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Veja como os hackers usam scripts do PowerShell para roubar contas do Telegram | Blog oficial da Kaspersky

Existem dezenas de maneiras de invadir uma conta do Telegram. Revelamos com frequência casos de phishing nos Miniaplicativos do Telegram, golpes usando bots, presentes e brindes, além de muitas outras táticas. Hoje, estamos analisando outro método de sequestro de conta: um método baseado em um script do PowerShell.

O script enganoso, chamado de “Atualização de telemetria do Windows”, na verdade serve como uma ferramenta para sequestrar sessões do Telegram. Ele coleta dados de computadores completamente indefesos e os envia aos invasores por meio de um bot do Telegram.

Um script malicioso contendo um malware de roubo de dados

Os cibercriminosos costumam usar scripts do PowerShell para baixar malware e coletar dados de forma oculta. Desta vez, os pesquisadores descobriram um script no Pastebin disfarçado de atualização comum do Windows. Na realidade, trata-se de um infostealer projetado para sequestrar dados de sessão do Telegram para Windows e permitir que hackers assumam o controle de contas sem senha nem código de verificação.

Mas, afinal, o que é um script do PowerShell? Pense nisso como um arquivo de texto repleto de comandos para um computador Windows. Em vez de uma pessoa gastar tempo clicando e executando tarefas manualmente, o computador segue essas instruções para fazer tudo automaticamente em questão de segundos.

Esse script do PowerShell rouba dados de sessão do Telegram para Windows, permitindo que hackers invadam contas sem usar uma senha nem códigos de verificação

Os pesquisadores logo identificaram um token de bot do Telegram e um ID de chat na parte superior do script, além de várias referências à pasta tdata. Essa pasta é onde o Telegram para Windows mantém as chaves de autorização usadas para fazer login dos usuários nos seus servidores. Se esses dados forem capturados por invasores, será possível acessar a conta do Telegram da vítima sem precisar de uma senha nem de um código de verificação. Os invasores, então, mantêm o acesso até que a vítima verifique suas sessões ativas no aplicativo e encerre manualmente as sessões suspeitas.

Como o malware de roubo de dados funciona

O malware chega ao computador da vítima disfarçado de script do PowerShell de atualização da telemetria do Windows. Assim que é executado, esse script reúne informações básicas do sistema: nome de usuário, nome do host e endereço IP público. Em seguida, ele verifica se o Telegram Desktop está instalado. Se estiver, o script força o encerramento do aplicativo para desbloquear os arquivos do Telegram para edição.

A partir daí, o resto é simples: o script compacta todo o conteúdo da pasta tdata em um diretório temporário, encaminha o arquivo compactado para os invasores e, então, exclui o arquivo do computador para ocultar seus rastros.

A boa notícia é que é provável que o malware de roubo de dados ainda não tenha comprometido nenhuma conta, pois não foram encontradas provas de transferências reais de dados. Parece que os pesquisadores detectaram esse script malicioso do PowerShell enquanto ele ainda estava na fase de teste do protótipo.

Outro sinal de alerta é seu nome bem suspeito. Os cibercriminosos normalmente usam nomes neutros para ocultar seus bots e aplicativos. Mas, nesse caso, quando os pesquisadores o identificaram, o bot estava sendo executado sob o nome aleatório afhbhfsdvfh_bot com uma descrição bastante honesta: Atacante do Telegram. Os pesquisadores observaram que, embora o bot provavelmente tenha sido submetido a testes funcionais, ele ainda não havia sido implementado em escala, o que explica o nome aleatório.

Como se defender contra scripts do PowerShell

A defesa contra esse malware de roubo de dados sem nome requer uma abordagem de segurança em camadas. Em primeiro lugar, é preciso entender como um script do PowerShell vai parar no seu PC. Isso geralmente ocorre por meio de anexos de e-mail maliciosos, vulnerabilidades de software, aplicativos infectados ou truques de engenharia social. É por isso que recomendamos a instalação de um pacote de segurança robusto no seu dispositivo e extrema cautela ao clicar em links e baixar arquivos.

