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Como identificar sites fraudulentos que seu navegador considera seguros

Você abre um site. Seu navegador não exibe um alerta, o design parece perfeitamente legítimo, a conexão é segura e não há sinais óbvios de phishing. Isso significa que o site é seguro? Infelizmente, muitos sites estão em uma zona cinzenta: não são propriamente golpes de phishing, mas apresentam riscos suficientes para colocar seu dinheiro ou seus dados em perigo.

Esta postagem ensina a reconhecer sites fraudulentos considerados seguros por engano e a proteger seus dados.

Como os sites nessa área cinzenta enganam os usuários

Os sites clássicos de phishing geralmente se passam por serviços conhecidos para roubar dinheiro, informações pessoais ou dados de contas dos usuários. Já os sites nessa zona cinzenta não são falsificações evidentes, mas tampouco são confiáveis. Eles podem cobrar por serviços inexistentes ou inferiores ao anunciado, oferecer ofertas boas demais para ser verdade e depois alterar discretamente os termos, ou promover esquemas financeiros duvidosos.

Além disso, esses sites nem sempre infringem a lei. Às vezes, seus operadores procuram deliberadamente brechas na regulamentação ou escondem os termos reais do serviço em locais onde os usuários dificilmente os notarão.

A seguir, analisamos os tipos de sites e serviços da Web que mais frequentemente se enquadram nessa zona cinzenta.

Agregadores de assinaturas

Entre os sites mais comuns nessa zona cinzenta estão os que vendem assinaturas baratas de serviços como plataformas de streaming, testes de personalidade, cursos on-line e outros. A vítima assina um serviço por quase nada (às vezes, literalmente por um dólar), apenas para descobrir, uma semana depois, que o custo da renovação é surpreendentemente alto. Tecnicamente, havia um aviso, mas ele estava escondido nas letras miúdas, no final da página. Às vezes, os golpistas vão além: acrescentam aos termos de serviço uma cláusula que estabelece que as cobranças da assinatura não são reembolsáveis. Não é de surpreender que o usuário precise, então, passar por todo tipo de dificuldade para cancelar a assinatura.

Lojas on-line

Os clássicos sites fraudulentos. As ofertas incríveis que eles promovem podem resultar em falsificação, uma foto impressa do produto ou, pior ainda, uma versão minúscula dele, em vez do produto verdadeiro. E isso considerando que algo seja entregue, já que o preço parecia baixo demais desde o início.

Infelizmente, uma experiência de compra ruim não é o fim dos problemas. Lojas on-line fraudulentas também buscam dados pessoais: para receber a compra, o usuário geralmente precisa fornecer nome, endereço, telefone e e-mail. E, se o visitante decidir pagar pelo pedido, um site não confiável pode facilmente roubar também os dados do cartão. Os criminosos podem, então, vender todas essas informações valiosas na dark web ou usá-las para enviar spam ou realizar ataques de phishing direcionados.

Uma loja on-line fraudulenta

Golpistas que administram uma loja on-line suspeita oferecem produtos quase de graça.

Plataformas e corretoras de negociação on-line

As corretoras de criptomoedas e os sites que oferecem oportunidades de investimento merecem destaque especial. Todos prometem retorno rápido ou uma taxa de câmbio vantajosa demais para ser verdade, mas, assim que a vítima decide investir, fica claro que não haverá nenhum lucro. Muito pelo contrário: ela perde tudo o que investiu.

Às vezes, os golpistas mantêm a ilusão exibindo um saldo supostamente crescente na conta, mas, ao tentar sacar, o usuário descobre que precisa pagar uma “taxa” ou “imposto”, fazendo com que a vítima perca ainda mais dinheiro.

Um site fraudulento que oferece uma oportunidade de investimento

Um site fraudulento oferece oportunidades de investimento com um ROI (retorno sobre o investimento) duvidosamente alto em apenas um ou dois dias. Segundo os golpistas, basta investir entre US$ 100 e US$ 500 para sair com quase US$ 5 mil de lucro!

