + caractere especial”, enquanto verificam hashes em relação às tabelas arco-íris. A combinação desses métodos acelera bastante o processo de quebra de senhas.

Além desses métodos, os invasores também conseguem interceptar senhas em texto simples. Existem várias maneiras de fazer isso: phishing (em que uma vítima é atraída para uma página da Web falsa e insere sua senha), keyloggers que detectam teclas pressionadas, malwares de roubo de dados, cavalos de Troia capazes de acessar documentos, cookies, dados da área de transferência e muito mais. Infelizmente, muitos usuários armazenam suas senhas em formato de texto simples em anotações, aplicativos de mensagens e documentos, ou as salvam em navegadores onde invasores podem extraí-las em segundos.

Todos os anos, detectamos cerca de cem milhões de vazamentos de senhas em formato de texto simples. Usamos esses bancos de dados para avisar os usuários do [placeholder KPM] caso seus dados tenham sido comprometidos. Eles nos perguntam com frequência se conhecemos suas senhas. E a resposta é: não. Já explicamos em linguagem não técnica como comparamos suas senhas com senhas vazadas sem precisar conhecê-las (nem as senhas armazenadas no [placeholder KPM] nem mesmo seus hashes saem do seu dispositivo) nas visões gerais da nossa tecnologia de análise de vazamentos e na arquitetura interna do nosso gerenciador de senhas. Dê uma olhada neles. Você ficará surpreso com a elegância do processo.

60% das senhas são quebradas em menos de uma hora

Adicionamos 38 milhões de senhas reais divulgadas por invasores em fóruns da dark web ao banco de dados do nosso estudo anterior e comparamos os resultados. O teste foi realizado usando uma única GPU RTX 5090 para senhas com hash gerado pelo algoritmo MD5. Os dados utilizados na análise foram obtidos do nosso serviço Digital Footprint Intelligence . Você pode consultar o algoritmo que usamos para avaliar a força das senhas em nosso artigo na Securelist.

Infelizmente, as senhas continuam fracas, e fica cada vez mais fácil e rápido quebrá-las. Hoje, 60% das senhas podem ser quebradas em menos de uma hora. Há dois anos, essa porcentagem era de 59%. Mas o fato mais alarmante é este: quase metade de todas as senhas (48%) são quebradas em menos de um minuto!

Tempo para decifrar Porcentagem de senhas que podiam ser quebradas neste período em 2024 Porcentagem de senhas que podiam ser quebradas neste período nos dias de hoje
Menos de um minuto 45% 48%
Menos de uma hora 59% (+14%) 60% (+12%)
Menos de 24 horas 67% (+8%) 68% (+ 8%)
Menos de um mês 73% (+6%) 74% (+6%)
Menos de um ano 77% (+4%) 77% (+3%)
Mais de um ano 23% 23%

Tempo para quebrar uma senha: dois anos atrás e hoje

Esse aumento na velocidade ocorreu devido aos processadores gráficos, que se tornam mais poderosos a cada ano. Enquanto uma RTX 4090 em 2024 atingia uma velocidade de 164 gigahashes (bilhões de hashes) por segundo em ataques de força bruta contra hashes MD5, a nova RTX 5090 aumentou essa taxa em 34%, chegando a 220 gigahashes por segundo.

E embora uma placa de vídeo de alta tecnologia como essa possa ser encontrada à venda no varejo por milhares de dólares, o preço não representa um grande empecilho: há muitos serviços em nuvem baratos que permitem alugar o poder de computação de uma GPU. Dependendo da configuração e do modelo, os custos de aluguel variam de alguns centavos a alguns dólares por hora. Como vimos, uma hora é tudo o que um invasor precisa para quebrar três de cada cinco senhas encontradas em um vazamento. Além disso, dependendo da escala da tarefa, é possível alugar dez ou até cem GPUs em vez de apenas uma…

É interessante notar que quebrar todas as senhas de um conjunto de dados leva quase o mesmo tempo que quebrar apenas uma. Durante cada iteração, depois que o invasor calcula um hash para uma combinação de caracteres específica, ele verifica se esse mesmo hash existe em algum lugar no conjunto de dados. Quanto maior é o conjunto, mais fácil é encontrar uma correspondência. Se uma correspondência for encontrada, a senha correspondente será marcada como “quebrada”, e o algoritmo seguirá para a próxima.