  • Tome cuidado com os downloads. Sempre verifique os sites que você usa para baixar arquivos. Opte por fontes oficiais e confiáveis. E lembre-se de que os canais do Telegram e do Discord, bem como sites duvidosos e criados apenas para golpes, definitivamente não se encaixam nessa descrição.
  • Cuidado com links e anexos de e-mail. Lembre-se de que o e-mail continua sendo o método de entrega de malware favorito dos cibercriminosos. Os cibercriminosos podem enviar um script do PowerShell diretamente para sua caixa de entrada como anexo ou induzir você a clicar em um link que aciona um download automático.
  • Mantenha seus aplicativos e SO atualizados. As vulnerabilidades de software podem surgir a qualquer momento, mas as correções geralmente são disponibilizadas rapidamente. Recomendamos instalar atualizações assim que elas forem disponibilizadas. Para facilitar as coisas, basta ativar as atualizações automáticas sempre que possível.

Instale o Kaspersky Premium em cada dispositivo onde você usa o Telegram. Nossa solução de segurança bloqueia malwares, anexos maliciosos, spam, tentativas de phishing e sites suspeitos. A assinatura do Kaspersky Premium inclui um gerenciador de senhas. Ele gera senhas fortes e exclusivas e as armazena com segurança, impede que você insira suas credenciais em sites falsos e é útil para aumentar a segurança do Telegram, que abordaremos a seguir.

Como proteger sua conta do Telegram

Para proteger sua conta do Telegram contra esses tipos de golpes de sequestro, recomendamos o seguinte:

  • Monitore regularmente sua atividade no Telegram. Os hackers costumam roubar contas para o envio em massa de spam e para aplicar golpes. É uma boa ideia verificar seu histórico de conversas de vez em quando para verificar se não apareceram novas conversas ou mensagens que você não enviou.
  • Encerre sessões não reconhecidas imediatamente. Se você suspeitar que foi vítima desse infostealer ou de qualquer outro ataque cibernético, encerre todas as outras sessões do Telegram o mais rápido possível acessando ConfiguraçõesDispositivosEncerrar todas as outras sessões.

Se sua conta do Telegram já foi invadida, você tem 24 horas para expulsar os invasores encerrando as sessões deles. Explicamos por que essa regra existe e mapeamos todas as formas possíveis de recuperar sua conta no nosso guia detalhado: O que fazer se sua conta do Telegram for hackeada?

Mas é essencial reforçar a segurança da sua conta. Primeiro, configure uma senha na nuvem acessando ConfiguraçõesPrivacidade e segurançaVerificação em duas etapas. Uma senha comum não é suficiente; ela deve ser exclusiva e difícil de comprometer. Recomendamos ler nossa postagem sobre o assunto: Como criar uma senha inesquecível.

Melhor ainda, opte por chaves de acesso: uma tecnologia que não requer o uso de senhas e oferece proteção avançada contra vazamentos e phishing. Para configurar esse método de login, vá para ConfiguraçõesPrivacidade e segurançaChaves de acesso. A maneira mais fácil de gerenciar suas chaves de acesso é com o Kaspersky Password Manager. Nosso aplicativo multiplataforma garante que você possa fazer login no Telegram usando suas chaves de acesso salvas, esteja no Windows, Android, iOS ou macOS.

Para saber mais sobre como os cibercriminosos podem invadir sua conta do Telegram e como protegê-la, confira nossas outras postagens:

Invasores usam as notificações do Google AppSheet para tomar o controle de contas | Blog oficial da Kaspersky

As campanhas de phishing tornaram-se significativamente mais sofisticadas e convincentes nos últimos anos. Os endereços dos remetentes agora são quase idênticos aos legítimos. Os e-mails são redigidos de forma impecável e os usuários são chamados pelo nome. Mas o que fazer quando um e-mail suspeito vem de um endereço claramente legítimo?

Recentemente, os phishers passaram a explorar a plataforma Google AppSheet para configurar disparos de e-mail originados de um endereço oficial vinculado ao Google. Após um ataque bem-sucedido, eles acabam obtendo acesso às contas das vítimas e a dados confidenciais.

Neste artigo, explicamos como esse novo esquema de roubo de dados funciona e como se proteger desses ataques de phishing cada vez mais difíceis de identificar.

O Google está oferecendo um emprego a você. Ou a Coca-Cola. Ou talvez a Volvo. Mas será mesmo?