Perder dinheiro não é o único risco nesse caso. Entre os sites encontrados, alguns roubaram chaves privadas e dados de contas de carteiras de criptomoedas, enquanto outros redirecionaram usuários para páginas de phishing ou sequestraram sessões do navegador.

Lembre-se: se um site aceita pagamentos somente em criptomoedas, por transferência bancária ou por meio de algum serviço de terceiros, considere isso um grande sinal de alerta. Pagamentos desse tipo costumam ser difíceis ou até impossíveis de contestar ou reverter. E, para quem possui criptomoedas, há mais uma regra a ter em mente: nunca compartilhe sua frase-semente (a chave principal exclusiva da sua carteira de criptomoedas) com ninguém.

Serviços intermediários

Os sites que operam nessa zona cinzenta também costumam se passar por intermediários, cobrando por serviços que são muito mais baratos ou até gratuitos em outros lugares.

Em 2025, foram identificados vários sites fraudulentos que ofereciam ajuda para solicitar a autorização de viagem ETA do Reino Unido. Embora a taxa oficial seja de apenas £ 16, alguns desses intermediários cobravam até € 200 dos solicitantes apesar de, na prática, fazerem apenas o encaminhamento da solicitação para o serviço governamental.

Alguns esquemas são ainda mais perigosos. Os golpistas podem se passar por agentes imobiliários ou advogados de imigração, obter dados pessoais dos clientes e, depois, cobrar pelo suposto processamento de documentos. Quem recorre a um desses intermediários falsos corre riscos que vão além de pagar caro demais ou não receber nada em troca: esses clientes também podem acabar fornecendo dados pessoais confidenciais diretamente de seus documentos.

O problema é ainda maior porque algumas dessas informações, como o CPF ou algum outro documento de identificação pessoal, não são fáceis de alterar e, em alguns casos, nem podem ser alteradas. Os criminosos podem usar esses dados para contratar empréstimos em nome da vítima ou invadir serviços governamentais on-line e assumir o controle de suas contas.

Extensões de proteção falsas

As extensões falsas de navegador merecem atenção especial. Elas se disfarçam de ferramentas antivírus, bloqueadores de anúncios, complementos para mecanismos de pesquisa ou serviços que prometem aumentar a privacidade. Segundo nossos especialistas, essas extensões estão entre os tipos mais comuns de recursos que operam nessa zona cinzenta.

Depois de instalada, uma dessas falsas ferramentas de proteção pode alterar as configurações do navegador e do mecanismo de pesquisa, extrair o histórico de navegação e as consultas da vítima e redirecioná-la para uma página de phishing. Algumas dessas extensões também interceptam cookies (inclusive cookies de sessão), o que pode ajudar os golpistas a assumir o controle das contas da vítima.

Não confie tão facilmente nem conceda acesso a qualquer extensão que prometa proteção ou privacidade. Infelizmente, avaliações excelentes e um grande número de downloads não são sinais confiáveis de que uma extensão seja realmente segura. Em vez disso, instale uma de nossas soluções de segurança: além proteção abrangente para o dispositivo, elas incluem a extensão de navegador do Kaspersky Protection. Esta extensão, compatível com os principais navegadores, detecta e bloqueia tentativas de rastrear sua atividade on-line, anúncios pop-up, sites de phishing e a interceptação dos seus dados. Além disso, sempre que fizer um pagamento on-line, a extensão abrirá o site no modo Navegador protegido, uma camada extra de segurança às suas informações e transações financeiras.