Quais senhas são vulneráveis?

A força de qualquer senha depende do seu comprimento, da variedade do conteúdo e da aleatoriedade desse conteúdo. As senhas criadas por humanos acabam sendo as menos seguras, já que, infelizmente, somos bastante previsíveis. As pessoas usam palavras do dicionário e combinações de caracteres que já foram dominadas pelos algoritmos inteligentes e evitam usar sequências longas e aleatórias de caracteres. Além disso, muitas não sabem que é possível detectar padrões em sequências que aparentam ser aleatórias. O curioso é que senhas geradas por IA ainda carregam traços de uma abordagem humana. Falamos sobre isso em outro post sobre como criar uma senha forte e memorável.

Quase metade de todas as senhas existentes podem ser quebradas em menos de um minuto

Porcentagem de senhas de diferentes comprimentos que podem ser quebradas em um determinado período

O comprimento de uma senha é o principal fator que afeta o tempo que ela leva para ser decifrada. Como você pode ver na tabela abaixo, leva menos de 24 horas para quebrar quase todas as senhas de oito caracteres.

Porcentagem de senhas de diferentes comprimentos que podem ser quebradas em um determinado períodoMas a previsibilidade de uma senha também importa. Você acha que sua senha se torna mais segura ao adicionar um número ou um caractere especial a uma palavra fácil de lembrar? A resposta é sim, mas nem tanto. Os padrões usados pelas pessoas para criar senhas são fáceis de prever e, às vezes, até divertidos, embora isso não tenha graça nenhuma.

O que aprendemos sobre padrões de senhas

Uma análise de mais de 200 milhões de senhas revelou padrões característicos que permitem que algoritmos inteligentes quebrem senhas com facilidade.

Escolha um número

Mais da metade de todas as senhas (53%) terminam com um ou mais dígitos, enquanto quase uma em cada seis (17%) começa com um número. Uma em cada oito (12%) contém sequências que parecem anos, variando de 1950 a 2030, e uma em cada 10 (10%) contém anos entre 1990 e 2026. É provável que isso aconteça porque as pessoas utilizam seu ano de nascimento (ou de alguém que elas conhecem), algum outro ano significativo ou o ano em que criaram a senha ou a conta. Curiosidade: a distribuição dessas datas sugere que os usuários mais ativos na Internet nasceram entre 2000 e 2012.

No entanto, entre todas as combinações numéricas, a mais popular é “1234”, como você já deve ter adivinhado. No geral, padrões com sequências de teclas do teclado (“qwerty”, “ytrewq” e similares) aparecem em 3% das senhas.

Caracteres especiais não são garantia de segurança

A maioria das políticas de senha nos últimos anos exige o uso de pelo menos um caractere especial. O vencedor absoluto desta categoria é o símbolo @: ele aparece em uma em cada 10 senhas. O ponto (.) aparece em segundo lugar, seguido do ponto de exclamação (!) em terceiro.

O amor governa o mundo… e o Skibidi Toilet também

Palavras carregadas de emoção costumam servir de base para senhas, e as positivas são as mais comuns. Alguns dos termos mais usados são “love” (“amor”), “angel” (“anjo”), “team” (“equipe”), “mate” (“amigo”), “life” (“vida”) e “star” (“estrela”). Dito isto, a negatividade também se faz presente, principalmente na forma de palavrões comuns em inglês.

É curioso notar que memes virais também são usados em senhas. Entre 2023 e 2026, o uso da palavra Skibidi aumentou 36 vezes! Naturalmente (veja o link se isso não parecer tão natural assim), a palavra “toilet” também ganhou popularidade, embora em menor escala.

Os usuários tendem a manter as senhas inalteradas por anos

Mais da metade das senhas (54%) que identificamos em vazamentos recentes já haviam aparecido antes. Uma das explicações para isso é a migração dos mesmos dados de um conjunto de dados para outro. No entanto, há uma explicação muito mais preocupante: muitos usuários usam a mesma senha durante anos.

A análise das datas encontradas nas senhas mostra que as combinações que contêm os anos de 2020 a 2024 permanecem populares. Parece que as pessoas adicionam o ano atual à senha quando a criam e depois esquecem dela por vários anos. Isso torna possível calcular a vida útil média de uma senha: de três a cinco anos.

