Visualização de leitura

Relatório Semestral de Ameaças da Gen: cibercriminosos se aproximam de sistemas nos quais as pessoas confiam

00A Gen (NASDAQ: GEN) publicou seu Relatório de Ameaças do primeiro semestre de 2026 para ajudar as pessoas a entender quais ciberameaças estão emergindo e quais riscos estão moldando a vida digital hoje. Um ponto em comum permeia todo o relatório: cibercriminosos estão se movendo para mais perto das partes confiáveis da vida digital. Eles não estão apenas enviando links maliciosos ou distribuindo malwares, mas também explorando o contexto, sessões, fluxos de trabalho, marcas, sistemas de atualização, plataformas de publicidade e autoridade delegada.

 A confiança se tornou a nova superfície de ataque

A descoberta central do Relatório de Ameaças é uma mudança em como os ataques funcionam. As ameaças mais eficazes na primeira metade de 2026 não dependeram de explorações técnicas ou engano óbvio, elas tiveram sucesso porque eram difíceis de distinguir da vida digital normal. Golpes chegaram através de uma plataforma de reserva de hotel, referenciando uma reserva real. Contas de WhatsApp foram comprometidas não através de uma violação de senha, mas ao enganar usuários para aprovarem o navegador de um cibercriminoso como um dispositivo vinculado. A fraude se moveu através de contas financeiras reais e verificadas porque as pessoas por trás daquelas contas tinham sido recrutadas através das redes sociais com ofertas de dinheiro rápido. E agentes de IA, operando com permissões que o usuário já tinha concedido, foram parados antes de executarem um shell reverso (técnica de invasão que dá o controle remoto do sistema ao cibercriminoso).

“Os ataques mais eficazes no primeiro semestre de 2026 não pareciam ataques”, afirma Vita Santrucek, Diretor de Tecnologia e Desenvolvimento na Gen. “Eles chegaram por meio de plataformas de reservas, conversas familiares em aplicativos de mensagens, canais de atualização de software e fluxos de trabalho de agentes de IA — todos ambientes nos quais as pessoas já confiam. À medida que os cibercriminosos se misturam às experiências digitais do dia a dia, a proteção precisa estar cada vez mais próxima dos momentos em que essa confiança é conquistada, explorada ou quebrada”.

 Entre golpes, violações de identidade e de privacidade, o padrão é o mesmo: o ataque se moveu para dentro de sistemas confiáveis antes que o perigo se tornasse visível.

Destaques do Relatório de Ameaças

 A telemetria da Gen do primeiro semestre de 2026 mostra a atividade de tendências nas principais áreas de ameaças ao longo dos últimos seis meses.

As principais descobertas incluem:

  • 114,2 milhões de ataques de golpes de e-shop bloqueados, aumento de 109% – destacando o risco crescente de lojas online falsas visando compradores.
  • Um aumento de 387% em golpes de personificação de governo – mostrando que criminosos estão crescentemente explorando a confiança em instituições públicas para roubar dinheiro e informações.
  • Um aumento de mais de 454% nos golpes de personificação de familiares, enquanto uma atividade separada, chamada “GhostPairing”, mostrou como o recurso de dispositivo vinculado do WhatsApp pode ser explorado para obter acesso persistente a uma conta e permitir que pessoas se passem por familiares.
  • 20,3 milhões de ataques de golpes de suporte técnico bloqueados – refletindo tentativas contínuas de enganar pessoas para darem a golpistas acesso remoto a seus dispositivos ou informações financeiras.
  • Mais de 304 milhões de impressões de anúncios de golpes identificadas através da União Europeia e do Reino Unido em menos de um mês, evidenciando o quão facilmente anúncios fraudulentos podem alcançar as pessoas.
  • Aproximadamente 1,9 bilhão de tentativas de rastreamento bloqueadas durante o primeiro semestre de 2026 – demonstrando a escala do rastreamento online que pode corroer a privacidade do consumidor.
  • Os alertas de notificação de violação de dados do Norton e do LifeLock com fontes de origem atribuídas aumentaram 628,1%, chegando a 3,3 milhões. No total, mais de 10 milhões de notificações de violação de dados foram enviadas, comprovando que as informações pessoais de um número cada vez maior de pessoas estão sendo expostas em vazamentos de dados.
  • Aumento de 734% nos alertas de atividade de contas bancárias — mais uma evidência da rápida exploração financeira que acontece após uma violação.
  • 1 milhão de ataques de web skimming bloqueados, aumento de 212% – mostrando como criminosos continuaram a visar fluxos de checkout onde usuários já esperam inserir detalhes de pagamento.
  • Mais de 15,7 milhões de registros violados contendo endereços de e-mail identificados, dando a cibercriminosos mais oportunidades para visar consumidores com phishing, golpes e tentativas de tomada de conta.

 As principais descobertas no Brasil incluem diversas categorias de golpes que registraram aumento no primeiro semestre de 2026, entre elas:

  • Golpes relacionados a apostas (+755%)
  • Golpes financeiros genéricos (+261%)
  • Golpes de suporte técnico (+93%)
  • Golpes de lojas online falsas (e-shop scams) (+62%)
  • Golpes de relacionamento (+24%)
  • Phishing (+20%)
  • A atividade de ransomware aumentou 43%
  • A atividade de exploits aumentou 31%
  • A atividade de droppers aumentou 23%
  • A atividade de infostealers: web skimming (+176%), ladrões de senhas (password stealers) (+16%) e ameaças do tipo banker (+10%).
  • O relatório também identificou uma tendência específica no Brasil: PDFs falsos de pagamento que imitavam marcas de comércio eletrônico e instituições bancárias foram utilizados para atingir o ecossistema de pagamentos via boleto.

O relatório também identifica a IA agêntica como uma fronteira de segurança emergente. À medida que os sistemas de IA ganham a capacidade de navegar, instalar softwares, acessar arquivos, conectar-se a serviços e agir em nome dos usuários, os cibercriminosos visam cada vez mais as permissões e a confiança em que esses sistemas se baseiam. A telemetria inicial do Sage, a plataforma de segurança agêntica da Gen por trás de recursos como o AI Agent Protection da Norton e Avast, revelou que os comportamentos de risco mais comuns de agentes de IA envolveram:

  1. Tentar executar comandos de sistema perigosos.
  2. Tentar abrir um canal de comando remoto, o que poderia permitir que um invasor controlasse o sistema.
  3. Baixar e executar códigos da internet.
  4. Ler arquivos de credenciais sem autorização.
  5. Tentar criar um acesso remoto persistente, como adicionar uma chave SSH confiável.
  6. Tentar anular as instruções do agente.

O Relatório completo de Ameaças do primeiro semestre de 2026 da Gen está disponível (em inglês) em: https://www.gendigital.com/blog/insights/reports/threat-report-h1-2026.

Brasil é o terceiro país que mais sofreu ataques de ransomwares em junho, aponta Cohesity

O Brasil foi o terceiro país que mais sofreu ataques com ransomwares em junho, registrando 23 casos. Os dados são da plataforma Ransomware.live, iniciativa de Julien Mousqueton, CISO da Cohesity, empresa líder em segurança de dados com IA. É a primeira vez que o Brasil aparece entre os dez países mais afetados desde o início da publicação de dados do site, em janeiro.

A plataforma monitora e coleta dados de sites de vazamento de grupos de ransomware continuamente para identificar e listar novas vítimas. Ransomwares são softwares maliciosos que bloqueiam o acesso de usuários ou organizações, exigindo pagamento de resgate para restauração, sob a ameaça de vazamento ou exclusão permanente.

O Brasil só aparece atrás de Estados Unidos, com 199 casos, e Alemanha, com 49. O Reino Unido vem logo após o Brasil, com 21, seguido de Índia e Canadá, ambos com 20. França (15), Itália (15), México (14) e Tailândia (13) completam o top 10.

“A emergência do Brasil, Índia e Tailândia como alvos recém identificados pode ser reflexo de uma estratégia deliberada de focar em jurisdições com menor maturidade na resposta a incidentes e na coordenação com forças de segurança”, avalia Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para América Latina.

O número total de vítimas em junho, 708, representa uma redução de 10,5% em relação às 791 registradas em maio. “Apesar dessa diminuição mensal, o volume permanece historicamente elevado quando comparado aos doze meses anteriores, deixando claro o quão intenso e consistente é o atual cenário de ameaças”, aponta Leite.

Setores mais afetados

Em junho, o mercado B2B se manteve no topo dos alvos mais atingidos, registrando 123 vítimas — uma redução de 23,1% em comparação às 160 de maio. O setor de manufatura ficou na segunda colocação, com 83 ocorrências (queda de 19,4%), seguido por tecnologia, que somou 56 vítimas (recuo de 21,1%).

O segmento de saúde contabilizou 52 vítimas, registrando uma queda de 23,5% em relação às 68 do mês anterior. Na contramão, serviços ao consumidor foi o único a apresentar crescimento: uma alta discreta de 1,9%, passando de 52 para 53 vítimas. Já o setor de serviços financeiros teve um recuo de 26,5%, somando 25 vítimas, enquanto transporte/logística baixou 25,7%, chegando a 26 registros.

Números do site Ransomware.live são divulgados todos os meses pela Cohesity, que conta com a confiança de clientes em mais de 140 países, incluindo 70% da Fortune Global 500.