Como saber se um site é confiável

Preste atenção aos sinais de alerta

  • Não há informações sobre o site ou a empresa em nenhum lugar da Internet. Uma empresa legítima tem endereço registrado, suporte e redes sociais ativas, com histórico de atividade. Pesquise on-line se há avaliações sobre o site ou a empresa. Se você não encontrar avaliações ou se elas forem estranhamente semelhantes, não forneça seus dados pessoais nem seu dinheiro.
  • Você está sendo pressionado a agir rapidamente. Preste atenção a pop-ups como “Restam apenas 2 itens!”, “O desconto termina em 10 minutos!” ou “100 pessoas estão vendo este produto agora”, além de contagens regressivas na página.
  • Ofertas boas demais para ser verdade. Se alguém promete dinheiro fácil em poucos dias ou oferece um produto por um preço inacreditavelmente baixo, pare e questione se pode ser um golpe.
  • Site com design desleixado. Sites criados às pressas geralmente têm elementos da página desalinhados, erros de digitação, textos mal traduzidos ou botões e links que simplesmente não funcionam. Dito isso, um design sofisticado também não é prova de confiabilidade: atualmente, golpistas podem usar IA para criar do zero um site convincente.
  • Fotos de produtos com aparência estranha. Lojas on-line suspeitas costumam usar fotos borradas ou pixeladas, ou imagens geradas por IA.
  • Imitação de empresas e marcas conhecidas. Sites falsos imitam logotipos, cores, fotos e o design geral para fazer visitantes acreditarem que são sites verdadeiros.

Implemente uma solução de segurança avançada

Kaspersky Premium que filtre automaticamente, por padrão, os sites com níveis de confiabilidade incertos. Ela verifica várias características do site ao mesmo tempo: o nome do domínio, há quanto tempo ele está registrado, a reputação do endereço IP, a estabilidade da infraestrutura, as configurações de DNS, os cabeçalhos e o certificado. Se um número suficiente desses atributos parecer suspeito em conjunto, a solução de segurança exibirá um aviso em vez de abrir o site imediatamente.

Além disso, a solução Kaspersky Premium bloqueia tentativas de induzir você a fornecer seus dados de login, senhas ou informações de pagamento em páginas falsas. A solução também detecta e neutraliza softwares maliciosos no seu dispositivo.

Saiba mais sobre phishing e golpes:

Como o navegador Hola foi utilizado para espalhar um minerador da criptomoeda Monero | Blog oficial da Kaspersky

No início de junho, pesquisadores de segurança cibernética descobriram que uma versão do navegador Hola para Windows, desenvolvido em Israel (1.251.91.0), baixava um minerador da criptomoeda Monero nos dispositivos dos usuários sem que eles soubessem. Logo após a descoberta, a Hola confirmou que havia sido vítima de um ataque à cadeia de suprimentos. Neste artigo, contamos como o ataque ocorreu, como funciona o minerador e o que isso significa para os usuários afetados.

O que é o navegador Hola e como o malware foi descoberto?

A empresa israelense Hola é mais conhecida por sua VPN, usada por usuários para contornar restrições geográficas e acessar conteúdo bloqueado em determinadas regiões. Além da VPN, a empresa desenvolveu o navegador Hola, que é baseado em Chromium e traz uma VPN integrada, além de recursos de proxy.

Os primeiros sinais de problemas foram detectados pelos pesquisadores durante uma verificação de conformidade padrão para o programa AppEsteem Windows Certified Application. Como parte da certificação, empresas independentes de segurança cibernética auditam os softwares para garantir que contenham apenas os componentes declarados, sem recursos indesejados ou maliciosos. Mesmo após receberem um certificado, os aplicativos são reavaliados regularmente para garantir que continuem atendendo às rígidas diretrizes da AppEsteem.

Foi durante uma verificação de acompanhamento de rotina que os especialistas notaram um arquivo não autorizado agrupado à versão 1.251.91.0 do navegador Hola para Windows. Após a instalação, o arquivo era salvo automaticamente no disco rígido em C:\Program Files\Hola\me{.}exe. Os pesquisadores logo consideraram o arquivo não confiável por vários indícios suspeitos: ele não constava na lista de arquivos de aplicativos aprovados, não tinha carimbo de data/hora nem assinatura digital. Além disso, o código estava bastante ofuscado, sendo capaz de se injetar diretamente na memória do sistema.

Porém, os pesquisadores notaram que o arquivo não estava presente em todas as instalações. Como a infecção não atingiu todos os usuários, os especialistas logo suspeitaram que uma etapa específica do pipeline de distribuição do navegador Hola havia sido comprometida. A Hola acabou confirmando essa teoria, admitindo que foi vítima de um ataque à cadeia de suprimentos.

