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Cibersegurança: por que a proteção ainda é vista como despesa no setor financeiro?

O setor financeiro ocupa a segunda posição no ranking global de ataques cibernéticos, de acordo com um relatório da Verizon. O documento registrou 3.336 incidentes no segmento em 2025, com 927 resultando em vazamentos de dados confirmados. Na América Latina, foram 657 casos, sendo 413 com vazamentos. O cenário no Brasil acompanha a tendência, com o Banco Central reportando, somente em 2024, 12 incidentes de vazamentos de chaves Pix. Os números mostram a exposição de um segmento que lida com ativos e informações de clientes.

A recorrência dos ataques levanta uma questão sobre a abordagem da segurança pelas lideranças. A proteção dos sistemas e dados é vista por parte dos gestores como um centro de custo, não como um pilar para a sustentação do negócio. Essa visão ignora que o custo de um incidente de segurança é, em média, superior ao investimento preventivo. O relatório “Cost of a Data Breach” da IBM, de 2024, aponta que o prejuízo médio de um ataque no setor financeiro foi de US$ 6,08 milhões.

“A cibersegurança é tratada como uma despesa por empresas que ainda não têm um grau elevado de maturidade em segurança da informação. As companhias que já estão em um patamar mais elevado enxergam a cibersegurança como um investimento”, afirma Rodrigo Rocha, gerente de arquitetura de soluções da CG One, empresa de tecnologia focada em segurança da informação, proteção de redes e gerenciamento integrado de riscos.

A evolução dos riscos e os impactos nos negócios

Os riscos para as instituições financeiras abrangem desde ataques de negação de serviço (DDoS), que buscam a indisponibilidade de plataformas e o prejuízo de imagem, até o roubo de informações e o desvio de valores de contas de clientes. “Nos últimos anos, as táticas dos atacantes ganharam complexidade, com o desenvolvimento de ransomwares como LockBit e Conti, ataques à cadeia de suprimentos que comprometem plataformas de autenticação de fintechs, exploração de APIs e o uso de inteligência artificial generativa e deepfakes em ações de engenharia social”, explica Rocha.

Um ataque bem-sucedido pode resultar em perda de credibilidade junto a clientes e ao mercado, além de perdas financeiras diretas. Há também o impacto regulatório, com a possibilidade de aplicação de multas pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) em caso de descumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).

A estratégia de defesa como caminho

Não existe uma única tecnologia que funcione como solução definitiva para a proteção do ecossistema financeiro. A eficácia da defesa está na implementação de um plano de médio e longo prazo, com o objetivo de elevar a maturidade em segurança da informação de forma contínua.

Para Rocha, as organizações podem utilizar frameworks de mercado para avaliar o nível de maturidade atual e traçar um plano de evolução. “A proteção de uma empresa, de qualquer segmento, depende da execução de um plano estruturado, com parceiros e soluções que ajudem nessa jornada”, finaliza o especialista da CG One.

Sala-cofre volta ao radar das empresas diante do crescimento das ameaças híbridas

Nos últimos anos, os ataques cibernéticos no Brasil não apenas aumentaram em volume, mas também em sofisticação. Em 2024, o país registrou impressionantes 356 bilhões de tentativas de invasão digital, segundo dados do FortiGuard Labs. Esse número representa um aumento significativo em relação aos anos anteriores, refletindo uma mudança na estratégia dos cibercriminosos, que agora priorizam ataques mais direcionados e complexos. A evolução nas táticas de ataque exige que as empresas adotem medidas de segurança mais robustas e integradas para proteger seus ativos digitais.

E as ameaças não se limitam somente ao espaço virtual. Ameaças híbridas – que combinam vetores cibernéticos e físicos – também se intensificaram. Empresas e infraestruturas críticas enfrentam riscos que vão de brechas digitais a incidentes físicos como incêndios, sabotagem ou desastres naturais.

Em paralelo, eventos climáticos extremos e ações maliciosas tangíveis continuam a ameaçar data centers e equipamentos corporativos. Em outras palavras, segurança cibernética e infraestrutura física andam de mãos dadas no enfrentamento das ameaças atuais.

O retorno da sala-cofre como uma camada estratégica de proteção

Nesse contexto de ameaça ampliada, as empresas estão redescobrindo as salas-cofre como uma importante camada complementar na estratégia de segurança digital. Historicamente concebida como uma solução de proteção física – literalmente uma sala fortificada para abrigar servidores e mídias – a sala-cofre evoluiu para se integrar à abordagem holística de segurança da informação.

Vários fatores explicam por que algumas empresas voltaram a apostar nessas estruturas. Primeiro, a proliferação de ataques de ransomware e outras ameaças digitais fez crescer a recomendação de manter backups offline e isolados – e não há isolamento mais seguro do que um cofre físico. Segundo, os custos de inatividade e perda de dados atingiram patamares recordes, tornando o investimento em proteção física altamente justificável. Quando uma sala-cofre garante a integridade da infraestrutura mesmo sob incidentes graves, o retorno do investimento torna-se rápido e certo, evitando prejuízos operacionais e de negócios. Em prédios compartilhados ou ambientes de TI híbridos, a sala-cofre atua como uma apólice de seguro: se o pior acontecer, a empresa terá condições de se recuperar rapidamente.

Além disso, a adoção de salas-cofre reflete uma mudança cultural. Empresas antes focadas exclusivamente no digital passaram a reconhecer que a resiliência completa exige abordar tanto o virtual quanto o físico. Não se trata de retroceder no tempo, mas sim de combinar o melhor dos dois mundos: firewalls, criptografia e sistemas de detecção cuidam das ameaças lógicas, enquanto a sala-cofre mitiga riscos ambientais e humanos (incêndios, água, poeira, sabotagem) que também podem causar a perda ou indisponibilidade de dados. Em síntese, a sala-cofre ressurge não como um gasto a mais, mas como parte integrante de uma estratégia moderna de defesa em profundidade, oferecendo uma camada adicional de proteção em tempos de ameaças complexas.

Novas certificações técnicas e exigências internacionais

As salas-cofre contemporâneas diferem muito dos cofres de antigamente. Elas incorporam uma série de requisitos técnicos e tecnológicos avançados para fazer frente às ameaças atuais. Estas salas podem suportar incêndio severo por pelo menos 60 minutos e são desenvolvidas para não permitir que a temperatura interna exceda 75 °C, nem que a umidade relativa ultrapasse 85%, mesmo sob calor e pressão extremos, dessa forma os equipamentos eletrônicos em seu interior não sofrem danos térmicos ou por condensão enquanto o fogo é combatido.

Além da barreira ao fogo, as salas-cofre devem ser verdadeiras fortalezas ambientais. Elas precisam impedir a entrada de água e poeira, seja proveniente de tubulações rompidas, de mangueiras dos bombeiros ou de detritos do ambiente externo. Para isso, adotam vedação de alto padrão, com nível de proteção equivalente a IP-66 ou similar, bloqueando jatos de água e partículas contaminantes. A estanqueidade e isolamento garantem também que fumaça e gases corrosivos não penetrem, protegendo circuitos delicados de contaminação química.

Tais características são essenciais, pois em um sinistro real não é apenas o fogo que ameaça o data center: explosões podem lançar destroços, o acionamento de sprinklers pode causar inundações, e a fuligem pode arruinar servidores. A sala-cofre, ao ser hermética e estruturalmente reforçada, funciona como um cofre dentro do cofre, mantendo a integridade mesmo se o prédio ao redor colapsar parcial ou totalmente.

A depender da sensibilidade dos equipamentos e da criticidade dos dados, muitas salas-cofre modernas são projetadas com blindagem eletromagnética – efetivamente atuando como uma gaiola de Faraday. Com isso, o ambiente interno fica imune a perturbações externas que poderiam causar mau funcionamento de servidores ou exponenciar erros de transmissão. De quebra, essa característica protege contra espionagem por emissão de sinais (tempest), evitando vazamento de informações via ondas de rádiofrequência.

Integração da sala-cofre à arquitetura moderna de segurança cibernética

A adoção de salas-cofre hoje não ocorre de forma isolada, mas sim integrada à arquitetura de segurança cibernética corporativa. Empresas de vanguarda veem a sala-cofre como mais um componente de sua estratégia de ciber-resiliência, alinhando políticas e tecnologias de modo que o todo seja maior que a soma das partes.

Na prática, isso significa que o plano de segurança considera cenários combinados: por exemplo, um ataque cibernético grave pode ser acompanhado por tentativas de sabotagem física, ou um desastre natural pode ser explorado por criminosos para roubar dados enquanto os sistemas estão offline. Nesses casos, a sala-cofre atua em conjunto com as defesas lógicas. Enquanto firewalls, antivírus e sistemas de detecção de intrusão tentam barrar o invasor digital, a sala-cofre impede que qualquer agressão física (fogo, explosão, intruso) destrua os servidores ou os deixe inacessíveis. Se, por alguma fatalidade, hackers contornarem todas as barreiras e ativarem um malware destrutivo, os backups dentro da sala-cofre permanecerão a salvo, desconectados e isolados o suficiente para possibilitar uma restauração rápida.

Uma das tendências arquitetônicas atuais é o conceito de “zero trust” não apenas na rede, mas também no ambiente físico. Ou seja, assume-se que nenhum perímetro está 100% livre de riscos – inclusive o prédio da empresa. Assim, informações realmente críticas podem ser duplicadas em mídia desconectada e guardadas em sala-cofre, garantindo um último recurso de recuperação em caso de ransomware, ou ataques de sabotagem coordenados.

As salas-cofre modernas também são projetadas para se conectar aos sistemas de gerenciamento e monitoramento central. Integradas ao SIEM (Security Information and Event Management) elas fornecem telemetria contínua: temperatura, umidade, status dos sensores, travamento de portas, tudo é acompanhado em tempo real, permitindo à equipe de TI agir proativamente.

Naturalmente, investir em uma sala-cofre não elimina a necessidade de manter defesas cibernéticas robustas. Ela deve ser vista como parte de um ecossistema: tão importante quanto backups criptografados, políticas de acesso e treinamento de usuários. A sala-cofre é a última trincheira, mas a empresa precisa vigiar todas as frentes. Quando integrada a um plano abrangente de segurança, entretanto, seu valor é incomensurável. Casos reais demonstram que, no momento da verdade – seja um ataque devastador ou um desastre inesperado –, essa infraestrutura pode fazer a diferença entre a continuidade dos negócios ou o colapso total.

O panorama contemporâneo aponta que veremos cada vez mais empresas adotando essa abordagem híbrida de segurança. Não por modismo ou saudosismo tecnológico, mas porque a realidade impõe camadas múltiplas de proteção. E se a transformação digital acelerou processos e ampliou exposições, ela também nos lembra de que, para todo avanço virtual, é prudente um passo de fortificação real. A sala-cofre, portanto, consolidou-se como um pilar estratégico da segurança digital corporativa, garantindo que mesmo diante do inesperado – seja um hacker ou um incêndio – a empresa permaneça de pé e operacional, custe o que custar.