Ataques com ransomware nos últimos 12 meses:

  • Junho – 708
  • Maio – 791
  • Abril – 870
  • Março – 844
  • Fevereiro – 784
  • Janeiro – 702
  • Dezembro de 2025 – 882
  • Novembro de 2025- 717
  • Outubro de 2025 – 839
  • Setembro de 2025 – 598
  • Agosto de 2025 – 530
  • Julho de 2025 – 547

Setores com ransomwares mais afetados em junho:

  1. Mercado B2B – 123 (queda de 23.1% em relação a maio)
  2. Manufatura – 83 (queda de 19.4% em relação a maio)
  3. Tecnologia – 56 (queda de 21.1% em relação a maio)
  4. Serviços ao consumidor – 53 (aumento de 1.9% em relação a maio)
  5. Saúde – 52 (queda de 23.5% em relação a maio)
  6. Agricultura e produção de alimentos – 36 (queda de 7.7% em relação a maio)
  7. Construção – 27 (queda de 15.6% em relação a maio)
  8. Transportes/logísticas – 26 (queda de 25.7% em relação a maio)
  9. Serviços financeiros – 25 (queda de 26.5% em relação a maio)
  10.  Educação – 24 (queda de 14.3% em relação a maio)

Países mais afetados por ataques com ransomwares em junho:

  1. Estados Unidos – 199
  2. Alemanha – 49
  3. Brasil – 23
  4. Reino Unido – 21
  5. Índia – 20
  6. Canadá – 20
  7. França – 15
  8. Itália – 15
  9. México – 14
  10. Tailândia – 13

Cibersegurança: Como impedir que malware bancário roube dados financeiros do celular

Um tipo de software malicioso tem chamado a atenção de especialistas: o malware bancário. Trata-se de um programa criado para acessar e roubar dados de celulares e computadores e que dá aos criminosos o controle total do dispositivo infectado. Diferente de fraudes financeiras em que o golpista se passa por outra pessoa para pedir uma transferência, aqui o criminoso convence a vítima a instalar um software malicioso que dá acesso a aplicativos, contas bancárias, mensagens e informações pessoais, podendo, inclusive, realizar movimentações financeiras sem que a vítima perceba.

Malware bancário é um mecanismo usado para aplicar golpes digitais e acessar e roubar dados financeiros de celulares e computadores. Costuma chegar até o dispositivo das vítimas por meio de engenharia social, quando o criminoso engana a pessoa para que ela mesma realize alguma ação (como clicar em um link ou baixar um aplicativo de fonte desconhecida), acreditando que se trata de algo legítimo. Depois de instalado, o software funciona como um “espião” dentro do aparelho, transmitindo para o criminoso informações confidenciais como senhas, dados de contas e códigos de segurança.

Como criminosos aplicam golpes com o malware bancário?

Os golpes se iniciam em um contato direto, geralmente por WhatsApp. O criminoso se apresenta como um contato confiável, um representante de uma empresa conhecida, ou de um serviço que a vítima já usa ou tenha interesse. Durante a conversa, ele pede que a pessoa baixe ou atualize um aplicativo, ou até mesmo clique em um link. Em alguns casos, o golpista pode até fazer uma chamada de vídeo ou telefônica para parecer mais convincente, aumentar a sensação de segurança e acompanhar o processo em tempo real, gerando pressão e sentimento de urgência.

Depois disso, o programa malicioso é instalado no celular e o criminoso passa a interferir no funcionamento do aparelho sem que a pessoa perceba. É nesse momento em que ele aproveita para realizar ações em segundo plano, como movimentações financeiras sem autorização. Em poucos minutos, os golpistas podem realizar empréstimos, transferências e outras operações, gerando prejuízos significativos para a vítima.

Como saber se o celular foi infectado?

Alguns sinais podem indicar que há algo errado com o aparelho:

  • O celular trava ou fica lento com mais frequência;
  • A bateria acaba muito mais rápido que o normal;
  • A tela fica preta ou sem resposta por alguns momentos;
  • O dispositivo reinicia ou fecha aplicativos de forma repentina;
  • O celular esquenta de forma excessiva;
  • Mensagens são enviadas automaticamente pelo celular, sem que o usuário tenha realizado a ação;
  • Presença de aplicativos desconhecidos, com nomes genéricos ou incomuns, que a pessoa não se lembra de ter instalado;
  • Mudanças inesperadas nas configurações do celular ou nos aplicativos instalados;
  • Aplicativos solicitando permissões incomuns, como acesso a acessibilidade, mensagens ou controle do dispositivo

Além dos sinais visíveis, é importante ficar atento às permissões concedidas aos aplicativos. Alguns malwares bancários solicitam acesso aos recursos de acessibilidade do celular, uma funcionalidade criada para auxiliar usuários com necessidades específicas. Quando utilizada de forma indevida, essa permissão pode permitir que aplicativos maliciosos visualizem informações exibidas na tela e executem ações no aparelho. Por isso, desconfie sempre que um aplicativo solicitar esse tipo de acesso sem uma justificativa clara.

“Se você perceber comportamentos anormais ou sentir que perdeu o controle do seu aparelho, principalmente após clicar em links desconhecidos ou instalar aplicativos fora das lojas oficiais, o mais seguro é restaurar o dispositivo para as configurações de fábrica. Essa medida ajuda a remover aplicativos ocultos, eliminar permissões indevidas e reduzir o risco de o malware continuar ativo”, orienta Rodrigo Fernandes, Supervisor de Prevenção à Fraude da DM

Dicas para se proteger

A principal forma de prevenção é nunca seguir instruções de terceiros que envolvam a instalação de aplicativos ou o acesso ao seu dispositivo. “Não clique em links suspeitos enviados por mensagem e não baixe aplicativos fora das lojas oficiais, como App Store e Google Play. Desconfie de contatos inesperados, mesmo que pareçam conhecidos, ou feitos por números de empresas que não sejam oficialmente verificados. Além disso, não realize qualquer ação, instalação ou atualização de aplicativo seguindo instruções, nem clique em links enviados por pessoas que não são da sua confiança. E nunca conceda acesso ao seu aparelho durante uma ligação”, aponta Rodrigo Fernandes.

Caí no golpe. E agora?

Se a pessoa desconfia que caiu em um golpe, o mais importante é agir rápido. “Entre em contato com o seu banco ou com a sua instituição financeira pelos canais oficiais para informar o ocorrido e tentar bloquear movimentações. Em seguida, altere suas senhas, principalmente de aplicativos bancários e e-mail, para recuperar o controle dos acessos. Se houver suspeita de instalação de aplicativo malicioso, considere restaurar o dispositivo para as configurações de fábrica. Além disso, é recomendado registrar um boletim de ocorrência, que pode ajudar no acompanhamento do caso”, aconselha o especialista.

Camadas de segurança

Para auxiliar clientes a se prevenir contra os prejuízos causados pelos golpes, a DM conta com camadas de segurança que ajudam a proteger as transações, como:

  • Confirmação de compra: em caso de movimentações suspeitas, entramos em contato por ligação ou WhatsApp pra aprovar a transação;
  • Bloqueio temporário do cartão: o cliente pode bloquear o cartão rapidamente pelo DM App em caso de suspeita;
  • Bloqueio de pagamentos de madrugada: transações realizadas em horários ou padrões considerados fora do comum são bloqueadas;
  • Gestão de limite: o usuário pode ajustar o limite conforme o seu perfil de uso, o que ajuda a reduzir possíveis prejuízos.

Além das camadas de segurança presentes no aplicativo DM, os clientes contam com recursos adicionais de proteção, como o código de segurança dinâmico (CVC), que dificulta o uso indevido dos dados do cartão em compras online.

Hospitais cada vez mais conectados ampliam eficiência, mas também aumentam exposição a ataques cibernéticos

A transformação digital tem revolucionado a medicina. Prontuários eletrônicos, equipamentos conectados à internet, sistemas integrados de gestão e plataformas de telemedicina tornaram os hospitais mais ágeis e eficientes. No entanto, essa rápida evolução trouxe consigo um desafio crítico: o aumento exponencial da vulnerabilidade a ataques cibernéticos.

Hoje, as instituições de saúde figuram entre os alvos mais visados por criminosos digitais. Além do alto valor comercial das informações armazenadas, que incluem dados pessoais, históricos médicos e registros financeiros, esses ambientes dependem da disponibilidade ininterrupta de seus sistemas para garantir a assistência à vida. Quando ocorre um incidente cibernético, os impactos vão muito além do vazamento de dados. A indisponibilidade tecnológica pode paralisar consultas, suspender cirurgias, adiar exames laboratoriais e até comprometer o funcionamento de dispositivos médicos essenciais.

Para Flavio Cruz, da Cyrex Security, empresa especializada em cibersegurança, o setor precisa tratar a proteção digital como um pilar estratégico de continuidade operacional. “Os hospitais estão hiperconectados e essa transformação trouxe ganhos inestimáveis para a qualidade da assistência. Porém, quanto maior a conectividade, maior é a superfície de ataque. Um incidente na saúde não representa apenas prejuízo financeiro; ele afeta diretamente a ponta do atendimento e coloca vidas em risco. Por isso, investir em prevenção, monitoramento contínuo e planos de resposta a incidentes deixou de ser uma demanda exclusiva da TI e passou a ser uma necessidade de governança corporativa”, afirma o executivo.

Para mitigar esses riscos, especialistas recomendam medidas fundamentais como a segmentação de redes hospitalares, a atualização constante de softwares, o uso de autenticação multifator (MFA) e a realização de backups isolados e protegidos. Contudo, o fator humano continua sendo decisivo: treinar e capacitar os colaboradores para identificar tentativas de fraude e engenharia social é indispensável, já que esta segue como uma das principais portas de entrada para invasões.

A necessidade de amadurecer a segurança digital é respaldada por dados globais contundentes. De acordo com o relatório Cost of a Data Breach 2025, da IBM, o segmento de saúde registrou o maior custo médio por incidente entre todos os setores analisados, atingindo a marca de US$ 7,42 milhões por violação de dados. Além disso, as organizações do setor levaram, em média, 279 dias para identificar e conter um ataque, um longo período em que operações críticas podem permanecer sob ameaça.

Outro levantamento da IBM, o X-Force Threat Intelligence Index 2025, aponta que 70% dos ataques atendidos por sua equipe de resposta a incidentes tiveram como alvo organizações de infraestrutura crítica, grupo no qual os hospitais estão inseridos. Em mais de um quarto dos casos, os invasores exploraram vulnerabilidades conhecidas que poderiam ter sido corrigidas, o que reforça a urgência de auditorias e correções constantes em equipamentos e aplicações.

No Brasil, o cenário é igualmente alarmante. Hospitais, clínicas e operadoras de saúde vêm sofrendo sucessivas tentativas de ransomware e sequestro de dados nos últimos anos. “Os dados mostram que a saúde virou uma prioridade para o crime organizado digital. Quando uma instituição para devido a um ataque, estamos falando de pacientes sem acesso ao próprio histórico clínico. A cibersegurança deve caminhar lado a lado com a segurança assistencial. Afinal, investir em prevenção custa muito menos do que remediar a paralisação de uma operação hospitalar”, conclui Flávio Cruz.