O AppSheet é um serviço do Google que permite criar aplicativos sem nenhuma experiência em programação. Ele costuma ser utilizado por pequenas empresas para automatizar fluxos de trabalho rotineiros. Infelizmente, é justamente essa simplicidade que torna o AppSheet tão atraente para os cibercriminosos. Hoje em dia, basta investir alguns dólares para montar rapidamente um aplicativo usando comandos e blocos prontos para executar um golpe de phishing.

O roteiro dos ataques de phishing por meio do AppSheet é bastante convencional. A vítima recebe um e-mail supostamente enviado por uma grande empresa, e essas mensagens frequentemente começam chamando o destinatário pelo nome. Tudo indica que os invasores utilizam dados vazados para associar nomes a endereços de e-mail específicos.

Em seguida, eles exploram as emoções da vítima, usando a estratégia da ameaça ou da recompensa. Eles podem provocar pânico com avisos urgentes que exigem ação imediata, como “Sua conta será desativada em breve” ou “Atividade suspeita detectada”. Ou podem atrair a vítima com uma oferta irresistível, como a promessa de um selo de verificação ou um convite para uma entrevista em uma grande empresa de tecnologia. Esses falsos e-mails de recrutamento são projetados para gerar entusiasmo imediato. Eles fazem parecer que a candidatura da pessoa foi priorizada e recebeu uma excelente avaliação, sugerindo que uma proposta de emprego pode chegar já no dia seguinte.

Para a maioria das pessoas, essas mensagens não despertam qualquer suspeita. O e-mail passa diretamente pela pasta de spam e o campo De exibe exatamente o nome da empresa que o destinatário esperaria ver. Infelizmente, nada disso significa que o e-mail seja autêntico: os invasores podem definir qualquer nome de exibição que desejarem. E, convenhamos, poucas pessoas realmente param para verificar cuidadosamente o endereço de e-mail do remetente.

Nas campanhas de phishing baseadas no AppSheet, o remetente é sempre o mesmo: noreply{@}appsheet.com. Mas aqui está o detalhe mais importante: esse endereço é 100% legítimo. Como está diretamente vinculado à infraestrutura do Google, há uma grande chance de que filtros antispam tradicionais permitam a passagem desses e-mails sem qualquer questionamento.

Naturalmente, para garantir aquela entrevista tão desejada ou resolver um problema na conta, a vítima clica no link e acaba entregando voluntariamente toda a sua identidade digital em um site falso: nome completo, endereço, telefone, entre outros dados. A partir daí, os invasores podem vender as informações coletadas na dark web ou utilizá-las em ataques direcionados posteriores. Para piorar, a vítima é redirecionada para uma página falsa de login, permitindo que os invasores roubem suas contas.

Veja de forma detalhada como uma vítima pode receber um e-mail falso do Google Careers e acabar com sua conta totalmente comprometida:

Olá, candidato! Que tal clicar no link do nosso site falso do Google e agendar uma entrevista?
O link presente no e-mail leva para um site fraudulento cujo design é praticamente indistinguível do original. O usuário é solicitado a preencher um formulário informando nome completo, e-mail profissional, telefone e data preferencial para a entrevista…
… Depois de preencher o formulário, a vítima recebe uma solicitação para fazer login com suas credenciais do Google. Todos os dados são enviados diretamente para os invasores.

Campanhas semelhantes também são realizadas em nome de outras grandes marcas de tecnologia. Usuários que entregam os dados de suas contas Apple correm o risco não apenas de perder a conta, mas também o controle de todos os seus dispositivos Apple. Os invasores podem pressionar a vítima a sair de seu Apple ID pessoal e entrar em uma suposta “conta corporativa” para fins de verificação, que na verdade é uma conta Apple controlada por eles. No momento em que a vítima faz isso, os criminosos assumem o controle remoto completo do dispositivo utilizado, frequentemente ativando o Modo Perdido para bloquear o acesso e manter o aparelho como refém em troca de um resgate.

