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Guia Completo: Hash, Cadeia de Custódia

Guia Completo: Hash, Cadeia de Custódia, MOBILedit e Auditoria Pericial | OSINT Brasil

Guia Completo: Hash, Cadeia de Custódia, MOBILedit e Auditoria Pericial

Investigação defensiva de ponta a ponta — OSINT Brasil / RDS

1. Gerando hash — o primeiro passo da evidência

Hash criptográfico (SHA-256, no mínimo — evite MD5/SHA-1) é a impressão digital do arquivo: qualquer alteração de um bit muda o resultado por completo. Ele prova integridade, não autoria — isso fica a cargo da cadeia de custódia e de outros elementos (metadados, testemunhas, ata notarial ou timestamp de terceira parte).

Regra de ouro: gere o hash no momento da coleta, antes de qualquer manipulação, cópia ou análise.

2. Ferramentas de hash

Nativas do sistema (uso em campo)

Windows — certutil:
certutil -hashfile "C:\caminho\arquivo.mp4" SHA256

Windows — PowerShell:
Get-FileHash -Algorithm SHA256 "C:\caminho\arquivo.mp4"

Linux/Mac — sha256sum:
sha256sum arquivo.mp4 > arquivo.mp4.sha256
Conferência: sha256sum -c arquivo.mp4.sha256

Interface gráfica

HashMyFiles (NirSoft)nirsoft.net/utils/hash_my_files.html — selecione a pasta inteira, gera MD5/SHA-1/SHA-256 de todos os arquivos; exporta lista em .txt/.html/.xml.

QuickHash GUIquickhash-gui.org — hash de pastas, discos inteiros e comparação lado a lado.

Nível pericial

Hashdeep/md5deepgithub.com/jessek/hashdeep
Gerar manifesto: hashdeep -c sha256 -r ./pasta_evidencia > manifesto.txt
Auditar depois: hashdeep -a -k manifesto.txt -r ./pasta_evidencia — aponta o que mudou, sumiu ou foi adicionado.

FTK Imagerexterro.com/ftk-imager — imagem forense de disco com hash automático (MD5+SHA1) embutido na aquisição.

Autopsysleuthkit.org/autopsy — valida hash de aquisição contra hash de verificação e sinaliza divergência.

3. Preservando a cadeia de custódia

Cadeia de custódia é o registro documentado e ininterrupto de quem teve acesso à evidência, quando, onde, por quê e o que fez com ela (CPP, art. 158-B).

Timestamping de terceira parte

OpenTimestampsopentimestamps.org — ancora o hash na blockchain do Bitcoin (gratuito). ots stamp arquivo.mp4ots verify depois.

Carimbo ICP-Brasil — prestadores credenciados em gov.br/iti — recomendado para instruir processo judicial no Brasil.

Ata notarial (quando aplicável)

Tabelionato habilitado para ata notarial digital, citando URL/origem, data/hora, e o hash gerado — art. 384 CPC e Provimento CNJ nº 100/2020.

Armazenamento com controle de alteração

Google Drive/Microsoft 365 com histórico de versão ativo · AWS S3 Object Lock (modo Compliance) — docs.aws.amazon.com — WORM verdadeiro.

4. Apps para preservar custódia sem ata notarial

Captura forense de conteúdo web/redes sociais

Hunchlyhunch.ly — captura páginas automaticamente durante a navegação, gera hash + timestamp + relatório de custódia com linha do tempo.

Page Vaultpagevaultapp.com — voltado a escritórios de advocacia, certificado de autenticidade técnico embutido.

PageFreezerpagefreezer.com — arquivamento de sites/redes sociais com hash-chain e trilha de auditoria.

X1 Social Discoveryx1.com — nível pericial, preserva metadados originais das redes sociais.

Timestamping/notarização em blockchain

OriginStamporiginstamp.com — hash local no navegador + ancoragem em blockchain.

Bernsteinbernstein.io — trilha de auditoria e certificado de timestamp corporativo.

Proofproof.com — verificação de identidade + timestamp com cadeia de custódia do documento.

Gestão de evidência ponta a ponta

Cellebritecellebrite.com · Magnet AXIOMmagnetforensics.com · Evidence.com (Axon)evidence.com — hash e log de custódia embutidos na extração/gestão.

Combinação recomendada sem cartório: Hunchly/Page Vault na captura → hash automático → OpenTimestamps ancorando o hash em blockchain pública → storage com versionamento (Drive/S3).

5. Verificando quebra de procedimento

ObjetivoFerramentaSite
Recalcular/comparar hash em loteHashdeepgithub.com/jessek/hashdeep
Checagem visual rápidaQuickHash GUIquickhash-gui.org
Metadados originais (data, GPS, dispositivo)ExifToolexiftool.org
Verificar timestamp públicoOpenTimestampsopentimestamps.org
Auditar logs de acesso em nuvemDrive/O365 versioning, AWS CloudTraildocs.aws.amazon.com/awscloudtrail
Analisar imagem forense de discoAutopsysleuthkit.org/autopsy
Esteganografia/dados ocultosAperi'Solveaperisolve.com

Checklist rápido de quebra formal:

  • Hash da coleta original documentado?
  • Hash atual bate com o original?
  • Responsável identificado em cada etapa?
  • Sem gaps temporais não explicados?
  • Metadados compatíveis com a linha do tempo declarada?
  • Armazenamento impede alteração silenciosa (WORM/versionamento)?
  • Existe timestamp de terceira parte ou ata notarial?

