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Como proteger seus dados após uma separação | Blog oficial da Kaspersky

O fim de um relacionamento é uma grande ruptura: daquelas que viram a vida de cabeça para baixo. A rotina familiar, em que duas pessoas compartilhavam interesses, momentos e, muitas vezes, até o mesmo espaço físico, desmorona de repente, deixando cada uma em seu próprio mundo.

Além disso, os casais não estão conectados apenas na vida real, mas também digitalmente. Assinaturas compartilhadas, endereços e senhas salvos, acesso a armazenamentos conjuntos na nuvem, tudo isso fazia parte do dia a dia. Superar emocionalmente o término pode levar bastante tempo, mas há medidas que você pode tomar desde já para reforçar sua segurança, mesmo que não ajudem a superar seu ex-parceiro.

Veja o que vale a pena verificar após uma separação, quais serviços devem ser desvinculados e por que isso é importante, mesmo quando o término acontece de forma amigável.

Higiene digital: seu seguro contra problemas

Revogar o acesso do seu ex-parceiro às suas contas online não é paranoia, é uma forma de proteger sua própria segurança. Uma separação não rompe automaticamente os vínculos digitais: todo acesso concedido durante o relacionamento continua ativo até que alguém o revogue manualmente. Na maioria das vezes, ninguém pretende explorar esse acesso de forma maliciosa. Ainda assim, ele pode resultar em situações constrangedoras ou até em um risco real de rastreamento.

Foi o que aconteceu com Aleta Dignard-Fung, de Las Vegas, que contou à NPR que, após terminar com o namorado, nem lhe ocorreu que ele ainda sabia sua senha do Spotify. Um dia, enquanto tomava banho ouvindo música, ela percebeu que sua playlist havia mudado de repente. O ex-parceiro tinha acessado a conta em outro dispositivo e estava reproduzindo as músicas que ele havia escolhido. “Foi como uma guerra no Spotify. Passamos uns 10 minutos tentando sobrescrever as músicas um do outro”, contou. Mas as consequências nem sempre são tão inofensivas.

Nessa mesma entrevista, a consultora de relacionamentos Susan Winter relatou um caso de sua própria prática profissional. Um de seus clientes simplesmente não conseguia superar a ex-namorada após o término. Os dois compartilhavam uma conta no OpenTable, serviço de reservas em restaurantes, e ela nunca revogou o acesso dele à conta. Ele passou a acompanhar todas as reservas feitas por ela: para onde ela iria, em que horário e para quantas pessoas. Era assim que ele acompanhava se havia alguém novo na vida dela.

Embora revelem comportamentos bastante diferentes por parte dos ex-parceiros, essas duas histórias têm a mesma origem: contas que nunca foram devidamente bloqueadas após o término. No primeiro caso, isso gerou uma situação constrangedora. No segundo, provocou ansiedade e uma sensação real de estar sendo observada. Para evitar que qualquer um desses cenários aconteça com você, vale a pena seguir uma lista de verificação simples.

Encerre as sessões do seu ex-parceiro

Nas configurações das suas redes sociais, aplicativos de mensagens, e-mail e outros serviços importantes, abra a lista de sessões ativas e encerre todas, exceto as dos dispositivos que você utiliza atualmente.

Redefina suas senhas

Atualize as senhas de todas as contas importantes que seu parceiro possa ter conhecido, por exemplo, caso você utilizasse uma data significativa como senha. Se você reutilizava a mesma senha em vários serviços, redefina-a em todos eles. Aproveite também para revisar as perguntas de segurança e o e-mail ou número de telefone de recuperação da conta, garantindo que nenhum deles ainda esteja vinculado ao seu ex-parceiro. Para evitar o trabalho de memorizar novas credenciais e, ao mesmo tempo, aumentar sua segurança, recomendamos usar um gerenciador de senhas, que gera uma senha forte e exclusiva para cada conta, além de armazená-las e sincronizá-las em todos os seus dispositivos. Assim, você só precisa se lembrar de uma única senha principal.

Verifique a autenticação de dois fatores e os dispositivos confiáveis

Assegure-se de que os códigos de verificação sejam enviados somente para o seu dispositivo. Remova os dispositivos do seu ex-parceiro da lista de dispositivos confiáveis. Você pode fazer isso nas configurações da sua conta Apple ou Google.

