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Ferramentas de IA para doxing: como a tecnologia de vigilância on-line mudou

Os fóruns de imagens anônimos, conhecidos como imageboards, há muito tempo são espaços onde os usuários podem conversar sob pseudônimos sem revelar seus nomes verdadeiros. Mas agora as pessoas nesses fóruns estão discutindo e testando ferramentas de IA para doxing, ou seja, para encontrar, cruzar e publicar dados de usuários sem o consentimento deles. Muitas vezes, isso vem acompanhado de perseguição à vítima, invasão de suas contas, bullying e chantagem, acabando por prejudicar sua reputação ou até mesmo causar consequências ainda piores.

Neste artigo, explicamos como a inteligência artificial ajuda pessoas mal-intencionadas a expor dados de terceiros, e como defender seu direito à privacidade on-line.

Como agentes mal-intencionados descobrem informações sobre os usuários

Analistas da Open Measures relataram que, desde outubro de 2025, usuários do Soyjak.party, um imageboard popular entre jovens da extrema direita, vêm discutindo e usando IA para desanonimizar outros usuários. As vítimas costumam ser ativistas, blogueiros e membros de outros fóruns considerados “hostis”.

As ferramentas identificadas pelos especialistas funcionam diretamente no navegador e automatizam quase todo o processo de coleta de informações sobre uma vítima. Elas podem pesquisar fontes abertas e bancos de dados de vazamentos, além de usar qualquer nova pista, como um endereço de e-mail associado a um nome de usuário para aprofundar a investigação. Também extraem metadados de fotos e vídeos, estimam a localização aproximada de uma pessoa a partir dos endereços IP encontrados e, por fim, reúnem tudo em um enorme dossiê digital. Essas ferramentas do Soyjak.party já não funcionam, mas outras semelhantes vêm se espalhando por diferentes imageboards.

Em fevereiro de 2026, pesquisadores demonstraram que, às vezes, uma simples conversa em um fórum basta para revelar sua identidade. Eles reuniram resumos de publicações de 338 usuários do Hacker News, removeram nomes, nomes de usuário e links para redes sociais e, em seguida, pediram à IA que identificasse o autor das publicações. A IA comparou informações sobre profissões, interesses e histórico pessoal com dados disponíveis on-line e identificou corretamente 226 pessoas, cerca de dois terços da amostra. O custo da desanonimização acabou sendo ridiculamente baixo: entre US$ 1 e US$ 4 por usuário.

Vale ressaltar que a criação de dossiês digitais já era possível antes da popularização da IA generativa. Para começar, existem ferramentas de OSINT que pesquisam dados disponíveis publicamente. Jornalistas e investigadores foram os primeiros a utilizá-las, mas, como era de se esperar, agentes mal-intencionados logo também dominaram essas ferramentas. Ao contrário dos modelos e agentes de IA, os serviços tradicionais de OSINT seguem procedimentos predefinidos e não conseguem “pensar” nem tomar decisões em tempo real.

Um agente em busca de vingança: o caso OpenClaw

Se você acha que o doxing sempre exige a participação de um agente mal-intencionado, temos más notícias: às vezes, quem busca acertar as contas pode ser a própria inteligência artificial.

Esta é uma história que começou de forma bastante inofensiva. Um agente de IA que operava na badalada plataforma OpenClaw sugeriu uma melhoria para o Matplotlib, uma ferramenta popular para criar gráficos e diagramas. No entanto, as regras do projeto não permitiam o envio de código por agentes de IA. Um dos voluntários do projeto, Scott Shambaugh, simplesmente rejeitou a sugestão da IA.

Você poderia achar que a história tinha terminado aí. Só que não! O agente de IA decidiu que a rejeição merecia ser exposta publicamente e, por isso, publicou um texto denunciando o desenvolvedor em seu blog (sim, você leu certo: o agente tinha seu próprio blog). Ele reuniu informações sobre Shambaugh em fontes abertas, analisou suas atividades públicas e o acusou de ter preconceito contra a IA. Chegou até a especular sobre as motivações psicológicas do desenvolvedor, sugerindo que ele tinha medo de competir com a inteligência artificial.