TÜV Rheinland: há 150 anos tornando o mundo mais seguro

A TÜV Rheinland é uma das principais fornecedoras de serviços de testes e inspeções do mundo, com receita anual superior a 2,7 bilhões de euros e cerca de 26.000 colaboradores em mais de 50 países. Seus especialistas altamente qualificados testam sistemas e produtos técnicos, viabilizam a inovação e apoiam empresas na transição para uma atuação mais sustentável. A empresa capacita profissionais em diversas áreas e certifica sistemas de gestão conforme padrões internacionais. Com expertise reconhecida em áreas como mobilidade, fornecimento de energia e infraestrutura, a TÜV Rheinland assegura qualidade independente em todas as etapas, inclusive em tecnologias emergentes, como hidrogênio verde, inteligência artificial e condução autônoma. Dessa forma, contribui para um futuro mais seguro e melhor para todos. Desde 2006, a TÜV Rheinland é signatária do Pacto Global da ONU, que promove a sustentabilidade e combate à corrupção. Para saber mais, acesse: https://tuv.com

Além do monitoramento: o novo papel do SOC na defesa cibernética

Neste ano, o Brasil sofreu mais de 315 bilhões de tentativas de ataque cibernético apenas no primeiro semestre — número que representa cerca de 84% de todo o tráfego malicioso registrado na América Latina no período, de acordo com um levantamento da Fortinet divulgado em agosto passado. Com adversários fazendo uso crescente de IA para conduzir campanhas de phishing, ataques DDoS e exploração de vulnerabilidades em ambientes híbridos e multicloud, líderes de segurança corporativa se veem diante de uma encruzilhada: manter o SOC (Security Operations Center) da forma como está ou apostar em novas tecnologias e formas de trabalho que respondam à nova realidade.

Grupos criminosos adotam táticas avançadas e combinam técnicas de Advanced Persistent Threat (APT) com ferramentas de IA para driblar as defesas tradicionais. Golpes que envolvem deepfakes ou phishing automatizado por IA tornam cada vez mais difícil distinguir o legítimo do malicioso. Ao mesmo tempo, a superfície de ataque das organizações se expandiu dramaticamente. Com ambientes de TI híbridos e multicloud, centenas de novos serviços e integrações são adicionados constantemente aos ecossistemas corporativos, abrindo brechas que muitas vezes são difíceis de monitorar.

O problema é que grande parte dos SOCs atuais foi concebida para um contexto em que as ameaças eram baseadas em assinatura e o volume de eventos era controlável. Hoje, porém, a multiplicação de fontes de telemetria, tais como endpoints, nuvens, APIs, identidades, dispositivos IoT e aplicações SaaS, faz com que o volume de logs cresça de forma exponencial.

Não se trata apenas de mais dados, mas de dados de naturezas distintas, com diferentes formatos, níveis de granularidade e relevância operacional. Ferramentas modernas de detecção e monitoramento, como EDRs, XDRs e soluções de observabilidade, coletam informações em tempo real e geram fluxos contínuos de telemetria que precisam ser correlacionados com ameaças conhecidas e comportamentos anômalos. Sem uma arquitetura de dados e automação adequadas, esse ecossistema torna-se difícil de orquestrar – e o SOC passa a lidar menos com ruído e mais com complexidade analítica. O desafio, portanto, deixou de ser filtrar falsos positivos e passou a ser transformar grandes volumes de logs em inteligência acionável com velocidade e contexto.

E, quando os adversários passam a empregar IA para criar malwares praticamente indetectáveis, um SOC calcado apenas em esforço humano não consegue escalar na mesma proporção do risco. O resultado é um descompasso perigoso entre a capacidade defensiva e a velocidade com que as ameaças modernas atuam, evidenciando que manter o status quo não é mais sustentável.

Uma das principais transformações em curso é a adoção do modelo de SOC as a Service, que redefine a forma como as empresas estruturam sua defesa cibernética. Diferente do modelo híbrido ou totalmente interno, o SOCaaS oferece monitoramento, detecção e resposta a incidentes 24×7 por meio de uma plataforma escalável e baseada em nuvem, administrada por especialistas em cibersegurança.

Esse formato elimina a necessidade de manter infraestrutura local pesada e reduz o tempo de implantação, ao mesmo tempo em que garante acesso contínuo a tecnologias e analistas altamente especializados.

Ao integrar telemetria proveniente de múltiplas camadas, o SOC as a Service consolida os eventos em um único datalake de análise, aplicando correlação e contextualização automatizadas com apoio de SOAR e machine learning. Assim, os alertas deixam de ser tratados de forma isolada e passam a compor narrativas completas de ataque, permitindo uma visão tática e antecipada das ameaças.

Essa automação nativa reduz drasticamente o tempo médio de detecção (MTTD) e o tempo médio de resposta (MTTR), pontos críticos para conter ataques modernos que podem se propagar em minutos.

Outro benefício do modelo é a atualização contínua da inteligência de ameaças. Fornecedores de SOCaaS normalmente operam com bases globais de threat intelligence, alimentadas por fontes de ciberinteligência regionais e internacionais.

Essa atualização constante amplia a visibilidade sobre novas campanhas maliciosas, técnicas de exploração e indicadores de comprometimento (IoCs), garantindo que o ambiente corporativo permaneça protegido mesmo diante de vetores inéditos. Ao mesmo tempo, as plataformas de SOCaaS modernas integram recursos de análise comportamental (UEBA) e aprendizado contínuo, permitindo identificar padrões anômalos e prevenir movimentos laterais antes que evoluam para incidentes graves.

Mais do que uma modernização tecnológica, a adoção de modelos de SOC as a Service representa um novo paradigma de defesa cibernética. O CISO que ainda vê o SOC apenas como um centro de monitoramento precisa agora encará-lo como um núcleo de inteligência e antecipação, sustentado por automação, correlação de dados e aprendizado de máquina.

Ataques cibernéticos fazem 1,3 vítima por hora no mundo, segundo relatório da Apura

Os ataques de ransomware estão longe de desacelerar. No último ano, foram registradas 11.796 vítimas diretas desse tipo de ciberataque ao redor do mundo, 1,3 vítimas por hora, segundo dados do BTTng da Apura Cyber Intelligence, plataforma de inteligência em ameaças cibernéticas. O impacto vai além dos números: empresas paralisadas, serviços essenciais comprometidos e milhões de pessoas expostas a riscos iminentes.

A onda de ataques abrange qualquer empresa de todos os segmentos, desde a saúde até os serviços públicos. Em maio passado, a Ascension Healthcare, uma das maiores operadoras de saúde dos EUA, foi alvo de um ataque cibernético que comprometeu sistemas críticos, incluindo registros médicos e comunicação interna. Hospitais ficaram sem acesso a informações essenciais por semanas, forçando equipes a recorrerem a procedimentos manuais. “Isso gerou riscos reais, com erros relatados no Kansas e em Detroit, que poderiam ter resultado em graves consequências médicas”, explica Anchises Moraes, Especialista de Theat Intel da Apura.

A Ascension não divulgou oficialmente o grupo por trás do ataque, mas investigações apontam para o Black Basta. Sete dos vinte e cinco mil servidores foram comprometidos, e 5,6 milhões de indivíduos receberam notificações sobre o possível vazamento de dados.

No Brasil, a TOTVS foi alvo do grupo BlackByte, com relatos de que dados da empresa foram acessados. A companhia informou seus acionistas, garantindo a continuidade dos serviços, mas sem dissipar completamente a incerteza. Já a Sabesp sofreu um ataque do grupo RansomHouse, que não apenas roubou dados, mas também os publicou posteriormente.

O futuro dos ataques: alvos menores, impactos maiores

Se antes os criminosos miravam grandes corporações exigindo valores exorbitantes, a tendência é que ataques menores, porém em massa, ganhem força em todo o mundo, incluindo o Brasil. Pequenas e médias empresas se tornaram alvos fáceis, já que possuem menos recursos para segurança e maior propensão a pagar resgates. “Elas têm mais dificuldade em recuperar dados roubados ou encriptados, tornando-se presas ideais para esses criminosos”, alerta Anchises.

Outro ponto crítico é a ascensão da Internet das Coisas (IoT). O crescimento de dispositivos conectados, tanto em ambientes domésticos quanto industriais, expande a superfície de ataque. Botnets formadas por aparelhos desprotegidos alimentam ataques de negação de serviço (DDoS), enquanto falhas em sistemas industriais expõem infraestruturas críticas a riscos catastróficos.

“Quanto mais automatizado, maior a vulnerabilidade. Empresas que adotam tecnologia intensiva, como na Indústria 4.0, precisam investir tanto em proteção cibernética quanto na capacitação de seus colaboradores”, destaca o especialista.

A resposta global? O endurecimento das leis e a repressão ao pagamento de resgates. Nesse ambiente, governos e entidades reguladoras estão apertando o cerco. Leis mais rigorosas para setores críticos, como saúde, finanças e infraestrutura, estão sendo discutidas e aplicadas ao redor do mundo. Penalidades mais severas para empresas que negligenciarem a segurança cibernética também estão no radar.

“Infelizmente, muitas empresas só reagem quando o prejuízo financeiro se torna inegável. Com regulamentação mais dura e multas elevadas, elas serão forçadas a reforçar suas defesas”, conclui.

Outra tendência é o desestímulo ao pagamento de resgates. Algumas legislações já estão sendo elaboradas para coibir essa prática, retirando dos criminosos seu principal incentivo. Fiscalizações mais rigorosas e colaboração internacional também fazem parte do arsenal contra o ransomware.

Merece destaque a ação das forças da lei, que no ano passado foi sentido por grandes grupos de ransomware. Em fevereiro de 2024 foi anunciada a ‘Operação Cronos’ realizada de forma conjunta por agências de segurança de diversos países, incluindo o FBI, a Agência Nacional do Crime (NCA) do Reino Unido e a Europol, com o objetivo de desmantelar as atividades do grupo LockBit, um dos grupos mais ativos até então. Estima-se que o líder do grupo pode ter lucrado, sozinho, cerca de US$100 milhões.

“A guerra contra os cibercriminosos está longe de acabar. Mas empresas, governos e indivíduos precisam agir agora para que a próxima grande vítima não seja apenas mais uma estatística”, sublinha Anchises.

