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Como o navegador Hola foi utilizado para espalhar um minerador da criptomoeda Monero | Blog oficial da Kaspersky

No início de junho, pesquisadores de segurança cibernética descobriram que uma versão do navegador Hola para Windows, desenvolvido em Israel (1.251.91.0), baixava um minerador da criptomoeda Monero nos dispositivos dos usuários sem que eles soubessem. Logo após a descoberta, a Hola confirmou que havia sido vítima de um ataque à cadeia de suprimentos. Neste artigo, contamos como o ataque ocorreu, como funciona o minerador e o que isso significa para os usuários afetados.

O que é o navegador Hola e como o malware foi descoberto?

A empresa israelense Hola é mais conhecida por sua VPN, usada por usuários para contornar restrições geográficas e acessar conteúdo bloqueado em determinadas regiões. Além da VPN, a empresa desenvolveu o navegador Hola, que é baseado em Chromium e traz uma VPN integrada, além de recursos de proxy.

Os primeiros sinais de problemas foram detectados pelos pesquisadores durante uma verificação de conformidade padrão para o programa AppEsteem Windows Certified Application. Como parte da certificação, empresas independentes de segurança cibernética auditam os softwares para garantir que contenham apenas os componentes declarados, sem recursos indesejados ou maliciosos. Mesmo após receberem um certificado, os aplicativos são reavaliados regularmente para garantir que continuem atendendo às rígidas diretrizes da AppEsteem.

Foi durante uma verificação de acompanhamento de rotina que os especialistas notaram um arquivo não autorizado agrupado à versão 1.251.91.0 do navegador Hola para Windows. Após a instalação, o arquivo era salvo automaticamente no disco rígido em C:\Program Files\Hola\me{.}exe. Os pesquisadores logo consideraram o arquivo não confiável por vários indícios suspeitos: ele não constava na lista de arquivos de aplicativos aprovados, não tinha carimbo de data/hora nem assinatura digital. Além disso, o código estava bastante ofuscado, sendo capaz de se injetar diretamente na memória do sistema.

Porém, os pesquisadores notaram que o arquivo não estava presente em todas as instalações. Como a infecção não atingiu todos os usuários, os especialistas logo suspeitaram que uma etapa específica do pipeline de distribuição do navegador Hola havia sido comprometida. A Hola acabou confirmando essa teoria, admitindo que foi vítima de um ataque à cadeia de suprimentos.

Quanto ao próprio arquivo me{.}exe suspeito, uma análise mais detalhada revelou que se tratava de um minerador de criptomoedas furtivo configurado para minerar Monero. Vamos agora analisar os detalhes técnicos de como tudo aconteceu.

Como os invasores usaram o navegador Hola para minerar o Monero?

Os mineradores de criptomoedas são programas que aproveitam o poder de processamento de um computador para minerar criptomoedas. Embora alguns usuários instalem esses softwares voluntariamente, mineradores executados em uma máquina sem o conhecimento do proprietário são considerados indesejados.

A execução de um minerador oculto pode deixar um dispositivo muito mais lento, aumentar a conta de eletricidade do usuário e reduzir a vida útil do hardware. Dito isto, vale notar que a infecção de um dispositivo por um minerador não significa que as criptomoedas do proprietário serão roubadas; o dano limita-se ao consumo dos recursos de hardware, utilizados pelos invasores para obter ganho financeiro.

Conforme mencionado acima, o download malicioso incluído no navegador Hola inseriu um minerador da criptomoeda Monero nos dispositivos das vítimas. Lançado em 2014 e baseado no protocolo CryptoNote, o Monero atualmente é negociado a cerca de US$ 330 por unidade.

Comparado a moedas mais conhecidas, como Bitcoin ou Ethereum, o Monero é mais exótico e menos conhecido pelo público geral. Esse status de nicho reflete-se no aumento relativamente modesto do seu preço e em uma menor capitalização de mercado, sendo quase 200 vezes menor que a do Bitcoin. No entanto, o Monero tem um benefício que o destaca: a privacidade. Enquanto o Bitcoin e o Ethereum operam em blockchains públicas e transparentes, onde qualquer pessoa pode rastrear as transações, o Monero é uma “moeda de privacidade”. Ele usa mecanismos criptográficos avançados para ocultar o remetente, o destinatário e o valor da transação. Esse anonimato extremo é exatamente o motivo pelo qual os hackers preferem os mineradores ocultos de Monero, pois eles dificultam o rastreamento das transações por autoridades e profissionais de segurança cibernética.