Quando essa conversa “privada” entre Shambaugh e o agente de IA se tornou pública, outros usuários saíram em defesa do desenvolvedor, e o agente teve que publicar um pedido de desculpas.

É uma história bastante absurda, mas que deixa uma lição importante: leia sempre com atenção a política de privacidade de qualquer serviço de IA e evite novos modelos de origem desconhecida.

Como evitar ser vítima de doxing: um guia

Se a IA acelera as pesquisas e conecta informações que antes estavam dispersas por dezenas de sites, a próxima pergunta lógica é: o que você pode fazer para reduzir sua pegada digital?

Desaparecer completamente da Internet é quase impossível. Por isso, proteger seus dados não é tanto uma questão de deixar o menor número possível de rastros, mas de reduzir as conexões que podem ser usadas para reunir informações e descobrir sua identidade. Se você é um usuário avançado, recomendamos também a leitura do nosso artigo Como desaparecer da Internet, além das dicas abaixo.

Gerencie sua pegada digital

  • Pesquise sobre você na Internet. Não se limite ao seu nome: pesquise também seu endereço de e-mail, seus apelidos e seu número de telefone. Se você se sentir confortável com o processamento dos seus dados por uma IA, pode até pedir que ela monte um dossiê sobre você. Lembre-se, porém, de que sempre existe o risco de um vazamento ou de uma falha que exponha seus dados acidentalmente. E não, nem mesmo os serviços grandes e conceituados estão livres desse risco.
  • Deixe privados os perfis que você não quer compartilhar com todo mundo. Isso dificulta a indexação de novas publicações pelos mecanismos de busca e sua coleta por ferramentas de extração de dados e OSINT. Aproveite também para revisar seus comentários e publicações antigos e apagar tudo o que não for mais necessário.
  • Exclua contas abandonadas. Verifique suas caixas de entrada e confira em quais sites você se cadastrou. Crie o hábito de excluir as contas que não usa mais: elas podem armazenar seus dados pessoais por anos, e sempre existe o risco de que essas informações acabem em um vazamento de dados.
  • Configure a autenticação de dois fatores. Assim, mesmo que um agente mal-intencionado consiga adivinhar sua senha ou encontrá-la em um vazamento, não poderá acessar sua conta sem passar pela etapa adicional de autenticação. Para o segundo fator, recomendamos usar códigos de uso único que são atualizados a cada 30 segundos e armazená-los em um gerenciador de senhas confiável.
  • Remova os metadados antes de publicar fotos e vídeos. Os metadados podem ajudar uma pessoa mal-intencionada a descobrir muitas informações sobre você, como o local e a data exata em que uma foto foi tirada e o modelo do seu dispositivo.
  • Use uma senha diferente para cada conta que você tenha. Nossa pesquisa mostrou que senhas criadas com base em informações pessoais como o nome de solteira da sua mãe, sua data de nascimento e um caractere especial no final são extremamente fracas. Essas informações costumas aparecer em vazamentos ou pode ser descobertas por meio de fontes públicas, de modo que as senhas podem ser facilmente quebradas por algoritmos inteligentes por meio de ataques de força bruta. É claro que ninguém consegue se lembrar de centenas de senhas exclusivas, então faz sentido deixar essa tarefa para nosso gerenciador de senhas: um cofre seguro que gera e memoriza senhas complexas e exclusivas para você e as sincroniza em todos os seus dispositivos.
  • Saiba de novos vazamentos o mais rápido possível. Alguns serviços on-line enviam um alerta gratuito quando seu endereço de e-mail aparece em um vazamento de dados conhecido. Mas é muito mais conveniente monitorar vazamentos com um aplicativo de segurança dedicado. Por exemplo, Kaspersky Password Manager verifica constantemente todas as credenciais que você salvou. Ele avisa se você reutiliza a mesma senha em sites diferentes ou se algum dos pares de login e senha salvos foi comprometido. Nossas instruções simples para Windows, macOS, Android e iOS podem ajudar você a verificar facilmente todas as senhas salvas no Kaspersky Password Manager. Suas senhas nunca são enviadas para a Kaspersky. Explicamos como podemos analisar suas senhas sem conhecê-las em nosso artigo Saiba como criar senhas fortes e como armazená-las.
  • Use uma solução de proteção confiável que rastreie e bloqueie vazamentos dos seus dados. Enquanto o Kaspersky Password Manager verifica apenas as credenciais de senha ativas que você adicionou, o Kaspersky Premium pode monitorar contas comprometidas associadas aos seus endereços de e-mail (você pode adicionar até 50 endereços para verificação), além de casos de roubo de identidade digital associados aos seus números de telefone. Além de informar sobre vazamentos que já ocorreram, nossas soluções de segurança também podem impedir que dados sobre você sejam coletados on-line.
  • Configure as opções de privacidade nos seus dispositivos e aplicativos com nosso serviço on-line gratuito, Privacy Checker.