Sobre a Apura Cyber Intelligence, acesse: https://apura.com.br/

Cibercriminosos adotam agentes de IA para lançar ataques autônomos e adaptáveis em 2025

De acordo com um estudo publicado pelo Observatório Latino-Americano de Ameaças Digitais (OLAD) em 2025, 411 ataques cibernéticos e ameaças digitais direcionados a empresas e instituições na América Latina foram documentados durante o ano passado, incluindo infraestruturas críticas como alvos, espionagem e ransomware.

À medida que os recursos de defesa de IA evoluem, o mesmo acontece com as estratégias e ferramentas de IA utilizadas pelos agentes de ameaças, criando um cenário de riscos em rápida transformação que superam os métodos tradicionais de detecção e respostas. Nesse contexto, a nova pesquisa da Unit 42, equipe de inteligência de ameaças da Palo Alto Networks, intitulada Agentic AI Attack Framework, revelou como os criminosos estão começando a usar os agentes, uma evolução da inteligência artificial que vai além da geração de conteúdo a qual, ao contrário da generativa, que se concentra na criação de texto, imagens ou código, depende somente de agentes autônomos capazes de tomar decisões, adaptar ao ambiente e executar várias fases de um ataque cibernético sem intervenção humana direta.

O relatório detalha como esses agentes podem ser programados para executar tarefas como inspeção do sistema, escrever e-mails de phishing personalizados, evitar controles de segurança, manipular conversas em tempo real e remover rastros digitais. O mais preocupante é que eles podem aprender com os erros, ajustar o próprio comportamento e colaborar entre si, o que os torna uma ameaça muito mais dinâmica e difícil de conter.

Durante os testes, a Unit 42 simulou um ataque de ransomware, desde o comprometimento inicial até a exfiltração de dados, em apenas 25 minutos, usando IA em cada estágio da cadeia de ataque. Isso representou um aumento de 100 vezes na velocidade, totalmente impulsionado por IA.

Em contraste com os ciberataques tradicionais, que normalmente seguem padrões previsíveis e exigem intervenção humana em cada estágio, os ataques agênticos podem operar de forma contínua e adaptável. Isso significa que um único agente pode iniciar uma campanha de invasão, avaliar seu progresso, modificar sua estratégia em tempo real e escalar o ataque sem a necessidade de supervisão direta. Essa capacidade de ser autônomo representa um desafio para as equipes de cibersegurança, que precisam lidar com ameaças que não são apenas mais rápidas, como também mais inteligentes e persistentes.

Esses ataques cibernéticos podem ter consequências graves para as organizações. Por exemplo, um agente mal-intencionado pode enviar e-mails falsos altamente convincentes aos funcionários para roubar senhas, se infiltrar em sistemas internos e circular pela rede sem ser detectado. Isso leva ao roubo de informações confidenciais, como dados de clientes ou planos estratégicos, ou até mesmo ao sequestro de sistemas importantes por ransomware, paralisando as operações por dias. Além do impacto econômico, esses incidentes prejudicam a reputação da empresa, geram uma perda de confiança e podem levar a sanções legais se informações pessoais ou financeiras forem comprometidas.

Preparando-se para o imprevisível: como fortalecer a segurança organizacional

Nesse cenário, as organizações precisam de uma infraestrutura de segurança avançada e adaptável. Não é mais suficiente reagir a incidentes, agora é essencial antecipá-los por meio de monitoramento contínuo, análise inteligente de dados e automação dos principais processos.

A tendência à plataformização permite que as empresas reduzam a fragmentação tecnológica, melhorem a visibilidade do próprio ambiente digital e respondam mais rapidamente a qualquer tentativa de invasão. A Palo Alto Networks, por exemplo, está fazendo algo exatamente nesse sentido, desenvolvendo uma plataforma unificada de segurança de dados que abrangerá desde o desenvolvimento de código até ambientes de nuvem e centros de operações de segurança (SOCs). Essa iniciativa busca oferecer uma visão holística da segurança e facilitar o gerenciamento centralizado de ameaças, o que é essencial diante de um cenário de ataques cibernéticos cada vez mais sofisticados.

Além disso, a adoção de arquiteturas como o SASE (Secure Access Service Edge) fortalece a postura de segurança ao estender a proteção para além do perímetro tradicional. Essas tecnologias permitem controles granulares baseados em identidade, contexto e comportamento, o que é fundamental em um ambiente em que usuários, dispositivos e aplicativos estão distribuídos. Para as organizações brasileiras, investir nesse tipo de recurso representa uma melhoria técnica, bem como uma estratégia fundamental para garantir a continuidade operacional e a proteção de ativos essenciais contra ameaças cada vez mais automatizadas e persistentes.

O Brasil, com a crescente digitalização em setores-chave, como saúde, educação e serviços públicos, se torna um alvo atraente para essa ameaça emergente. A necessidade de fortalecer as capacidades de segurança cibernética no país é urgente, especialmente em face da adoção acelerada de tecnologias digitais em todos os níveis do governo e das empresas.

Diante desse cenário, especialistas da Palo Alto Networks recomendam que as organizações brasileiras implementem soluções de segurança que integrem recursos de detecção baseados em IA, bem como programas de conscientização e resposta a incidentes que considerem esse novo tipo de ameaças automatizadas.

A evolução dos ataques cibernéticos para esquemas mais autônomos e adaptáveis exige uma resposta igualmente inovadora. Somente por meio de estratégias proativas e colaborativas será possível mitigar os riscos apresentados por essa nova era de ataques alimentados pelos agentes de IA.

Sobre a Unit 42

A Unit 42 da Palo Alto Networks reúne pesquisadores de ameaças de renome mundial, respondentes de incidentes de elite e consultores de segurança especializados para criar uma organização orientada por inteligência e pronta para responder, apaixonada por ajudar a gerenciar o risco cibernético proativamente. Juntos, nossa equipe atua como seu consultor de confiança para ajudar a avaliar e testar controles de segurança contra as ameaças certas, transformar estratégias de segurança com uma abordagem informada sobre ameaças e responder a incidentes em tempo recorde para que você possa voltar aos negócios mais rapidamente. Visite paloaltonetworks.com/unit42.

Sobre a Palo Alto Networks

Como líder global em segurança cibernética, a Palo Alto Networks (NASDAQ: PANW) tem o compromisso de proteger nosso modo de vida digital por meio de inovação contínua. Com a confiança de organizações em todo o mundo, fornecemos soluções de segurança de ponta a ponta baseadas em IA em redes, nuvem, operações de segurança e IA, capacitadas pela inteligência e experiência em ameaças da Unit 42. Nosso foco na plataformização permite que as empresas simplifiquem a segurança em escala, garantindo que a proteção impulsione a inovação. Saiba mais em www.paloaltonetworks.com.

Relatório da Honeywell aponta que ataques de ransomware direcionados a operadores industriais aumentaram 46% no primeiro trimestre de 2025

Em uma onda crescente de ameaças cibernéticas sofisticadas contra o setor industrial, os ataques de ransomware aumentaram 46% do quarto trimestre de 2024 para o primeiro trimestre de 2025, de acordo com o novo Relatório de Ameaças à Segurança Cibernética de 2025 da Honeywell (Nasdaq: HON). A pesquisa também constatou que tanto malware quanto ransomware aumentaram significativamente nesse período, incluindo um aumento de 3.000% no uso de um trojan projetado para roubar credenciais de operadores industriais.

“Operações industriais em setores críticos como energia e manufatura devem evitar, tanto quanto possível, paradas não planejadas – e é exatamente por isso que são alvos tão atraentes para ransomware”, disse Paul Smith, diretor de Engenharia de Cibersegurança da Honeywell Operational Technology (OT), autor do relatório. “Esses invasores estão evoluindo rapidamente, utilizando kits de ransomware como serviço para comprometer as operações industriais que mantêm nossa economia em movimento.”

A Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA) dos Estados Unidos define incidentes como substanciais se eles permitirem acesso não autorizado, levando a paradas ou prejuízos operacionais significativos. Relatórios do setor mostram que paradas não planejadas, causadas por ataques de segurança cibernética e outros problemas, como falhas de equipamentos, custam às empresas da Fortune 500 aproximadamente US$ 1,5 trilhão anualmente, o que representa 11% de sua receita.

Para desenvolver o relatório, os pesquisadores da Honeywell analisaram mais de 250 bilhões de logs, 79 milhões de arquivos e 4.600 eventos de incidentes bloqueados em toda a base global de instalações da empresa, descobrindo:

  • Ransomware ainda em ascensão: 2.472 ataques potenciais de ransomware foram documentados no primeiro trimestre de 2025, o que representa 40% do total anual de 2024.
  • Trojans explorando acesso industrial: Um trojan perigoso direcionado a sistemas de TO – W32.Worm.Ramnit – foi responsável por 37% dos arquivos bloqueados pelo Secure Media Exchange (SMX) da Honeywell. Essa descoberta aponta para um aumento de 3.000% no número de trojans em comparação com o trimestre anterior.
  • Ameaças baseadas em USB persistem: 1.826 ameaças USB exclusivas foram detectadas via SMX no primeiro trimestre de 2025, com 124 ameaças nunca antes vistas – indicando um risco persistente via mídia externa e dispositivos USB. Isso se baseou em um aumento de 33% nas detecções de malware USB em 2023, após um aumento de 700% em relação ao ano anterior em 2022.

O relatório expandiu sua análise para incluir ameaças transmitidas por meio de hardware plug-in adicional – conhecido como Dispositivo de Interface Humana (HID) – incluindo mouses, cabos de carregamento para dispositivos móveis, laptops e outros periféricos frequentemente usados na atualização ou aplicação de patches de software para sistemas locais.

“Com ameaças cada vez mais significativas e regulamentações de relatórios da SEC atualizadas exigindo a divulgação de incidentes materiais de segurança cibernética, os operadores industriais devem agir de forma decisiva para mitigar o tempo de inatividade não planejado e os riscos dispendiosos, incluindo aqueles relacionados à segurança”, disse Smith. “Aproveitar a arquitetura Zero Trust e a IA para análise de segurança pode acelerar a detecção e permitir uma tomada de decisão mais inteligente e uma defesa proativa em um cenário digital cada vez mais complexo.”

Abrangência do grupo Scattered Spider acende alerta na América Latina, diz especialista

A expansão internacional do grupo de cibercriminosos conhecido como Scattered Spider acendeu um sinal de alerta entre empresas latino-americanas. Especialistas em segurança apontam que, embora não haja registros confirmados de ataques desse grupo no Brasil ou vizinhos até o momento, seu alcance global e métodos sofisticados representam um risco iminente para organizações na região.

Com táticas de engenharia social elaboradas e capacidade de driblar defesas tradicionais, o Scattered Spider tem mirado grandes empresas em diversos países. “A questão não é mais ‘se’ seremos atacados, mas de ‘quando’ e ‘como’, afirma Felipe Guimarães, Chief Information Security Officer da Solo Iron. “As táticas empregadas pelo grupo exploram fragilidades universais, presentes em empresas em todo o mundo – o que inclui as empresas latino-americanas”, pondera o especialista.