Quanto ao próprio arquivo me{.}exe suspeito, uma análise mais detalhada revelou que se tratava de um minerador de criptomoedas furtivo configurado para minerar Monero. Vamos agora analisar os detalhes técnicos de como tudo aconteceu.

Como os invasores usaram o navegador Hola para minerar o Monero?

Os mineradores de criptomoedas são programas que aproveitam o poder de processamento de um computador para minerar criptomoedas. Embora alguns usuários instalem esses softwares voluntariamente, mineradores executados em uma máquina sem o conhecimento do proprietário são considerados indesejados.

A execução de um minerador oculto pode deixar um dispositivo muito mais lento, aumentar a conta de eletricidade do usuário e reduzir a vida útil do hardware. Dito isto, vale notar que a infecção de um dispositivo por um minerador não significa que as criptomoedas do proprietário serão roubadas; o dano limita-se ao consumo dos recursos de hardware, utilizados pelos invasores para obter ganho financeiro.

Conforme mencionado acima, o download malicioso incluído no navegador Hola inseriu um minerador da criptomoeda Monero nos dispositivos das vítimas. Lançado em 2014 e baseado no protocolo CryptoNote, o Monero atualmente é negociado a cerca de US$ 330 por unidade.

Comparado a moedas mais conhecidas, como Bitcoin ou Ethereum, o Monero é mais exótico e menos conhecido pelo público geral. Esse status de nicho reflete-se no aumento relativamente modesto do seu preço e em uma menor capitalização de mercado, sendo quase 200 vezes menor que a do Bitcoin. No entanto, o Monero tem um benefício que o destaca: a privacidade. Enquanto o Bitcoin e o Ethereum operam em blockchains públicas e transparentes, onde qualquer pessoa pode rastrear as transações, o Monero é uma “moeda de privacidade”. Ele usa mecanismos criptográficos avançados para ocultar o remetente, o destinatário e o valor da transação. Esse anonimato extremo é exatamente o motivo pelo qual os hackers preferem os mineradores ocultos de Monero, pois eles dificultam o rastreamento das transações por autoridades e profissionais de segurança cibernética.

Além disso, o algoritmo do Monero foi projetado para usar CPUs padrão de forma eficiente na mineração. Isso contrasta fortemente com muitas outras criptomoedas populares, que exigem hardware ASIC especializado ou GPUs de ponta para gerar lucro.

Mas vamos analisar melhor o caso do navegador Hola. Ao analisar o código me{.}exe malicioso, os pesquisadores descobriram que ele estava adicionando automaticamente seus próprios arquivos à lista de exclusão do Microsoft Defender. Ao entrar na lista de permissões, o malware contornou o antivírus do Windows, permitindo a execução do minerador de criptomoedas em segundo plano sem qualquer impedimento.

Então, o programa fez uma cópia de si mesmo sob o nome HolaMonitorService{.}exe e configurou um serviço persistente do Windows em segundo plano chamado hola_monitor_svc. Essa manobra permitiu que o malware se instalasse no sistema, sendo iniciado automaticamente sempre que o computador era reiniciado. Para evitar suspeitas por quedas de desempenho, o minerador permanecia inativo e era acionado apenas quando o computador estava ocioso.

Como proteger seu dispositivo contra mineradores de criptomoedas e malware

Felizmente, a equipe de desenvolvedores da Hola agiu rápido após a detecção do arquivo suspeito. Eles confirmaram a violação da cadeia de suprimentos, mas afirmaram que apenas 0,1% dos usuários foram afetados. Desde então, a empresa reforçou a segurança em torno do pipeline de distribuição de atualizações para garantir que os usuários recebam apenas componentes de software aprovados, certificados e contendo assinatura digital no futuro.

Devido a esse incidente, recomendamos que todos os usuários do navegador Hola o atualizem para a versão mais recente, especialmente aqueles que executam o aplicativo no Windows.

Essa situação é um exemplo clássico de por que é tão importante manter todos softwares atualizados e executar uma Home Security solução robusta de segurança cibernética em todos os seus gadgets. Por exemplo, o Kaspersky Premium fornece alertas em tempo real sobre comportamento suspeito de software e faz o bloqueio instantâneo de ameaças. Como um bônus adicional, a assinatura do Kaspersky Premium inclui uma VPN segura e confiável.