Além disso, o algoritmo do Monero foi projetado para usar CPUs padrão de forma eficiente na mineração. Isso contrasta fortemente com muitas outras criptomoedas populares, que exigem hardware ASIC especializado ou GPUs de ponta para gerar lucro.

Mas vamos analisar melhor o caso do navegador Hola. Ao analisar o código me{.}exe malicioso, os pesquisadores descobriram que ele estava adicionando automaticamente seus próprios arquivos à lista de exclusão do Microsoft Defender. Ao entrar na lista de permissões, o malware contornou o antivírus do Windows, permitindo a execução do minerador de criptomoedas em segundo plano sem qualquer impedimento.

Então, o programa fez uma cópia de si mesmo sob o nome HolaMonitorService{.}exe e configurou um serviço persistente do Windows em segundo plano chamado hola_monitor_svc. Essa manobra permitiu que o malware se instalasse no sistema, sendo iniciado automaticamente sempre que o computador era reiniciado. Para evitar suspeitas por quedas de desempenho, o minerador permanecia inativo e era acionado apenas quando o computador estava ocioso.

Como proteger seu dispositivo contra mineradores de criptomoedas e malware

Felizmente, a equipe de desenvolvedores da Hola agiu rápido após a detecção do arquivo suspeito. Eles confirmaram a violação da cadeia de suprimentos, mas afirmaram que apenas 0,1% dos usuários foram afetados. Desde então, a empresa reforçou a segurança em torno do pipeline de distribuição de atualizações para garantir que os usuários recebam apenas componentes de software aprovados, certificados e contendo assinatura digital no futuro.

Devido a esse incidente, recomendamos que todos os usuários do navegador Hola o atualizem para a versão mais recente, especialmente aqueles que executam o aplicativo no Windows.

Essa situação é um exemplo clássico de por que é tão importante manter todos softwares atualizados e executar uma Home Security solução robusta de segurança cibernética em todos os seus gadgets. Por exemplo, o Kaspersky Premium fornece alertas em tempo real sobre comportamento suspeito de software e faz o bloqueio instantâneo de ameaças. Como um bônus adicional, a assinatura do Kaspersky Premium inclui uma VPN segura e confiável.

Lembre-se de que mineradores maliciosos de criptomoedas também atacam smartphones, disfarçando-se muitas vezes de jogos populares e até de aplicativos oficiais de serviços governamentais. Confira nossas postagens anteriores para saber mais:

Jogos hentai com uma reviravolta perversa | Blog oficial da Kaspersky

Em abril de 2026, descobrimos uma nova campanha destinada a usuários de jogos hentai. Os invasores estão incorporando um cavalo de Troia de acesso remoto chamado Argamal nos instaladores do jogo. Enquanto oculta sua presença, ele pode controlar remotamente o computador e roubar arquivos e dados pessoais.

Veja como evitar ser vítima desse novo cavalo de Troia e como desfrutar de forma segura e anônima de conteúdo picante com (ou sem) garotas de anime.

Como os computadores são infectados com o Argamal

A maioria dos jogos infectados é distribuída em sites de jogos para adultos e de torrent. Em alguns casos, eles são postados para download em serviços de compartilhamento de arquivos e vinculados em sites de jogos.

Jogo hentai trojanizado Sleeping Twins hospedado no AniRena

Exemplo de jogo trojanizado hospedado no rastreador de torrents AniRena

Curiosamente, em vez de encontrar um arquivo fictício dentro do arquivo compactado, como costuma acontecer, o usuário recebe o jogo real, construído em engines populares como RenPy ou RPG Maker. As versões piratas infectadas geralmente acabam sendo fraudes: os jogos não são iniciados, as pastas estão cheias de arquivos com extensões bizarras, tornando bastante fácil deduzir do que se trata. Aqui, no entanto, o usuário obtém a jogabilidade real que esperava. Enquanto isso, o cavalo de Troia entra e mantém um perfil completamente discreto.

Site malicioso com uma biblioteca de jogos hentai trojanizados

Em alguns casos, os invasores hospedam uma biblioteca de jogos trojanizados em seu próprio site. As vítimas, então, baixam os jogos infectados por meio de um serviço de compartilhamento de arquivos gratuito

Junto com os arquivos legítimos no arquivo compactado, está uma DLL essencial para o funcionamento do jogo, mas ela foi adulterada: assim que o usuário inicia o jogo, a DLL infectada é carregada automaticamente na memória. Não há sinais externos de infecção: nem um instalador aparecendo em segundo plano, nem uma janela assustadora ou solicitação para que você desative o antivírus.