Essa é uma tendência perigosa. Primeiro, porque os algoritmos inteligentes conseguem decifrar senhas muito mais complexas nesse período de tempo. E, em segundo lugar, quanto mais tempo sua senha permanecer inalterada, maior será a probabilidade de ela vazar, seja por meio de uma violação, infecção por malware ou ataque de phishing.

A situação fica ainda pior quando a mesma senha é usada em várias contas. Nesse caso, os invasores nem precisam quebrar nada: basta encontrar sua senha em um único vazamento e usá-la em outros sites.

Como proteger suas senhas e contas

Se, ao ler esta postagem, você percebeu que suas senhas podem ser facilmente quebradas, não entre em pânico. Fizemos uma lista de dicas simples, mas essenciais, para você seguir.

Use um gerenciador de senhas

As senhas mais fracas são as criadas por humanos. Criar e memorizar centenas de sequências aleatórias de 16 a 20 caracteres (já que cada site exige uma senha longa e exclusiva) é uma tarefa difícil e pouco realista.

É por isso que você deve delegar a geração e o armazenamento das suas senhas ao nosso gerenciador de senhas. Além de criar e armazenar senhas complexas e aleatórias em um formato criptografado, ele também as sincroniza em todos os seus dispositivos. Para descriptografar seu cofre, basta lembrar de uma senha principal que só você conhece: nosso guia sobre senhas mnemônicas pode ajudar com isso.

Não armazene senhas em formato de texto simples

Faça o que fizer, nunca anote senhas em arquivos, mensagens ou documentos. Esses recursos não contam com a criptografia robusta oferecida por um gerenciador de senhas. Além disso, esse tipo de anotação cai instantaneamente nas mãos de invasores caso você seja infectado por um cavalo de Troia ou um infostealer.

Não armazene senhas no navegador

Muitos usuários salvam suas senhas nos navegadores, especialmente porque eles oferecem essa opção automaticamente. Porém, estudos mostram que os malwares evoluíram para extrair essas senhas de todos os navegadores populares quase instantaneamente. O KPM pode ajudar você a importar senhas salvas do seu navegador favorito: basta seguir nosso guia simples de três etapas. Mais importante ainda, não se esqueça de limpar o gerenciador de senhas do navegador assim que a importação for concluída.

Prefira usar chaves de acesso

Sempre que possível, use chaves de acesso uma alternativa criptográfica às senhas. Nesta configuração, o serviço armazena uma chave pública, enquanto a chave privada permanece no seu dispositivo e nunca é transmitida. Durante o login, o dispositivo apenas assina uma solicitação única. Além disso, as chaves de acesso estão vinculadas a um domínio específico, o que significa que ataques de phishing com endereços falsificados não funcionarão. O KPM permite armazenar senhas e chaves de acesso, resolvendo o problema da sincronização entre diferentes ecossistemas, incluindo Windows, Android, macOS e iOS.

Configure a autenticação de dois fatores

Ative a autenticação de dois fatores sempre que possível. Mesmo que sua senha tenha sido comprometida, uma configuração de 2FA bem implementada torna extremamente difícil que um invasor acesse sua conta. Para garantir a máxima segurança, prefira aplicativos autenticadores a códigos únicos enviados via SMS. E sim, o KPM também é útil neste caso.

Pratique uma boa higiene digital

Lembre-se: armazenar suas senhas corretamente é apenas metade do caminho. É essencial seguir boas práticas de higiene digital: evite baixar arquivos não verificados, softwares piratas, cheats ou cracks e não clique em links suspeitos. O número de ataques com infostealers tem aumentado de forma consistente nos últimos anos, o que significa que você precisa de uma solução de segurança robusta para garantir proteção total. Recomendamos o Kaspersky Premium, pois ele protege todos os seus dispositivos contra cavalos de Troia, phishing e outras ameaças. Além disso, a assinatura inclui o nosso gerenciador de senhas.