Mantenha suas contas separadas

Quanto mais sites souberem seu endereço de e-mail, maior será a probabilidade de ele aparecer em perfis de publicidade e em possíveis vazamentos de dados. Para cadastros pontuais ou em sites que você usa pouco, você pode usar um serviço de mascaramento de e-mail. Todos os usuários da Apple já têm esse recurso disponível por padrão (Ocultar Meu E-mail). Se você usa outro sistema operacional, pode experimentar o Firefox Relay, por exemplo.

O serviço cria um endereço de e-mail alternativo para o site em que você está tentando se cadastrar. As mensagens enviadas para esse endereço são encaminhadas automaticamente para sua caixa de entrada real, mas o site nunca tem acesso ao seu endereço de e-mail verdadeiro.

Se quiser ir além, você pode dividir manualmente sua vida digital em várias identidades secundárias. Crie vários endereços de e-mail para objetivos diferentes. Por exemplo, use um para lojas on-line, bancos e serviços governamentais; outro para perfis públicos nas redes sociais; e um terceiro para fóruns e redes sociais nos quais você deseja permanecer anônimo.

Tenha em mente que isso dá trabalho: você precisará inventar novos apelidos e garantir que suas diferentes identidades digitais nunca se cruzem. Se você usar um endereço de e-mail em um perfil anônimo, não o associe a serviços que já possuam seus dados reais nem o use como e-mail de recuperação de uma conta pública. Uma única associação acidental pode comprometer todo o seu esforço.

Verifique o que você compartilha com ex-parceiros

Se você terminou um relacionamento recentemente, verifique quais partes da vida digital que vocês compartilhavam ainda podem ser acessadas pela outra pessoa. Infelizmente, é muito comum que ex-parceiros passem a divulgar dados pessoais ou perseguir a outra pessoa, espionando-a e não medindo esforços para isso. Para saber mais sobre o que fazer nessa situação, leia nosso artigo Higiene digital após uma separação: o que verificar e desativar.

Exerça seu direito ao esquecimento

Muitos países contam com leis que garantem o direito ao esquecimento. Elas permitem solicitar aos mecanismos de pesquisa a remoção de links para páginas que contenham seus dados pessoais.

Você pode enviar os links dessas páginas, explicar por que deseja ocultá-los e solicitar que sejam removidos dos resultados de pesquisa. Lembre-se de que a página que contém seus dados não será excluída. Outros mecanismos de pesquisa ainda poderão exibi-la, e ela poderá continuar aparecendo em pesquisas feitas com outros termos.

Para enviar uma solicitação desse tipo, utilize os formulários específicos do Google ou do Bing. Mas lembre-se de que um mecanismo de pesquisa pode recusar sua solicitação se considerar que as informações são de interesse público ou que as leis exigem sua divulgação.