Sequestro de dados: 79% das empresas financeiras atacadas pagaram resgate a hackers

O setor financeiro global enfrenta uma crise sem precedentes na segurança digital, onde pagar o resgate de dados sequestrados virou a regra, não a exceção. Nos últimos 12 meses, 79% das instituições financeiras que sofreram ataques cibernéticos optaram por pagar os criminosos para recuperar seus sistemas. O dado alarmante faz parte de um novo estudo da Cohesity, empresa líder em segurança de dados com Inteligência Artificial, que ouviu 390 tomadores de decisão de TI e segurança em grandes corporações da América do Sul, América do Norte, Europa e Ásia.

O levantamento traça um diagnóstico severo sobre a vulnerabilidade do mercado: 77% das empresas financeiras globais já foram vítimas de cibercriminosos, sendo que mais da metade (57%) foi alvo de investidas apenas no último ano. O impacto financeiro e reputacional é quase inevitável, com 87% das organizações registrando perdas diretas de receita e 93% enfrentando severas consequências regulatórias ou legais após as invasões.

Apesar do cenário de terra arrasada, a pesquisa revela uma desconexão preocupante entre a realidade dos ataques e a percepção de segurança das lideranças. O cenário atual exige uma mudança profunda de postura, já que as ameaças deixaram de ser eventos isolados para se tornarem uma constante no ambiente digital, com frequência e sofisticação cada vez maiores.

  • Confiança em alta: Mesmo com uma em cada quatro empresas sendo atacada repetidamente, 46% dos entrevistados afirmam ter total confiança em suas estratégias de resiliência.
  • O fator IA: A Inteligência Artificial surge como a grande aposta de defesa para 39% dos executivos, que acreditam que a tecnologia assumirá um papel central na detecção de ameaças e na tomada de decisões autônomas, otimizando a eficiência das equipes internas e do SOC (Security Operations Center) na resposta a incidentes.

A Estratégia da Sobrevivência: Organização Mínima Viável (MVC)

Diante do consenso de que é praticamente impossível blindar as empresas contra todos os tipos de ameaças, o mercado financeiro passou a adotar uma nova filosofia de sobrevivência: o conceito de Minimum Viable Company (MVC), ou Organização Mínima Viável.

Em vez de gastar energia e tempo tentando reerguer toda a infraestrutura tecnológica de uma só vez após um apagão cibernético, o foco da estratégia MVC muda drasticamente. A prioridade máxima passa a ser a recuperação estritamente essencial. O objetivo é colocar de pé a menor versão funcional possível da empresa, garantindo que o negócio continue operando (mesmo que de forma limitada ou sob condições degradadas) até que a crise seja totalmente controlada.

Medidas Práticas: O Caminho para a Resiliência

Para enfrentar o aumento dessas ameaças, viabilizar a estratégia de MVC e reduzir vulnerabilidades críticas, a Clavis Segurança da Informação destaca medidas prioritárias, com foco no SOC, voltadas à proteção e rápida recuperação do ambiente digital corporativo:

Treinamento de Colaboradores: A capacitação contínua transforma o elo mais fraco em defesa activa, reduzindo drasticamente a eficácia de ataques de phishing e engenharia social.

Controle de Identidade: A adoção de Autenticação Multifator (MFA) é a barreira mais eficiente para impedir que credenciais roubadas permitam o acesso indevido a dados sensíveis.

Monitoramento e Auditoria: O acompanhamento em tempo real permite detectar anomalias rapidamente, enquanto auditorias frequentes corrigem vulnerabilidades antes que sejam exploradas por criminosos.

Automação de Segurança: O uso de ferramentas automatizadas acelera a resposta a incidentes e reduz a janela de exposição de falhas críticas, que pode superar 55 dias.

Backup e Recuperação: Manter cópias de segurança isoladas e planos de recuperação testados garante a continuidade do negócio e protege a empresa contra extorsões digitais.

A segurança de redes corporativas consolida-se como um pilar indispensável para a estabilidade e o crescimento sustentável no mercado brasileiro. Com ameaças cada vez mais ágeis e onerosas, investir em um ecossistema que integre soluções tecnológicas, processos automatizados e conscientização humana deixa de ser uma demanda técnica para se tornar um diferencial competitivo estratégico.

Ataques com ransomwares fizeram 791 vítimas em maio; mercado B2B é o mais visado, aponta Cohesity

Ataques com ransomwares fizeram 791 vítimas no mês de maio, numa leve diminuição de 9,1% em comparação aos 870 registrados em abril. Os dados são da plataforma Ransomware.live, iniciativa de Julien Mousqueton, especialista em cibersegurança e executivo da Cohesity, empresa líder em segurança de dados com IA.

O site monitora e coleta dados de sites de vazamento de grupos de ransomware continuamente para identificar e listar novas vítimas. Ransomwares são softwares maliciosos que bloqueiam o acesso de usuários ou organizações, exigindo pagamento de resgate para restauração, sob a ameaça de vazamento ou exclusão permanente.

Olhando para os últimos 12 meses, a atividade permanece substancialmente elevada. O número de maio está bem acima da faixa de 501 a 598 vista entre junho e setembro, e somente um pouco abaixo do pico recente de 882 em dezembro. “A queda de 9,1% em relação a abril é estatisticamente notável, mas não deve ser interpretada como evidência de uma queda sustentada”, analisa Gustavo Leite, vice-presidente da Cohesity para América Latina e Caribe.

Apesar desse recuo, o cenário de ameaças permaneceu dinâmico, diz. “Quatro grupos divulgaram suas primeiras vítimas em maio, e nove agentes novos apareceram em sites de vazamento. Isso sinaliza a fragmentação contínua do ecossistema de ‘ransomware-as-a-service’, quando desenvolvedores profissionais alugam ou vendem sua infraestrutura para outros hackers”.

Segundo Leite, o surgimento de nove atores em um mês reflete a fragmentação do ecossistema, onde afiliados mudam de nome ou se separam de grandes operações. Apesar desse influxo, 15 grupos antes ativos ficaram inativos em maio. “Embora novas operações surjam, muitas são efêmeras devido à pressão policial, dissolução interna ou mudança de identidade”, destaca.

Países e setores mais afetados

Os Estados Unidos seguiram como o país mais afetado, representando 309 das 791 vítimas (39,1%). O Reino Unido (49 vítimas) e a Alemanha (41 vítimas) ocuparam o segundo e o terceiro lugares, respectivamente. O Canadá (32), a Espanha (23) e o Japão (17), aparecem em seguida, antes de Austrália (20), México (16) e França (16).

O mercado B2B continuou sendo o mais visado, com 160 vítimas. O setor de manufatura registrou 103 casos, seguido pelos setores de tecnologia (71) e saúde (68). “O alto volume registrado constantemente no setor de saúde ressalta a persistente atratividade do setor para operadores de ransomware que buscam alvos com alto potencial de exploração”, diz o executivo.

O vice-presidente da Cohesity para América Latina e Caribe também chamou a atenção para os 39 casos no setor de agricultura e produção de alimentos. “Ataques a esse setor têm aumentado, numa tendência que merece atenção, dadas as implicações para a infraestrutura crítica das cadeias de suprimentos de alimentos”, disse. O setor de educação figurou pela primeira vez no ranking dos dez principais setores neste mês, com 28 vítimas.

Números do site Ransomware.live são divulgados todos os meses pela Cohesity, que conta com a confiança de clientes em mais de 140 países, incluindo 70% da Fortune Global 500.

Ataques com ransomware nos últimos 12 meses:

  • Maio – 791
  • Abril – 870
  • Março – 844
  • Fevereiro – 784
  • Janeiro – 702
  • Dezembro de 2025 – 882
  • Novembro – 717
  • Outubro – 839
  • Setembro – 598
  • Agosto – 530
  • Julho – 547
  • Junho – 501

Setores com ransomwares mais afetados em maio:

  1. Mercado B2B – 160
  2. Manufatura – 103
  3. Tecnologia – 71
  4. Saúde – 68
  5. Serviços ao consumidor – 52
  6. Agricultura e produção de alimentos – 39
  7. Transportes/logísticas – 35
  8. Serviços financeiros – 34
  9. Construção – 32
  10. Educação – 28

Países mais afetados por ataques com ransomwares em maio:

  1. Estados Unidos – 309
  2. Reino Unido – 49
  3. Alemanha – 41
  4. Canadá – 32
  5. Espanha – 23
  6. Austrália – 20
  7. Itália – 20
  8. Japão – 17
  9. França – 16
  10. México – 16

51% das instituições financeiras pesquisadas perdem mais de US$10 milhões ao ano com fraudes no Brasil

As perdas financeiras e o volume de golpes no setor bancário brasileiro continuam em uma escalada agressiva. Uma nova pesquisa da BioCatch, líder em prevenção a fraudes por inteligência comportamental, revela que 89% dos líderes bancários no Brasil relatam aumento nas tentativas de golpe em 2026. O número representa um salto notável frente aos 77% do ano anterior e supera a média global atual, que é de 81%

O estudo inédito entrevistou 100 profissionais de alta liderança (gerência, diretoria e C-suite) das áreas de gestão de fraudes, prevenção a crimes financeiros, risco e compliance no país. O perfil dos participantes reflete o peso do ecossistema financeiro nacional: 99% atuam em instituições com mais de US$ 10 milhões sob gestão, e metade (50%) gerencia ativos que superam a marca de US$ 1 bilhão.

Embora o Brasil tenha se posicionado como o mercado mais próximo das médias globais entre todos os países pesquisados, os dados nacionais de perdas e sofisticação acendem um alerta vermelho para o setor.

O prejuízo financeiro das fraudes no ecossistema brasileiro

A pressão financeira exercida pelas atividades criminosas já dita o orçamento dos grandes bancos, gerando impactos severos tanto para as instituições quanto para os usuários. No âmbito institucional, mais da metade dos entrevistados no Brasil (51%) perde acima de US$ 10 milhões para fraudes todos os anos. Ao mesmo tempo, para 19% dos entrevistados esse rombo supera os US$ 25 milhões anuais e, para 3%, o dano ultrapassa a marca de US$ 100 milhões.

Na outra ponta, o prejuízo transferido ao cliente final é igualmente alarmante. Cerca de 74% dos executivos afirmam que seus clientes perdem mais de US$ 5 milhões anualmente em fraudes autorizadas e golpes, e quase metade (44%) relata perdas de clientes acima de US$ 10 milhões ao ano.