Para piorar, os invasores nem sempre incluem um link malicioso no e-mail inicial. Em vez disso, apostam em uma abordagem de longo prazo, envolvendo a vítima em uma conversa ao pedir que responda à mensagem para confirmar seu interesse. Essa técnica cria a ilusão de que a pessoa está interagindo com um recrutador real. E esse tipo de golpe não se limita ao Vale do Silício. Os invasores frequentemente se passam por marcas mundialmente conhecidas, como a Volvo ou a Coca-Cola. É claro que é muito improvável que os invasores queiram acessar uma conta da Coca-Cola, mesmo supondo que o usuário tenha uma. O objetivo mais provável é roubar informações confidenciais ou convencer a vítima a fazer login em uma página de phishing usando suas credenciais do Google, Apple, Facebook etc.

Um suposto membro da equipe de RH da Coca-Cola entra em contato para elogiar a vítima, destacando exageradamente sua experiência, conquistas, capacidade analítica e criatividade... Os invasores deliberadamente ocultam seu objetivo final: seja direcionar a vítima para um site de phishing, assumir o controle de suas contas ou aplicar um golpe financeiro direto
Um e-mail semelhante, fingindo ser da equipe de recrutamento da Volvo

Você quer se tornar Meta Verified?

É claro que os “empregos dos sonhos” não são a única isca utilizada. Foram observadas campanhas nas quais o “Suporte do Facebook” informa ao usuário que ele foi considerado elegível para o prestigioso selo Meta Verified, o famoso selo azul normalmente associado a celebridades de destaque e grandes marcas globais. Para obter o cobiçado selo azul, a vítima é direcionada para uma página de phishing onde deve preencher um formulário de identidade antes de entregar o prêmio principal: seu nome de usuário e senha do Facebook. E tudo isso, naturalmente, em nome da segurança!

Esses sites falsos são criados em diversos idiomas e adaptados a usuários de diferentes países. Abaixo está a versão em holandês.

Para obter o selo azul, o usuário deve fornecer “informações adicionais”. Se perder o prazo por apenas alguns dias, a oferta expira
Depois de preencher os campos padrão (nome, telefone, e-mails pessoal e profissional e data de nascimento), surge uma solicitação para informar a senha do Facebook

Em outras campanhas, os invasores utilizam o Google AppSheet para explorar o medo e a urgência, alegando que o usuário violou a política de propriedade intelectual do Meta e ameaçando encerrar imediatamente sua conta do Facebook. Para recorrer da decisão, a vítima deve clicar em um link para… um site de phishing, fornecer seus dados pessoais e, claro, informar seu nome de usuário e senha do Facebook.

Para tornar a história mais convincente, o usuário não apenas precisa preencher seus dados pessoais, mas também explicar detalhadamente por que a decisão de encerrar a conta foi um erro
Por fim, o usuário é solicitado a confirmar o recurso fazendo login no “Facebook”. Na realidade, está apenas entregando suas credenciais diretamente para os invasores

Como identificar ataques de phishing e proteger suas contas

Infelizmente, os ataques de phishing estão cada vez mais sofisticados, e os invasores exploram regularmente a reputação de serviços e domínios legítimos. Veja como evitar cair nessas armadilhas e proteger seus dados:

  • Lembre-se: nem todos os e-mails de phishing vão parar na pasta de spam. Os filtros antispam padrão dos clientes de e-mail frequentemente falham em detectar ataques avançados, e o caso do AppSheet é um excelente exemplo disso. Para evitar cair nesse tipo de golpe, use o Kaspersky Premium em todos os seus dispositivos. Ele intercepta e-mails de phishing e bloqueia instantaneamente links para sites falsos, mesmo quando o criminoso está se escondendo atrás de um domínio totalmente legítimo. Além disso, a versão para Android consegue detectar links maliciosos e de phishing em mensagens de qualquer aplicativo.
  • Verifique se há erros de digitação estranhos no texto do e-mail. Para evitar levantar suspeitas, os invasores frequentemente inserem espaços invisíveis ou substituem caracteres de forma sutil. Veja este exemplo encontrado em um dos e-mails analisados: Fac eb o ok  S u ppo r t em vez de Facebook Support.
  • Antes de executar qualquer ação em um site, verifique cuidadosamente seu nome de domínio em relação ao endereço oficial. Os golpistas costumam criar endereços que parecem legítimos à primeira vista, mas revelam diferenças quando examinados com atenção. Instale Kaspersky Premium para garantir que você não acesse um site falso.
  • Observe primeiro o endereço de email do remetente, e não apenas o nome de exibição. Se um e-mail afirmar ser do Google Careers, Apple HR ou Facebook Support, mas o endereço do remetente apontar para o AppSheet ou outro serviço sem relação com a empresa, nem vale a pena continuar lendo. Essa incompatibilidade entre o nome de exibição e o domínio do remetente é um forte indício de golpe. Compare os endereços de e-mail com aqueles divulgados nos sites oficiais das empresas.
  • Verifique a assinatura do e-mail. Por exemplo, todos os e-mails enviados pelo AppSheet incluem uma observação informativa no rodapé. É muito mais provável receber uma notificação legítima do AppSheet de uma pequena empresa ou negócio local do que de uma gigante da tecnologia. Grandes corporações normalmente utilizam seus próprios domínios para envio de e-mails.
  • Use um gerenciador de senhas. Mesmo que você acesse um site falso e tente inserir sua senha, um gerenciador de senhas confiável alertará sobre a incompatibilidade do domínio e se recusará a preencher automaticamente seu nome de usuário e senha.
  • Não se esqueça da autenticação de dois fatores. Quando ela está ativada, apenas o nome de usuário e a senha não são suficientes para que os invasores acessem sua conta; eles também precisarão de um código temporário. Ainda assim, eles podem tentar enganá-lo para obter esse código, portanto, tenha atenção redobrada sempre que inserir códigos de autenticação de dois fatores.
  • Sempre que possível, utilize chaves de acesso em vez de senhas. Essa tecnologia oferece excelente proteção contra phishing: mesmo que você visite um site malicioso e tente fazer login, a chave de acesso não funcionará em um domínio falso. Você pode armazenar e sincronizar chaves de acesso entre diferentes dispositivos no Kaspersky Password Manager. Leia nosso artigo sobre o assunto para saber mais sobre como as chaves de acesso funcionam.

Os ataques de phishing estão se tornando cada vez mais sofisticados. Veja também outros temas importantes relacionados a phishing:

A evolução das regras de correlação do SIEM | Blog oficial da Kaspersky

Em termos simples, a lógica do sistema SIEM funciona assim: se o evento A ocorrer seguido do evento B, isso pode indicar um ataque, e um especialista em segurança da informação deverá ser notificado. Mas, no cenário atual, esse modelo simples está se mostrando cada vez menos eficaz. Recentemente, nossos especialistas analisaram um incidente de grande repercussão: invasores comprometeram a infraestrutura de atualização do popular software Notepad++ e distribuíram malware por meio do mecanismo de atualização. É simplesmente impossível ter regras previamente definidas e especificamente projetadas para neutralizar cenários desse tipo.

Os próprios ataques tornaram-se mais sofisticados: os invasores usam ferramentas legítimas, atacam a cadeia de suprimentos comprometendo softwares fora do perímetro corporativo, estendem seus cenários ao longo do tempo e disfarçam suas ações como atividades normais. Em outras palavras, eles não “invadem” a infraestrutura; na maioria das vezes, eles fazem login e usam software legítimo. Como resultado, as regras fixas clássicas do passado não são acionadas ou geram muitos alertas falsos. Foi isso que levou à mudança para cenários de correlação mais flexíveis.

Conteúdo SIEM atualizado dinamicamente

Atualmente, o conteúdo de correlação não é mais um conjunto estático de regras, mas sim um processo: ele evolui e se adapta constantemente às ameaças atuais. Somente em 2025, lançamos 55 atualizações de pacotes de regras para diferentes versões e idiomas do nosso sistema Kaspersky SIEM. Em apenas um ano, adicionamos 10 novos pacotes de regras, além de 250 regras de detecção e diversas melhorias no conteúdo existente. Neste ano, já adicionamos 43 novas regras e refinamos outras 63. No total, isso equivale a mais de 850 regras que abrangem uma parte significativa da estrutura MITRE ATT&CK.

As regras do Kaspersky SIEM são desenvolvidas com base nos insights de nossos especialistas, que analisam ataques recentes no mundo real, principalmente a partir das descobertas do nosso serviço de detecção e resposta gerenciada (MDR) e das nossas pesquisas sobre ameaças. Como resultado, nossas regras abrangem cenários (do reconhecimento à escalação de privilégios) que envolvem as abordagens mais recentes utilizadas pelos invasores. Por exemplo, detectamos o uso de novas técnicas de ataque, como a campanha ToolShell.