Se você leva a sério a segurança das suas contas, confira nossas postagens sobre senhas, chaves de acesso e autenticação de dois fatores:

O iPhone não é tão invencível assim: uma análise do DarkSword e do Coruna | Blog oficial da Kaspersky

O DarkSword e o Coruna são novas ferramentas utilizadas em ataques invisíveis a dispositivos iOS. Esses ataques não exigem interação do usuário e já estão sendo usados em larga escala por agentes mal-intencionados. Antes do surgimento dessas ameaças, a maioria dos usuários do iPhone não precisava se preocupar com a segurança de dados. Poucos grupos realmente se preocupavam com isso, como políticos, ativistas, diplomatas, executivos de negócios de alto nível e pessoas que lidam com dados extremamente confidenciais, já que eles poderiam vir a ser alvos de agências de inteligência estrangeiras. Já discutimos spywares avançados usados contra esses grupos anteriormente, e observamos como era raro encontrá-los.

No entanto, o DarkSword e o Coruna, descobertos por pesquisadores no início deste ano, são revolucionários. Esses malwares estão sendo usados em infecções em massa de usuários comuns. Nesta postagem, explicamos por que essa mudança ocorreu, os riscos dessas ferramentas e como se proteger.

O que sabemos sobre o DarkSword e como ele pode infectar o seu iPhone

Em meados de março de 2026, três equipes de pesquisa diferentes coordenaram a divulgação das suas descobertas sobre um novo spyware chamado de DarkSword. Essa ferramenta é capaz de invadir silenciosamente dispositivos com o iOS 18, sem que o usuário perceba que algo está errado.

Primeiro, devemos esclarecer uma coisa: o iOS 18 não é tão antigo quanto parece. Embora a versão mais recente seja o iOS 26, a Apple revisou recentemente o sistema de versões, surpreendendo a todos. A empresa decidiu avançar oito versões (da 18 diretamente para a 26) para que o número do sistema operacional correspondesse ao ano atual. Apesar disso, a Apple estima que cerca de um quarto de todos os dispositivos ativos ainda executam o iOS 18 ou uma versão anterior.

Agora que isso já foi esclarecido, vamos voltar a falar sobre o DarkSword. A pesquisa mostra que esse malware infecta as vítimas quando elas visitam sites perfeitamente legítimos que contêm códigos maliciosos. O spyware se instala sem qualquer interação do usuário: basta acessar uma página comprometida. Isso é conhecido como técnica de infecção zero clique. Os pesquisadores relatam que milhares de dispositivos já foram infectados desta forma.

Para comprometer um dispositivo, o DarkSword usa uma cadeia de exploits com seis vulnerabilidades para evitar o sandbox, aumentar privilégios e executar código. Assim que o dispositivo é infectado, o malware consegue coletar dados, incluindo:

  • Senhas
  • Fotos
  • Conversas e dados do iMessage, WhatsApp e Telegram
  • Histórico do navegador
  • Informações dos aplicativos Calendário, Notas e Saúde da Apple

Além disso, o DarkSword coleta dados de carteiras de criptomoedas, atuando como malware de dupla finalidade para espionagem e roubo de criptoativos.

A única boa notícia é que o spyware não sobrevive a uma reinicialização. O DarkSword é um malware sem arquivo, o que significa que ele vive na RAM do dispositivo e nunca se incorpora ao sistema de arquivos.

Coruna: direcionado às versões mais antigas do iOS

Apenas duas semanas antes da descoberta do DarkSword se tornar pública, os pesquisadores revelaram outra ameaça que tinha o iOS como alvo, chamada de Coruna. Esse malware consegue comprometer dispositivos que executam softwares mais antigos, especificamente as versões 13 a 17.2.1 do iOS. O método utilizado pelo Coruna é exatamente igual ao do DarkSword: as vítimas visitam um site legítimo injetado com código malicioso que, em seguida, infecta o dispositivo delas com o malware. Todo o processo é completamente invisível e não requer interação do usuário.

Uma análise detalhada do código do Coruna revelou que ele explora 23 vulnerabilidades distintas do iOS, várias delas localizadas no WebKit da Apple. Vale lembrar que, de um modo geral (fora da UE), todos os navegadores iOS precisam usar o mecanismo WebKit. Isso significa que essas vulnerabilidades não afetam apenas os usuários do Safari, mas também qualquer pessoa que use outros navegadores no iPhone.

A versão mais recente do Coruna, assim como o DarkSword, inclui modificações projetadas para drenar carteiras de criptomoedas. Ele também coleta fotos e, em alguns casos, informações de e-mails. Ao que tudo indica, roubar criptomoedas parece ser o principal motivo da implementação generalizada do Coruna.

Quem criou o Coruna e o DarkSword, e como eles foram disseminados?