Existem maneiras mais eficazes, embora mais demoradas, de remover seus dados da Internet. Abordamos essas maneiras em detalhes em nosso artigo Descubra por que os corretores de dados criam dossiês sobre você e como impedir que eles façam isso.

Quer descobrir outras maneiras de proteger sua identidade digital? Confira nossos outros artigos:

 

Quase metade de todas as senhas existentes podem ser quebradas em menos de um minuto | Blog oficial da Kaspersky

Todos os anos, centenas de milhões de senhas de usuários reais são vazadas na dark web. Analisamos 231 milhões de senhas exclusivas que foram vazadas na dark web entre 2023 e 2026, e as conclusões são sombrias: a grande maioria delas é extremamente fraca. Basta uma hora e alguns dólares no bolso para que um invasor quebre 60% dessas senhas. Além disso, a quebra de senhas vem crescendo a cada ano. No nosso estudo anterior, realizado em 2024, a porcentagem de senhas vulneráveis era menor.

Hoje, analisaremos o quanto as senhas comuns são seguras (spoiler: nem um pouco) e como você pode proteger seus dados e contas usando métodos mais robustos. Ao mesmo tempo, destacaremos os padrões mais comuns utilizados por usuários reais na criação das suas senhas.

Como as senhas são quebradas

Os métodos utilizados para armazenar e decifrar senhas já foram abordados em detalhes no nosso estudo anterior, mas faremos uma breve recapitulação dos pontos mais importantes.

Nos dias atuais, as senhas quase nunca são armazenadas em texto simples. Por exemplo, se você criar uma conta com a senha “Password123!”, o servidor não a armazenará desta forma. Em vez disso, a senha passa por um processo de hash usando algoritmos específicos, transformando-se em uma sequência de letras e números de comprimento fixo (um hash), que é o que realmente fica armazenado no servidor. O hash MD5 para “Password123!” se parece assim:

2c103f2c4ed1e59c0b4e2e01821770fa.

Cada vez que o usuário insere sua senha, ela é convertida em um hash e comparada com o hash que está armazenado no servidor; se eles corresponderem, a senha está correta. Se um invasor colocar as mãos nesse hash, ele precisará quebrá-lo para recuperar a senha original, em um processo conhecido como “quebra de senha”. Isso normalmente é feito usando GPUs próprias ou alugadas, e vários métodos podem ser empregados na execução:

  • Enumeração exaustiva (força bruta). O computador tenta todas as combinações possíveis de caracteres, calculando um hash para cada uma delas. Esse é o método mais fácil para quebrar senhas curtas ou compostas por um único conjunto de caracteres (como apenas dígitos).
  • Tabelas arco-íris. Esse método é um pesadelo para quem usa senhas simples. Trata-se basicamente de uma “lista telefônica” de hashes já quebrados por força bruta ou algoritmos inteligentes. Tudo o que um invasor precisa fazer é encontrar um hash correspondente e ver qual senha corresponde a ele.
  • Quebra inteligente. Esses algoritmos são treinados com base em bancos de dados de senhas vazadas. Eles entendem a frequência de diferentes combinações de caracteres e fazem as verificações das sequências mais prováveis para as menos comuns. Os algoritmos consideram palavras do dicionário e substituições de caracteres (a → @ ou s → $), bem como estruturas de senhas comuns, como “palavra do dicionário + número + caractere especial”, enquanto verificam hashes em relação às tabelas arco-íris. A combinação desses métodos acelera bastante o processo de quebra de senhas.

Além desses métodos, os invasores também conseguem interceptar senhas em texto simples. Existem várias maneiras de fazer isso: phishing (em que uma vítima é atraída para uma página da Web falsa e insere sua senha), keyloggers que detectam teclas pressionadas, malwares de roubo de dados, cavalos de Troia capazes de acessar documentos, cookies, dados da área de transferência e muito mais. Infelizmente, muitos usuários armazenam suas senhas em formato de texto simples em anotações, aplicativos de mensagens e documentos, ou as salvam em navegadores onde invasores podem extraí-las em segundos.