Desvincule contas Apple e Google compartilhadas

Se vocês compartilhavam uma conta Apple ou Google, desconecte-se dessa conta. Desative o Compartilhamento Familiar, o iCloud e os backups. Verifique também os álbuns de fotos compartilhados: tudo o que for adicionado automaticamente a eles também poderá ser visto pelo seu ex-parceiro.

Revise suas assinaturas

Se vocês compartilhavam assinaturas, como serviços de streaming ou planos familiares, cancele-as ou crie novas e vincule-as ao seu próprio cartão.

Verifique seus cartões bancários

Se o cartão do seu ex-parceiro estiver vinculado a uma conta de marketplace, aplicativo de entrega ou transporte por aplicativo que pertence a você, remova-o dos métodos de pagamento salvos. e o seu cartão estiver vinculado à conta da outra pessoa e você não tiver mais acesso a ela, a opção mais segura é solicitar a emissão de um novo cartão.

Revogue o acesso à sua casa inteligente

Revogue o acesso do seu ex-parceiro a câmeras, campainhas inteligentes com vídeo, rastreadores GPS e alto-falantes inteligentes. Se os dispositivos estiverem vinculados a uma conta compartilhada, redefina a senha ou transfira-os para sua conta pessoal.

Revise suas configurações de privacidade

erifique as configurações de privacidade das suas contas em diversos serviços e nas redes sociais usando nossa ferramenta online gratuita, Privacy Checker. Ela orienta você na configuração da privacidade de acordo com seu sistema operacional, plataforma e até mesmo seu navegador.

Se perceber sinais de perseguição

Procure organizações de apoio ou de assistência jurídica: elas podem ajudar você a definir o melhor curso de ação. Também vale a pena contar com o apoio de familiares e amigos próximos para enfrentar esse momento difícil. Em dispositivos Android, você pode usar nosso pacote de segurança com o recurso Quem está me espionando. Ele foi desenvolvido para ajudar a detectar rastreamento e perseguição, permitindo que você tome as medidas adequadas para se proteger. O recurso inclui:

  • Detecção de stalkerware. Identifica aplicativos criados para monitorar sua vida em segredo e coletar informações que você jamais gostaria de ver compartilhadas com outras pessoas.
  • Verificação de Dispositivo. Encontra rastreadores instalados de forma oculta que permitem que alguém acompanhe seus deslocamentos e saiba onde você está o tempo todo.
  • Controle de permissões. Mostra quais aplicativos têm acesso a permissões que podem facilitar a espionagem ou comprometer sua privacidade.

O que realmente pode ajudar, e o que pode piorar a situação durante esse momento tão difícil? Confira nossas outras postagens:

Quase metade de todas as senhas existentes podem ser quebradas em menos de um minuto | Blog oficial da Kaspersky

Todos os anos, centenas de milhões de senhas de usuários reais são vazadas na dark web. Analisamos 231 milhões de senhas exclusivas que foram vazadas na dark web entre 2023 e 2026, e as conclusões são sombrias: a grande maioria delas é extremamente fraca. Basta uma hora e alguns dólares no bolso para que um invasor quebre 60% dessas senhas. Além disso, a quebra de senhas vem crescendo a cada ano. No nosso estudo anterior, realizado em 2024, a porcentagem de senhas vulneráveis era menor.

Hoje, analisaremos o quanto as senhas comuns são seguras (spoiler: nem um pouco) e como você pode proteger seus dados e contas usando métodos mais robustos. Ao mesmo tempo, destacaremos os padrões mais comuns utilizados por usuários reais na criação das suas senhas.

Como as senhas são quebradas

Os métodos utilizados para armazenar e decifrar senhas já foram abordados em detalhes no nosso estudo anterior, mas faremos uma breve recapitulação dos pontos mais importantes.

Nos dias atuais, as senhas quase nunca são armazenadas em texto simples. Por exemplo, se você criar uma conta com a senha “Password123!”, o servidor não a armazenará desta forma. Em vez disso, a senha passa por um processo de hash usando algoritmos específicos, transformando-se em uma sequência de letras e números de comprimento fixo (um hash), que é o que realmente fica armazenado no servidor. O hash MD5 para “Password123!” se parece assim:

2c103f2c4ed1e59c0b4e2e01821770fa.