Lembre-se de que mineradores maliciosos de criptomoedas também atacam smartphones, disfarçando-se muitas vezes de jogos populares e até de aplicativos oficiais de serviços governamentais. Confira nossas postagens anteriores para saber mais:

O iPhone não é tão invencível assim: uma análise do DarkSword e do Coruna | Blog oficial da Kaspersky

O DarkSword e o Coruna são novas ferramentas utilizadas em ataques invisíveis a dispositivos iOS. Esses ataques não exigem interação do usuário e já estão sendo usados em larga escala por agentes mal-intencionados. Antes do surgimento dessas ameaças, a maioria dos usuários do iPhone não precisava se preocupar com a segurança de dados. Poucos grupos realmente se preocupavam com isso, como políticos, ativistas, diplomatas, executivos de negócios de alto nível e pessoas que lidam com dados extremamente confidenciais, já que eles poderiam vir a ser alvos de agências de inteligência estrangeiras. Já discutimos spywares avançados usados contra esses grupos anteriormente, e observamos como era raro encontrá-los.

No entanto, o DarkSword e o Coruna, descobertos por pesquisadores no início deste ano, são revolucionários. Esses malwares estão sendo usados em infecções em massa de usuários comuns. Nesta postagem, explicamos por que essa mudança ocorreu, os riscos dessas ferramentas e como se proteger.

O que sabemos sobre o DarkSword e como ele pode infectar o seu iPhone

Em meados de março de 2026, três equipes de pesquisa diferentes coordenaram a divulgação das suas descobertas sobre um novo spyware chamado de DarkSword. Essa ferramenta é capaz de invadir silenciosamente dispositivos com o iOS 18, sem que o usuário perceba que algo está errado.

Primeiro, devemos esclarecer uma coisa: o iOS 18 não é tão antigo quanto parece. Embora a versão mais recente seja o iOS 26, a Apple revisou recentemente o sistema de versões, surpreendendo a todos. A empresa decidiu avançar oito versões (da 18 diretamente para a 26) para que o número do sistema operacional correspondesse ao ano atual. Apesar disso, a Apple estima que cerca de um quarto de todos os dispositivos ativos ainda executam o iOS 18 ou uma versão anterior.

Agora que isso já foi esclarecido, vamos voltar a falar sobre o DarkSword. A pesquisa mostra que esse malware infecta as vítimas quando elas visitam sites perfeitamente legítimos que contêm códigos maliciosos. O spyware se instala sem qualquer interação do usuário: basta acessar uma página comprometida. Isso é conhecido como técnica de infecção zero clique. Os pesquisadores relatam que milhares de dispositivos já foram infectados desta forma.

Para comprometer um dispositivo, o DarkSword usa uma cadeia de exploits com seis vulnerabilidades para evitar o sandbox, aumentar privilégios e executar código. Assim que o dispositivo é infectado, o malware consegue coletar dados, incluindo:

  • Senhas
  • Fotos
  • Conversas e dados do iMessage, WhatsApp e Telegram
  • Histórico do navegador
  • Informações dos aplicativos Calendário, Notas e Saúde da Apple

Além disso, o DarkSword coleta dados de carteiras de criptomoedas, atuando como malware de dupla finalidade para espionagem e roubo de criptoativos.

A única boa notícia é que o spyware não sobrevive a uma reinicialização. O DarkSword é um malware sem arquivo, o que significa que ele vive na RAM do dispositivo e nunca se incorpora ao sistema de arquivos.

Coruna: direcionado às versões mais antigas do iOS

Apenas duas semanas antes da descoberta do DarkSword se tornar pública, os pesquisadores revelaram outra ameaça que tinha o iOS como alvo, chamada de Coruna. Esse malware consegue comprometer dispositivos que executam softwares mais antigos, especificamente as versões 13 a 17.2.1 do iOS. O método utilizado pelo Coruna é exatamente igual ao do DarkSword: as vítimas visitam um site legítimo injetado com código malicioso que, em seguida, infecta o dispositivo delas com o malware. Todo o processo é completamente invisível e não requer interação do usuário.