Esse cenário é ainda mais agravado pelo dinamismo e rapidez dos ataques, que preocupam diretamente os comitês de risco: atualmente, 82% dos líderes de fraude no Brasil declaram estar muito preocupados com o aumento na velocidade da atividade fraudulenta, um índice superior aos 76% registrados na média global.

Deepfakes e novas vulnerabilidades

A inteligência artificial transformou-se rapidamente em uma arma de engenharia social nas mãos de organizações criminosas, desafiando as defesas tradicionais das instituições brasileiras. Essa nova realidade é evidente no avanço dos ataques baseados em deepfakes, já observados por quase dois terços (63%) dos executivos no Brasil nos últimos 12 meses, um índice significativamente superior à média global de 50%. Na prática, a tecnologia não está criando golpes inteiramente novos, mas tornando as táticas existentes muito mais críveis em um mercado onde o Pix, o WhatsApp, o mobile banking e o comércio em redes sociais estão profundamente enraizados no cotidiano.

Um dos reflexos disso no dia a dia do ecossistema nacional são os golpes de emergência familiar por chamadas ou mensagens no WhatsApp, em que criminosos utilizam áudios gerados por IA para imitar a voz de filhos ou cônjuges simulando uma urgência e solicitando transferências Pix imediatas. Da mesma forma, os criminosos clonam a voz de gerentes ou utilizam áudio e vídeo alterados por IA em falsas chamadas de suporte bancário; a vítima é induzida a acreditar que sua conta está sob ataque e acaba convencida a transferir fundos para uma suposta ‘conta segura’ ou a instalar softwares de acesso remoto.

Paralelamente, o país enfrenta sérias dificuldades para barrar golpes de falsificação de identidade (impersonation), com 60% dos tomadores de decisão locais classificando como muito ou extremamente difíceis de reconhecer. E, olhando para o futuro, a preocupação com a próxima onda de ataques é um consenso: para 90% dos profissionais brasileiros entrevistados, a IA Agêntica pode se tornar a maior vulnerabilidade explorável pelo crime organizado no próximo ano. E, além de tudo, 83% apontam que será extremamente desafiador mitigar o problema e distinguir ações legítimas assistidas por IA de atividades maliciosas ou manipuladas.

“A grande virada de chave tecnológica que estamos presenciando reside na evolução dos agentes de IA tradicionais para a chamada IA Agêntica. Enquanto um agente comum executa de forma rígida uma única tarefa programada, a IA Agêntica possui autonomia para traçar caminhos alternativos e contornar barreiras até atingir seu objetivo”, afirma Diego Baldin, diretor de Global Advisory da BioCatch para a América Latina.

“Quando essa tecnologia é capturada pelo crime organizado, passamos a lidar com sistemas automatizados capazes de conduzir interações complexas de engenharia social, persuadindo uma vítima até que ela esteja totalmente convencida, para só então repassar o ataque para um operador humano, que  conclui o golpe. Esse ecossistema não apenas automatiza o roubo de dados, mas é inteligente o suficiente para filtrar e priorizar as informações mais valiosas, conectar-se a outras ferramentas maliciosas e aprender com os próprios erros em tempo real. Se o algoritmo encontra um bloqueio de segurança, ele recalcula a rota autonomamente até conseguir violar o sistema.”

A urgência da inteligência interbancária

Diante de um cenário em que a autenticação tradicional perde eficácia contra a persuasão digital e a tecnologia avançada, a alta liderança bancária do país aponta o compartilhamento de dados em rede como uma das principais soluções.

A grande maioria dos executivos brasileiros (88%) acredita que o compartilhamento de inteligência entre bancos teria um impacto positivo significativo na capacidade de conter fraudes e crimes financeiros. Indo além, 89% afirmam que obter inteligência em tempo real sobre a conta destinatária envolvida em uma transação seria o divisor de águas para identificar e conter golpes financeiros antes que o dinheiro seja pulverizado.

Curiosamente, a pesquisa também revelou uma característica cultural do mercado nacional: os líderes bancários brasileiros são significativamente menos propensos do que seus pares internacionais a afirmar que suas instituições investem em prevenção de fraudes para evitar a perda de clientes (churn). Apenas 23% dos executivos no Brasil citam a perda de clientes como motivo para investimentos na área, contra 39% globalmente. O foco do país está direcionado firmemente no combate à sofisticação tática do crime e na proteção sistêmica do fluxo financeiro.

“A IA já está redefinindo a velocidade e a sofisticação das ameaças no Brasil, permitindo que criminosos escalem ataques de engenharia social com o uso de deepfakes em um ritmo muito superior à média global”, conta Baldin.

“O dado mais revelador é que no ecossistema brasileiro, ao contrário do mercado global, a liderança local investe em prevenção a fraudes motivada pela blindagem financeira imediata. Em um ambiente hiperconectado e de transações instantâneas, a urgência financeira e operacional parece ter prioridade, ao conter o vazamento monetário e a velocidade do crime. Para vencer essa corrida, o setor precisa ir além das checagens estáticas de identidade: o futuro depende do entendimento contínuo e em tempo real do comportamento e da intenção do usuário, combinado com uma rede de inteligência interbancária que neutralize as contas de laranjas usadas para lavar o produto das fraudes.”

Acesse a pesquisa completa aqui.

Gen alerta sobre uma campanha sofisticada de falsas ofertas de emprego projetada para roubar credenciais

Os pesquisadores de ameaças da Gen (NASDAQ: GEN), líder global na promoção da liberdade digital por meio de um portfólio de marcas confiáveis que inclui Norton, Avast, LifeLock e MoneyLion, entre outras, identificaram uma sofisticada campanha de fraude que utiliza falsas ofertas de emprego e processos de recrutamento aparentemente legítimos para roubar credenciais de acesso dos usuários e obter informações sensíveis. Os criminosos exploram a reputação de organizações e marcas amplamente reconhecidas, assim como o interesse gerado por grandes acontecimentos internacionais, para dar maior credibilidade aos seus golpes.

Entre os exemplos analisados, foram encontrados sites que se passavam pela FIFA e por outras entidades e marcas vinculadas a um dos eventos esportivos mais aguardados de 2026. No entanto, os pesquisadores também observaram tentativas semelhantes que utilizavam a imagem de empresas reconhecidas de diferentes setores para gerar confiança nos usuários.

A investigação revelou que os criminosos não se limitam a publicar vagas falsas. Em muitos casos, eles constroem processos completos de contratação que incluem perfis falsos de recrutadores, alguns deles baseados em fotografias e informações de profissionais reais disponíveis publicamente em plataformas como o LinkedIn. Além disso, enviam convites de calendário e direcionam as vítimas para sites projetados para imitar páginas legítimas de recrutamento.

Os pesquisadores alertam que uma página de emprego com aparência profissional não garante que seja autêntica. Os cibercriminosos podem copiar logotipos, fotografias, descrições de vagas e até botões de login de sites legítimos para criar páginas fraudulentas altamente convincentes. Além disso, o uso de ferramentas de inteligência artificial facilitou a criação desse tipo de sites maliciosos, tornando-os cada vez mais difíceis de detectar.

Uma vez no site, os usuários são convidados a iniciar sessão por meio de opções conhecidas, como o acesso com o Google. No entanto, por trás dessas páginas há formulários criados para capturar credenciais e outras informações sensíveis. Os pesquisadores observaram que algumas campanhas rejeitavam contas pessoais e solicitavam especificamente contas corporativas, com o objetivo de obter acesso a sistemas internos, arquivos e outros recursos empresariais.

“A engenharia social tornou-se cada vez mais sofisticada. Os cibercriminosos já não dependem apenas de e-mails suspeitos ou mensagens mal redigidas; agora são capazes de replicar processos completos de recrutamento, inclusive com ajuda da IA, e aproveitar a confiança gerada por marcas e organizações reconhecidas. Isso transforma as falsas ofertas de emprego em uma ameaça especialmente perigosa, já que as vítimas acreditam estar diante de uma oportunidade profissional legítima quando, na realidade, estão entregando acesso a informações valiosas”, afirma Iskander Sanchez-Rola, Diretor Sênior de IA e Inovação na Norton.

Os pesquisadores também descobriram que, uma vez que uma página maliciosa é removida, os criminosos geralmente registram novos domínios para dar continuidade à campanha. Essa capacidade de adaptação dificulta a detecção e permite que as ameaças permaneçam ativas por mais tempo.

Desde 1º de maio de 2026, os produtos da Gen, incluindo Norton, bloquearam mais de 250 ataques relacionados a essas campanhas, embora os especialistas alertem que o alcance real pode ser maior devido à constante evolução das táticas utilizadas pelos cibercriminosos.

Para ajudar os usuários a identificar esse tipo de ameaça, os especialistas da Norton recomendam:

  • Desconfiar de ofertas de emprego inesperadas ou excessivamente atraentes.
  • Verificar se as vagas provêm de sites oficiais e prestar atenção ao endereço do site.
  • Confirmar a legitimidade dos recrutadores antes de fornecer informações pessoais.
  • Evitar inserir credenciais em páginas acessadas por links recebidos por e-mail ou aplicativos de mensagens.
  • Suspeitar de qualquer processo de recrutamento que solicite credenciais corporativas ou informações sensíveis em etapas iniciais.
  • Confirmar a existência da vaga diretamente nos canais oficiais da organização.
  • Utilizar ferramentas de cibersegurança, como o Norton 360 com Norton Scam Protection, que utiliza inteligência artificial para ajudar a detectar tentativas de phishing e sites fraudulentos antes que comprometam informações pessoais ou credenciais de acesso.

À medida que as campanhas de fraude evoluem, a combinação entre engenharia social e o uso indevido de marcas reconhecidas continua se tornando uma das ferramentas mais eficazes para os cibercriminosos. Manter uma postura crítica e verificar cada etapa do processo pode ajudar a diferenciar uma oportunidade legítima de uma fraude projetada para comprometer informações pessoais e corporativas.