Cada vez que o usuário insere sua senha, ela é convertida em um hash e comparada com o hash que está armazenado no servidor; se eles corresponderem, a senha está correta. Se um invasor colocar as mãos nesse hash, ele precisará quebrá-lo para recuperar a senha original, em um processo conhecido como “quebra de senha”. Isso normalmente é feito usando GPUs próprias ou alugadas, e vários métodos podem ser empregados na execução:

  • Enumeração exaustiva (força bruta). O computador tenta todas as combinações possíveis de caracteres, calculando um hash para cada uma delas. Esse é o método mais fácil para quebrar senhas curtas ou compostas por um único conjunto de caracteres (como apenas dígitos).
  • Tabelas arco-íris. Esse método é um pesadelo para quem usa senhas simples. Trata-se basicamente de uma “lista telefônica” de hashes já quebrados por força bruta ou algoritmos inteligentes. Tudo o que um invasor precisa fazer é encontrar um hash correspondente e ver qual senha corresponde a ele.
  • Quebra inteligente. Esses algoritmos são treinados com base em bancos de dados de senhas vazadas. Eles entendem a frequência de diferentes combinações de caracteres e fazem as verificações das sequências mais prováveis para as menos comuns. Os algoritmos consideram palavras do dicionário e substituições de caracteres (a → @ ou s → $), bem como estruturas de senhas comuns, como “palavra do dicionário + número + caractere especial”, enquanto verificam hashes em relação às tabelas arco-íris. A combinação desses métodos acelera bastante o processo de quebra de senhas.

Além desses métodos, os invasores também conseguem interceptar senhas em texto simples. Existem várias maneiras de fazer isso: phishing (em que uma vítima é atraída para uma página da Web falsa e insere sua senha), keyloggers que detectam teclas pressionadas, malwares de roubo de dados, cavalos de Troia capazes de acessar documentos, cookies, dados da área de transferência e muito mais. Infelizmente, muitos usuários armazenam suas senhas em formato de texto simples em anotações, aplicativos de mensagens e documentos, ou as salvam em navegadores onde invasores podem extraí-las em segundos.

Todos os anos, detectamos cerca de cem milhões de vazamentos de senhas em formato de texto simples. Usamos esses bancos de dados para avisar os usuários do [placeholder KPM] caso seus dados tenham sido comprometidos. Eles nos perguntam com frequência se conhecemos suas senhas. E a resposta é: não. Já explicamos em linguagem não técnica como comparamos suas senhas com senhas vazadas sem precisar conhecê-las (nem as senhas armazenadas no [placeholder KPM] nem mesmo seus hashes saem do seu dispositivo) nas visões gerais da nossa tecnologia de análise de vazamentos e na arquitetura interna do nosso gerenciador de senhas. Dê uma olhada neles. Você ficará surpreso com a elegância do processo.

60% das senhas são quebradas em menos de uma hora

Adicionamos 38 milhões de senhas reais divulgadas por invasores em fóruns da dark web ao banco de dados do nosso estudo anterior e comparamos os resultados. O teste foi realizado usando uma única GPU RTX 5090 para senhas com hash gerado pelo algoritmo MD5. Os dados utilizados na análise foram obtidos do nosso serviço Digital Footprint Intelligence . Você pode consultar o algoritmo que usamos para avaliar a força das senhas em nosso artigo na Securelist.

Infelizmente, as senhas continuam fracas, e fica cada vez mais fácil e rápido quebrá-las. Hoje, 60% das senhas podem ser quebradas em menos de uma hora. Há dois anos, essa porcentagem era de 59%. Mas o fato mais alarmante é este: quase metade de todas as senhas (48%) são quebradas em menos de um minuto!

Tempo para decifrar Porcentagem de senhas que podiam ser quebradas neste período em 2024 Porcentagem de senhas que podiam ser quebradas neste período nos dias de hoje
Menos de um minuto 45% 48%
Menos de uma hora 59% (+14%) 60% (+12%)
Menos de 24 horas 67% (+8%) 68% (+ 8%)
Menos de um mês 73% (+6%) 74% (+6%)
Menos de um ano 77% (+4%) 77% (+3%)
Mais de um ano 23% 23%

Tempo para quebrar uma senha: dois anos atrás e hoje

Esse aumento na velocidade ocorreu devido aos processadores gráficos, que se tornam mais poderosos a cada ano. Enquanto uma RTX 4090 em 2024 atingia uma velocidade de 164 gigahashes (bilhões de hashes) por segundo em ataques de força bruta contra hashes MD5, a nova RTX 5090 aumentou essa taxa em 34%, chegando a 220 gigahashes por segundo.