Uma análise detalhada do código do Coruna revelou que ele explora 23 vulnerabilidades distintas do iOS, várias delas localizadas no WebKit da Apple. Vale lembrar que, de um modo geral (fora da UE), todos os navegadores iOS precisam usar o mecanismo WebKit. Isso significa que essas vulnerabilidades não afetam apenas os usuários do Safari, mas também qualquer pessoa que use outros navegadores no iPhone.

A versão mais recente do Coruna, assim como o DarkSword, inclui modificações projetadas para drenar carteiras de criptomoedas. Ele também coleta fotos e, em alguns casos, informações de e-mails. Ao que tudo indica, roubar criptomoedas parece ser o principal motivo da implementação generalizada do Coruna.

Quem criou o Coruna e o DarkSword, e como eles foram disseminados?

A análise do código de ambas as ferramentas sugere que o Coruna e o DarkSword provavelmente foram desenvolvidos por grupos diferentes. No entanto, ambos são softwares criados por empresas patrocinadas pelo governo, possivelmente dos EUA. Isso se reflete na alta qualidade do código: não são kits montados com partes aleatórias, mas exploits projetados de forma uniforme. Em algum momento, essas ferramentas vazaram e foram parar nas mãos de gangues de cibercriminosos.

Os especialistas da GReAT, da Kaspersky, analisaram todos os componentes do Coruna e confirmaram que o kit de exploração é uma versão atualizada da estrutura usada na Operação Triangulação. Esse ataque anterior tinha como alvo os funcionários da Kaspersky, uma história que abordamos em detalhes neste blog.

Uma teoria sugere que um funcionário da empresa que desenvolveu o Coruna vendeu o malware para hackers. Desde então, ele tem sido usado para drenar carteiras de criptomoedas de usuários na China. Alguns especialistas estimam que pelo menos 42 mil dispositivos foram infectados somente neste país.

Quanto ao DarkSword, os cibercriminosos já o usaram para infectar dispositivos de usuários na Arábia Saudita, Turquia e Malásia. O problema se agrava pelo fato de que os invasores que implementaram o DarkSword deixaram o código-fonte completo nos sites infectados, facilitando a detecção dele por outros grupos criminosos.

O código também inclui comentários detalhados explicado exatamente o que faz cada componente, reforçando a hipótese de que ele surgiu no Ocidente. Essas instruções detalhadas tornam mais fácil para outros hackers adaptarem a ferramenta para interesses próprios.

Como se proteger do Coruna e do DarkSword

Dois malwares poderosos que permitem a infecção em massa de iPhones sem exigir qualquer interação do usuário caíram nas mãos de um grupo essencialmente ilimitado de cibercriminosos. Para ser infectado pelo Coruna ou pelo DarkSword, basta que você visite o site errado na hora errada. Portanto, este é um daqueles casos em que todos os usuários precisam levar a sério a segurança do iOS, não apenas aqueles que pertencem a grupos de alto risco.

A melhor coisa a fazer para se proteger do Coruna e do DarkSword é atualizar assim que possível os dispositivos para a versão mais recente do iOS ou do iPadOS 26. Se isso não for possível (por exemplo, se o dispositivo for mais antigo e não compatível com o iOS 26), ainda assim é recomendado baixar a versão mais recente disponível. Especificamente, procure as versões 15.8.7, 16.7.15 ou 18.7.7. A Apple aplicou correções em vários sistemas operacionais mais antigos, o que é raro.

Para proteger os dispositivos Apple contra malwares semelhantes que provavelmente aparecerão no futuro, recomendamos fazer o seguinte:

  • Instale as atualizações em todos os dispositivos da Apple o quanto antes. A empresa lança regularmente versões do SO que corrigem vulnerabilidades conhecidas. Não as ignore.
  • Ative a opção Otimização de segurança em segundo plano. Esse recurso permite que o dispositivo receba correções de segurança críticas além das atualizações completas do iOS, reduzindo o risco de exploração de vulnerabilidades pelos hackers. Para ativá-lo, vá para ConfiguraçõesPrivacidade e segurançaOtimização de segurança em segundo plano e ative a opção Instalar automaticamente.
  • Considere usar o Modo de bloqueio. Essa é uma configuração de segurança reforçada que, apesar de limitar alguns recursos do dispositivo, bloqueia ou restringe ataques de forma significativa. Para ativá-lo, vá para ConfiguraçõesPrivacidade e segurançaModo de bloqueioAtivar o Modo de bloqueio.
  • Reinicie o dispositivo uma vez por dia (ou mais). Isso interrompe a atuação de malwares sem arquivo, pois essas ameaças não são incorporadas ao sistema e desaparecem após a reinicialização.
  • Use o armazenamento criptografado para dados confidenciais. Mantenha chaves de carteiras de criptomoedas, fotos de documentos e dados confidenciais em um local seguro. Kaspersky Password Manager é uma ótima opção para isso, pois gerencia suas senhas, tokens de autenticação de dois fatores e chaves de acesso em todos os dispositivos, mantendo notas, fotos e documentos sincronizados e criptografados.

A ideia de que os dispositivos da Apple são à prova de balas é um mito. Eles são vulneráveis a ataques de zero clique, cavalos de Troia e técnicas de infecção ClickFix. Além disso, aplicativos maliciosos já foram encontrados na App Store mais de uma vez. Leia mais aqui:

O que é um ataque browser-in-the-browser e como identificar uma janela de login falsa | Blog oficial da Kaspersky

Em 2022, analisamos em profundidade um método de ataque chamado browser-in-the-browser, originalmente desenvolvido pelo pesquisador de cibersegurança conhecido como mr.d0x. Na época, ainda não havia exemplos reais desse modelo sendo utilizado em ataques. Quatro anos depois, a situação mudou: os ataques browser-in-the-browser deixaram de ser apenas um conceito teórico e passaram a ser utilizados em campanhas reais. Neste artigo, revisitamos o que exatamente é um ataque browser-in-the-browser, mostramos como hackers estão utilizando essa técnica e, principalmente, explicamos como evitar se tornar a próxima vítima.

O que é um ataque browser-in-the-browser (BitB)?

Para começar, vale relembrar o que mr.d0x realmente desenvolveu. A base do ataque surgiu da observação de quão avançadas se tornaram as ferramentas modernas de desenvolvimento Web, como HTML, CSS e JavaScript. Essa constatação levou o pesquisador a conceber um modelo de phishing particularmente sofisticado.

Um ataque browser-in-the-browser é uma forma avançada de phishing que utiliza recursos de design e desenvolvimento Web para criar sites fraudulentos que imitam janelas de login de serviços conhecidos, como Microsoft, Google, Facebook ou Apple, com aparência praticamente idêntica à original. No conceito proposto pelo pesquisador, o atacante cria um site aparentemente legítimo para atrair as vítimas. Uma vez nesse site, o usuário descobre que não pode deixar comentários ou realizar uma compra sem antes fazer login.

O processo parece simples: basta clicar no botão Fazer login com {nome de um serviço popular}. É nesse momento que ocorre o golpe. Em vez de abrir a página real de autenticação do serviço legítimo, o usuário recebe um formulário falso renderizado dentro do próprio site malicioso, que se apresenta visualmente como se fosse… uma janela pop-up do navegador. Além disso, a barra de endereço exibida nessa janela, também renderizada pelos invasores, mostra uma URL aparentemente legítima. Mesmo uma inspeção cuidadosa pode não revelar a fraude.

A partir desse ponto, o usuário desavisado insere suas credenciais Microsoft, Google, Facebook ou Apple nessa janela renderizada, e esses dados são enviados diretamente aos cibercriminosos. Durante algum tempo, esse esquema permaneceu apenas como um experimento teórico do pesquisador de segurança. Hoje, porém, ataques reais já incorporaram essa técnica aos seus arsenais de phishing.

Roubo de credenciais do Facebook

Os atacantes adaptaram o conceito original de mr.d0x. Em ataques recentes do tipo browser-in-the-browser, o golpe começa com e-mails criados para alarmar o destinatário. Em uma campanha de phishing, por exemplo, os criminosos se passaram por um escritório de advocacia informando ao usuário que ele teria cometido uma violação de direitos autorais ao publicar conteúdo no Facebook. A mensagem incluía um link aparentemente legítimo que supostamente levaria à publicação problemática.