Um dos maiores riscos é que os setores visados pelo Scattered Spider no exterior também são pilares econômicos na América Latina. O grupo historicamente focou suas ações em empresas de telecomunicações, terceirização de processos de negócios (BPO) e grandes empresas de tecnologia – indústrias que possuem ampla presença na região. Nos últimos tempos, foi observado um aumento de interesse do grupo pelo setor financeiro global, o que inclui bancos e instituições presentes no Brasil e países vizinhos.

“Isso significa que companhias latino-americanas, seja diretamente ou através de filiais e parceiras, podem entrar na mira à medida que o Scattered Spider amplia seu raio de atuação. Mesmo empresas que não operam internacionalmente devem se precaver, pois os criminosos podem enxergar organizações locais como pontes de entrada para fornecedores ou clientes globais, ou simplesmente como alvos lucrativos por si sós, caso identifiquem falhas de segurança exploráveis”, pontua Guimarães.

Na mira das agências de inteligência

Relatórios do FBI e da Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA) dos EUA descrevem o Scattered Spider como “especialista em engenharia social”, empregando diversas técnicas para roubar credenciais e burlar autenticações.

Entre os métodos documentados estão phishing por e-mail e SMS (smishing), ataques de vishing (ligações telefônicas fraudulentas) em que os criminosos se passam por equipe de TI da própria empresa, e até esquemas elaborados de SIM swap – quando convencem operadoras de telefonia a transferir o número de celular de uma vítima para um chip sob controle deles. Essas táticas permitem interceptar códigos de autenticação multifator (MFA) enviados via SMS ou aplicativos, dando aos invasores as chaves para acessar sistemas internos.

Ainda segundo o especialista, o modelo de ataque do Scattered Spider pode inspirar quadrilhas locais. “As táticas de engenharia social eficazes tendem a se espalhar rapidamente nos submundos virtuais. Mesmo que o próprio grupo original não atue diretamente na América Latina, outros agentes maliciosos regionais podem adotar técnicas semelhantes – como push bombing de MFA ou golpes contra centrais de atendimento – ao verem o sucesso obtido lá fora”, explica Guimarães.

Alguns incidentes recentes no cenário latino-americano já envolveram vetores parecidos, como uso de ferramentas legítimas em ataques e exploração de credenciais vazadas, o que reforça a necessidade de vigilância. Em 2024, por exemplo, houve casos de gangues de ransomware operando na região que abusaram de softwares legítimos e brechas em procedimentos internos de empresas, aplicando práticas muito similares ao do Scattered Spider.

Estratégias de mitigação

Diante da crescente ameaça representada por grupos como o Scattered Spider, Guimarães recomenda a adoção de estratégias com foco especial em fortalecer métodos avançados de autenticação multifator (MFA), preferencialmente resistentes a phishing, como chaves físicas de segurança ou soluções baseadas em certificados digitais. Técnicas como MFA com validação numérica e a restrição do uso de SMS para autenticação são essenciais para reduzir o risco de engenharia social e ataques por fadiga de notificações, muito usados pelo grupo.

Além disso, a adoção de uma abordagem mais robusta em relação à gestão de identidades e acessos (IAM) é uma estratégia muito importante na contenção desse tipo de ameaça. “As identidades digitais estão se tornando uma nova superfície de ataque; por isso, é fundamental que as empresas implementem políticas rígidas de gestão de identidades, controle granular de acessos e monitoramento contínuo das atividades dos usuários”, destaca.

“Também é muito importante o controle rigoroso sobre ferramentas de acesso remoto e a implantação de monitoramento avançado. É recomendável que as organizações restrinjam o uso dessas ferramentas por meio de listas autorizadas e adotem sistemas robustos como EDR e DLP para identificar rapidamente atividades suspeitas”, finaliza o especialista.

Ataques de Phishing se sofisticam ao ponto de imitar comunicações internas e desafiam empresas

Com o avanço acelerado da inteligência artificial generativa e a naturalização do trabalho digital em escala global, o phishing ganhou novas formas e complexidade. Se antes os golpes se restringiam a e-mails genéricos com links suspeitos, hoje eles simulam comunicações internas com impressionante realismo. Para se ter uma ideia dessa transformação, de acordo com relatório da KnowBe4, somente no primeiro trimestre de 2025, 60,7% das simulações clicadas no primeiro trimestre de 2025 imitavam comunicações de equipes internas, sendo que 49,7% mencionavam diretamente o setor de Recursos Humanos.

A frequência desses ataques também revela o quanto esse tipo de ciberataque se consolidou como uma ameaça constante e altamente eficaz. Segundo dados da GreatHorn, mais da metade das organizações (57%) relata lidar com tentativas de phishing diariamente ou pelo menos uma vez por semana. Já a CSO Online aponta que 80% dos incidentes de segurança cibernética reportados atualmente têm origem nesse tipo de golpe.

Para Vinicius Gallafrio, CEO da MadeinWeb, empresa referência em soluções digitais e inteligência artificial, os ataques de phishing deixaram de ser óbvios e evoluíram para se camuflar nas práticas do dia a dia corporativo. ”Mesmo com o avanço de tecnologias de proteção, o fator humano segue como a principal porta de entrada para invasores, explorando, sobretudo, a rotina e a pressa das equipes. Esses golpes exploram a linguagem comum entre colegas, imitam padrões visuais internos e simulam urgências típicas de lideranças ou do RH. O desafio está em perceber o que parece legítimo, mas não é. Por isso, mais do que tecnologia, precisamos cultivar uma cultura de segurança entre os colaboradores”, comenta.

Diante desse novo cenário, identificar comportamentos suspeitos exige atenção a sinais cada vez mais sutis. O primeiro passo é observar mudanças no tom da mensagem: pedidos urgentes, tom de cobrança inesperado e linguagem excessivamente formal ou fora do padrão da empresa são indícios comuns.

Outra característica marcante dos golpes mais recentes é o uso de horários estratégicos para envio, como início da manhã, finais de expediente ou períodos de maior volume de trabalho. O objetivo é capturar a atenção em momentos de menor vigilância. Além disso, ferramentas corporativas como mensageiros internos e plataformas de colaboração passaram a ser usadas como canal de disseminação de phishing, imitando interações autênticas entre colegas e gestores.

Com isso, o papel das equipes de segurança da informação vai além da aplicação de políticas técnicas ou da adoção de ferramentas robustas. É preciso estabelecer uma vigilância coletiva e constante, onde cada colaborador se reconheça como elo fundamental da defesa corporativa. A identificação de padrões sutis de fraude, o questionamento de comunicações atípicas e o reporte ágil de atividades suspeitas devem fazer parte do cotidiano organizacional.

“Nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, substitui o olhar atento de um time bem preparado. O phishing de 2025 não engana pela técnica, mas pelo contexto, e é nisso que precisamos estar atentos. A segurança digital começa onde termina a automatização: no senso crítico humano, na colaboração e na capacidade de questionar o que parece normal demais para ser verdade”, conclui

Como acontecem os golpes com reconhecimento facial e como se proteger

Tokens e senhas já não são os métodos favoritos para acessar dispositivos ou contas pessoais. Dando lugar às impressões digitais, reconhecimento facial e até à análise da voz, os sistemas biométricos representam a nova fronteira na autenticação de transações.

Mais de 4,2 bilhões de dispositivos móveis já utilizam algum tipo de biometria ativa, segundo a Juniper Research, e a previsão é que, até o final de 2026, 57% de todas as transações digitais globais serão validadas por esses métodos. No Brasil, a adesão à tecnologia também já é uma realidade palpável. Uma pesquisa da Accenture mostra que 73% dos consumidores brasileiros se sentem mais seguros usando biometria do que os tradicionais códigos numéricos em aplicativos bancários e carteiras digitais.

E, infelizmente, isso também atrai a atenção dos criminosos cibernéticos. “Com o avanço das tecnologias biométricas, especialmente o reconhecimento facial, empresas e governos vêm reforçando sistemas de segurança com identificações automáticas de indivíduos. No entanto, esse movimento é acompanhado pelo cibercrime na busca por técnicas sofisticadas, alimentadas por Inteligência Artificial, capazes de burlar os sistemas de autenticação”, explica Anchises Moraes, Head de Threat Intelligencena Apura Cyber Intelligence S.A.

Segundo o especialista em cibersegurança, criminosos utilizam desde impressoras de alta resolução até softwares para falsificar características biométricas, desafiando a proteção tecnológica de aplicativos bancários, serviços públicos e plataformas financeiras.

Esses ataques podem ser classificados em cinco níveis de complexidade. O nível 1 utiliza fotos digitais de alta resolução, vídeos em HD e até máscaras de papel, enquanto o nível 2 se baseia em bonecos realistas e máscaras 3D de látex ou silicone. Já no nível 3, os fraudadores recorrem a artefatos ultra-realistas e cabeças de cera. O nível 4 envolve a alteração de mapas faciais 3D para enganar os servidores de autenticação quanto à “prova de vida”. O estágio mais avançado, nível 5, inclui a injeção digital de imagens e vídeos diretamente nos dispositivos, ou mesmo o uso de deepfakes altamente convincentes, levando sistemas a aceitar a fraude como se fosse atividade orgânica do usuário legítimo.

Fraudes com deepfake e uso de identidades digitais sintéticas têm crescido no Brasil. Relatórios, como o da Deloitte publicado pelo portal Infochannel, apontam que o prejuízo econômico com fraudes movidas por inteligência artificial pode chegar a R$ 4,5 bilhões até final de 2025. Crescimentos de mais de 800% no uso de deepfakes já foram observados.

Na China, um caso emblemático escancarou o potencial destrutivo desses golpes. Um empregado de uma estatal foi induzido a transferir US$ 622 mil (cerca de R$ 3,1 milhões) após conversar por vídeo com quem acreditava ser seu próprio CEO. O fraudador usou deepfake em tempo real para replicar a imagem e voz da liderança da empresa, produzindo uma situação de extrema urgência para forçar as transferências. O golpe usou vídeos públicos do executivo para criar o avatar, e golpes similares vêm sendo relatados desde então.

Anchises esclarece, portanto, que as empresas de cibersegurança têm apostado em múltiplas camadas de proteção para mitigar essas ameaças. Uma das principais estratégias é a adoção de sistemas multimodais: combina-se dados de vídeo, áudio, sensores de temperatura, profundidade e análise comportamental, dificultando a ação dos golpistas. Sistemas avançados também integram detecção de deepfakes em tempo real e biometria comportamental, que monitora detalhes como velocidade de digitação, pressão sobre o touchscreen e até a forma como o dispositivo é manuseado.