Sobre a Gen

Gen (NASDAQ: GEN) é uma empresa global dedicada a impulsionar a Liberdade Digital por meio de suas marcas de consumo confiáveis, incluindo Norton, Avast, LifeLock, MoneyLion e outras. A família de marcas da Gen tem como base a oferta de segurança cibernética e empoderamento financeiro para as primeiras gerações digitais. Hoje, a Gen capacita as pessoas a viverem suas vidas digitais com segurança, privacidade e confiança para as gerações futuras. A Gen oferece produtos e serviços premiados em cibersegurança, privacidade online, proteção de identidade e bem-estar financeiro para quase 500 milhões de usuários em mais de 150 países. Saiba mais em GenDigital.com.

Sobre os Laboratórios de Ameaças da Gen

Os Laboratórios de Ameaças da Gen representam a equipe de pesquisa e tecnologia de Segurança Cibernética dentro da Gen, focada em descobrir e analisar as mais recentes ameaças digitais e golpes em todo o mundo. Com base em dados, pesquisa e experiência técnica, a equipe mapeia padrões e riscos que moldam um cenário de ameaças em constante evolução. Essas descobertas impulsionam tecnologias de segurança que protegem as pessoas em todo o portfólio de marcas confiáveis da Gen, incluindo Norton, Avast e LifeLock, entre outras.

Sobre a Norton

Norton é líder em cibersegurança e faz parte da Gen (NASDAQ: GEN), empresa global dedicada a promover a Liberdade Digital por meio de um portfólio de marcas confiáveis para o consumidor. A Norton capacita milhões de pessoas e famílias com proteção premiada para seus dispositivos, privacidade online e identidade digital. Os produtos e serviços da Norton são certificados por organizações independentes de testes, incluindo AV-TESTAV-Comparatives e SE Labs. A Norton também é membro fundadora da Coalition Against Stalkerware. Saiba mais em https://br.norton.com

Serviços financeiros em risco: os ataques de DDoS estão maiores, mais longos e mais complexos, segundo uma pesquisa da Akamai

Os cibercriminosos agora visam os serviços financeiros mais do que qualquer outro setor para ataques de negação de serviço distribuída (DDoS) na web e em APIs (camadas 3 e 4), revela a Akamai (NASDAQ: AKAM) em seu relatório State of the Internet (SOTI) intitulado AI-Empowered Botnets and API Visibility Gaps: Attack Trends in Financial Services. As descobertas revelam uma mudança perigosa à medida que hacktivistas pró-Irã e bots impulsionados por IA usam táticas de DDoS para interromper serviços bancários online, sistemas de pagamento e aplicações críticas.

Impulsionada por infraestruturas alimentadas por IA, a duração média dos ataques globais de DDoS das camadas 3 e 4 direcionados ao setor de serviços financeiros aumentou 738% desde 2024. Isso mostra que, embora a transformação digital tenha permitido avanços como serviços bancários online e pagamentos em tempo real, ela também facilitou as invasões.

Algumas descobertas importantes do relatório:

  • Entre os líderes de serviços financeiros entrevistados no Estudo sobre o impacto da segurança de APIs de 2026, 96% relataram pelo menos um incidente com a segurança de APIs nos últimos 12 meses, o índice mais alto entre todos os setores.

  • Em 2025, 60% do total de ataques na web e 83% das incursões contra pontos de extremidade de APIs visaram serviços bancários.

  • Quase 80% das instituições financeiras enfrentaram ataques de ransomware nos últimos dois anos, mas menos da metade adotou tecnologias avançadas de segurança.

  • A atividade avançada de bots aumentou 147% no final de 2025 e, em um estudo de caso, impressionantes 96% de todo o tráfego de websites foram identificados como bots de scraping mal-intencionados.

  • Os métodos de ataques cibernéticos contra serviços financeiros variam significativamente de acordo com a região: a EMEA é o principal alvo de DDoS das camadas 3 e 4 (62%), a APAC é a mais visada por DDoS da camada 7 (52%) e, na América do Norte, os ataques na web são os mais predominantes (44%).

“Os cibercriminosos e hacktivistas continuam impulsionando os ataques de DDoS, transformando-os em uma ameaça constante, e os serviços financeiros estão na mira”, afirma Steve Winterfeld, CISO consultivo da Akamai. “Além disso, os dados mostram que as APIs são cada vez mais visadas, pois a IA não reduz os riscos de segurança tradicionais, ela os amplifica. Felizmente, as organizações de serviços financeiros podem aproveitar as estratégias de segurança e as práticas recomendadas detalhadas neste relatório.”

O relatório também mostra tendências baseadas em dados sobre atividades criminosas, a participação do CISO da FS-ISAC, um destaque de segurança sobre recursos MITRE, um destaque de nuvem sobre as diferenças entre arquiteturas de IA e estratégias práticas de mitigação de ataques de DNS e DDoS.

Já em seu 12º ano, os relatórios SOTI Security da Akamai continuam oferecendo insights críticos sobre tendências de cibersegurança e desempenho na web, extraídos de ataques observados na infraestrutura protetiva de cibersegurança da Akamai, que lida com uma parcela significativa do tráfego global da web.

Sobre a Akamai

A Akamai é a empresa de cibersegurança e computação em nuvem que potencializa e protege negócios online. Nossas soluções de segurança líderes de mercado, inteligência avançada contra ameaças e equipe de operações globais oferecem defesa em profundidade para garantir a segurança de dados e aplicações empresariais em todos os lugares. As abrangentes soluções de computação em nuvem da Akamai oferecem desempenho e acessibilidade na plataforma mais distribuída do mundo. Empresas globais confiam na Akamai para obter a confiabilidade, a escala e a experiência necessárias para expandir seus negócios com confiança. Saiba mais em akamai.com e akamai.com/blog, ou siga a Akamai Technologies no X e no LinkedIn.

Spam e phishing direcionados aos contribuintes | Blog oficial da Kaspersky

Em muitos países, a primavera é a época tradicional para a apresentação de declarações de imposto de renda. Esses documentos são uma mina de ouro para as pessoas mal-intencionadas porque contêm uma grande quantidade de dados pessoais, como histórico profissional, renda, ativos, detalhes da conta bancária e por aí vai. Não é surpresa que os golpistas aumentem seus esforços nessa época; a internet está cheia de sites falsos projetados para parecerem exatamente recursos governamentais e autoridades fiscais.

Com a proximidade de prazos e números a serem analisados, a pressa de terminar tudo a tempo pode fazer com que as pessoas baixem a guarda. Na confusão, é fácil não perceber os sinais de que o site onde você está detalhando suas finanças não tem nenhuma conexão com o fisco, ou que o arquivo que acabou de ser baixado, supostamente de um fiscal, na verdade é malware.

Nesta postagem, detalharemos como esses sites fraudulentos de agências fiscais operam em diferentes países e o que é preciso evitar fazer para manter seu dinheiro e suas informações confidenciais seguros.

Brasileiros na mira

A temporada de declaração do Imposto de Renda no Brasil trouxe um aumento notável na atividade de cibercriminosos. Apenas em março, a Kaspersky identificou ao menos 61 domínios maliciosos registrados no país, todos utilizando o Leão como isca para enganar contribuintes e roubar informações sensíveis ou pagamentos indevidos.

Os ataques vão desde páginas falsas que simulam serviços oficiais até campanhas de phishing que se passam por comunicações legítimas de órgãos governamentais. O principal objetivo é induzir as vítimas a fornecer suas credenciais do Gov.br, plataforma oficial de serviços públicos digitais do Governo Federal, ou a realizar transferências financeiras sob pressão.

A principal estratégia da campanha é a abordagem clássica de criar sites fraudulentos que imitam páginas oficiais, utilizando termos como “IRPF”, “regularização”, “declaração” e até referências diretas à Receita Federal, como logotipos, para parecerem legítimos. Essas páginas são projetadas para confundir os usuários e aumentar as chances de acesso não autorizado a dados pessoais.

A campanha também incluiu o envio de e-mails falsos a contribuintes, informando sobre supostos problemas em suas declarações. Nessas mensagens, as vítimas são alertadas sobre irregularidades no CPF e incentivadas a resolver a situação com urgência, muitas vezes com promessas de benefícios, como descontos em multas.

Exemplo de notificação fraudulenta recebida por e-mail

Exemplo de notificação fraudulenta recebida por e-mail para pagamento, via PIX ou boleto, de falsa pendência com a Receita Federal do Brasil

Ao seguir as instruções, as vítimas são direcionadas a realizar pagamentos via PIX ou boleto, sistema de cobrança brasileiro com código de barras. Os prazos são sempre curtos, aumentando a pressão e reduzindo o tempo disponível para verificação. Os valores são enviados para contas de terceiros, o que dificulta a recuperação do dinheiro.

Além de sites de phishing que imitam recursos legítimos, nossos especialistas descobriram sites fraudulentos que prometem serviços pagos para preencher e auditar documentos fiscais, mas que, na prática, roubam dados de alto valor, como números do CPF.

Golpistas no Brasil oferecem ajuda com declarações de impostos. Para contatá-los, o usuário deve fornecer o nome, número de telefone, endereço, data de nascimento, e-mail e CPF em um formulário especial. A entrega de um CPF pode representar um risco para a vítima, uma vez que golpistas podem fazer pedidos de empréstimo fraudulentos, podem invadir contas de serviços governamentais e outros ataques de engenharia social
Outro site de golpe brasileiro. Segundo os golpistas, eles arquivam 60 milhões de declarações de impostos anualmente, supostamente ajudando 28% da população brasileira

Phishing contra contribuintes

Além do Brasil, os invasores estão falsificando sites de autoridades fiscais em vários outros países, inclusive os portais oficiais dos governos da Alemanha, França, Áustria, Suíça, Chile e Colômbia. O modus operandi é similar: nos sites fraudulentos, os golpistas coletam credenciais de serviços legítimos e roubam dados pessoais antes de se oferecerem para processar uma dedução fiscal, desde que a vítima forneça os dados do cartão de crédito. Em alguns casos, eles até cobram uma taxa por esse serviço fraudulento.

Exemplo de notificação fraudulenta recebida por e-mail

Um site que imita a autoridade fiscal chilena. A vítima é instruída a inserir os dados do cartão de crédito para receber uma restituição substancial de impostos, aproximadamente US$ 375. Em vez disso, os fundos são desviados da conta da vítima diretamente para os golpistas

Às vezes, a tática envolve acusações feitas em nome de órgãos governamentais. Na imagem abaixo, por exemplo, um suposto chefe de auditoria fiscal, em Paris, informa à vítima que ela forneceu informações de renda incompletas. Então, para evitar penalidades, a pessoa é instruída a baixar um documento e fazer as correções imediatamente. No entanto, o arquivo PDF esconde algo muito pior: malware.