O Argamal age com muita cautela: em vez de se apressar imediatamente para roubar arquivos e senhas ou fazer uma bagunça digital em seu computador, o cavalo de Troia primeiro verifica se está sendo executado em uma máquina virtual ou sandbox e, em seguida, entra no modo de espera.

Durante esse período, o malware grava parâmetros ocultos no sistema, oculta os caminhos para suas DLLs e atrasa sua própria execução. Três dias depois, o computador se conecta ao GitHub, baixa um arquivo criptografado, o descriptografa e o transforma em um módulo de cavalo de Troia funcional.

Para garantir a persistência, os invasores registram o malware na tarefa do sistema WindowsColorSystem Calibration Loader, um recurso interno do Windows que é acionado a cada login do usuário para carregar perfis de cores do monitor. Antes de desligar, o malware exclui arquivos temporários e cobre seus rastros para dificultar ainda mais a detecção.

O que torna Argamal perigoso?

O Argamal é um Trojan de acesso remoto (RAT), o que significa que os invasores podem usá-lo para controlar remotamente o computador da vítima. Aqui está apenas uma pequena lista do que isso pode implicar:

  • Executar comandos arbitrários no computador
  • Baixar e executar arquivos
  • Verificar se um antivírus está instalado no PC (a propósito, nossa solução de segurança detecta e neutraliza o Argamal antes que ele possa prejudicar você)
  • Procurar e exfiltrar dados confidenciais de arquivos e configurações do sistema
  • Fazer capturas de tela e transmitir vídeo do dispositivo
  • Enviar dados ao servidor do invasor
  • Monitorar a atividade do usuário
  • Desligar ou reiniciar o dispositivo

Essencialmente, o computador infectado se transforma em uma máquina controlada remotamente. O proprietário pode continuar tranquilamente seu dia, sem saber que o dispositivo foi comprometido. No entanto, as consequências dessa infecção podem ser devastadoras.

Por exemplo, uma única senha roubada de uma nota de texto pode levar a várias contas comprometidas de uma só vez se a vítima reutilizar as mesmas credenciais em sites diferentes. É por isso que recomendamos armazenar senhas fortes e exclusivas no cofre criptografado de um gerenciador de senhas em vez de arquivos de texto simples.

Além de sequestrar contas, o cavalo de Troia permite que os invasores literalmente espionem o usuário, lendo seus bate-papos, vasculhando arquivos secretos, estudando suas preferências sexuais… Os cibercriminosos podem, então, usar essas informações altamente confidenciais para ataques subsequentes, chantagem e extorsão. Em uma postagem anterior, já falamos sobre o que fazer se você for alvo de chantagistas.

Outro cenário comum envolve roubar ou substituir em silêncio dados financeiros, por exemplo, interceptar credenciais de aplicativos bancários ou substituir endereços de carteiras de criptomoedas na área de transferência, o que envia todo o seu dinheiro direto para as contas dos invasores.

Em resumo, há uma lista completa de maneiras pelas quais os invasores podem explorar o dispositivo e os dados de uma vítima.

Argamal, yamete kudasai! Como se proteger de ameaças semelhantes

Se você decidiu se tornar o grande mestre do “Waifu Simulator Ultra Definitive Edition”, tome cuidado:

  • Use um software de segurança que seja executado em tempo real e detecte malwares sofisticados. Apesar dos esforços dos invasores para tornar o cavalo de Troia invisível, o Kaspersky Premium instantaneamente detecta e remove o Argamal dos dispositivos dos usuários.
  • Evite baixar aplicativos adultos, arquivos de instalação e conteúdo picante de fontes não confiáveis. Clicar em um “jogo XXX gratuito sem necessidade de inscrição” é uma maneira infalível de convidar um malware para o seu dispositivo. Dito isso, até mesmo plataformas oficiais como o Google Play e a App Store, infelizmente, permitem que aplicativos infectados entrem às vezes. Para não se preocupar mais com o download acidental de um cavalo de Troia ou de um infostealer, use o Premium em todos os seus dispositivos.
  • Não compartilhe mais dados do que o absolutamente necessário. Se um jogo ou site adulto insistir que você se inscreva, insira dados pessoais ou vincule contas de terceiros em vez de apenas verificar sua data de nascimento, isso é um grande sinal de perigo. Os sites raramente coletam dados confidenciais sem motivo. No melhor dos casos, essas informações acabam nas mãos de profissionais de marketing e rastreadores de anúncios. No pior, caem nas mãos de agentes mal-intencionados, que podem usá-las para chantagem, phishing ou para invadir suas outras contas.
  • Não clique em banners de anúncios em sites adultos. Até mesmo as plataformas mais populares, como o Pornhub, ocasionalmente hospedam anúncios com malware. Se você achar difícil se conter, use uma solução de segurança que bloqueará downloads de malware e impedirá redirecionamentos para sites suspeitos.