Outras táticas envolvem técnicas de desafio e resposta  dinâmico, com desafios imprevisíveis gerados por IA (como pedir para piscar apenas um olho ou falar informações contextuais não planejadas), e a junção de provas de vida (“liveness”) passivas com ativas – mixando análises automáticas de vídeo com interações em tempo real. Ademais, cresce o monitoramento sistemático de vazamentos: equipes especializadas vasculham a dark web e bases de dados abertas em busca de imagens e perfis reciclados em novas tentativas de fraude. Apesar da sofisticação dos ataques, a resposta das empresas também evolui, demonstrando que a guerra pela identidade digital está apenas começando.

“Por isso se faz fundamental o trabalho desenvolvido pela Apura em conjunto com outras empresas de cibersegurança, ao monitorar as redes em busca de possíveis ameaças e, quando, infelizmente, um ataque for bem-sucedido, avaliar minuciosamente todos os fatores envolvidos para desenvolver e aprimorar ainda mais as táticas defensivas contra cibercriminosos que querem explorar as vulnerabilidades do uso de biometrias”, finaliza o especialista da Apura Cyber Intelligence.

Sobre a Apura Cyber Intelligence, acesse: https://apura.com.br

https://www.identy.io/pt-br/fraudes-causadas-por-ia-podem-causar-prejuizos-economicos-de-cerca-de-r-45-bilhoes-ao-brasil-em-2025

Falhas humanas custam até R$7,19 milhões por ataque e seguem como maior risco para empresas

Mesmo com o avanço da tecnologia e da inteligência artificial, falhas humanas como senhas fracas e configurações incorretas em nuvem continuam sendo o principal gatilho de ataques, causando prejuízos milionários às empresas. Para se ter uma ideia, segundo dados da IBM, o custo médio de uma violação de dados no Brasil chegou a R$7,19 milhões, sendo o phishing, responsável por 16% das violações, e o uso indevido de IA os vetores mais comuns. O relatório aponta ainda que, no cenário global, o prejuízo médio por ataque chega a US$4,44 milhões, evidenciando que o impacto financeiro das violações permanece elevado independentemente da região.

Segundo especialistas, o cenário se torna ainda mais crítico porque, quanto mais avançadas e complexas são as tecnologias, maior é o impacto de erros simples cometidos por pessoas. Além disso, outro relatório da IBM aponta que 63% das empresas afetadas não possuem políticas consolidadas de governança de IA, o que aumenta o risco de erros na operação de tecnologias críticas.

Para Rafael Dantas, Head de Cibersegurança da TLD, empresa referência em tecnologia, esses números mostram que a vulnerabilidade humana deixou de ser um tema comportamental e passou a ser uma questão estratégica. “A tecnologia evoluiu, mas o ponto de falha mais explorado ainda é o comportamento das pessoas. Quando uma empresa ignora treinamento, governança e orientação contínua, ela amplia exponencialmente a probabilidade de que um erro cotidiano se transforme em um incidente milionário”, afirma.

A análise global da Fortinet reforça esse movimento ao mostrar que configurações em nuvem permanecem entre as principais portas de entrada para ataques. Permissões abertas, identidades mal definidas, senhas padrão e chaves expostas seguem sendo falhas humanas que facilitam acessos indevidos. Para completar, o relatório identificou um aumento de 500% na circulação de credenciais corporativas roubadas em fóruns clandestinos, impulsionado por hábitos inseguros de colaboradores.

O preparo adequado reduz tanto ataques externos quanto violações internas. “Mesmo com o avanço técnico das ameaças — que hoje exploram IA, automação e ataques cada vez mais sofisticados — grande parte dos incidentes ainda nasce do básico: um clique em link malicioso, uma credencial exposta ou um desvio de procedimento. O investimento em tecnologia precisa caminhar junto com a capacitação contínua. Segurança não é só sobre ferramentas. É sobre comportamento, cultura e repetição diária.”, comenta Rafael Dantas.

Treinamentos contínuos, simulações, revisão de permissões, processos robustos de governança e cultura ativa de reporte são os elementos que reduzem drasticamente a superfície de ataque. Empresas que conseguem engajar suas equipes em segurança têm resultados concretos: menos incidentes, respostas mais rápidas e danos menores. Pessoas preparadas são, hoje, o maior diferencial para reduzir riscos.

Em um cenário em que ataques se tornam mais rápidos e automatizados, o maior desafio continua sendo humano. Capacitar pessoas deixou de ser uma iniciativa periférica e se tornou uma das principais medidas para proteger operações, reputação e continuidade das empresas.

Norton alerta sobre golpe de caridade circulando no Brasil

Uma nova investigação conduzida por especialistas da Norton, marca de segurança cibernética da Gen™ (NASDAQ: GEN), revela uma onda de golpes envolvendo doações que afetam centenas de pessoas no Brasil. Por meio das redes sociais, cibercriminosos estão disseminando sites falsos de doações com base em histórias reais retiradas de plataformas legítimas, com o objetivo de enganar as pessoas que apoiam ações de caridade e redirecionar fundos para contas fraudulentas.

Norton alerta sobre golpe de caridade circulando no Brasil
Norton alerta sobre golpe de caridade circulando no Brasil

Ao contrário de muitos outros ataques cibernéticos, este golpe não visa especificamente roubar dados pessoais ou bancários, mas sim desviar diretamente fundos destinados a causas humanitárias. Os golpistas usam perfis falsos ou contas comprometidas em plataformas como Facebook, Threads e Instagram para se infiltrar em comunidades locais. Primeiramente, eles republicam o conteúdo de outros usuários para ganhar credibilidade e, em seguida, compartilham links para sites falsos que imitam plataformas legítimas de arrecadação de fundos, como Vakinha.

Norton alerta sobre golpe de caridade circulando no Brasil
Norton alerta sobre golpe de caridade circulando no Brasil

Esses sites fraudulentos replicam descrições, imagens e até vídeos reais, exibindo comentários falsos de supostos doadores, além de efeitos visuais que simulam doações em tempo real. Assim que a vítima acessa o site e decide doar, ela é direcionada para uma página de pagamento com um código QR ou PIX. Após a conclusão do pagamento, uma mensagem de agradecimento é exibida, confirmando falsamente que a doação foi recebida pela causa pretendida.

Norton alerta sobre golpe de caridade circulando no Brasil
Norton alerta sobre golpe de caridade circulando no Brasil

É provável que muitas vítimas nunca percebam que enviaram dinheiro para golpistas. Ao mesmo tempo, as verdadeiras vítimas — aquelas que realmente precisam de apoio — nunca recebem os fundos.

“Esses tipos de campanhas são particularmente sofisticadas, porque imitam postagens e sites de doações reais, aproveitando a empatia e a disposição das pessoas em ajudar. Ao replicar o conteúdo legítimo e se espalhar por plataformas comuns, como as redes sociais, eles conseguem evitar suspeitas e receber transferências diretas sem precisar roubar informações pessoais”, diz Jakub Vávra, Analista de Operações de Ameaças na Gen.

A Norton detectou e bloqueou centenas de tentativas desse golpe no Brasil na última semana. A empresa continua monitorando ativamente essas campanhas, para proteger as pessoas na América Latina e em outras regiões.

Norton alerta sobre golpe de caridade circulando no Brasil
Norton alerta sobre golpe de caridade circulando no Brasil

Para se proteger contra esse tipo de ameaça, os especialistas da Norton recomendam:

  • Fazer doações apenas por meio de plataformas ou sites confiáveis, verificando tanto as causas quanto quem está por trás delas.
  • Conferir os endereços dos sites antes de clicar ou transferir dinheiro. Certifique-se de que a URL esteja correta e que o site é seguro (https).
  • Pesquisar a causa. Uma rápida busca na internet pelo nome da campanha ou da pessoa envolvida pode ajudar a confirmar a legitimidade.
  • Não ceder à pressão. Os golpistas costumam criar uma sensação de urgência emocional, para impedir que a pessoa pense criticamente.

Se você se deparar com uma campanha de doação suspeita, não faça nenhuma transferência de dinheiro. Em vez disso, verifique a legitimidade do site e use apenas plataformas confiáveis que validam tanto a causa quanto aqueles que estão envolvidos.  

Sobre a Norton 

Norton é líder em segurança cibernética e faz parte da Gen™ (NASDAQ: GEN), uma empresa global dedicada a promover a liberdade digital, com uma família de marcas nas quais os consumidores confiam. A Norton protege milhões de pessoas e seus familiares com proteção premiada para seus dispositivos, privacidade online e identidade digital. Os produtos e serviços da Norton são certificados por organizações de testes independentes, como AV-TEST, AV Comparatives e SE Labs. A Norton é membro fundador do Anti-Stalkerware Coalition. Para mais informações, visite: https://br.norton.com/.

Educação digital: o elo mais fraco na corrente da cibersegurança brasileira

Um novo estudo divulgado pela Mimecast revelou um dado alarmante sobre segurança da informação: 95% das falhas de segurança registradas em 2024 foram causadas por erro humano. Este número, por si só, lança uma luz sobre uma realidade que, apesar dos impressionantes avanços tecnológicos e da crescente sofisticação dos ataques virtuais, persiste como nosso maior calcanhar de Aquiles: a deficiência em educação digital. No Brasil, esse desafio se agiganta, expondo um abismo preocupante entre a tecnologia disponível e o comportamento dos usuários.

A segurança cibernética, em sua essência, depende fundamentalmente do comportamento humano. De nada adianta termos as mais robustas muralhas digitais se, por dentro, as portas são inadvertidamente abertas por aqueles que deveriam ser os primeiros a protegê-las. Observamos no dia a dia uma série de práticas inseguras que persistem justamente pela falta de conhecimento básico sobre os riscos digitais.

O usuário, muitas vezes, não sabe como se proteger online. Erros como o uso da mesma senha em múltiplas plataformas, a suscetibilidade a golpes de phishing elementares, o compartilhamento excessivo de informações pessoais nas redes sociais e a confiança ingênua em mensagens que apelam para a urgência ou emoção são incrivelmente comuns. Esta vulnerabilidade não é um acaso, mas o reflexo direto de uma base educacional que ainda não incorporou a segurança digital como pilar essencial.

Uma questão social

O problema é sistêmico e se manifesta em diversas esferas. Nas escolas, onde a cidadania digital deveria ser cultivada desde a infância, o tema da cibersegurança é frequentemente negligenciado ou tratado de forma superficial. As universidades, por sua vez, ainda falham em integrar de maneira robusta a segurança cibernética nos currículos, até mesmo nos cursos de Tecnologia da Informação. Muitos profissionais chegam ao mercado sem as noções básicas para proteger os sistemas e dados com os quais irão trabalhar, uma lacuna que deveria ser impensável na era digital.