E embora uma placa de vídeo de alta tecnologia como essa possa ser encontrada à venda no varejo por milhares de dólares, o preço não representa um grande empecilho: há muitos serviços em nuvem baratos que permitem alugar o poder de computação de uma GPU. Dependendo da configuração e do modelo, os custos de aluguel variam de alguns centavos a alguns dólares por hora. Como vimos, uma hora é tudo o que um invasor precisa para quebrar três de cada cinco senhas encontradas em um vazamento. Além disso, dependendo da escala da tarefa, é possível alugar dez ou até cem GPUs em vez de apenas uma…

É interessante notar que quebrar todas as senhas de um conjunto de dados leva quase o mesmo tempo que quebrar apenas uma. Durante cada iteração, depois que o invasor calcula um hash para uma combinação de caracteres específica, ele verifica se esse mesmo hash existe em algum lugar no conjunto de dados. Quanto maior é o conjunto, mais fácil é encontrar uma correspondência. Se uma correspondência for encontrada, a senha correspondente será marcada como “quebrada”, e o algoritmo seguirá para a próxima.

Quais senhas são vulneráveis?

A força de qualquer senha depende do seu comprimento, da variedade do conteúdo e da aleatoriedade desse conteúdo. As senhas criadas por humanos acabam sendo as menos seguras, já que, infelizmente, somos bastante previsíveis. As pessoas usam palavras do dicionário e combinações de caracteres que já foram dominadas pelos algoritmos inteligentes e evitam usar sequências longas e aleatórias de caracteres. Além disso, muitas não sabem que é possível detectar padrões em sequências que aparentam ser aleatórias. O curioso é que senhas geradas por IA ainda carregam traços de uma abordagem humana. Falamos sobre isso em outro post sobre como criar uma senha forte e memorável.

Quase metade de todas as senhas existentes podem ser quebradas em menos de um minuto

Porcentagem de senhas de diferentes comprimentos que podem ser quebradas em um determinado período

O comprimento de uma senha é o principal fator que afeta o tempo que ela leva para ser decifrada. Como você pode ver na tabela abaixo, leva menos de 24 horas para quebrar quase todas as senhas de oito caracteres.

Porcentagem de senhas de diferentes comprimentos que podem ser quebradas em um determinado períodoMas a previsibilidade de uma senha também importa. Você acha que sua senha se torna mais segura ao adicionar um número ou um caractere especial a uma palavra fácil de lembrar? A resposta é sim, mas nem tanto. Os padrões usados pelas pessoas para criar senhas são fáceis de prever e, às vezes, até divertidos, embora isso não tenha graça nenhuma.

O que aprendemos sobre padrões de senhas

Uma análise de mais de 200 milhões de senhas revelou padrões característicos que permitem que algoritmos inteligentes quebrem senhas com facilidade.

Escolha um número

Mais da metade de todas as senhas (53%) terminam com um ou mais dígitos, enquanto quase uma em cada seis (17%) começa com um número. Uma em cada oito (12%) contém sequências que parecem anos, variando de 1950 a 2030, e uma em cada 10 (10%) contém anos entre 1990 e 2026. É provável que isso aconteça porque as pessoas utilizam seu ano de nascimento (ou de alguém que elas conhecem), algum outro ano significativo ou o ano em que criaram a senha ou a conta. Curiosidade: a distribuição dessas datas sugere que os usuários mais ativos na Internet nasceram entre 2000 e 2012.

No entanto, entre todas as combinações numéricas, a mais popular é “1234”, como você já deve ter adivinhado. No geral, padrões com sequências de teclas do teclado (“qwerty”, “ytrewq” e similares) aparecem em 3% das senhas.

Caracteres especiais não são garantia de segurança

A maioria das políticas de senha nos últimos anos exige o uso de pelo menos um caractere especial. O vencedor absoluto desta categoria é o símbolo @: ele aparece em uma em cada 10 senhas. O ponto (.) aparece em segundo lugar, seguido do ponto de exclamação (!) em terceiro.

O amor governa o mundo… e o Skibidi Toilet também

Palavras carregadas de emoção costumam servir de base para senhas, e as positivas são as mais comuns. Alguns dos termos mais usados são “love” (“amor”), “angel” (“anjo”), “team” (“equipe”), “mate” (“amigo”), “life” (“vida”) e “star” (“estrela”). Dito isto, a negatividade também se faz presente, principalmente na forma de palavrões comuns em inglês.

É curioso notar que memes virais também são usados em senhas. Entre 2023 e 2026, o uso da palavra Skibidi aumentou 36 vezes! Naturalmente (veja o link se isso não parecer tão natural assim), a palavra “toilet” também ganhou popularidade, embora em menor escala.