E-mail de phishing disfarçado de notificação jurídica

Os invasores enviaram mensagens em nome de um escritório de advocacia fictício alegando violação de direitos autorais, acompanhadas de um link que supostamente direcionava ao post problemático no Facebook. Fonte

Curiosamente, para reduzir a desconfiança da vítima, ao clicar no link não era exibida imediatamente uma página falsa de login do Facebook. Em vez disso, o usuário era primeiro apresentado a um CAPTCHA falso da Meta. Somente após “passar” por essa verificação é que a vítima recebia a janela pop-up de autenticação falsa.

Janela de login falsa renderizada diretamente dentro da página

Isso não é um pop-up real do navegador, mas um elemento da própria página que imita uma tela de login do Facebook. Esse truque permite que os invasores exibam um endereço aparentemente legítimo. Fonte

Naturalmente, a página falsa de login do Facebook segue o modelo descrito por mr.d0x. Ela é construída inteiramente com ferramentas de desenvolvimento Web para capturar as credenciais da vítima. Enquanto isso, a URL exibida na barra de endereço simulada aponta para o site verdadeiro do Facebook, www.facebook.com.

Como evitar se tornar uma vítima

O fato de golpistas já estarem utilizando ataques browser-in-the-browser demonstra que as técnicas de fraude digital evoluem constantemente. Ainda assim, existe uma forma eficaz de verificar se uma janela de login é legítima. Utilizar um gerenciador de senhas, que funciona como um teste de segurança confiável para sites.

Isso ocorre, porque, ao preencher credenciais automaticamente, o gerenciador de senhas verifica a URL real da página, e não aquilo que parece estar na barra de endereço ou o que a interface visual mostra. Diferentemente de um usuário humano, não é possível enganar um gerenciador de senhas por meio de técnicas como browser-in-the-browser, domínios com pequenas variações ortográficas (typosquatting) ou formulários de phishing ocultos em anúncios e pop-ups. A regra é simples: se o gerenciador de senhas oferecer o preenchimento automático de login e senha, você está em um site para o qual já salvou credenciais. Se ele permanecer silencioso, há um forte indício de que algo está errado.

Além disso, seguir algumas recomendações clássicas de segurança digital ajuda a se proteger contra phishing ou, pelo menos, reduzir os danos caso um ataque seja bem-sucedido:

  • Ative a autenticação em dois fatores (2FA) em todas as contas que suportam esse recurso. Idealmente, utilize códigos temporários gerados por um aplicativo autenticador dedicado como segundo fator. Isso ajuda a evitar golpes de phishing que interceptam códigos de confirmação enviados por SMS, aplicativos de mensagem ou e-mail. Leia mais sobre 2FA de código único em nosso post dedicado.
  • Utilize chaves de acesso. A opção de login com chave de acesso também pode indicar que você está em um site legítimo. Aprenda tudo sobre o que são chaves de acesso e como começar a usá-las em nossa análise aprofundada sobre essa tecnologia.
  • Crie senhas únicas e complexas para todas as contas. Faça o que fizer, nunca reutilize a mesma senha em contas diferentes. Recentemente explicamos em nosso blog o que torna uma senha realmente forte. Gerar combinações únicas, sem precisar memorizá-las, KPMé a melhor opção. Como benefício adicional, também pode gerar códigos temporários para autenticação em dois fatores, armazenar suas chaves de acesso e sincronizar suas senhas e arquivos entre seus diferentes dispositivos.

Por fim, este post serve como mais um lembrete de que ataques teóricos descritos por pesquisadores de cibersegurança frequentemente acabam sendo utilizados em ataques reais. Então, fique de olho no nosso blog, e assine nosso canal no Telegram para se manter atualizado sobre as ameaças mais recentes à sua segurança digital e saber como neutralizá-las.

Leia sobre outras técnicas de phishing criativas que os golpistas estão usando diariamente:

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