A análise do código de ambas as ferramentas sugere que o Coruna e o DarkSword provavelmente foram desenvolvidos por grupos diferentes. No entanto, ambos são softwares criados por empresas patrocinadas pelo governo, possivelmente dos EUA. Isso se reflete na alta qualidade do código: não são kits montados com partes aleatórias, mas exploits projetados de forma uniforme. Em algum momento, essas ferramentas vazaram e foram parar nas mãos de gangues de cibercriminosos.

Os especialistas da GReAT, da Kaspersky, analisaram todos os componentes do Coruna e confirmaram que o kit de exploração é uma versão atualizada da estrutura usada na Operação Triangulação. Esse ataque anterior tinha como alvo os funcionários da Kaspersky, uma história que abordamos em detalhes neste blog.

Uma teoria sugere que um funcionário da empresa que desenvolveu o Coruna vendeu o malware para hackers. Desde então, ele tem sido usado para drenar carteiras de criptomoedas de usuários na China. Alguns especialistas estimam que pelo menos 42 mil dispositivos foram infectados somente neste país.

Quanto ao DarkSword, os cibercriminosos já o usaram para infectar dispositivos de usuários na Arábia Saudita, Turquia e Malásia. O problema se agrava pelo fato de que os invasores que implementaram o DarkSword deixaram o código-fonte completo nos sites infectados, facilitando a detecção dele por outros grupos criminosos.

O código também inclui comentários detalhados explicado exatamente o que faz cada componente, reforçando a hipótese de que ele surgiu no Ocidente. Essas instruções detalhadas tornam mais fácil para outros hackers adaptarem a ferramenta para interesses próprios.

Como se proteger do Coruna e do DarkSword

Dois malwares poderosos que permitem a infecção em massa de iPhones sem exigir qualquer interação do usuário caíram nas mãos de um grupo essencialmente ilimitado de cibercriminosos. Para ser infectado pelo Coruna ou pelo DarkSword, basta que você visite o site errado na hora errada. Portanto, este é um daqueles casos em que todos os usuários precisam levar a sério a segurança do iOS, não apenas aqueles que pertencem a grupos de alto risco.

A melhor coisa a fazer para se proteger do Coruna e do DarkSword é atualizar assim que possível os dispositivos para a versão mais recente do iOS ou do iPadOS 26. Se isso não for possível (por exemplo, se o dispositivo for mais antigo e não compatível com o iOS 26), ainda assim é recomendado baixar a versão mais recente disponível. Especificamente, procure as versões 15.8.7, 16.7.15 ou 18.7.7. A Apple aplicou correções em vários sistemas operacionais mais antigos, o que é raro.

Para proteger os dispositivos Apple contra malwares semelhantes que provavelmente aparecerão no futuro, recomendamos fazer o seguinte:

  • Instale as atualizações em todos os dispositivos da Apple o quanto antes. A empresa lança regularmente versões do SO que corrigem vulnerabilidades conhecidas. Não as ignore.
  • Ative a opção Otimização de segurança em segundo plano. Esse recurso permite que o dispositivo receba correções de segurança críticas além das atualizações completas do iOS, reduzindo o risco de exploração de vulnerabilidades pelos hackers. Para ativá-lo, vá para ConfiguraçõesPrivacidade e segurançaOtimização de segurança em segundo plano e ative a opção Instalar automaticamente.
  • Considere usar o Modo de bloqueio. Essa é uma configuração de segurança reforçada que, apesar de limitar alguns recursos do dispositivo, bloqueia ou restringe ataques de forma significativa. Para ativá-lo, vá para ConfiguraçõesPrivacidade e segurançaModo de bloqueioAtivar o Modo de bloqueio.
  • Reinicie o dispositivo uma vez por dia (ou mais). Isso interrompe a atuação de malwares sem arquivo, pois essas ameaças não são incorporadas ao sistema e desaparecem após a reinicialização.
  • Use o armazenamento criptografado para dados confidenciais. Mantenha chaves de carteiras de criptomoedas, fotos de documentos e dados confidenciais em um local seguro. Kaspersky Password Manager é uma ótima opção para isso, pois gerencia suas senhas, tokens de autenticação de dois fatores e chaves de acesso em todos os dispositivos, mantendo notas, fotos e documentos sincronizados e criptografados.