Os usuários tendem a manter as senhas inalteradas por anos

Mais da metade das senhas (54%) que identificamos em vazamentos recentes já haviam aparecido antes. Uma das explicações para isso é a migração dos mesmos dados de um conjunto de dados para outro. No entanto, há uma explicação muito mais preocupante: muitos usuários usam a mesma senha durante anos.

A análise das datas encontradas nas senhas mostra que as combinações que contêm os anos de 2020 a 2024 permanecem populares. Parece que as pessoas adicionam o ano atual à senha quando a criam e depois esquecem dela por vários anos. Isso torna possível calcular a vida útil média de uma senha: de três a cinco anos.

Essa é uma tendência perigosa. Primeiro, porque os algoritmos inteligentes conseguem decifrar senhas muito mais complexas nesse período de tempo. E, em segundo lugar, quanto mais tempo sua senha permanecer inalterada, maior será a probabilidade de ela vazar, seja por meio de uma violação, infecção por malware ou ataque de phishing.

A situação fica ainda pior quando a mesma senha é usada em várias contas. Nesse caso, os invasores nem precisam quebrar nada: basta encontrar sua senha em um único vazamento e usá-la em outros sites.

Como proteger suas senhas e contas

Se, ao ler esta postagem, você percebeu que suas senhas podem ser facilmente quebradas, não entre em pânico. Fizemos uma lista de dicas simples, mas essenciais, para você seguir.

Use um gerenciador de senhas

As senhas mais fracas são as criadas por humanos. Criar e memorizar centenas de sequências aleatórias de 16 a 20 caracteres (já que cada site exige uma senha longa e exclusiva) é uma tarefa difícil e pouco realista.

É por isso que você deve delegar a geração e o armazenamento das suas senhas ao nosso gerenciador de senhas. Além de criar e armazenar senhas complexas e aleatórias em um formato criptografado, ele também as sincroniza em todos os seus dispositivos. Para descriptografar seu cofre, basta lembrar de uma senha principal que só você conhece: nosso guia sobre senhas mnemônicas pode ajudar com isso.

Não armazene senhas em formato de texto simples

Faça o que fizer, nunca anote senhas em arquivos, mensagens ou documentos. Esses recursos não contam com a criptografia robusta oferecida por um gerenciador de senhas. Além disso, esse tipo de anotação cai instantaneamente nas mãos de invasores caso você seja infectado por um cavalo de Troia ou um infostealer.

Não armazene senhas no navegador

Muitos usuários salvam suas senhas nos navegadores, especialmente porque eles oferecem essa opção automaticamente. Porém, estudos mostram que os malwares evoluíram para extrair essas senhas de todos os navegadores populares quase instantaneamente. O KPM pode ajudar você a importar senhas salvas do seu navegador favorito: basta seguir nosso guia simples de três etapas. Mais importante ainda, não se esqueça de limpar o gerenciador de senhas do navegador assim que a importação for concluída.

Prefira usar chaves de acesso

Sempre que possível, use chaves de acesso uma alternativa criptográfica às senhas. Nesta configuração, o serviço armazena uma chave pública, enquanto a chave privada permanece no seu dispositivo e nunca é transmitida. Durante o login, o dispositivo apenas assina uma solicitação única. Além disso, as chaves de acesso estão vinculadas a um domínio específico, o que significa que ataques de phishing com endereços falsificados não funcionarão. O KPM permite armazenar senhas e chaves de acesso, resolvendo o problema da sincronização entre diferentes ecossistemas, incluindo Windows, Android, macOS e iOS.

Configure a autenticação de dois fatores

Ative a autenticação de dois fatores sempre que possível. Mesmo que sua senha tenha sido comprometida, uma configuração de 2FA bem implementada torna extremamente difícil que um invasor acesse sua conta. Para garantir a máxima segurança, prefira aplicativos autenticadores a códigos únicos enviados via SMS. E sim, o KPM também é útil neste caso.

Pratique uma boa higiene digital

Lembre-se: armazenar suas senhas corretamente é apenas metade do caminho. É essencial seguir boas práticas de higiene digital: evite baixar arquivos não verificados, softwares piratas, cheats ou cracks e não clique em links suspeitos. O número de ataques com infostealers tem aumentado de forma consistente nos últimos anos, o que significa que você precisa de uma solução de segurança robusta para garantir proteção total. Recomendamos o Kaspersky Premium, pois ele protege todos os seus dispositivos contra cavalos de Troia, phishing e outras ameaças. Além disso, a assinatura inclui o nosso gerenciador de senhas.