Todos os anos, detectamos cerca de cem milhões de vazamentos de senhas em formato de texto simples. Usamos esses bancos de dados para avisar os usuários do [placeholder KPM] caso seus dados tenham sido comprometidos. Eles nos perguntam com frequência se conhecemos suas senhas. E a resposta é: não. Já explicamos em linguagem não técnica como comparamos suas senhas com senhas vazadas sem precisar conhecê-las (nem as senhas armazenadas no [placeholder KPM] nem mesmo seus hashes saem do seu dispositivo) nas visões gerais da nossa tecnologia de análise de vazamentos e na arquitetura interna do nosso gerenciador de senhas. Dê uma olhada neles. Você ficará surpreso com a elegância do processo.

60% das senhas são quebradas em menos de uma hora

Adicionamos 38 milhões de senhas reais divulgadas por invasores em fóruns da dark web ao banco de dados do nosso estudo anterior e comparamos os resultados. O teste foi realizado usando uma única GPU RTX 5090 para senhas com hash gerado pelo algoritmo MD5. Os dados utilizados na análise foram obtidos do nosso serviço Digital Footprint Intelligence . Você pode consultar o algoritmo que usamos para avaliar a força das senhas em nosso artigo na Securelist.

Infelizmente, as senhas continuam fracas, e fica cada vez mais fácil e rápido quebrá-las. Hoje, 60% das senhas podem ser quebradas em menos de uma hora. Há dois anos, essa porcentagem era de 59%. Mas o fato mais alarmante é este: quase metade de todas as senhas (48%) são quebradas em menos de um minuto!

Tempo para decifrar Porcentagem de senhas que podiam ser quebradas neste período em 2024 Porcentagem de senhas que podiam ser quebradas neste período nos dias de hoje
Menos de um minuto 45% 48%
Menos de uma hora 59% (+14%) 60% (+12%)
Menos de 24 horas 67% (+8%) 68% (+ 8%)
Menos de um mês 73% (+6%) 74% (+6%)
Menos de um ano 77% (+4%) 77% (+3%)
Mais de um ano 23% 23%

Tempo para quebrar uma senha: dois anos atrás e hoje

Esse aumento na velocidade ocorreu devido aos processadores gráficos, que se tornam mais poderosos a cada ano. Enquanto uma RTX 4090 em 2024 atingia uma velocidade de 164 gigahashes (bilhões de hashes) por segundo em ataques de força bruta contra hashes MD5, a nova RTX 5090 aumentou essa taxa em 34%, chegando a 220 gigahashes por segundo.

E embora uma placa de vídeo de alta tecnologia como essa possa ser encontrada à venda no varejo por milhares de dólares, o preço não representa um grande empecilho: há muitos serviços em nuvem baratos que permitem alugar o poder de computação de uma GPU. Dependendo da configuração e do modelo, os custos de aluguel variam de alguns centavos a alguns dólares por hora. Como vimos, uma hora é tudo o que um invasor precisa para quebrar três de cada cinco senhas encontradas em um vazamento. Além disso, dependendo da escala da tarefa, é possível alugar dez ou até cem GPUs em vez de apenas uma…

É interessante notar que quebrar todas as senhas de um conjunto de dados leva quase o mesmo tempo que quebrar apenas uma. Durante cada iteração, depois que o invasor calcula um hash para uma combinação de caracteres específica, ele verifica se esse mesmo hash existe em algum lugar no conjunto de dados. Quanto maior é o conjunto, mais fácil é encontrar uma correspondência. Se uma correspondência for encontrada, a senha correspondente será marcada como “quebrada”, e o algoritmo seguirá para a próxima.

Quais senhas são vulneráveis?