Portal fiscal francês falso (Impots.gouv)

Em vez de um documento oficial da autoridade fiscal francesa, a pessoa encontra malware no PDF, pronto para infectar o dispositivo

Na Colômbia, um site falso da direção nacional de impostos e alfândegas também solicita que as pessoas baixem documentos que devem ser “desbloqueados com uma chave de segurança”. Na realidade, trata-se simplesmente de um arquivo comprimido ZIP malicioso e protegido por senha.

Site falso que se passa pela Direção Nacional de Impostos e Alfândegas da Colômbia

Depois de inserir a senha, a pessoa abre um arquivo comprimido malicioso que infecta o dispositivo

Lucros de criptomoedas isentos de impostos

Os detentores de criptomoedas passaram a representar um alvo específico para os invasores. As autoridades fiscais alemãs falsas estão exigindo que os proprietários de carteiras “verifiquem seus ativos digitais” e citam os regulamentos da UE tendo como objetivo o cálculo de impostos. E, claro, há um “lado positivo”: obviamente, os ganhos com criptomoedas estão supostamente isentos de impostos! No entanto, para solicitar um benefício tão generoso, os usuários devem passar por um procedimento de “verificação”. O site ainda promete fazer a criptografia de dados usando um “protocolo SSL de 2048 bits”.

Para concluir o processo de “verificação”, os usuários são forçados a inserir a frase-semente, ou seja, a sequência exclusiva de palavras vinculadas a uma carteira de criptomoedas que concede acesso de recuperação total. Essa solicitação está associada a uma ameaça: a recusa em fornecer os dados levará a graves consequências legais, como multas de até um milhão de euros ou processo criminal.

Um anúncio no portal falso ELSTER afirma que ganhos em criptomoedas são isentos de impostos após "verificação", e que a "autoridade fiscal" não tem acesso direto às carteiras dos usuários. Dá para acreditar?
Primeiro, a pessoa é forçada a inserir as informações pessoais…
…E, em seguida, ela escolhe como verificar as participações em criptomoedas: vinculando uma carteira ou uma conta de câmbio. Entre os serviços visados por esses golpistas, podemos citar alguns, como Ledger, Trezor, Trust Wallet, BitBox02, KeepKey, MetaMask, Phantom e Coinbase
Por fim, a vítima é forçada a fornecer a frase-semente para entregar aos golpistas o controle total sobre a carteira. Os invasores muito amigavelmente alertam a vítima para que se certifique de que ninguém esteja olhando para a tela, enquanto a ameaçam com penalidades legais inexistentes por descumprimento

Os invasores também aplicaram um golpe semelhante em usuários franceses. Eles criaram um “portal de conformidade tributária de criptomoedas” inexistente, que imita o design do site do ministério da economia e finanças da França. O site de phishing exige, agressivamente, que os residentes franceses enviem uma “declaração de ativos digitais”.

Depois que o usuário insere as informações pessoais, os golpistas solicitam que eles insiram manualmente a frase-semente ou “vinculem” a carteira de criptomoedas ao portal. Se a vítima seguir em frente, as carteiras MetaMask, Binance, Coinbase, Trust Wallet ou WalletConnect serão drenadas.

O site de phishing exige, agressivamente, que os residentes franceses enviem uma "declaração de ativos digitais". (tradução: eles querem sequestrar as contas de criptomoedas
Uma vez que os dados pessoais são inseridos, os golpistas oferecem a opção de inserir manualmente uma frase-semente ou de "vincular" uma carteira ao portal

A IA pode ajudar com as declarações de impostos?

Quando você tem IA à disposição, capaz de gerar texto instantaneamente e preencher planilhas, há uma forte tentação de delegar tudo a ela. Infelizmente, isso pode gerar sérias consequências. Em primeiro lugar, todos os chatbots populares processam os dados em seus respectivos servidores, o que coloca suas informações confidenciais em risco de vazamento. Em segundo lugar, é comum que eles cometam erros incrivelmente tolos, e isso pode resultar em problemas reais com o fisco.

Antes de informar a um chatbot ou agente de IA quanto você ganhou no ano passado, juntamente com dados pessoais e bancários detalhados, lembre-se da frequência com que ocorrem vazamentos em serviços de IA e considere os riscos. Não informe sua renda para a IA, não forneça detalhes pessoais, como nome ou endereço, e, sob hipótese alguma, não carregue fotos ou números de documentos vitais, como passaportes, informações de seguro ou números de previdência social. Os arquivos que contêm informações confidenciais devem ser mantidos em contêineres criptografados, como o [placeholder KPM].

Se, mesmo assim, você ainda quiser usar ferramentas de IA, é recomendável executá-las localmente. Isso pode ser feito gratuitamente até mesmo em um laptop padrão, e já mostramos como configurar modelos de linguagem locais usando o DeepSeek como um exemplo. No entanto, a qualidade da saída desses modelos é geralmente inferior. É bem possível que a verificação dupla de cada dígito em uma resposta gerada por IA leve mais tempo do que apenas preencher a papelada manualmente. Não se esqueça, você é o único responsável perante a administração fiscal por quaisquer erros, e não a IA.

Por fim, fique atento aos modelos de phishing por IA que oferecem “assistência” com a declaração de impostos. Os especialistas da Kaspersky descobriram sites que pedem aos usuários o envio de notas fiscais, supostamente para a geração automatizada de declarações e solicitações de dedução. Porém, o que acontecia, de fato, era que os invasores coletavam os dados pessoais para revender na dark web ou para usar em futuros ataques de phishing, chantagem e esquemas de extorsão.

O phishing por IA rouba dados de contribuintes que buscam assistência para o preenchimento da declaração

Os criadores de uma ferramenta de IA falsa solicitam aos usuários que carreguem documentos fiscais e garantem que o site não armazena nenhum dado do usuário. Na realidade, todas as informações inseridas, como nome, endereço, documentos, pessoa de contato e número de telefone acabam nas mãos de criminosos virtuais

Lembre-se de que serviços legítimos de IA alertam para não compartilhar dados confidenciais, e documentos fiscais se enquadram nessa categoria. Quaisquer ferramentas de IA que prometem oferecer ajuda para lidar com a papelada fiscal são simplesmente uma farsa.

Como proteger a si mesmo e às suas informações

  • Faça você mesmo a sua declaração. O risco de encontrar golpistas é extremamente alto. Mesmo que uma empresa de consultoria seja legítima, a empresa receberá um dossiê completo seu: detalhes do passaporte, informações de emprego e renda, endereço e muito mais. Não se esqueça de que mesmo os serviços mais honestos não estão imunes a ataques e violações de dados.
  • Cuidado com sites falsos. Use uma solução de segurança confiável que impede a visita a sites de phishing e bloqueia downloads de arquivos maliciosos.
  • Mantenha todos os documentos importantes criptografados. Armazenar fotos, notas ou arquivos na área de trabalho ou manter mensagens com estrela em um aplicativo de mensagens não é uma forma segura de lidar com dados confidenciais. Um cofre seguro como o Kaspersky Password Manager pode armazenar mais do que apenas senhas e informações de cartão de crédito: ele também pode proteger documentos e até fotos.
  • Não confie na IA. Mesmo os chatbots mais avançados são propensos a erros e alucinações e, em princípio, os desenvolvedores podem ler qualquer conversa que você tenha com a IA. Se você absolutamente precisar usar a IA, instale e execute uma versão local em seu próprio computador.
  • Siga apenas os canais oficiais. O “inspetor fiscal chefe” do seu país ou cidade definitivamente não enviará uma mensagem para você, pois funcionários de alto escalão têm coisas mais importantes a fazer. Contate as autoridades fiscais apenas por canais oficiais e verifique o remetente de todos os e-mails recebidos. Na maioria das vezes, mesmo uma pequena diferença no nome ou no endereço é um sinal que revela uma campanha de phishing.

Leitura adicional sobre phishing e segurança de dados:

Relatório de Ameaça: STX RAT

Motivação

O STX RAT representa mais um representante relevante da evolução contínua dos Remote Access Trojans (RATs) baseados em .NET, operando em um ecossistema onde acessibilidade, modularidade e baixo custo de entrada favorecem sua rápida disseminação entre atores de ameaça com diferentes níveis de sofisticação. Para a tomada de decisão de CISOs, o risco não reside apenas nas capacidades técnicas do malware, mas na combinação de três fatores críticos:

  • Facilidade de aquisição e operação (commodity malware)
  • Capacidade de persistência silenciosa em endpoints corporativos
  • Integração com cadeias de ataque maiores (stealers, loaders, ransomware)

O STX RAT não é, isoladamente, uma ferramenta de alta sofisticação. No entanto, seu uso em campanhas oportunistas e sua capacidade de fornecer acesso contínuo ao ambiente comprometido o tornam um multiplicador de risco, frequentemente atuando como estágio intermediário para ataques mais destrutivos. Do ponto de vista de negócio, os principais impactos incluem:

  • Exfiltração de dados sensíveis (credenciais, documentos, sessões)
  • Comprometimento prolongado sem detecção
  • Uso como ponto de apoio para ransomware
  • Exposição regulatória (LGPD) e dano reputacional

A Evolução

O STX RAT se insere no ecossistema consolidado de RATs baseados em .NET, ao lado de famílias como AsyncRAT e QuasarRAT. Essas ferramentas compartilham características comuns:

  • Código relativamente acessível
  • Facilidade de customização
  • Interfaces de controle amigáveis
  • Distribuição via fóruns underground e canais fechados

Em 2025, cabe destacar que houve uma convergência entre três categorias de malware:

  • RATs tradicionais (controle remoto)
  • Infostealers (exfiltração rápida de dados)
  • Loaders (entrega de payloads adicionais)

O STX RAT acompanha essa tendência ao oferecer:

  • Capacidades de coleta de dados
  • Execução remota de comandos
  • Flexibilidade para integração com outros payloads

O STX segue a tend6encia de Malware-as-a-Service (MaaS), um modelo de negocio criminoso onde deliquentes menos experientes conseguem conduzir campanhas eficazes com baixo investimento técnico.