6. Bibliografia técnica e legal

Normas técnicas: ISO/IEC 27037:2012, ISO/IEC 27042:2015 — iso.org

Legislação brasileira: CPP arts. 158-A a 158-F (Lei 13.964/2019) · CPC art. 384 · LGPD (Lei 13.709/2018) · Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) · Provimento CNJ nº 100/2020 — planalto.gov.br

Leitura complementar: NIST SP 800-86 — nvlpubs.nist.gov · SWGDE Best Practices for Digital Evidence — swgde.org

7. Auditando laudos de polícia científica e Cellebrite

Checklist do laudo em si

  • Perito credenciado e habilitado em perícia digital?
  • Cita metodologia seguida (ISO 27037/27042)?
  • Descreve ferramenta e versão usada na extração?
  • Hash de aquisição documentado e batendo com cópias posteriores?
  • Cadeia de custódia anexada sem gaps?

Auditoria específica de relatório Cellebrite (UFED)

Tipo de extração importa: lógica (mais rasa), sistema de arquivos, ou física (bit-a-bit, inclui dados deletados — mais completa, mais sujeita a interpretação de fragmentos).

  1. Verifique a versão do software usada — há histórico de bugs de parsing conhecidos por versão
  2. Confirme o hash da extração (.ufd/.ufdr) documentado e correspondente ao usado em juízo
  3. Confira os timestamps — Cellebrite costuma exibir em UTC; erro de conversão de fuso é o erro mais comum e mais útil para a defesa
  4. Questione a origem de dados "deletados/recuperados": área alocada (confiável) vs. espaço não alocado (reconstrução probabilística)
  5. Verifique se a versão do app periciado é compatível com a que o Cellebrite sabia interpretar corretamente na época

Contraponto técnico independente

Cellebrite Reader (gratuito) — cellebrite.com/en/reader — reabre .ufdr sem licença completa.

DB Browser for SQLitesqlitebrowser.org — verifica bancos brutos direto na fonte.

ALEAPP (Android) — github.com/abrignoni/ALEAPP · iLEAPP (iOS) — github.com/abrignoni/iLEAPP — extração open source para comparação de parsing.

Sempre peça o .ufdr completo, não só o PDF final — o PDF é a interpretação selecionada do perito, não a evidência bruta.

8. MOBILedit na prática — passo a passo

Software de extração forense móvel (Compelson), testado periodicamente pelo NIST — extrai chamadas, contatos, SMS/MMS, arquivos, dados de apps (WhatsApp, Telegram, Instagram, Signal, Skype, Viber, Slack), IMEI/IMSI/ICCID, e dados deletados quando possível.

Extração lógica — Android

  1. Baixe/instale a partir de mobiledit.com e ative a licença
  2. Ative depuração USB no aparelho (Opções do desenvolvedor → USB Debugging)
  3. Connect → Phone → Cable Connection → conecte o cabo
  4. Confirme a instalação do app "Connector" na tela do celular
  5. Preencha investigador, número da evidência, proprietário — entra automaticamente no relatório
  6. Escolha escopo: Whole File System ou tipos específicos
  7. Acompanhe o dump; ao final confira o hash gerado automaticamente do arquivo .med
  8. Gere o relatório em Report, revisando antes de exportar

iOS bloqueado — via lockdown file

  1. Localize o lockdown file salvo no computador já pareado com o iPhone
  2. No assistente, importe o lockdown file em vez de conectar direto
  3. Prossiga com a extração mesmo sem digitar o código de bloqueio
  4. Documente no relatório que o método usado foi via lockdown file

Smart Screenshots (Android, sem interação no aparelho)

Captura automática de conversas de apps com segurança reforçada (Instagram, Signal, Telegram, WhatsApp, Skype, Viber, Slack) quando a extração de banco bruto está bloqueada.

Auditoria: exija sempre método usado, versão do software, e hash do .med no relatório final — mesmo critério aplicado a laudos Cellebrite.

9. Leitura complementar explicada

NIST SP 800-86

Em uma frase: manual do governo americano sobre como aplicar técnica forense dentro de resposta a incidente — coletar sem destruir a prova.

  1. Coletar — mapeie todas as fontes antes de tocar em qualquer uma
  2. Preservar — hash de cada fonte assim que adquirida
  3. Examinar — processo repetível, com ferramenta e versão documentadas
  4. Analisar — interpretação só depois do exame técnico
  5. Reportar — relatório expõe a metodologia, não só a conclusão

Ao revisar laudo pericial, confira se essas cinco etapas aparecem separadas — mistura de coleta com conclusão sem processo intermediário é brecha metodológica.

SWGDE Best Practices for Digital Evidence

Em uma frase: diretrizes escritas por peritos reais sobre como manusear evidência digital do início ao fim — parâmetro objetivo para medir se o laudo oficial seguiu o padrão da própria comunidade forense.

  1. Fotografe o estado original antes de tocar no dispositivo
  2. Isole o dispositivo (modo avião/Faraday) contra alteração remota
  3. Priorize o método menos invasivo que atenda ao objetivo
  4. Verificação dupla de hash — na aquisição e antes da análise
  5. Documentação contínua de cada ação sobre a evidência
  6. Revisão por pares antes de fechar o relatório final

Pergunte sempre se houve revisão por pares no laudo — sua ausência já é ponto legítimo de questionamento técnico.

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