A ideia de que os dispositivos da Apple são à prova de balas é um mito. Eles são vulneráveis a ataques de zero clique, cavalos de Troia e técnicas de infecção ClickFix. Além disso, aplicativos maliciosos já foram encontrados na App Store mais de uma vez. Leia mais aqui:

Trojan BeatBanker e BTMOB: técnicas de infecção e como manter a segurança | Blog oficial da Kaspersky

Para conseguir concretizar seus planos ardilosos, os desenvolvedores de malware para Android precisam enfrentar vários desafios sucessivos: enganar os usuários para invadir o smartphone, burlar os softwares de segurança, convencer as vítimas a conceder várias permissões do sistema, manter a distância de otimizadores de bateria integrados que consomem muitos recursos e, depois de tudo isso, ter a certeza de que o malware realmente gera lucro. Os criadores do BeatBanker, uma campanha de malware baseado em‑Android descoberta recentemente por nossos especialistas, desenvolveram algo novo para cada uma dessas etapas. O ataque é voltado, por enquanto, para usuários brasileiros, mas as ambições dos desenvolvedores quase certamente motivará uma expansão internacional, então, vale a pena permanecer em alerta e estudar os truques do agente da ameaça. É possível encontrar uma análise técnica completa do malware na Securelist.

Como o BeatBanker se infiltra em um smartphone

O malware é distribuído por páginas de phishing especialmente criadas que imitam a Google Play Store. Uma página facilmente confundida com o Marketplace oficial convida os usuários a baixar um aplicativo aparentemente útil. Em uma campanha, o trojan se disfarçou como o aplicativo de serviços do governo brasileiro, o INSS Reembolso. Em outra, ele se apresentava como um aplicativo da Starlink.

O site malicioso cupomgratisfood{.}shop faz um excelente trabalho ao imitar uma loja de aplicativos. Não está claro por que o aplicativo INSS Reembolso falso aparece todas as três vezes. Para transparecer mais credibilidade, talvez?!

A instalação ocorre em várias etapas para evitar a solicitação de muitas permissões ao mesmo tempo e para acalmar ainda mais a vítima. Depois que o primeiro aplicativo é baixado e iniciado, ele exibe uma interface que também se assemelha ao Google Play e simula uma atualização para o aplicativo falso, ao solicitar a permissão do usuário para instalar aplicativos, algo que não parece fora do comum no contexto. Se essa permissão for concedida, o malware baixará módulos maliciosos adicionais no smartphone.

Após a instalação, o trojan simula uma atualização do aplicativo chamariz via Google Play ao solicitar permissão para instalar aplicativos enquanto baixa módulos maliciosos adicionais no processo

Todos os componentes do trojan são criptografados. Antes de descriptografar e prosseguir para os próximos estágios da infecção, ele verifica se o smartphone é real e se ele está no país de destino. O BeatBanker encerra imediatamente o próprio processo se encontrar discrepâncias ou detectar que está sendo executado em ambientes emulados ou de análise. Isso complica a análise dinâmica do malware. Aliás, o falso downloader de atualizações injeta módulos diretamente na RAM para evitar a criação de arquivos no smartphone que seriam visíveis ao software de segurança.

Todos esses truques não são novidade e são frequentemente usados em malwares complexos para computadores desktop. No entanto, para smartphones, essa sofisticação ainda é uma raridade, e nem todas as ferramentas de segurança conseguirão detectar isso. Usuários de produtos da Kaspersky estão protegidos contra essa ameaça.

Reprodução de áudio como um escudo

Uma vez estabelecido no smartphone, o BeatBanker baixa um módulo para minerar a criptomoeda Monero. Os autores estavam muito preocupados com a possibilidade dos sistemas agressivos de otimização de bateria do smartphone desligarem o minerador, então eles criaram um truque: tocar um som quase inaudível o tempo todo. Os sistemas de controle de consumo de energia normalmente poupam os aplicativos que estão reproduzindo áudio ou vídeo para evitar cortar a música de fundo ou os players de podcast. Dessa forma, o malware pode ser executado continuamente. Além disso, ele exibe uma notificação persistente na barra de status para solicitar ao usuário que mantenha o telefone ligado para uma atualização do sistema.