TV boxes maliciosas: descubra como uma “SuperBox” barata transforma sua casa em um nó proxy para cibercriminosos | Blog oficial da Kaspersky

Netflix, Apple TV+, Disney+, Hulu, Amazon Prime, YouTube Premium… Hoje em dia, as famílias que seguem a lei costumam pagar, em média, de cinco a dez assinaturas apenas para assistir ao conteúdo que desejam, com gastos mensais facilmente ultrapassando a casa dos cem dólares. Não é surpresa, portanto, que as redes sociais e os marketplaces on-line estejam registrando um aumento na demanda por “caixas mágicas”. Surgidas no final de 2025, essas TV boxes Android prometem desbloquear milhares de canais e oferecer acesso gratuito a serviços de streaming mediante um único pagamento.

Os anúncios desses dispositivos estão inundando o TikTok e o Instagram: influenciadores sorridentes tiram os SuperBoxes da caixa, conectam-nos à TV e navegam por inúmeros canais. Parece a solução perfeita contra o alto preço das assinaturas, certo? Mas, na prática, essa é uma das formas mais fáceis de permitir a entrada de uma botnet na sua rede doméstica.

Captura de tela de um vídeo do TikTok mostrando um SuperBox em ação

Um vídeo promocional no TikTok explicando como é ótimo quando tudo é grátis simplesmente cancelar todas as suas assinaturas

O que há de errado com essas TV boxes baratas?

Já surgiram vários relatos sobre TV boxes maliciosas, mas agora sua divulgação atingiu uma escala realmente alarmante.

No final de 2025, analistas examinaram vários modelos do SuperBox, um dispositivo popular disponível nas principais lojas de varejo e marketplaces on-line. As descobertas foram muito preocupantes: logo após serem ligados, os dispositivos começaram a enviar solicitações aos servidores do aplicativo de mensagens chinês Tencent QQ e ao serviço de proxy Grass, efetivamente disponibilizando a largura de banda da Internet do usuário para terceiros.

Dentro do firmware, os pesquisadores descobriram aplicativos completamente incomuns em um reprodutor de mídia: um scanner de rede, um analisador de tráfego e ferramentas de sequestro de DNS. Com isso, o dispositivo não apenas transmite conteúdo pirata, mas também vasculha a rede local em busca de outros alvos (incluindo interfaces industriais SCADA) e fica pronto para participar de ataques DDoS. Também foi descoberto que os SuperBoxes contêm pastas com o nome revelador “secondstage”, um forte indício de malware em vários estágios.

Mais recentemente, em abril de 2026, o podcast Darknet Diaries publicou uma entrevista com um pesquisador de segurança conhecido pelo pseudônimo D3ada55, que compartilhou diversos detalhes preocupantes sobre essas caixas, incluindo o fato de que elas ainda eram vendidas livremente em plataformas como Amazon, Walmart e Best Buy.

A evolução da infecção: do BADBOX ao Keenadu

O caso do SuperBox está longe de ser a única ocorrência em que os dispositivos Android foram transformados em nós de botnet ou vendidos com infecções de fábrica. Aqui estão os casos mais recentes:

  • BADBOX 2.0. Em julho de 2025, a Google processou os operadores de uma botnet que comprometeu mais de 10 milhões de dispositivos Android, principalmente TV boxes, tablets e projetores baratos que não tinham certificação do Google Play Protect. Conforme informamos anteriormente, o BADBOX 2.0 tem como alvo TV boxes e opera tanto como uma rede proxy quanto como uma plataforma de fraude publicitária.
  • Kimwolf. Em dezembro de 2025, a equipe do QiAnXin XLab descobriu uma botnet DDoS que havia sequestrado cerca de 1,8 milhão de dispositivos Android. O hardware infectado incluía modelos genéricos de fabricantes pouco conhecidos que usavam nomes chamativos como TV BOX, SuperBox, XBOX, SmartTV e outros. O alcance da infecção foi enorme, com dispositivos comprometidos distribuídos para o mundo todo. Os países mais atingidos foram o Brasil, Índia, Estados Unidos, Argentina, África do Sul, Filipinas e México.
  • Keenadu. Nossos especialistas descobriram esse malware à espreita no firmware de dispositivos novos em novembro de 2025, mas ele só chamou atenção depois de publicarmos um estudo sobre ele em fevereiro de 2026. O Keenadu se disfarça de componente legítimo do sistema, até mesmo entrando em aplicativos de desbloqueio facial e potencialmente concedendo aos invasores acesso a dados biométricos, informações bancárias e mensagens pessoais.