Uma pesquisa do DataSenado comprovou que a atenção deve estar nos mais jovens e com formação incompleta. Segundo o estudo, 27% das pessoas que perderam dinheiro em crimes digitais estão na faixa de 16 a 29 anos, e 35% possuem ensino médio completo, seguido por 29% com ensino superior incompleto.

No ambiente corporativo, a mentalidade reativa ainda predomina. Embora algumas empresas invistam em treinamentos, a maioria só se mobiliza após a ocorrência de um incidente de segurança, quando o prejuízo já está consolidado. Falta a cultura da prevenção, do investimento contínuo na capacitação dos colaboradores para que se tornem uma linha de defesa ativa, e não um ponto de falha.

Vemos, inclusive, resistência por parte da população em adotar medidas simples, mas eficazes, como a autenticação de dois fatores ou o uso de senhas fortes. Essa hesitação muitas vezes nasce da percepção de que tais medidas são incômodas ou da falsa sensação de que “isso só acontece com os outros”, um perigoso equívoco alimentado pela falta de entendimento sobre a real dimensão dos riscos.

Desafios da modernidade

O cenário se torna ainda mais complexo com o avanço da inteligência artificial, que potencializa ameaças como deepfakes e golpes de engenharia social cada vez mais personalizados e convincentes. Diante disso, a educação digital precisa evoluir. Não basta apenas ensinar a técnica de como usar uma ferramenta de segurança; é crucial desenvolver o pensamento crítico, a capacidade de identificar manipulação emocional e desinformação. Precisamos formar cidadãos digitais conscientes, capazes de discernir e agir com prudência no ambiente online.

Para começar a mudar esse panorama, o primeiro passo é tratar a cibersegurança como um direito e um dever fundamental da cidadania digital. Isso implica uma ação coordenada que envolva instituições públicas liderando campanhas nacionais de conscientização, a inclusão efetiva do tema nos currículos escolares desde os anos iniciais, a capacitação de servidores públicos e a criação de políticas públicas que incentivem a educação digital para todos os segmentos da população. A mídia tem um papel crucial na disseminação de informação de qualidade, e o setor privado deve assumir sua responsabilidade na formação contínua de seus colaboradores e na promoção de uma cultura de segurança.

Ignorar a educação digital é deixar a porta aberta para ameaças que podem comprometer não apenas dados pessoais e financeiros, mas a própria infraestrutura crítica do país e a confiança nas interações digitais. Investir em conhecimento e conscientização é, hoje, a estratégia mais inteligente e eficaz para fortalecer nossas defesas e construir um Brasil digitalmente mais seguro e resiliente.

Setor de Saúde é o segundo maior alvo de vazamentos de dados no mundo, aponta relatório da Verizon

Os números não deixam dúvidas: o setor da saúde segue como um dos alvos preferenciais dos cibercriminosos no mundo. Segundo o Data Breach Investigations Report (DBIR) 2025, divulgado pela Verizon no dia 23 de abril, foram mais de 1.700 incidentes de segurança registrados na área médica entre novembro de 2023 e outubro de 2024. Destes, um assustador volume de 1.542 resultou em vazamentos de dados, muitos expostos por cibercriminosos em sites e fóruns na Dark e Deep Web.

O levantamento é considerado uma das maiores referências globais sobre segurança digital. Neste ano, analisou mais de 22 mil incidentes, com 12.195 violações de dados confirmadas em organizações de 139 países.

A saúde ficou atrás apenas do setor industrial, que acumulou 1.607 violações no mesmo período. “Os dados médicos são altamente sensíveis e valiosos. Por isso, o setor virou uma espécie de mina de ouro para os cibercriminosos”, explica Anchises Moraes, especialista da Apura Cyber Intelligence, que pelo sétimo ano consecutivo é uma das colaboradoras do relatório, levando dados do cenário brasileiro para esse levantamento global.

Segundo o relatório, 45% das violações miraram dados médicos, enquanto 40% afetaram dados pessoais, como nomes, endereços e números de documentos.

Os principais caminhos para as violações continuam sendo os mesmos: intrusões, falhas humanas e erros diversos, responsáveis por 74% dos casos. Já sobre quem promove os ataques, a maioria vem de fora: 67% são atribuídos a agentes externos. Mas o risco interno também é alto: 30% dos incidentes foram causados por pessoas com acesso legítimo aos sistemas. Os parceiros, por sua vez, responderam por 4% das investidas.

A maioria das invasões teve motivações financeiras: 90% dos ataques buscaram lucro direto com extorsão ou venda de dados. Contudo, um dado chama a atenção: os ataques movidos por espionagem saltaram de 1% em 2023 para 16% em 2024, um crescimento que, segundo Moraes, é “expressivo e preocupante”.

“Esse é um dos grandes desafios: muitas vezes, quem está dentro da organização facilita ou executa o ataque”, alerta Moraes. Para ele, a resposta precisa ir além de barreiras tecnológicas. “É preciso investir em treinamento, conscientização e controles rigorosos.”

Outra mudança detectada pelo DBIR 2025: os ataques de ransomware e invasões sofisticadas superaram, pela primeira vez, os erros humanos como causa dos incidentes, que lideravam o ranking até 2023. A escalada preocupa, especialmente em hospitais, onde a indisponibilidade de sistemas por um ataque de ransomware pode comprometer o atendimento e colocar vidas em risco. A América Latina também figura no relatório com destaque: foram 657 incidentes na região, sendo 413 com vazamentos confirmados.

“Depois que um ataque acontece, o desespero toma conta, e isso dá ainda mais vantagem aos criminosos”, afirma Moraes. “Não basta ter rotinas de segurança, sistemas de proteção robustos e, principalmente, investir em educação protetiva cibernética para reduzir o risco de um ataque bem-sucedido”, destaca. “É fundamental investir em medidas preventivas e pró-ativas, como monitoramento de ameaças, e construir um sólido plano de resposta a incidentes, para minimizar o impacto e retomar rapidamente a operação caso o pior aconteça”.

O relatório completo pode ser acessado gratuitamente no site da Verizon: https://www.verizon.com/business/resources/reports/dbir/.

Golpes por SMS já causaram R$ 10,1 bilhões em prejuízos no Brasil

Se você já leu ou ouviu o termo “ataque cibernético” pode ter se perguntado como esse tipo de ataque acontece no mundo real e quais os reais impactos eles podem gerar, seja para as empresas que sofreram o golpe ou para as pessoas de maneira geral.

Recentemente, a Apura Cyber Intelligence apresentou seu relatório sobre o panorama da cibersegurança no mundo no último ano, em que aborda uma série de incidentes que aconteceram durante o ano. O relatório mostra como os criminosos realizaram tais ataques e quais foram as consequências para as empresas e indivíduos atingidos. Além disso, o relatório também abordou uma série de operações realizadas por autoridades contra grupos cibercriminosos.

Marco Romer, Coordenador de Reports na Apura, explica que, cada vez que um ataque é deflagrado, empresas de cibersegurança como a Apura estudam o caso para poder entender onde houve falhas e, assim, desenvolver técnicas mais refinadas que aumentem a efetividade das medidas de seguranças contra esses tipos de ataques.

Alguns incidentes no Brasil e no mundo

Em um dos acontecimentos mais importantes de 2024 no setor de tecnologia, a Snowflake, renomada empresa de computação em nuvem, enfrentou um grave vazamento de dados. A Mandiant, empresa de segurança pertencente ao Google, identificou que aproximadamente 165 clientes potenciais da Snowflake, incluindo a Pure Storage, a Neiman Marcus e a AT&T, foram alvo de uma campanha coordenada de exploração de credenciais roubadas. O caso foi agravado por falhas na implementação de medidas de segurança essenciais, como a adoção de autenticação multifatorial, e pela reutilização de senhas antigas.

“A investigação conduzida pela Mandiant, identificou que a ação comprometeu dados de aproximadamente 110 milhões de clientes apenas da AT&T, abrangendo praticamente toda a base de usuários da operadora. O volume de informações expostas demonstra a extensão e a gravidade do incidente, evidenciando o potencial de alcance de ataques cibernéticos bem-sucedidos”, explica Romer. “Fica claro também, que o ataque a uma única empresa, neste caso a Snowflake, pode atingir várias outras, demonstrando a necessidade de a segurança cibernética ser pensada e estruturada ao longo de toda a cadeia de suprimentos”, acrescenta.

Outro incidente ocorreu com a Ascension Healthcare, uma das principais operadoras de saúde dos EUA, que enfrentou um ataque de ransomware que paralisou suas operações clínicas. O episódio, detectado em maio, interrompeu serviços importantes, como registros médicos eletrônicos, forçando os hospitais a recorrerem a métodos manuais, como notas manuscritas, o que aumentou os riscos de erros médicos. Em um caso angustiante, um enfermeiro no Kansas quase cometeu um grave erro de dosagem devido à confusão causada pela falta dos sistemas eletrônicos.

No Brasil, uma onda de o golpe por SMS, também conhecido como “smishing”, se destacou pela velocidade e alcance. Criminosos exploraram mensagens SMS para enganar milhares de pessoas. Entre as principais modalidades de fraude,  só neste ano, centenas de sites falsos foram criados para enganar vítimas por meio de falsas notificações de encomendas, avisos de valores a receber e alertas de cassação da CNH encheram as caixas de entrada dos brasileiros. As mensagens continham links que levavam a sites fraudulentos, semelhantes a portais de empresas de logística e órgãos governamentais, induzindo as vítimas a pagar supostas taxas por meio de boleto ou pagamento instantâneo.

Os golpes por SMS continuam a representar uma séria ameaça à segurança digital dos brasileiros em 2025. Segundo pesquisa da Norton divulgada em março, 54% das tentativas de fraude no país foram feitas por SMS, sendo que 43% das pessoas que receberam essas mensagens acabaram caindo no golpe. Mais alarmante: 77% dessas vítimas sofreram prejuízos financeiros, com perdas que vão de R$ 1,2 mil a até R$ 40 mil. De acordo com a Febraban, o total de perdas financeiras causadas por golpes no Brasil saltou de R$ 8,6 bilhões, em 2023, para R$ 10,1 bilhões em 2024 — um crescimento de 17%.

“Conseguimos identificar com o auxílio de nossa ferramenta de inteligência de ameaças e técnicas de investigação em fontes abertas que mais de 300 domínios falsos foram usados apenas em campanhas que simulavam comunicações dos Correios, ampliando significativamente o alcance e o impacto dos golpes”, diz o coordenador.

Em abril de 2024, o sistema financeiro do Governo Federal, conhecido como SIAFI, foi alvo de um ousado esquema de desvio de recursos. Criminosos conseguiram alterar dados bancários de um fornecedor, desviando R$ 3,5 milhões do Ministério da Gestão e Inovação. Para isso, utilizaram técnicas como phishing e certificados digitais falsos, aproveitando-se de credenciais de servidores públicos.