Além das atualizações programadas, a equipe também lança regularmente o chamado conteúdo emergencial: conjuntos de regras voltados à resposta rápida a técnicas de ataque novas e inesperadas. Em fevereiro, por exemplo, regras de detecção foram lançadas para contornar a autenticação em produtos Fortinet por meio do mecanismo de SSO: os invasores usaram solicitações SAML especialmente elaboradas para obter acesso a sistemas sem credenciais.

De eventos a cadeias de ataque

Além disso, as regras SIEM modernas não descrevem mais eventos individuais, mas sequências de ações. Os cenários são estruturados em torno das etapas de um ataque: desde o acesso inicial até a escalação de privilégios e a persistência. A eficácia do Kaspersky SIEM é ampliada por meio da integração com o Kaspersky EDR e de conjuntos de regras dedicados ao Active Directory, que implementam dezenas de cenários de detecção de ataques em diferentes estágios. Essa abordagem nos permite ver não apenas sinais individuais, mas o quadro completo.

Integração e visibilidade interna

Outra maneira de melhorar a eficácia de um sistema SIEM é expandir as fontes de dados. Um SIEM clássico agrega eventos de diferentes níveis da infraestrutura: desde logs até telemetria de endpoints e sistemas internos. Além disso, nosso sistema SIEM inclui conjuntos especializados de regras para nossas outras soluções (Kaspersky Security Center, Kaspersky Security for Mail Groups, plataforma Kaspersky Anti Targeted Attack), que permitem o monitoramento de ações de administradores, autenticação e status do serviço. Como resultado, o sistema se torna uma ferramenta não somente para detectar ataques, mas também para monitorar a atividade interna.

No geral, o SIEM deixou de ser apenas um conjunto de regras e evoluiu para um sistema de detecção continuamente atualizado. A eficácia é determinada não pela quantidade de detecções, mas sim pela relevância delas, pela coerência e pela precisão com que refletem as ações reais dos invasores. Acompanhe as novidades sobre nossa solução Kaspersky Unified Monitoring and Analysis Platform (SIEM) na página oficial do produto.

Atualização do Kaspersky SIEM 4.2: o que há de novo? | Blog oficial da Kaspersky

Um número significativo dos incidentes modernos tem início com o comprometimento de contas. Como os agentes de acesso inicial se tornaram uma indústria criminosa plenamente estabelecida, ficou muito mais fácil para invasores organizarem ataques à infraestrutura das empresas simplesmente comprando conjuntos de logins e senhas de funcionários. A ampla adoção de diferentes métodos de acesso remoto tornou essa tarefa ainda mais simples. Ao mesmo tempo, as fases iniciais desses ataques se assemelham com frequência a ações perfeitamente legítimas de colaboradores e permanecem indetectáveis pelos mecanismos tradicionais de segurança por longos períodos.

Confiar apenas nas medidas de proteção da conta e nas políticas de senha não é uma opção. Sempre existe a possibilidade de que invasores obtenham credenciais de funcionários por meio de ataques de phishing, malware do tipo infostealer ou, simplesmente, pela falta de cuidado de usuários que reutilizam a mesma senha em contas profissionais e pessoais e não dão muita atenção a vazamentos ocorridos em serviços de terceiros.

Assim, a detecção de ataques à infraestrutura de uma empresa exige ferramentas que identifiquem não apenas assinaturas isoladas de ameaças, mas também mecanismos de análise comportamental que reconheçam desvios do comportamento normal de usuários e processos do sistema.

Uso de IA no SIEM para detectar comprometimento de contas

Como mencionamos na postagem anterior, para detectar ataques envolvendo comprometimento de contas, o SIEM da Kaspersky Unified Monitoring and Analysis Platform foi equipado com regras UEBA para identificar anomalias em autenticação, atividades de rede e execução de processos em estações de trabalho e servidores Windows. Na atualização mais recente, seguimos desenvolvendo o sistema nessa mesma direção, incorporando abordagens baseadas em IA.