A força de qualquer senha depende do seu comprimento, da variedade do conteúdo e da aleatoriedade desse conteúdo. As senhas criadas por humanos acabam sendo as menos seguras, já que, infelizmente, somos bastante previsíveis. As pessoas usam palavras do dicionário e combinações de caracteres que já foram dominadas pelos algoritmos inteligentes e evitam usar sequências longas e aleatórias de caracteres. Além disso, muitas não sabem que é possível detectar padrões em sequências que aparentam ser aleatórias. O curioso é que senhas geradas por IA ainda carregam traços de uma abordagem humana. Falamos sobre isso em outro post sobre como criar uma senha forte e memorável.

Quase metade de todas as senhas existentes podem ser quebradas em menos de um minuto

Porcentagem de senhas de diferentes comprimentos que podem ser quebradas em um determinado período

O comprimento de uma senha é o principal fator que afeta o tempo que ela leva para ser decifrada. Como você pode ver na tabela abaixo, leva menos de 24 horas para quebrar quase todas as senhas de oito caracteres.

Porcentagem de senhas de diferentes comprimentos que podem ser quebradas em um determinado períodoMas a previsibilidade de uma senha também importa. Você acha que sua senha se torna mais segura ao adicionar um número ou um caractere especial a uma palavra fácil de lembrar? A resposta é sim, mas nem tanto. Os padrões usados pelas pessoas para criar senhas são fáceis de prever e, às vezes, até divertidos, embora isso não tenha graça nenhuma.

O que aprendemos sobre padrões de senhas

Uma análise de mais de 200 milhões de senhas revelou padrões característicos que permitem que algoritmos inteligentes quebrem senhas com facilidade.

Escolha um número

Mais da metade de todas as senhas (53%) terminam com um ou mais dígitos, enquanto quase uma em cada seis (17%) começa com um número. Uma em cada oito (12%) contém sequências que parecem anos, variando de 1950 a 2030, e uma em cada 10 (10%) contém anos entre 1990 e 2026. É provável que isso aconteça porque as pessoas utilizam seu ano de nascimento (ou de alguém que elas conhecem), algum outro ano significativo ou o ano em que criaram a senha ou a conta. Curiosidade: a distribuição dessas datas sugere que os usuários mais ativos na Internet nasceram entre 2000 e 2012.

No entanto, entre todas as combinações numéricas, a mais popular é “1234”, como você já deve ter adivinhado. No geral, padrões com sequências de teclas do teclado (“qwerty”, “ytrewq” e similares) aparecem em 3% das senhas.

Caracteres especiais não são garantia de segurança

A maioria das políticas de senha nos últimos anos exige o uso de pelo menos um caractere especial. O vencedor absoluto desta categoria é o símbolo @: ele aparece em uma em cada 10 senhas. O ponto (.) aparece em segundo lugar, seguido do ponto de exclamação (!) em terceiro.

O amor governa o mundo… e o Skibidi Toilet também

Palavras carregadas de emoção costumam servir de base para senhas, e as positivas são as mais comuns. Alguns dos termos mais usados são “love” (“amor”), “angel” (“anjo”), “team” (“equipe”), “mate” (“amigo”), “life” (“vida”) e “star” (“estrela”). Dito isto, a negatividade também se faz presente, principalmente na forma de palavrões comuns em inglês.

É curioso notar que memes virais também são usados em senhas. Entre 2023 e 2026, o uso da palavra Skibidi aumentou 36 vezes! Naturalmente (veja o link se isso não parecer tão natural assim), a palavra “toilet” também ganhou popularidade, embora em menor escala.

Os usuários tendem a manter as senhas inalteradas por anos

Mais da metade das senhas (54%) que identificamos em vazamentos recentes já haviam aparecido antes. Uma das explicações para isso é a migração dos mesmos dados de um conjunto de dados para outro. No entanto, há uma explicação muito mais preocupante: muitos usuários usam a mesma senha durante anos.

A análise das datas encontradas nas senhas mostra que as combinações que contêm os anos de 2020 a 2024 permanecem populares. Parece que as pessoas adicionam o ano atual à senha quando a criam e depois esquecem dela por vários anos. Isso torna possível calcular a vida útil média de uma senha: de três a cinco anos.