Operações contra grupos de cibercriminosos

No caso do SIAFI, a investigação da Polícia Federal revelou um esquema criminoso que desviava recursos destinados ao pagamento dos salários de servidores públicos, utilizando contas de “laranjas” para ocultar as transações. Esses recursos eram posteriormente convertidos em criptomoedas através de exchanges e instituições de pagamento especializadas.

Durante a operação, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão e três de prisão temporária em diversos estados, incluindo Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo e o Distrito Federal. Em resposta ao ocorrido, o Tesouro Nacional, responsável pelo SIAFI, implementou medidas adicionais de segurança, como a autenticação com múltiplos fatores (MFA) para usuários autorizados, visando reforçar a proteção do sistema e prevenir futuros incidentes.

Outras ações bem sucedidas implementadas pelas autoridades com a colaboração de empresas de cibersegurança foram realizadas em 2024. Operações nacionais e internacionais contra o cibercrime tiveram como foco o combate a grupos de ransomware e a grupos especializados em ataques DDoS.

A “Operação Cronos”, por exemplo, marcou um ponto de virada na luta contra o grupo LockBit, temido por sua série de ataques de ransomware desde 2019. As forças da lei dos EUA, do Reino Unido e da União Europeia conseguiram apreender domínios e revelar a identidade do líder do grupo, Dmitry Yuryevich Khoroshev. Vários afiliados foram presos, e a operação demonstrou a colaboração global necessária para combater o cibercrime.

Simultaneamente, a “Operação PowerOFF” desmantelou 27 serviços de aluguel de ataques DDoS em uma ação coordenada entre 15 países. Além de remover plataformas online usadas para fins maliciosos, a operação prendeu indivíduos-chave e responsabilizou centenas de usuários.

Outra vitória significativa ocorreu com a “Operação Magnus”, que focou nos malwares Redline e Meta Infostealer, dois dos mais utilizados para roubo de informações pessoais em todo o mundo. A polícia holandesa e o FBI apreenderam servidores e emitiram alertas globais, culminando na acusação do desenvolvedor russo Maxim Rudometov.

“As operações realizadas em 2024 reforçam a importância da cooperação internacional na luta contra o cibercrime, não só entre as nações, mas também do setor público com o privado. Se os criminosos evoluem em ousadia e táticas a cada ano, as forças da lei estão sempre empenhadas em provar que é só uma questão de tempo até que estes criminosos sejam inevitavelmente levados a encarar a justiça e a pagar por seus crimes”, ressalta Romer.

Sobre a Apura Cyber Intelligence, acesse: https://apura.com.br/

Empresas demoram em média 30 dias para solucionar brechas em segurança cibernética e só 54% conseguem

A engrenagem do cibercrime não para de evoluir, e 2025 chega com um alerta vermelho para líderes de tecnologia, segurança e governança digital. Lançado nesta quarta-feira (23), a nova edição do Data Breach Investigations Report (DBIR), da norte-americana Verizon, escancara um cenário em mutação: crescimento nos ataques com uso de inteligência artificial, exploração de falhas de dia zero nos dispositivos de borda e um fator humano que insiste em deixar a porta entreaberta para os criminosos.

Neste ciclo, o relatório analisou 22.052 incidentes de segurança, dos quais 12.195 resultaram em violações de dados confirmadas, o maior volume já registrado em uma edição do estudo. O levantamento cobre o período entre 1º de novembro de 2023 e 31 de outubro de 2024, com participação de empresas de todos os portes e setores. E, mais uma vez, o Brasil marcou presença: pelo sétimo ano consecutivo, a Apura Cyber Intelligence contribuiu com sua análise sobre o cenário nacional de ameaças.

“Esse tipo de colaboração nos permite entender melhor o comportamento do cibercrime em diferentes regiões e estar no centro das discussões mais relevantes sobre cibersegurança no mundo”, afirma Sandro Süffert, fundador e CEO da Apura. “Essa troca internacional nos permite entender o que está acontecendo lá fora e ajustar nossas ações ao que faz sentido aqui – e vice-versa. Esse equilíbrio entre o panorama global e a realidade local é o que torna nossa atuação mais eficaz e diferenciada”.

Entre os dados mais preocupantes, está o aumento de violações causadas por abuso de credenciais (22%) e exploração de vulnerabilidades (20%), com destaque para o uso de exploits de dia zero em VPNs e dispositivos de borda. Esses equipamentos, aliás, estiveram no centro de 22% das falhas exploradas no ano passado, um grande salto comparado aos 3% do ano anterior.

Apesar dos esforços das empresas em aplicar correções de segurança em seus equipamentos, apenas 54% das falhas foram totalmente resolvidas, com um prazo médio de 32 dias para “fechar a porta”, tempo mais do que suficiente para os criminosos agirem.

O fator humano ainda aparece em 60% das violações. E as brechas se multiplicam na medida em que cresce o envolvimento de terceiros, agora presentes em 30% dos incidentes, o dobro do registrado no ciclo anterior. O uso compartilhado (e muitas vezes descuidado) de credenciais, especialmente em ambientes externos, segue sendo um calcanhar de Aquiles. Para se ter uma ideia, o estudo identificou que o tempo médio para remediar segredos vazados em repositórios GitHub foi de 94 dias.

Outro alerta grave: os malwares do tipo “infostealer”, focados no roubo de dados, aparecem com força. Segundo o DBIR, 30% dos dispositivos infectados por esse tipo de ameaça eram corporativos, sendo que quase metade dos sistemas comprometidos (46%) misturava credenciais pessoais e profissionais — uma combinação explosiva que cresce com políticas permissivas de BYOD (bring your own device), ainda comuns em muitas empresas.

No front do ransomware, o relatório detectou aumento de 37% nas ocorrências em relação ao ciclo anterior. O tipo de ataque esteve presente em 44% das violações analisadas. Ainda assim, os valores pagos aos extorsionistas caíram: de uma mediana de US$ 150 mil em 2023 para US$ 115 mil em 2024. A boa notícia? 64% das empresas vítimas optaram por não pagar o resgate.

Mas o impacto é desigual: entre grandes corporações, o ransomware apareceu em 39% das violações. Já nas pequenas e médias empresas, esse número sobe para 88%, o que reforça a realidade vulnerável do middle market.

Uma das grandes novidades do relatório foi a inclusão da inteligência artificial como vetor de ataque. O uso de GenAI (inteligência artificial generativa) por criminosos se tornou evidente em 2025, com o dobro de e-mails maliciosos usando textos sintéticos em comparação com dois anos atrás, segundo parceiros da Verizon.

Mas o perigo não está apenas no lado ofensivo. O relatório revela que 15% dos funcionários acessam ferramentas de IA generativa com frequência em dispositivos corporativos, muitas vezes com contas pessoais (72%) ou e-mails corporativos sem autenticação adequada (17%) — criando brechas para o vazamento de dados sensíveis para fora do ambiente empresarial.

“Há poucos anos, falar de inteligência artificial em ataques cibernéticos soaria como ficção. Hoje, criminosos usam GenAI para automatizar fraudes, escrever e-mails de phishing mais convincentes e até escalar ataques com uma velocidade inédita. Isso muda o jogo. E nos obriga a pensar em defesa com a mesma sofisticação e agilidade”, comenta Süffert.

O DBIR 2025 apresenta uma breve análise regional do cenário de ameaças e traz um recorte com o panorama dos ataques cibernéticos na América Latina. Dentre os 657 incidentes analisados na região, a maioria com divulgação de dados confirmada (413), os principais padrões de ataque foram a intrusão de sistemas, o uso de engenharia social e os ataques básicos a aplicações Web – ao todo eles representam 99% das violações. Praticamente todas as violações identificadas na região envolveram atores de ameaça externos e 1% envolveram parceiros. As principais motivações foram o ganho financeiro (84%) e a espionagem (27%), com comprometimento de dados internos (97%) e de segredos corporativos (27% dos casos).

Com mais de 150 páginas, o DBIR 2025 reafirma seu papel como o mapa da segurança cibernética global. O estudo deixa claro: a guerra digital continua, e os ataques estão mais rápidos, inteligentes e invisíveis. A boa notícia é que, com dados e colaboração internacional, também evoluem as defesas.

Ou como resumiu o CEO da Apura: “Relatórios como o DBIR não se limitam a contar o que já aconteceu. Eles acendem luzes sobre o que está por vir”, diz Sandro Süffert, CEO da Apura. “Em um ambiente onde o cibercrime evolui na velocidade da tecnologia, ter acesso a dados confiáveis e análises profundas deixou de ser um diferencial, virou questão de sobrevivência”.

Sobre a Apura Cyber Intelligence: https://apura.com.br/

O relatório Data Breach Investigations Report 2025 já está disponível para download. Acesse em: https://www.verizon.com/business/resources/reports/dbir/

Ciberinfância em risco: como proteger crianças na era digital

 infância se digitalizou antes mesmo de ser compreendida por pais e educadores, e os riscos cibernéticos enfrentados por crianças e adolescentes se multiplicam em ritmo acelerado. “Para essa geração, o chamado ‘mundo on-line’ é o seu mundo real”, afirma Fernando Brafmann, especialista em cibersegurança e consultor dos colégios da Rede Positivo.

Segundo ele, entre os principais perigos estão o cyberbullying, o grooming (abordagem de menores por adultos mal-intencionados), a exposição a conteúdos inapropriados, vazamento de dados pessoais, dependência digital e golpes virtuais. A banalização da violência, o contato com discursos de ódio e ideologias extremistas também preocupam. O problema, para Brafmann, não é a tecnologia em si, mas sua apropriação precoce e desassistida. “Estamos abrindo uma porta para um mundo que os próprios pais desconhecem”, alerta.

Para lidar com esses desafios sem invadir a privacidade dos filhos, o especialista defende um tripé: diálogo constante, educação digital desde cedo e uso transparente de ferramentas tecnológicas. “A proteção deve ser construída em conjunto, como um pacto de cuidado e não de vigilância”, explica. Ferramentas como Google Family Link, Qustodio e Microsoft Family Safety podem ser aliadas, desde que usadas com o conhecimento da criança. Mas o mais importante, diz Brafmann, é o exemplo. “Pais que dormem com o celular na mão não podem cobrar moderação dos filhos”.

Brafmann recomenda que pais acompanhem e conversem sobre os interesses digitais dos filhos, participando ativamente desse universo. “Não se trata de controlar, mas de construir uma relação de confiança”. Estabelecer combinados claros, como tempo de uso e tipos de conteúdo, é fundamental. “Não existe uma receita universal, pois cada criança tem seu tempo e maturidade”, pondera.