Todas essas histórias compartilham a mesma origem: o cavalo de Troia Triada, documentado pela primeira vez pelos nossos pesquisadores em 2016 e apelidado na época de “um dos cavalos de Troia móveis mais avançados”. Ao longo da última década, ele evoluiu de um malware comum para um backdoor modular integrado diretamente ao firmware durante a fabricação.

Como o esquema de infecção funciona

Os fabricantes de TV boxes baratas cortam gastos em tudo: certificação do Google Play Protect, auditorias de firmware e atualizações de segurança. Muitos desses dispositivos são executados no Android Open Source Project sem nenhuma garantia de segurança. Em algum lugar ao longo da cadeia de suprimentos, seja na fábrica, por meio de um intermediário ou em uma distribuidora, um backdoor é injetado na imagem do firmware. Nossos especialistas suspeitam que o próprio fabricante pode nem estar ciente do comprometimento.

A escala da infecção transforma milhões de caixas idênticas na base perfeita para uma botnet: cada dispositivo comprometido representa um endereço IP exclusivo que pode ser alugado para terceiros. Operadores de botnet, como o Kimwolf, lucram com isso não apenas por meio de ataques DDoS distribuídos, mas também revendendo a largura de banda de smart TVs e TV boxes infectadas.

O que isso significa para você

Uma TV box infectada fica na sala de estar, conectada ao Wi-Fi doméstico. Isso significa que ela pode detectar smartphones com aplicativos bancários, unidades de armazenamento conectadas à rede (NAS) com arquivos da família, câmeras IP, fechaduras inteligentes, computadores de trabalho e qualquer outro dispositivo conectado à sua rede Wi-Fi.

Com esse tipo de vetor de acesso inicial dentro da sua rede doméstica, um invasor pode interceptar tráfego não criptografado, falsificar solicitações de DNS, verificar portas e procurar vulnerabilidades em dispositivos vizinhos. Além disso, seu endereço IP pode ser usado para atividades fraudulentas. Como resultado, na melhor das hipóteses, seu IP acabará entrando em listas de bloqueio, e serviços legítimos começarão a barrar seu acesso por atividade suspeita; na pior, autoridades podem bater à sua porta.

Como identificar um gadget potencialmente perigoso

Você deve ficar alerta se um dispositivo:

  • For vendido sob uma marca sem nome ou genérica, como T95, X96Q, MX10, TV BOX, SuperBox ou similares
  • Promete acesso vitalício gratuito a serviços premium pagos mediante um único pagamento
  • Exige que você desative o Google Play Protect ou instale APKs de terceiros durante a configuração inicial
  • Não tem uma certificação do Play Protect
  • É promovido por meio de campanhas agressivas de spam nas redes sociais

Como evitar hospedar um nó de botnet

  • Compre TV boxes certificadas com Google Play Protect ou adquira dispositivos diretamente de operadoras de telecomunicações e provedores de Internet confiáveis.
  • Isole todos os dispositivos domésticos inteligentes. Configure uma rede Wi-Fi separada no roteador da sua casa para TV boxes, câmeras, alto-falantes inteligentes, aspiradores robóticos e dispositivos semelhantes, mantendo smartphones, unidades NAS e computadores na rede principal. Isso evita que o malware se espalhe para seus dispositivos mais importantes.
  • Atualize o firmware com frequência em todos os dispositivos, e não se esqueça do roteador, pois ele também representa um elo vulnerável na cadeia.
  • Remova todos os aplicativos da TV box Android que não foram instalados por você, especialmente lojas de aplicativos alternativas, “impulsionadores” de Wi-Fi e “limpadores de sistema”.
  • Monitore o tráfego da sua rede. Roteadores modernos e o Kaspersky Premium conseguem exibir os destinos de conexão de cada dispositivo. Conexões frequentes entre um reprodutor de mídia e servidores na China representam um forte sinal de alerta de segurança.
  • Instale o Kaspersky Premium em todos os seus dispositivos, pois ele protege contra cavalos de Troia e bloqueia páginas de phishing usadas para distribuir arquivos APK infectados.
  • Não desative o Google Play Protect e evite instalar APKs de fontes duvidosas, pois esse é o principal vetor de infecção usado para burlar a loja oficial de aplicativos.
  • Em caso de dúvida, devolva a TV box. Não vale a pena arriscar sua biometria, dados bancários ou a reputação do seu endereço IP por causa de um dispositivo de streaming barato.

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