Essa é uma tendência perigosa. Primeiro, porque os algoritmos inteligentes conseguem decifrar senhas muito mais complexas nesse período de tempo. E, em segundo lugar, quanto mais tempo sua senha permanecer inalterada, maior será a probabilidade de ela vazar, seja por meio de uma violação, infecção por malware ou ataque de phishing.

A situação fica ainda pior quando a mesma senha é usada em várias contas. Nesse caso, os invasores nem precisam quebrar nada: basta encontrar sua senha em um único vazamento e usá-la em outros sites.

Como proteger suas senhas e contas

Se, ao ler esta postagem, você percebeu que suas senhas podem ser facilmente quebradas, não entre em pânico. Fizemos uma lista de dicas simples, mas essenciais, para você seguir.

Use um gerenciador de senhas

As senhas mais fracas são as criadas por humanos. Criar e memorizar centenas de sequências aleatórias de 16 a 20 caracteres (já que cada site exige uma senha longa e exclusiva) é uma tarefa difícil e pouco realista.

É por isso que você deve delegar a geração e o armazenamento das suas senhas ao nosso gerenciador de senhas. Além de criar e armazenar senhas complexas e aleatórias em um formato criptografado, ele também as sincroniza em todos os seus dispositivos. Para descriptografar seu cofre, basta lembrar de uma senha principal que só você conhece: nosso guia sobre senhas mnemônicas pode ajudar com isso.

Não armazene senhas em formato de texto simples

Faça o que fizer, nunca anote senhas em arquivos, mensagens ou documentos. Esses recursos não contam com a criptografia robusta oferecida por um gerenciador de senhas. Além disso, esse tipo de anotação cai instantaneamente nas mãos de invasores caso você seja infectado por um cavalo de Troia ou um infostealer.

Não armazene senhas no navegador

Muitos usuários salvam suas senhas nos navegadores, especialmente porque eles oferecem essa opção automaticamente. Porém, estudos mostram que os malwares evoluíram para extrair essas senhas de todos os navegadores populares quase instantaneamente. O KPM pode ajudar você a importar senhas salvas do seu navegador favorito: basta seguir nosso guia simples de três etapas. Mais importante ainda, não se esqueça de limpar o gerenciador de senhas do navegador assim que a importação for concluída.

Prefira usar chaves de acesso

Sempre que possível, use chaves de acesso uma alternativa criptográfica às senhas. Nesta configuração, o serviço armazena uma chave pública, enquanto a chave privada permanece no seu dispositivo e nunca é transmitida. Durante o login, o dispositivo apenas assina uma solicitação única. Além disso, as chaves de acesso estão vinculadas a um domínio específico, o que significa que ataques de phishing com endereços falsificados não funcionarão. O KPM permite armazenar senhas e chaves de acesso, resolvendo o problema da sincronização entre diferentes ecossistemas, incluindo Windows, Android, macOS e iOS.

Configure a autenticação de dois fatores

Ative a autenticação de dois fatores sempre que possível. Mesmo que sua senha tenha sido comprometida, uma configuração de 2FA bem implementada torna extremamente difícil que um invasor acesse sua conta. Para garantir a máxima segurança, prefira aplicativos autenticadores a códigos únicos enviados via SMS. E sim, o KPM também é útil neste caso.

Pratique uma boa higiene digital

Lembre-se: armazenar suas senhas corretamente é apenas metade do caminho. É essencial seguir boas práticas de higiene digital: evite baixar arquivos não verificados, softwares piratas, cheats ou cracks e não clique em links suspeitos. O número de ataques com infostealers tem aumentado de forma consistente nos últimos anos, o que significa que você precisa de uma solução de segurança robusta para garantir proteção total. Recomendamos o Kaspersky Premium, pois ele protege todos os seus dispositivos contra cavalos de Troia, phishing e outras ameaças. Além disso, a assinatura inclui o nosso gerenciador de senhas.

Se você leva a sério a segurança das suas contas, confira nossas postagens sobre senhas, chaves de acesso e autenticação de dois fatores:

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