E quando o risco se concretiza?

Ao identificar crimes cibernéticos, o especialista orienta: acolher a criança, reunir provas (como prints), bloquear agressores, denunciar às autoridades competentes e, se necessário, procurar apoio psicológico. Plataformas como a Safernet são recursos valiosos. Ele destaca ainda a importância de se enxergar o adolescente como alguém em constante construção. “A empatia intergeracional é essencial. Não basta ensinar — é preciso ouvir e entender”.

Nova versão do XWorm dribla antivírus e reativa após reiniciar o sistema

Pesquisadores do Netskope Threat Labs descobriram uma nova versão do malware XWorm circulando em ataques ativos, com funcionalidades inéditas que dificultam a detecção e aumentam a persistência nos sistemas infectados. O XWorm 6.0 é capaz de burlar ferramentas de segurança, se proteger contra remoção e se manter ativo mesmo após um desligamento forçado.

O XWorm se espalha por meio de scripts disfarçados em mensagens ou arquivos aparentemente legítimos, baixando um código malicioso que se executa inteiramente na memória, sem deixar rastros visíveis. A nova versão ainda bloqueia a ação do antivírus, modificando a memória do sistema para escapar de escaneamentos automáticos.

Outro destaque é que se o XWorm 6.0 for executado com privilégios de administrador, ele automaticamente se sinaliza como um “processo crítico”, o que impede sua finalização mesmo por administradores. Se for finalizado à força, o sistema irá travar e exigir a reinicialização, e neste momento o malware se ativa novamente.

A análise da Netskope mostra que essa nova versão também identifica se está sendo executada em ambientes de análise ou simulação, e se encerra automaticamente para evitar a detecção por especialistas de segurança.

Mais informações com detalhes técnicos desta descoberta estão disponíveis no blog da Netskope.

6 trilhões de bots maliciosos

Pela primeira vez, o tráfego automatizado na internet superou o da atividade humana. Mais da metade (51%) de tudo que circulou na web em 2024 foi gerado por programas de computador. A informação é da CLM, distribuidor latino-americano de valor agregado com foco em segurança da informação, proteção de dados, cloud e infraestrutura para data centers, que analisou os dados do Imperva Bad Bot Report 2025. Estudo que coletou, analisou e bloqueou, a partir da rede global da Imperva, quase 6 trilhões de solicitações de bots mal-intencionados, média de 2 milhões de ataques diários com uso de IA, e impetrado contra milhares de domínios, de diversos setores.

O 12º relatório anual sobre bots maliciosos da Imperva, empresa adquirida pela Thales, referência em proteção de aplicações, APIs e dados críticos em larga escala, e cuja aquisição fortaleceu sua posição no setor. “O estudo explora a expansão dos ataques automatizados, e os riscos crescentes aos negócios representados pelos bots maliciosos, a ascensão da IA na criação de ataques mais evasivos e escaláveis e o aumento das vulnerabilidades das APIs”, explica Abílio Branco, Diretor Regional de Data Security para o Brasil e SOLA da Thales.

Principais dados do Imperva Bad Bot Report 2025

A atividade dos bots maliciosos aumentou pelo sexto ano consecutivo, atingindo 37% de todo o tráfego da internet, 5% a mais que em 2023.

Ataques simples, de alto volume, com bots aumentaram substancialmente, respondendo agora por 45% de todos os ataques com bots, em 2023 eram 40%.

O número de ataques de sequestro de contas (ATO) aumentou 40% em relação ao ano passado e 54% à 2022.

44% do tráfego de bots avançados foram direcionados contra APIs. “Proteger APIs deixou de ser apenas mais uma medida de segurança. Trata-se, agora, de se preservar a base dos ecossistemas digitais de uma empresa”, comenta Pamela Paganotti, gerente de produtos Thales na CLM.

Serviços financeiros, assistência médica e e-commerce são os setores mais visados pelos ataques com bots contra APIs.

Mais da metade de todos os ataques com bots foram contra os Estados Unidos (53%), seguidos do Brasil e Reino Unido, que ocupam a segunda posição, com 6% cada um.

Em 2024, o setor de viagens superou o de varejo, sendo afetado por mais de um quarto de todos os ataques de bots maliciosos, 27%, tornando-se o setor mais visado. Esses ataques contra o setor de varejo diminuíram significativamente, de 24% em 2023 para 15% em 2024.

A IA tem permitido que invasores executem uma infinidade de ciberameaças como ataques DDoS, exploração de regras personalizadas e violações de API. Embora as violações de API possam envolver atividades automatizadas de bots, elas também incluem cenários mais amplos, como tentativas de acesso não autorizado e exploração de configurações incorretas.

Além disso, os ataques por bots estão mais sofisticados e difíceis de detectar. Em 2024, bots maliciosos representaram mais de 16% de todos os ataques habilitados por IA. Quando combinados com ataques de lógica de negócios – que usam automação para reconhecimento furtivo e lento – esse número sobe para 41%.

O relatório observa que os invasores estão se aproveitando da IA para refinar suas técnicas, particularmente na identificação e exploração de vulnerabilidades de API para extrair dados confidenciais. À medida que os recursos de IA avançam, a defesa contra o Abuso de Lógica de Negócios se tornará ainda mais desafiadora.

Sobre  CLM

CLM é distribuidor latino-americano de valor agregado com sede em São Paulo, Brasil, e coligadas na Argentina, Chile, Colômbia, EUA e Peru. A empresa se concentra em segurança da informação, proteção de dados, infraestrutura para data centers e nuvem, tendo uma extensa rede de VARs (Value Added Resellers) na América Latina e uma vasta experiência no mercado. A CLM recebeu recentemente diversos prêmios: o de melhor distribuidor da América Latina pela Nutanix, qualidade e agilidade nos serviços prestados aos canais; o prêmio Lenovo/Intel Best Growth LA Partner pelo crescimento das vendas; o o prêmio Infor Channel Destaques de TIC 2025, na categoria Soluções e Mix de Produtos, Segurança da Informação e Continuidade, pelo compromisso da CLM com a excelência e busca incansável das melhores soluções e serviços aos canais e Destaque no atendimento aos Canais, pelo Anuário de Informática da Revista Informática Hoje. A empresa está constantemente em busca de soluções inovadoras e disruptivas para fornecer cada vez mais valor para seus canais e clientes.

www.CLM.tech

Sobre a Thales

A Thales (Euronext Paris: HO) é líder global em tecnologias avançadas para os setores de Defesa, Aeroespacial e Cibernético e Digital. Seu portfólio de produtos e serviços inovadores aborda diversos desafios importantes: soberania, segurança, sustentabilidade e inclusão.

O Grupo investe mais de € 4 bilhões por ano em Pesquisa e Desenvolvimento em áreas-chave, especialmente para ambientes críticos, como Inteligência Artificial, segurança cibernética, tecnologias quânticas e de nuvem. A Thales conta com mais de 83 mil funcionários em 68 países. Em 2024, o Grupo gerou € 20,6 bilhões em vendas.

A nova guerra invisível: como Estados-nação usam ciberataques e IA para moldar o poder global

Em um dos painéis mais aguardados do Cyber Security Summit 2025, o especialista Yuri Diógenes, PhD em Cybersecurity, professor da Universidade do Texas em Dallas e líder global de ciberdefesa na Microsoft, encerrou o evento com uma palestra contundente sobre o novo cenário dos conflitos internacionais. Sob o tema “Quando as Fronteiras Ficam Nebulosas: Ciberataques de Estados-Nação em Conflitos Modernos”, o especialista mostrou como o ciberespaço se consolidou como o quinto domínio da guerra moderna — ao lado da terra, do ar, do mar e do espaço — e advertiu que empresas e governos já estão sendo afetados diretamente por esse tipo de ataque.

“Quando há um embate entre Estados, o primeiro ataque não é mais militar, é cibernético. Ele vem em forma de campanhas de desinformação, ataques distribuídos e sabotagem digital. O ciberespaço se tornou a nova linha de frente dos conflitos modernos”, afirmou Diógenes.

Segundo levantamento da Microsoft apresentado durante a palestra, uma em cada três infraestruturas críticas no mundo já foi alvo de ataques conduzidos por grupos vinculados a Estados-nação. Desde 2020, o número desses incidentes cresceu mais de 200%, impulsionado por tensões políticas e disputas regionais. O especialista destacou que o Brasil também pode sofrer efeitos colaterais de ofensivas direcionadas a outros países, especialmente em cadeias globais de suprimento.

Ao apresentar exemplos da guerra Rússia-Ucrânia e de ataques recentes no Oriente Médio, Diógenes mostrou que os ataques digitais tornaram-se o primeiro passo das ofensivas militares. “Antes de tanques cruzarem fronteiras, já vemos ofensivas cibernéticas contra infraestruturas críticas e sistemas de defesa. É um playbook de guerra que combina poder cibernético e força cinética”, explicou.

Ele lembrou ainda que setores privados também são alvos frequentes, mesmo fora das zonas de conflito. “Quando um provedor de soluções é comprometido, todas as organizações que confiam naquela cadeia são vítimas em potencial. A infiltração em um elo estratégico pode causar efeitos em cascata na economia global”, destacou.

IA e desinformação: a nova face dos ataques

O pesquisador também alertou para o uso crescente da inteligência artificial (IA) em campanhas de desinformação e manipulação social. De acordo com ele, entre janeiro de 2024 e outubro de 2025 houve um crescimento exponencial de ataques que utilizam IA em alguma etapa da operação. “A IA vem sendo usada para criar desinformação em massa, explorando fontes que parecem confiáveis, veículos de comunicação, personalidades e até familiares. O resultado é um caos informacional difícil de conter”, afirmou.

Entre os exemplos citados, estão deepfakes hiper-realistas, clonagem de vozes e manipulação de vídeos e áudios para fraudes e disseminação de fake news. “O cidadão comum não tem ferramentas para diferenciar o real do falso. Isso aumenta a vulnerabilidade social e política das democracias”, alertou.

Ao encerrar sua apresentação, Diógenes reforçou que o risco cibernético é, hoje, uma extensão do risco geopolítico e da competitividade nacional, exigindo uma mudança na postura das lideranças empresariais. “Gerenciar risco cibernético é gerenciar a competitividade nacional. O que acontece na Europa ou no Oriente Médio pode afetar diretamente o mercado brasileiro. As empresas precisam estar preparadas para impactos indiretos e colaterais”, afirmou.

Para o especialista, o caminho passa por três pilares: visibilidade, colaboração e mentalidade estratégica. “Segurança não pode ser apenas um tema operacional. Precisa estar na mesa de decisão executiva. Quando os conflitos se espalham para o ciberespaço, a preparação define a resiliência”, concluiu.​

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