3. Análise de Kill Chain

3.1 Vetores de entrada

O STX RAT é tipicamente distribuído por meio de vetores amplamente conhecidos, porém ainda eficazes:

  • Campanhas de phishing com anexos maliciosos
  • Arquivos compactados contendo executáveis disfarçados
  • Arquivos ISO, LNK e loaders
  • Software pirata, cracks e keygens
  • Malvertising

A eficácia desses vetores depende fortemente de engenharia social, frequentemente adaptada ao idioma e contexto regional, além de ser cada vez mais efetiva graças ao uso intensivo de IA.

3.2 Execução inicial

Após o acesso inicial:

  • O usuário executa um loader ou dropper
  • O payload é descompactado ou injetado em memória
  • Pode haver uso de LOLBins (ex.: PowerShell) para execução indireta

3.3 Persistência

O STX RAT estabelece persistência utilizando:

  • Chaves de registro (Run/RunOnce)
  • Tarefas agendadas
  • Cópias em diretórios persistentes do sistema

Essa persistência é projetada para se manter a reinicializações e ofuscar as ações de ferramentas, analistas e .

3.4 Expansão e pós-exploração

Embora não seja um framework completo, que inclua o movimento lateral, o acesso fornecido permite:

  • Execução de ferramentas adicionais
  • Download de payloads secundários
  • Movimentação manual por operadores

4. Arquitetura Técnica do STX RAT

O STX RAT, por suas características de desenvolvimento, possui:

  • Portabilidade
  • Ofuscação
  • Rápido desenvolvimento

4.1. Capacidades principais:

  • Keylogging
  • Captura de tela
  • Gerenciamento de arquivos
  • Execução remota de comandos
  • Monitoramento do sistema

A comunicação entre cliente e servidor permite controle quase em tempo real.

5. Evasão

O STX RAT emprega técnicas comuns, porém eficazes:

5.1. Ofuscação

  • Proteção de strings
  • Packing do binário

5.2. Evasão de análise

  • Detecção de ambiente virtual
  • Delay de execução
  • Verificação de sandbox

5.3. Evasão de defesa

  • Uso de LOLBins
  • Execução em memória (parcial)
  • Possível bypass de mecanismos como AMSI

O objetivo não é invisibilidade total, mas reduzir a probabilidade de detecção automática.

6. Comando e Controle (C2)

A comunicação C2 geralmente utiliza:

  • HTTP/HTTPS
  • Portas customizadas
  • Comunicação periódica (beaconing)

6.1. Características:

  • Uso de VPS de baixo custo
  • Rotação de IPs/domínios
  • Infraestrutura descartável

Essa arquitetura favorece:

  • Resiliência operacional
  • Dificuldade de bloqueio completo

7. Impacto na América Latina

A América Latina apresenta condições favoráveis para disseminação do malware:

  • Alta taxa de uso de software não licenciado
  • Menor maturidade em segurança em PMEs
  • Forte uso e eficácia de engenharia social

Setores frequentemente impactados:

  • Financeiro
  • Governo
  • Pequenas e médias empresas

Campanhas costumam explorar:

  • Idioma local (português ou espanhol)
  • Temas como boletos, impostos, entregas e serviços bancários são os mais frequentes.

8. Técnicas, Táticas e procedimentos (TTPs)

O comportamento do STX RAT pode ser mapeado em diversas táticas:

a) Initial Access

  • Phishing (T1566)

b) Execution

  • User Execution (T1204)
  • PowerShell (T1059.001)

c) Persistence

  • Registry Run Keys (T1547.001)
  • Scheduled Tasks (T1053)

d) Defense Evasion

  • Obfuscated Files (T1027)
  • Virtualization/Sandbox Evasion (T1497)

e) Command & Control

  • Application Layer Protocol (T1071)

f) Exfiltration

  • Exfiltration Over C2 Channel (T1041)

9. Estratégias de Detecção e Defesa

9.1. Controles técnicos

  • EDR/XDR com análise comportamental
  • Monitoramento de rede
  • Detecção de anomalias

9.2. Hardening

  • Bloqueio de macros
  • Controle de execução de scripts
  • Princípio do menor privilégio

9.3. Conscientização dos Usuários

  • Treinamento contínuo contra phishing

10. Recomendações e Conclusões

O STX RAT não representa uma ruptura tecnológica, mas sim a continuidade de uma tendência perigosa, onde o modelo MaaS facilita o acesso de ferramentas de acesso remoto malicioso de alta eficácia. As principais recomendações de alto nível apontam para:

  • Investir em visibilidade de endpoint
  • Integrar threat intelligence ao SOC
  • Melhorar capacidade de resposta a incidentes
  • Reduzir superfície de ataque

Sua relevância está na escala, acessibilidade e integração com cadeias de ataque maiores, tornando-o um risco significativo para usuários finais e PMEs. Para Gestores e C-Levels, a prioridade deve ser:

  • Detecção precoce
  • Resposta rápida
  • Redução de exposição humana

O maior risco não está na sofisticação do malware, mas na combinação entre acessibilidade, engenharia social e falhas de visibilidade defensiva.

Fiquem seguros e atenção nos detalhes! Um informe de inteligência pode fazer toda a diferença.

Ataques cibernéticos fazem 1,3 vítima por hora no mundo, segundo relatório da Apura

Os ataques de ransomware estão longe de desacelerar. No último ano, foram registradas 11.796 vítimas diretas desse tipo de ciberataque ao redor do mundo, 1,3 vítimas por hora, segundo dados do BTTng da Apura Cyber Intelligence, plataforma de inteligência em ameaças cibernéticas. O impacto vai além dos números: empresas paralisadas, serviços essenciais comprometidos e milhões de pessoas expostas a riscos iminentes.

A onda de ataques abrange qualquer empresa de todos os segmentos, desde a saúde até os serviços públicos. Em maio passado, a Ascension Healthcare, uma das maiores operadoras de saúde dos EUA, foi alvo de um ataque cibernético que comprometeu sistemas críticos, incluindo registros médicos e comunicação interna. Hospitais ficaram sem acesso a informações essenciais por semanas, forçando equipes a recorrerem a procedimentos manuais. “Isso gerou riscos reais, com erros relatados no Kansas e em Detroit, que poderiam ter resultado em graves consequências médicas”, explica Anchises Moraes, Especialista de Theat Intel da Apura.

A Ascension não divulgou oficialmente o grupo por trás do ataque, mas investigações apontam para o Black Basta. Sete dos vinte e cinco mil servidores foram comprometidos, e 5,6 milhões de indivíduos receberam notificações sobre o possível vazamento de dados.

No Brasil, a TOTVS foi alvo do grupo BlackByte, com relatos de que dados da empresa foram acessados. A companhia informou seus acionistas, garantindo a continuidade dos serviços, mas sem dissipar completamente a incerteza. Já a Sabesp sofreu um ataque do grupo RansomHouse, que não apenas roubou dados, mas também os publicou posteriormente.

O futuro dos ataques: alvos menores, impactos maiores

Se antes os criminosos miravam grandes corporações exigindo valores exorbitantes, a tendência é que ataques menores, porém em massa, ganhem força em todo o mundo, incluindo o Brasil. Pequenas e médias empresas se tornaram alvos fáceis, já que possuem menos recursos para segurança e maior propensão a pagar resgates. “Elas têm mais dificuldade em recuperar dados roubados ou encriptados, tornando-se presas ideais para esses criminosos”, alerta Anchises.

Outro ponto crítico é a ascensão da Internet das Coisas (IoT). O crescimento de dispositivos conectados, tanto em ambientes domésticos quanto industriais, expande a superfície de ataque. Botnets formadas por aparelhos desprotegidos alimentam ataques de negação de serviço (DDoS), enquanto falhas em sistemas industriais expõem infraestruturas críticas a riscos catastróficos.

“Quanto mais automatizado, maior a vulnerabilidade. Empresas que adotam tecnologia intensiva, como na Indústria 4.0, precisam investir tanto em proteção cibernética quanto na capacitação de seus colaboradores”, destaca o especialista.

A resposta global? O endurecimento das leis e a repressão ao pagamento de resgates. Nesse ambiente, governos e entidades reguladoras estão apertando o cerco. Leis mais rigorosas para setores críticos, como saúde, finanças e infraestrutura, estão sendo discutidas e aplicadas ao redor do mundo. Penalidades mais severas para empresas que negligenciarem a segurança cibernética também estão no radar.

“Infelizmente, muitas empresas só reagem quando o prejuízo financeiro se torna inegável. Com regulamentação mais dura e multas elevadas, elas serão forçadas a reforçar suas defesas”, conclui.

Outra tendência é o desestímulo ao pagamento de resgates. Algumas legislações já estão sendo elaboradas para coibir essa prática, retirando dos criminosos seu principal incentivo. Fiscalizações mais rigorosas e colaboração internacional também fazem parte do arsenal contra o ransomware.

Merece destaque a ação das forças da lei, que no ano passado foi sentido por grandes grupos de ransomware. Em fevereiro de 2024 foi anunciada a ‘Operação Cronos’ realizada de forma conjunta por agências de segurança de diversos países, incluindo o FBI, a Agência Nacional do Crime (NCA) do Reino Unido e a Europol, com o objetivo de desmantelar as atividades do grupo LockBit, um dos grupos mais ativos até então. Estima-se que o líder do grupo pode ter lucrado, sozinho, cerca de US$100 milhões.

“A guerra contra os cibercriminosos está longe de acabar. Mas empresas, governos e indivíduos precisam agir agora para que a próxima grande vítima não seja apenas mais uma estatística”, sublinha Anchises.

Sobre a Apura Cyber Intelligence, acesse: https://apura.com.br/

Abrangência do grupo Scattered Spider acende alerta na América Latina, diz especialista

A expansão internacional do grupo de cibercriminosos conhecido como Scattered Spider acendeu um sinal de alerta entre empresas latino-americanas. Especialistas em segurança apontam que, embora não haja registros confirmados de ataques desse grupo no Brasil ou vizinhos até o momento, seu alcance global e métodos sofisticados representam um risco iminente para organizações na região.

Com táticas de engenharia social elaboradas e capacidade de driblar defesas tradicionais, o Scattered Spider tem mirado grandes empresas em diversos países. “A questão não é mais ‘se’ seremos atacados, mas de ‘quando’ e ‘como’, afirma Felipe Guimarães, Chief Information Security Officer da Solo Iron. “As táticas empregadas pelo grupo exploram fragilidades universais, presentes em empresas em todo o mundo – o que inclui as empresas latino-americanas”, pondera o especialista.