O sistema cria um modelo do comportamento normal dos usuários durante a autenticação e passa a monitorar desvios em relação aos cenários habituais, como horários de login atípicos, cadeias de eventos incomuns e tentativas de acesso anômalas. Essa abordagem permite que SIEM identifique tanto tentativas de autenticação com credenciais roubadas quanto o uso de contas já comprometidas, inclusive em cenários complexos que antes poderiam passar despercebidos.

Em vez de buscar indicadores isolados, o sistema analisa desvios em relação a padrões normais. Isso possibilita a detecção mais precoce de ataques complexos, reduz o número de falsos positivos e diminui significativamente a carga operacional das equipes de SOC.

Anteriormente, ao utilizar regras UEBA para detectar anomalias, era necessário criar diversas regras responsáveis por executar etapas preliminares e gerar listas adicionais nas quais os dados intermediários eram armazenados. Agora, na nova versão do SIEM, com um correlacionador atualizado, é possível detectar o sequestro de contas por meio de uma única regra especializada.

Outras atualizações na Kaspersky Unified Monitoring and Analysis Platform

Quanto mais complexa é a infraestrutura e maior o volume de eventos, mais críticos se tornam os requisitos de desempenho da plataforma, a flexibilidade no gerenciamento de acessos e a facilidade de operação no dia a dia. Um sistema SIEM moderno deve não apenas detectar ameaças com precisão, mas também permanecer resiliente, sem precisar de atualizações constantes de hardware ou de reestruturação de processos. Por isso, na versão 4.2, demos mais um passo para tornar a plataforma mais prática e adaptável. As atualizações impactam a arquitetura, os mecanismos de detecção e a experiência do usuário.

Inclusão de funções flexíveis e controle de acesso granular

Uma das principais inovações da nova versão do SIEM é o modelo flexível de funções. Agora, os clientes podem criar funções personalizadas para diferentes usuários do sistema, duplicar funções existentes e configurar conjuntos específicos de permissões de acordo com as atividades de cada especialista. Isso permite uma diferenciação mais precisa de responsabilidades entre analistas de SOC, administradores e gestores, reduz o risco de concessão excessiva de privilégios e reflete de forma mais fiel os processos internos da empresa nas configurações do SIEM.

Novo correlacionador e, como resultado, maior estabilidade da plataforma

Na versão 4.2, introduzimos uma versão beta de um novo mecanismo de correlação (2.0). Ela processa eventos com maior velocidade e exige menos recursos de hardware. Para os clientes, isso se traduz em:

  • operação estável mesmo sob cargas elevadas;
  • capacidade de processar grandes volumes de dados sem a necessidade de expansão imediata da infraestrutura;
  • desempenho mais previsível.

Cobertura de TTPs de acordo com a matriz MITRE ATT&CK

Também seguimos ampliando sistematicamente a cobertura da matriz de técnicas, táticas e procedimentos MITRE ATT&CK: atualmente, o Kaspersky SIEM cobre mais de 60% de toda a matriz. As regras de detecção são atualizadas regularmente e acompanhadas de recomendações de resposta. Isso ajuda os clientes a entenderem quais cenários de ataque já estão sob controle e a planejarem a evolução das suas defesas com base em um modelo amplamente aceito pelo setor.

Outras melhorias

A versão 4.2 também introduz a possibilidade de realizar backup e restauração de eventos, além da exportação de dados para arquivos seguros com controle de integridade, algo especialmente importante para investigações, auditorias e conformidade regulatória. Consultas em segundo plano foram implementadas para facilitar o trabalho dos analistas. Agora, pesquisas complexas e que consomem muitos recursos podem ser executadas em segundo plano sem impactar tarefas prioritárias. Isso acelera a análise de grandes volumes de dados.

Continuamos atualizando regularmente o Kaspersky SIEM, expandindo suas capacidades de detecção, aprimorando a arquitetura e incorporando funcionalidades de IA para que a plataforma atenda cada vez melhor às condições reais enfrentadas pelas equipes de segurança da informação. O objetivo é não apenas responder a incidentes, mas também ajudar a construir um modelo de proteção sustentável para o futuro. Acompanhe as atualizações sobre o sistema SIEM, a Kaspersky Unified Monitoring and Analysis Platform, na página oficial do produto.

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