Se você leva a sério a segurança das suas contas, confira nossas postagens sobre senhas, chaves de acesso e autenticação de dois fatores:

Os aplicativos de saúde mental estão vazando seus pensamentos mais íntimos. Como você lida com a sua segurança? | Blog oficial da Kaspersky

Em fevereiro de 2026, a empresa de segurança cibernética Oversecured publicou um relatório que faz com que você queira redefinir o telefone para o padrão de fábrica e se mudar para uma cabana remota na floresta. Os pesquisadores fizeram uma auditoria em 10 aplicativos populares de saúde mental para Android, desde aplicativos de acompanhamento de humor e terapeutas de IA até ferramentas para gerenciar depressão e ansiedade, e descobriram 1.575 vulnerabilidades! Cinquenta e quatro dessas falhas foram classificadas como críticas. Dadas as estatísticas de download desses aplicativos no Google Play, é provável que 15 milhões de pessoas sejam afetadas. Quer saber qual é a ironia? Seis dos dez aplicativos testados fizeram promessas explícitas aos usuários de que seus dados estavam “totalmente criptografados e protegidos”.

Vamos analisar esses escandalosos “vazamentos de dados mentais”: o que exatamente pode vazar, como isso acontece e por que o “anonimato” nesses serviços geralmente não passa de um mito.

O que foi encontrado nos aplicativos

A Oversecured é uma empresa de segurança de aplicativos móveis que usa um verificador especializado para analisar arquivos APK em busca de padrões de vulnerabilidade conhecidos em dezenas de categorias. Em janeiro de 2026, alguns pesquisadores analisaram dez aplicativos de monitoramento de saúde mental do Google Play por meio do verificador, e os resultados foram, digamos, “espetaculares”.

Tipo de aplicativo Instalações Vulnerabilidades de segurança
Gravidade alta Gravidade média Gravidade baixa Total
Rastreador de humor e hábitos Mais de 10 milhões 1 147 189 337
Chatbot de terapia de IA Mais de 1 milhão 23 63 169 255
Plataforma de saúde emocional de IA Mais de 1 milhão 13 124 78 215
Rastreador de saúde e sintomas Mais de 500 mil 7 31 173 211
Ferramenta de gerenciamento da depressão Mais de 100 mil 0 66 91 157
Aplicativo de ansiedade baseado em TCC Mais de 500 mil 3 45 62 110
Terapia on-line e comunidade de apoio Mais de 1 milhão 7 20 71 98
Autoajuda para ansiedade e fobia Mais de 50 mil 0 15 54 69
Gerenciamento de estresse militar Mais de 50 mil 0 12 50 62
Chatbot AI CBT Mais de 500 mil 0 15 46 61
Total Mais de 14,7 milhões 54 538 983 1575

Vulnerabilidades encontradas nos 10 aplicativos de saúde mental testados. Fonte

A anatomia das falhas

As vulnerabilidades descobertas são diversas, mas seu propósito é o mesmo: dar aos invasores acesso a dados que deveriam estar trancados a sete chaves.

Para começar, uma das vulnerabilidades permite que um invasor acesse quaisquer atividades internas do aplicativo, inclusive aquelas que deveriam ser sigilosas. Isso permite o sequestro de tokens de autenticação e dados de sessão do usuário. Uma vez que um invasor obtiver essas informações, ele poderá acessar os registros de terapia de um usuário.

Outro problema é o armazenamento de dados local inseguro, com permissões de leitura concedidas a qualquer outro aplicativo no dispositivo. Em outras palavras, aplicativos aleatórios no seu telefone, como a lanterna ou a calculadora, poderiam ler seus registros de terapia cognitivo-comportamental (TCC), notas pessoais e avaliações de humor.

Os pesquisadores também encontraram dados de configuração não criptografados inseridos diretamente nos arquivos de instalação do APK. Isso inclui endpoints da API de back-end e URLs codificadas para bancos de dados do Firebase.

Além disso, foi identificado que vários aplicativos usam a classe java.util.Random, conhecida por ter uma criptografia fraca, para gerar tokens de sessão e chaves de criptografia.

Por fim, a maioria dos aplicativos testados não tinha detecção de root/jailbreak. Em um dispositivo com root, qualquer aplicativo de terceiros com privilégios de root pode obter acesso total a cada bit dos dados médicos armazenados localmente.