Um dos maiores riscos é que os setores visados pelo Scattered Spider no exterior também são pilares econômicos na América Latina. O grupo historicamente focou suas ações em empresas de telecomunicações, terceirização de processos de negócios (BPO) e grandes empresas de tecnologia – indústrias que possuem ampla presença na região. Nos últimos tempos, foi observado um aumento de interesse do grupo pelo setor financeiro global, o que inclui bancos e instituições presentes no Brasil e países vizinhos.

“Isso significa que companhias latino-americanas, seja diretamente ou através de filiais e parceiras, podem entrar na mira à medida que o Scattered Spider amplia seu raio de atuação. Mesmo empresas que não operam internacionalmente devem se precaver, pois os criminosos podem enxergar organizações locais como pontes de entrada para fornecedores ou clientes globais, ou simplesmente como alvos lucrativos por si sós, caso identifiquem falhas de segurança exploráveis”, pontua Guimarães.

Na mira das agências de inteligência

Relatórios do FBI e da Agência de Segurança Cibernética e de Infraestrutura (CISA) dos EUA descrevem o Scattered Spider como “especialista em engenharia social”, empregando diversas técnicas para roubar credenciais e burlar autenticações.

Entre os métodos documentados estão phishing por e-mail e SMS (smishing), ataques de vishing (ligações telefônicas fraudulentas) em que os criminosos se passam por equipe de TI da própria empresa, e até esquemas elaborados de SIM swap – quando convencem operadoras de telefonia a transferir o número de celular de uma vítima para um chip sob controle deles. Essas táticas permitem interceptar códigos de autenticação multifator (MFA) enviados via SMS ou aplicativos, dando aos invasores as chaves para acessar sistemas internos.

Ainda segundo o especialista, o modelo de ataque do Scattered Spider pode inspirar quadrilhas locais. “As táticas de engenharia social eficazes tendem a se espalhar rapidamente nos submundos virtuais. Mesmo que o próprio grupo original não atue diretamente na América Latina, outros agentes maliciosos regionais podem adotar técnicas semelhantes – como push bombing de MFA ou golpes contra centrais de atendimento – ao verem o sucesso obtido lá fora”, explica Guimarães.

Alguns incidentes recentes no cenário latino-americano já envolveram vetores parecidos, como uso de ferramentas legítimas em ataques e exploração de credenciais vazadas, o que reforça a necessidade de vigilância. Em 2024, por exemplo, houve casos de gangues de ransomware operando na região que abusaram de softwares legítimos e brechas em procedimentos internos de empresas, aplicando práticas muito similares ao do Scattered Spider.

Estratégias de mitigação

Diante da crescente ameaça representada por grupos como o Scattered Spider, Guimarães recomenda a adoção de estratégias com foco especial em fortalecer métodos avançados de autenticação multifator (MFA), preferencialmente resistentes a phishing, como chaves físicas de segurança ou soluções baseadas em certificados digitais. Técnicas como MFA com validação numérica e a restrição do uso de SMS para autenticação são essenciais para reduzir o risco de engenharia social e ataques por fadiga de notificações, muito usados pelo grupo.

Além disso, a adoção de uma abordagem mais robusta em relação à gestão de identidades e acessos (IAM) é uma estratégia muito importante na contenção desse tipo de ameaça. “As identidades digitais estão se tornando uma nova superfície de ataque; por isso, é fundamental que as empresas implementem políticas rígidas de gestão de identidades, controle granular de acessos e monitoramento contínuo das atividades dos usuários”, destaca.

“Também é muito importante o controle rigoroso sobre ferramentas de acesso remoto e a implantação de monitoramento avançado. É recomendável que as organizações restrinjam o uso dessas ferramentas por meio de listas autorizadas e adotem sistemas robustos como EDR e DLP para identificar rapidamente atividades suspeitas”, finaliza o especialista.

Ataques de Phishing se sofisticam ao ponto de imitar comunicações internas e desafiam empresas

Com o avanço acelerado da inteligência artificial generativa e a naturalização do trabalho digital em escala global, o phishing ganhou novas formas e complexidade. Se antes os golpes se restringiam a e-mails genéricos com links suspeitos, hoje eles simulam comunicações internas com impressionante realismo. Para se ter uma ideia dessa transformação, de acordo com relatório da KnowBe4, somente no primeiro trimestre de 2025, 60,7% das simulações clicadas no primeiro trimestre de 2025 imitavam comunicações de equipes internas, sendo que 49,7% mencionavam diretamente o setor de Recursos Humanos.

A frequência desses ataques também revela o quanto esse tipo de ciberataque se consolidou como uma ameaça constante e altamente eficaz. Segundo dados da GreatHorn, mais da metade das organizações (57%) relata lidar com tentativas de phishing diariamente ou pelo menos uma vez por semana. Já a CSO Online aponta que 80% dos incidentes de segurança cibernética reportados atualmente têm origem nesse tipo de golpe.

Para Vinicius Gallafrio, CEO da MadeinWeb, empresa referência em soluções digitais e inteligência artificial, os ataques de phishing deixaram de ser óbvios e evoluíram para se camuflar nas práticas do dia a dia corporativo. ”Mesmo com o avanço de tecnologias de proteção, o fator humano segue como a principal porta de entrada para invasores, explorando, sobretudo, a rotina e a pressa das equipes. Esses golpes exploram a linguagem comum entre colegas, imitam padrões visuais internos e simulam urgências típicas de lideranças ou do RH. O desafio está em perceber o que parece legítimo, mas não é. Por isso, mais do que tecnologia, precisamos cultivar uma cultura de segurança entre os colaboradores”, comenta.

Diante desse novo cenário, identificar comportamentos suspeitos exige atenção a sinais cada vez mais sutis. O primeiro passo é observar mudanças no tom da mensagem: pedidos urgentes, tom de cobrança inesperado e linguagem excessivamente formal ou fora do padrão da empresa são indícios comuns.

Outra característica marcante dos golpes mais recentes é o uso de horários estratégicos para envio, como início da manhã, finais de expediente ou períodos de maior volume de trabalho. O objetivo é capturar a atenção em momentos de menor vigilância. Além disso, ferramentas corporativas como mensageiros internos e plataformas de colaboração passaram a ser usadas como canal de disseminação de phishing, imitando interações autênticas entre colegas e gestores.

Com isso, o papel das equipes de segurança da informação vai além da aplicação de políticas técnicas ou da adoção de ferramentas robustas. É preciso estabelecer uma vigilância coletiva e constante, onde cada colaborador se reconheça como elo fundamental da defesa corporativa. A identificação de padrões sutis de fraude, o questionamento de comunicações atípicas e o reporte ágil de atividades suspeitas devem fazer parte do cotidiano organizacional.

“Nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, substitui o olhar atento de um time bem preparado. O phishing de 2025 não engana pela técnica, mas pelo contexto, e é nisso que precisamos estar atentos. A segurança digital começa onde termina a automatização: no senso crítico humano, na colaboração e na capacidade de questionar o que parece normal demais para ser verdade”, conclui

Falhas humanas custam até R$7,19 milhões por ataque e seguem como maior risco para empresas

Mesmo com o avanço da tecnologia e da inteligência artificial, falhas humanas como senhas fracas e configurações incorretas em nuvem continuam sendo o principal gatilho de ataques, causando prejuízos milionários às empresas. Para se ter uma ideia, segundo dados da IBM, o custo médio de uma violação de dados no Brasil chegou a R$7,19 milhões, sendo o phishing, responsável por 16% das violações, e o uso indevido de IA os vetores mais comuns. O relatório aponta ainda que, no cenário global, o prejuízo médio por ataque chega a US$4,44 milhões, evidenciando que o impacto financeiro das violações permanece elevado independentemente da região.

Segundo especialistas, o cenário se torna ainda mais crítico porque, quanto mais avançadas e complexas são as tecnologias, maior é o impacto de erros simples cometidos por pessoas. Além disso, outro relatório da IBM aponta que 63% das empresas afetadas não possuem políticas consolidadas de governança de IA, o que aumenta o risco de erros na operação de tecnologias críticas.

Para Rafael Dantas, Head de Cibersegurança da TLD, empresa referência em tecnologia, esses números mostram que a vulnerabilidade humana deixou de ser um tema comportamental e passou a ser uma questão estratégica. “A tecnologia evoluiu, mas o ponto de falha mais explorado ainda é o comportamento das pessoas. Quando uma empresa ignora treinamento, governança e orientação contínua, ela amplia exponencialmente a probabilidade de que um erro cotidiano se transforme em um incidente milionário”, afirma.

A análise global da Fortinet reforça esse movimento ao mostrar que configurações em nuvem permanecem entre as principais portas de entrada para ataques. Permissões abertas, identidades mal definidas, senhas padrão e chaves expostas seguem sendo falhas humanas que facilitam acessos indevidos. Para completar, o relatório identificou um aumento de 500% na circulação de credenciais corporativas roubadas em fóruns clandestinos, impulsionado por hábitos inseguros de colaboradores.

O preparo adequado reduz tanto ataques externos quanto violações internas. “Mesmo com o avanço técnico das ameaças — que hoje exploram IA, automação e ataques cada vez mais sofisticados — grande parte dos incidentes ainda nasce do básico: um clique em link malicioso, uma credencial exposta ou um desvio de procedimento. O investimento em tecnologia precisa caminhar junto com a capacitação contínua. Segurança não é só sobre ferramentas. É sobre comportamento, cultura e repetição diária.”, comenta Rafael Dantas.

Treinamentos contínuos, simulações, revisão de permissões, processos robustos de governança e cultura ativa de reporte são os elementos que reduzem drasticamente a superfície de ataque. Empresas que conseguem engajar suas equipes em segurança têm resultados concretos: menos incidentes, respostas mais rápidas e danos menores. Pessoas preparadas são, hoje, o maior diferencial para reduzir riscos.

Em um cenário em que ataques se tornam mais rápidos e automatizados, o maior desafio continua sendo humano. Capacitar pessoas deixou de ser uma iniciativa periférica e se tornou uma das principais medidas para proteger operações, reputação e continuidade das empresas.

❌