Exemplo de uma notificação de atualização persistente do sistema de outro aplicativo malicioso disfarçado como um aplicativo da Starlink

Controle via Google

Para gerenciar o trojan, os autores utilizam o Firebase Cloud Messaging (FCM) legítimo do Google, um sistema para receber notificações e enviar dados de um smartphone. Esse recurso está disponível para todos os aplicativos e é o método mais popular para enviar e receber dados. Graças ao FCM, os invasores podem monitorar o status do dispositivo e alterar as configurações de acordo com suas necessidades.

Não acontecerá nada durante um tempo, depois que o malware for instalado, os invasores esperam pacientemente. Então, eles acionam o minerador, mas com o cuidado de reduzir a intensidade, se o telefone superaquecer, a bateria começar a descarregar ou o proprietário estiver usando o dispositivo. Tudo isso é feito via FCM.

Roubo e espionagem

Além do minerador de criptomoedas, o BeatBanker instala módulos extras para espionar o usuário e realizar o roubo no momento certo. O módulo de spyware solicita a permissão dos Serviços de Acessibilidade, e se ela for concedida, o monitoramento de tudo o que estiver acontecendo no smartphone começa.

Se o proprietário abrir o aplicativo Binance ou Trust Wallet para enviar USDT, o malware sobrepõe uma tela falsa na parte superior da interface da carteira ao trocar efetivamente o endereço do destinatário pelo seu próprio endereço. Todas as transferências vão para os golpistas.

O trojan possui um sistema de controle remoto avançado e é capaz de executar muitos outros comandos:

  • Interceptação de códigos únicos do Google Autenticador
  • Gravação de áudio do microfone
  • Streaming da tela em tempo real
  • Monitoramento da área de transferência e interceptação de pressionamentos de tecla
  • Envio de mensagens SMS
  • Simulação de toques em áreas específicas da tela e entrada de texto de acordo com um script enviado pelo invasor e muito mais

Tudo isso torna possível roubar a vítima quando ela usa qualquer outro serviço bancário ou de pagamento, não apenas os pagamentos de criptomoedas.

Às vezes, as vítimas são infectadas com um módulo diferente para espionagem e controle remoto por smartphone, o trojan de acesso remoto BTMOB. Seus recursos maliciosos são ainda mais amplos, incluindo:

  • Aquisição automática de determinadas permissões no Android 13 a 15
  • Rastreamento contínuo de geolocalização
  • Acesso às câmeras frontal e traseira
  • Obtenção de códigos PIN e senhas para desbloqueio da tela
  • Captura da digitação do teclado

Como se proteger contra o BeatBanker

Os criminosos virtuais estão constantemente refinando seus ataques e criando novas soluções como formas de lucrar com as vítimas. Apesar disso, é possível se proteger seguindo algumas precauções simples:

  • Baixe aplicativos somente de fontes oficiais, como o Google Play ou a loja de aplicativos pré-instalada pelo fornecedor. Se encontrar um aplicativo ao pesquisar na Internet, não o abra por meio de um link do navegador, em vez disso, acesse o aplicativo Google Play ou outra loja consolidada em seu smartphone e procure por ele lá. Enquanto estiver fazendo isso, verifique o número de downloads, o histórico do aplicativo, as classificações e os comentários. Evite aplicativos novos, aplicativos com classificações baixas e aqueles com um pequeno número de downloads.
  • Verifique todas as permissões concedidas. Não conceda permissões sem a certeza do que elas fazem ou por que esse aplicativo específico as requer. Tenha muito cuidado com permissões como Instalar aplicativos desconhecidos, Acessibilidade, Superusuário e Exibir sobre outros aplicativos. Escrevemos sobre isso em detalhes em um artigo separado.
  • Equipe seu dispositivo com uma solução antimalware abrangente. Naturalmente, recomendamos o Kaspersky for Android. Os usuários dos produtos Kaspersky estão protegidos contra o BeatBanker, detectado com os veredictos HEUR:Trojan-Dropper.AndroidOS.BeatBanker e HEUR:Trojan-Dropper.AndroidOS.Banker.*.
  • Atualize regularmente o sistema operacional e o software de segurança. Para o Kaspersky for Android, atualmente indisponível no Google Play, consulte nossas instruções detalhadas sobre como instalar e atualizar o aplicativo.

Ameaças aos usuários do Android estão aumentando bastante ultimamente. Confira nossas outras postagens sobre os ataques Android mais relevantes e difundidos, além das dicas para manter você e seus entes queridos seguros:

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