É de se espantar que, dos 10 aplicativos analisados, apenas quatro receberam atualizações em fevereiro de 2026. O restante não viu um patch desde novembro de 2025 e há um aplicativo que não foi atualizado desde setembro de 2024. Passar 18 meses sem um patch de segurança é considerado um longo tempo nesse setor, especialmente para um aplicativo que contém diários de humor, transcrições de terapia e horários de ingestão de medicamentos.

Aqui está um rápido lembrete do perigo do uso indevido desse tipo de dados. Em 2024, o mundo da tecnologia foi abalado por um ataque sofisticado ao XZ Utils, um componente crítico encontrado em praticamente todos os sistemas operacionais baseados no kernel Linux. O invasor conseguiu convencer o responsável pelo projeto a entregar as permissões de alteração de códigos, aproveitando-se da sua admissão pública de cansaço extremo e falta de motivação para manter o projeto. Se o ataque tivesse sido concluído, o dano teria sido inimaginável, uma vez que cerca de 80% dos servidores do mundo executam o Linux.

O que pode vazar?

O que esses aplicativos coletam e armazenam? É o tipo de coisa que você provavelmente só compartilharia com um médico de confiança: transcrições de sessões de terapia, registros de humor, horários de medicação, indicadores de automutilação, notas de TCC e várias escalas de avaliação clínica.

Em 2021, registros médicos completos eram vendidos na dark web por US$ 1,000 cada. Para efeito de comparação, um número de cartão de crédito roubado custa entre US$ 5 e US$ 30. Os registros médicos contêm um pacote de identidade completo: nome, endereço, informações do seguro e histórico de diagnóstico. Ao contrário de um cartão de crédito, não há como “reemitir” um histórico médico. Além disso, todos sabem que a fraude médica é difícil de detectar. Embora um banco consiga detectar uma transação suspeita em horas, um pedido de seguro fraudulento para um tratamento inexistente pode passar despercebido por anos.

Já vimos este filme antes

O estudo da Oversecured não é apenas uma história de terror isolada.

Em 2020, Julius Kivimäki invadiu o banco de dados da clínica de psicoterapia finlandesa Vastaamo, acessando os registros de 33 mil pacientes. Quando a clínica se recusou a desembolsar um resgate de 400 mil euros, Kivimäki passou a enviar ameaças diretas aos pacientes: “Pague 200 euros em Bitcoin dentro de 24 horas, ou então seus registros se tornarão públicos.” Por fim, ele acabou vazando todo o banco de dados na dark web. Pelo menos duas pessoas se suicidaram, fazendo com que a clínica fosse forçada a declarar falência. Kivimäki acabou sendo condenado a seis anos e três meses de prisão, tornando este um julgamento recorde na Finlândia devido ao grande número de vítimas envolvidas.

Em 2023, a Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) aplicou uma multa de US$ 7,8 milhões à BetterHelp, uma empresa gigante de terapia on-line. Apesar de declarar na sua página de inscrição que os dados dos usuários eram estritamente confidenciais, a empresa foi pega repassando suas informações (incluindo respostas a questionários de saúde mental, e-mails e endereços IP) ao Facebook, Snapchat, Criteo e Pinterest para fins de publicidade direcionada. Depois que a poeira baixou, 800 mil usuários afetados receberam um total geral de US$ 10 cada como compensação.

Em 2024, a FTC voltou sua atenção à empresa de telessaúde Cerebral, multando-a em US$ 7 milhões. Por meio de pixels de rastreamento, a Cerebral vazou os dados de 3,2 milhões de usuários para o LinkedIn, Snapchat e TikTok. O vazamento incluía nomes, históricos médicos, prescrições de medicamentos, datas de consultas e informações de seguro. Quer saber o que é pior? A empresa enviou cartões-postais promocionais (sem envelopes) para 6 mil pacientes, revelando que os destinatários estavam em tratamento psiquiátrico.

Em setembro de 2024, o pesquisador de segurança Jeremiah Fowler descobriu que um banco de dados pertencente à Confidant Health, um provedor especializado na recuperação de vícios e serviços de saúde mental, havia sido exposto. O banco de dados continha gravações de áudio e vídeo de sessões de terapia, transcrições, anotações psiquiátricas, resultados de testes de drogas e até cópias de carteiras de motorista. No total, 5,3 terabytes de dados, 126.000 arquivos ou 1,7 milhão de registros podiam ser acessados sem senha.

Por que o anonimato é uma ilusão

Os desenvolvedores adoram a frase: “Nunca compartilhamos seus dados pessoais com ninguém”. Tecnicamente, isso pode ser verdade, já que, em vez disso, eles compartilham “perfis anônimos”. A pegadinha? Hoje é muito mais fácil descobrir a identidade real das pessoas por trás desses perfis. Pesquisas recentes revelaram que o uso de LLMs para eliminar o anonimato se tornou uma realidade rotineira.

Até mesmo o próprio processo de “anonimização” é muitas vezes uma bagunça. Um estudo da Duke University revelou que as corretoras de dados estão divulgando abertamente os dados de saúde mental dos americanos. Das 37 corretoras pesquisadas, 11 concordaram em vender dados vinculados a diagnósticos específicos (como depressão, ansiedade e transtorno bipolar), parâmetros demográficos e, em alguns casos, até nomes e endereços residenciais. Os preços começaram em US$ 275 para 5 mil registros agregados.

De acordo com a Fundação Mozilla, em 2023, 59% dos aplicativos populares de saúde mental falharam em atender até mesmo aos padrões de privacidade mais básicos e 40% se tornaram menos seguros do que no ano anterior. Esses aplicativos permitiam a criação de contas por meio de serviços de terceiros (como Google, Apple e Facebook), apresentavam políticas de privacidade suspeitas e resumidas que citavam de forma leviana as informações sobre a coleta de dados e continham uma pequena brecha inteligente: algumas políticas de privacidade se aplicavam estritamente ao site da empresa, mas não ao aplicativo em si. Em resumo, seus cliques no site estavam “protegidos”, mas suas ações dentro do aplicativo podiam ser monitoradas.

Como se proteger

Abolir totalmente esses aplicativos da sua vida é, obviamente, a opção mais infalível, mas não é a mais realista. Além disso, não há garantia de que você possa realmente destruir os dados já coletados, mesmo se excluir sua conta. Nós já falamos sobre o processo extenuante de remover suas informações dos bancos de dados das corretoras de dados; é possível, mas gera uma enorme dor de cabeça. Então, o que fazer para se manter seguro?

  • Verifique as permissões antes de clicar em “Instalar”. No Google Play, vá até Descrição de aplicativos → Sobre este aplicativo → Permissões. Um rastreador de humor não precisa solicitar acesso à sua câmera, microfone, contatos ou localização de GPS precisa. Se isso acontecer, ele não está preocupado com o seu bem-estar, mas sim coletando dados.
  • Faça um esforço e leia a política de privacidade. Nós sabemos que ninguém lê esses manifestos de várias páginas. Mas quando um serviço está espiando seus pensamentos mais íntimos, vale a pena dar uma olhada. Procure os sinais de alerta: a empresa compartilha dados com terceiros? Você consegue excluir manualmente seus registros? Está explícito que a política abrange o aplicativo em si ou ela cobre apenas o site? Você sempre pode inserir o texto da política em uma IA e solicitar que ela sinalize qualquer violação de privacidade.
  • Verifique a data da última atualização. Um aplicativo que não recebe uma atualização há mais de seis meses provavelmente é um terreno fértil para vulnerabilidades não corrigidas. Lembre-se: seis dos dez aplicativos testados pela Oversecured não eram atualizados há meses.
  • Desative tudo o que não é essencial nas configurações de privacidade do telefone. Sempre que solicitado, selecione “pedir para não rastrear”. Quando um aplicativo pede que você ative um tipo específico de acompanhamento alegando que é para fins de “otimização interna”, quase sempre é uma jogada de marketing e não uma necessidade funcional. No fim das contas, se o aplicativo realmente não funcionar sem uma determinada permissão, você sempre poderá ativá-la mais tarde.
  • Não use os serviços “Fazer login com…”. A autenticação por meio do Facebook, Apple, Google ou Microsoft cria identificadores adicionais e dá às empresas uma oportunidade de ouro para vincular seus dados em diferentes plataformas.
  • Trate tudo o que você digita como se fosse uma postagem em uma rede social. Se você não quer que um estranho aleatório na Internet leia o que você publica, provavelmente não deveria digitar informações em um aplicativo com mais de 150 vulnerabilidades que não recebe um patch desde o ano retrasado.

O que mais você deve saber sobre configurações de privacidade e controle dos seus dados pessoais on-line:

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